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Capítulo Quatro

Author: Mia Writes
last update publish date: 2026-08-10 18:21:54

Eira;

O Alfa Leonardo se inclinou para frente em mim. Seus olhos ainda estavam fixos no meu peito como o pervertido que ele era. “Me solte neste instante”, eu lutei com ele, mas ele sorriu de forma sinistra.

“Você não faz as regras, eu faço”, ele sussurrou friamente, fixando o rosto no meu pescoço. Senti o hálito quente do seu nariz enquanto ele o roçava no meu pescoço.

Seu rosto voltou para o meu, prendendo seu olhar ao meu. Engoli em seco o caroço na minha garganta. Ele era inegavelmente muito bonito, e eu não tinha certeza se alguma mulher seria capaz de resistir a ele. Meus olhos se moveram ligeiramente em direção aos lábios dele, e não pude deixar de admirar quão frescos e levemente avermelhados eles eram. E, por um momento, esqueci quem ele era.

Ele aproximou os lábios dos meus, o que fez meu coração disparar. Notei a rigidez do seu pênis enquanto seu corpo se pressionava contra o meu, roçando-o suavemente no meu abdômen. Um pequeno gemido escapou dos lábios dele.

“Alfa, por fav…” tentei pronunciar algumas palavras, mas ele colocou os lábios sobre os meus, calando minha boca. Seu olhar nunca deixou o meu. Notei a rigidez do seu pênis a cada segundo e arrepios tomaram meu corpo.

Seu pênis se pressionou com mais força contra mim e, de repente, ele moveu a cabeça para trás e rugiu. Então avançou sobre o meu pescoço, deixando-o com uma dor aguda. E, instantaneamente, ele parou de se pressionar.

Meus olhos se voltaram para o lado, notando como o Alfa Leonardo afastava lentamente a cabeça do meu pescoço. Seus olhos iam de um lado para o outro em confusão. Ele libertou minhas mãos do seu aperto, com a perplexidade estampada no rosto, e com rapidez disparou para fora do seu quarto.

O que havia de errado com ele? Eu não sabia dizer.

Uma dor aguda no pescoço fez minha palma segurar o local. A dor se tornou intensa, me fazendo correr para o espelho da penteadeira para dar uma olhada no meu pescoço. Puxei minha mão, mas notei sangue na minha palma. Olhei para o reflexo do meu pescoço no espelho e meu corpo gelou.

Um arrepio percorreu minha espinha quando a ficha do que tinha acontecido caiu. O Alfa Leonardo tinha me marcado como sua companheira, porra. O que havia de errado com essa fera? Como essa fera estúpida se atrevia? Por quê?…

Meus lábios tremeram de raiva e minhas mãos agarraram meu cabelo enquanto eu gritava com todas as forças dos meus pulmões. Meu corpo caiu no chão. Eu desabei em lágrimas. Meu mundo finalmente tinha chegado ao fim. Como eu encararia o Caleb com a marca de outro homem no meu pescoço? Chorei amargamente.

E não havia a menor possibilidade de eu tirar aquilo. Oh, Deusa, por que está me testando desta forma? Eu nunca me inscrevi para ser uma das suas guerreiras mais fortes, porra.

Chorei por dias sem comer nenhuma comida que me davam. E também não tinha colocado os olhos no Alfa Leonardo. Eu não sabia quantos dias ou semanas tinham se passado. Mas então, o dia seguinte chegou e eu finalmente decidi comer algo apenas para sobreviver pelos meus entes queridos: minha Mãe, meu Pai e o Caleb.

Eu sabia que quando sobrevivesse a esse inferno depois de um ano, pediria desculpas ao Caleb.

Fiquei por mais semanas, mas ainda não tinha colocado os olhos no Alfa Leonardo. As únicas pessoas que entravam no meu quarto eram os servos que me forneciam comida e roupas, ou quaisquer outras coisas necessárias.

Eu tinha perguntado a alguns deles sobre o Alfa Leonardo e a resposta deles foi: “Temos ordens para não dizer uma palavra sobre o Alfa.”

Eu quase sempre dava risada das palavras deles porque eu tampouco me importava com o precioso Alfa deles. Ele que vá para o inferno, por mim tanto faz.

Pegando uma roupa bonita e me vestindo com ela, dancei pelo quarto, cantarolando uma música. Era o que eu sempre fazia para me entreter. Eu não podia deixar o tédio levar embora minha juventude inocente.

“Feliz aniversário, Eira”, uma voz miúda chamou.

Os movimentos do meu corpo pararam, meu olhar percorreu cada canto do quarto. “Quem é?” murmurei.

“Sou eu, sua Loba.”

“Nossa!! Meu Deus!!” minha mão segurou meu peito enquanto eu ofegava de espanto, meus olhos se arregalando de surpresa. “Loba? Como era possível? Ainda não é meu aniversário de 18 anos.”

“É sim, Eira. Você faz 18 anos hoje.”

Minhas mãos voaram para a minha boca, cobrindo-a. A empolgação encheu meu coração. “Bem-vinda, minha loba. Como devo te chamar? Posso ver como você é? Por favor”, meu corpo estremecia de alegria.

“Será doloroso para você se eu tentar me revelar porque esta é a sua primeira transformação, e você precisa estar pronta.”

“Sim, eu estou”, respondi ansiosa, parada no mesmo lugar com os olhos apertados.

“Tem certeza, Eira?”

“Sim. Sim. Sim. Nunca tive tanta certeza na minha vida.”

“Tudo bem. Fique firme”, ela ordenou.

Minha garganta se contraiu, engolindo em seco enquanto eu me enrijecia na posição. E então eu senti acontecendo: meu corpo se contorcia e se torcia de maneiras que pareciam impossíveis. Minha pele coçava e queimava enquanto um pelagem branca surgia cobrindo meus braços e pernas. Minhas mãos se curvaram em garras, e senti uma força estranha e primal correndo pelas minhas veias enquanto minha Loba chegava.

Ela era enorme, branca, com olhos azuis. Eu nunca tinha visto uma loba ômega com essa aparência, nem mesmo qualquer outra Loba. Aquilo era confuso, mas eu já a amava. “Você é linda, Loba”, murmurei com lágrimas enchendo meus olhos.

“Você pode me chamar de Elisa.”

“Oi, Elisa”, minhas lágrimas escorreram pelas minhas bochechas.

“Eu sei que pareço diferente de todas as outras lobas, mas somos únicas no nosso gênero, Eira. A Deusa da Lua nos abençoou com um dom único. Um dom que ninguém neste século possui”, ela disse suavemente.

“Que dom você quer dizer?” A confusão que eu sentia estava estampada na minha voz.

“Cura, Eira. Nós temos o dom da cura”, a voz da minha loba era calma e encantadora. Muito diferente da minha.

Eu não entendia o que ela queria dizer com cura, nem o que deveríamos fazer com isso, mas estava empolgada por ela estar aqui.

Logo em seguida, um cheiro doce como madeira fina e terra capturou meu nariz. Era o aroma mais poderoso e protetor que já tinha chegado ao meu olfato.

“Nosso companheiro está aqui”, Elisa pronunciou, e um pouco de medo me dominou.

“Companheiro? Na casa de uma fera?” Não pude deixar de perguntar. Aquilo era loucura e eu acreditava que a Deusa devia estar louca para colocar meu Companheiro nesta casa.

“Não lute contra isso, Eira. A Deusa tem seus caminhos e não podemos questioná-la. Prepare-se e vamos ver nosso companheiro”, Elisa era de fato frágil demais para uma rebelde como eu.

Voltei à minha forma humana, vesti um vestido bonito e saí daquele quarto correndo pela primeira vez.

Seguindo o cheiro, ele me levou a um grande salão na mansão, e lá estava ele — o Alfa Leonardo. Ele estava de pé com um homem estranho, alto e bonito, quase da mesma altura e porte físico dele. Mas parecia que eles estavam em uma discussão acalorada. Eu percebia que eles não eram os melhores amigos.

Lentamente, meus pés se moveram para mais perto deles e, inesperadamente, Elisa gritou a palavra “COMPANHEIRO” da minha boca quando meu olhar caiu sobre o homem bonito.

O homem estranho era meu companheiro destinado.

Vi a felicidade nos olhos do meu companheiro quando ele se virou para olhar para mim. Ele me reconheceu como dele. As emoções que senti foram muito fortes e, pela primeira vez, entendi quão poderoso era o laço de companheiros.

Meu companheiro fez menção de caminhar em minha direção, quando o Alfa Leonardo correu para frente e segurou meu pulso. O Alfa Leonardo, sem dizer uma palavra, me puxou de volta para o quarto dele. Ele abriu a porta e me empurrou para dentro.

Bateu a porta com força atrás de nós, cheio de raiva.

Puxei meu pulso do aperto dele. “O que você pensa que está fazendo, me impedindo de encontrar meu companheiro?”

“Companheiro? Eu te trouxe aqui para encontrar a porra do seu companheiro?” Apontando o dedo para mim: “Ei, escuta aqui, Mascote. Meu irmão ilegítimo não pode ser seu companheiro”, ele gritou.

“Ele é meu companheiro, por favor me deixe ir encontrá-lo, Alfa”, meus olhos encheram de água. Alguém tão poderoso quanto o Alfa Leonardo era meu companheiro. Aquela era uma grande oportunidade para eu fugir dessa fera, e eu não ia desperdiçar minha oportunidade, porra.

“Você não pode ficar com ele”, ele rugiu.

“Isso não é possível, Alfa. Ele e eu fomos feitos para ficar juntos.”

O Alfa Leonardo debochou maliciosamente, suas sobrancelhas franzidas de raiva. E deu uma risadinha debochada: “Nós temos um acordo e, enquanto o acordo mantiver sua validade, nenhum homem está autorizado a entrar na sua vida. Parece que seu cérebro pequeno se esqueceu do seu pai”, ele me lembrou da minha miséria, e meu corpo fraquejou.

As palavras dele tinham me derrotado.

A fera apontou o dedo na direção da porta: “Agora vá lá fora e rejeite ele. É uma ordem do seu Alfa.”

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