LOGINMinha vida não é fácil. Sinceramente, estou pensando em desistir dos meus sonhos. Não quero deixar mamãe e vovó sozinhas. Naquela noite terrível, perdi minha irmãzinha e meu pai. Sei que ele estava apavorado com tudo o que estava acontecendo, e foi muito difícil, mas a vovó está conosco, nos ajudando em tudo. Ela tem sido a nossa base.
O homem que era meu agressor foi preso meses depois e condenado à prisão perpétua. Outros abusos foram descobertos, e até que ele matou algumas pessoas. Também contabilizaram como tentativa de homicídio o que ele fez com minha mãe e como assassinato o que fez com Milena, além de nos causar danos psicológicos. Após um tempo, a vovó descobriu que ele foi queimado vivo na cadeia.
Depois disso, saímos de Cuba e agora moramos em Granada, na Nicarágua.
Olho mais uma vez para o papel em minhas mãos e sinto minhas pernas bambas. Se eu não estivesse sentada agora, estaria de cara no chão.
— E aí, Luna? Você não abriu ainda? — pergunta a Sr.ᵃ Salinas enquanto limpa o balcão.
Olho para ela quando se aproxima e puxa a cadeira, sentando-se ao meu lado. Dou uma olhada ao redor da pequena confeitaria, que está vazia. É quase hora de fechar, e o ambiente está tranquilo.
— Sou incapaz de abrir! — coloco o envelope sobre a mesa. — Não sei se fiz bem ao me candidatar a uma faculdade tão distante. Como minha avó e minha mãe vão ficar? Preciso estar aqui para ajudá-las — digo, olhando em seus olhos.
Ela pega minha mão e me dá um sorriso tranquilizador.
— Você sabe que sou responsável pela sua candidatura à bolsa e também sabe que tenho grande estima por você. Quando você se mudou para o outro lado da rua, eu havia acabado de perder minha Loren, você sabe disso. Por isso me apeguei tanto a você e à sua família… muito mais a você! Sei que minha Loren estaria fazendo isso agora. Por isso te encorajei. E se eles não te aceitarem na faculdade este ano, você tenta de novo no próximo ano e, ao invés de se candidatar a duas faculdades, tente em quatro! Sei do seu potencial, e nós acreditamos em você, Luna — diz ela enquanto enxuga a lágrima que escorre pelo meu rosto.
Respiro fundo. Quando estou aqui com ela, é como se todos os meus problemas não existissem. Quando fiz quinze anos, vim trabalhar aqui e consegui terminar o ensino médio antes do esperado, graças a ela. Ela me incentiva diariamente a ter um futuro melhor.
Pego o envelope novamente e o abro. Tiro o papel de dentro e parece que meu coração vai explodir ou parar.
— Não posso, senhora! — digo, entregando o papel para ela.
Ela sorri e termina de abrir. Os segundos parecem virar horas, e os minutos, uma eternidade. Ela olha para mim e, depois, para o papel novamente.
— Por favor, não me deixe ansiosa assim! — digo.
A Sr.ᵃ Salinas dobra o papel, coloca-o sobre a mesa e pega minhas mãos logo em seguida.
— Lembre-se sempre que o fracasso não é o fim! É apenas um desvio no caminho, de onde você sairá com maior aprendizado e sempre acreditando em você! — diz ela.
Eu a encaro, tentando absorver suas palavras. Meus olhos se enchem de lágrimas ao pensar que não consegui.
— Parabéns, querida, você foi aceita em Harvard — ela finalmente diz.
Eu não consigo dizer nada, apenas olho para ela, piscando várias vezes, sem acreditar.
A Sr.ᵃ Salinas me entrega o papel, e eu o olho sem saber o que fazer. As aulas de inglês com ela me ajudaram tanto, e os cursos intensivos também. De repente, me levanto da cadeira, derrubando-a. O sorriso em seus lábios é de uma pessoa orgulhosa. Ela se levanta, abre os braços e eu me jogo neles. Ela me aperta e diz com a voz embargada:
— Estou orgulhosa, princesa. Parabéns pelo seu esforço. E sempre me mande uma mensagem, me ligue! Não se esqueça de mim, ok?
Ela se afasta e pega minhas mãos.
— Sempre vou lembrar da senhora aqui… — digo, apontando para o meu coração.
Ela me puxa de volta para outro abraço.
— Agora vá contar a novidade, tenho certeza de que elas ficarão felizes por você!
Olho para os meus pais, tentando arrumar um jeito de dizer a eles que vão ser avós.— O que acontece, Vinci? — Minha mãe pergunta, fazendo a mesma expressão de quando eu aprontava na escola e a diretora a chamava. — Estou esperando, menino! — diz, impaciente.É até engraçado eu, com 28 anos, ser chamado de menino. Olho para meu pai, o senhor Adam, que está relaxado na cadeira com um grande sorriso no rosto. Com toda certeza, ele quer me matar.Como chego nessa situação, meu Deus!Ah, sim! Claro, me lembro! Cedo aos encantos daquela… Eu deveria me manter distante, ainda mais ela sendo filha de quem ela é, mas não resisto. Aquela mulher é uma tentação em pessoa, e posso dizer que é em todos os sentidos! Lembro-me como se fosse ontem, quando Júlia me dá a notícia.Flashback on.Uma semana antes.Depois que o senhor Adam, vulgo meu pai, me deixa na presidência da empresa, trabalho sem parar e quase não tenho tempo para minha pequena tentação.Pensando nela, Jully invade minha sala com uma
Estamos todos reunidos em nossa casa em Cuba. Nossos filhos estão casados; na verdade, nos tornamos uma grande família!Sou realmente muito grata por tudo o que aconteceu em minha vida. Acredito que tudo aconteceu no momento certo, mesmo que eu leve alguns arrependimentos, o que considero ser normal para qualquer ser humano.A vida tem altos e baixos, mas, estando ao lado de quem amamos, acho que as coisas se tornam mais suportáveis.Adam e eu estamos comemorando cinquenta anos de casados! Estamos todos reunidos para os preparativos. Meus irmãos vieram da Espanha para nos prestigiar, e é tão bom tê-los conosco.Já faz alguns anos que minha mãe se foi; acho que ela não suportou a saudade de Estevam e quis partir logo. Os pais de Adam partiram recentemente, e ele ficou muito triste com a perda, mas precisamos entender.Gosto muito de uma frase de um autor desconhecido, que diz:“Há momentos…Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém, que o que mais queremos é tirar ess
Eu nunca fui um cara romântico, mas, quando eu e Lunna começamos a nossa amizade colorida, tudo mudou! Eu queria apenas matar o meu desejo de tê-la, mas estava enganando a mim mesmo. Ela havia conquistado não só o meu coração, como também a minha alma. Lunna é a pessoa mais incrível que já conheci, e eu faria qualquer coisa para fazê-la feliz. Por isso, decidi levá-la em uma viagem romântica de trinta dias ao redor do mundo. Quero mostrar a ela os lugares mais bonitos e românticos que já visitei e criar memórias inesquecíveis juntos.Nosso primeiro destino é Paris, a cidade do amor. Chegamos ao amanhecer, e eu a levo para um passeio de barco pelo rio Sena. A cidade continua adormecida, mas nós dois estamos acordados e apaixonados. Enquanto o sol começa a nascer, eu envolvo Lunna em meus braços e sussurro palavras de amor em seu ouvido.— Adam, isso é tão lindo. Eu nunca imaginei que Paris pudesse ser tão romântica — ela diz, sorrindo.— Quero que essa viagem seja inesquecível para voc
Você é muito belo e tem muitas virtudes, tanto no corpo quanto na alma. Você me dá paz e nenhuma sensação de desconforto.Tenha certeza de que tudo o que faço para você é feito com muito amor e carinho. A doçura que sinto quando ouço você me chamar de ‘meu amor’ e a intensidade do seu amor aliviam qualquer distância, mesmo sendo apenas de poucos metros.Você é maravilhoso, é muito especial, e é por isso que dedico todo este amor e carinho a você.Desde que nos encontramos pela primeira vez, minha vida mudou. Minha alma mudou e se convenceu de que você é o meu amor definitivo.Nada neste mundo me fará mudar de ideia ou opinião. Por isso estamos mais uma vez renovando os nossos votos neste dia.Para mim, você sempre será o mais belo, o mais elegante e o mais charmoso dentre todos os homens do mundo. Você é o príncipe mais lindo a habitar esta minha modesta biblioteca, que apelidei de ‘meu coração’.Aqui guardaremos nossas histórias em livros chamados de lembranças, onde poderemos compar
Caminho até a biblioteca, olho para todos esses livros e sorrio. Lunna ama livros, e me lembro como se fosse hoje dela me pedindo uma.Flashback on.— Amor! — Estou no escritório que tenho em casa e a escuto gritando pelo corredor. — Amor, amor, eles chegaram! — diz, aparecendo na porta do escritório.— O que chegou?— Meus livros! Eles chegaram! — Ela diz toda feliz.— Cadê? Deixa eu ver — peço, achando que era apenas um livro, mas estava enganado.Ela vem até mim, pega minha mão e me puxa, radiante. Caminhamos para a sala e quase caio para trás ao ver a sala cheia de caixas.— Mas o que são essas caixas? — pergunto, mesmo sabendo a resposta.— São os meus livros! Agora terei a minha biblioteca — ela diz, soltando minha mão e indo até uma das caixas para abri-la.Ela começa a tirar vários livros de diferentes caixas e fico me perguntando onde ela vai colocar tudo isso.— Amor, vamos sair e montar a minha biblioteca!— Oi? — pergunto, sem entender.— Vamos a uma loja. Quero minhas pra
Atrasado. Mais uma vez. Algo rotineiro para situações sociais, mas nunca para o trabalho. Hoje, no entanto, meu atraso é culpa de uma noite mal dormida. Por que ela tinha que se declarar para mim? Desde o início, deixei claro que seria tudo casual e em segredo, especialmente para evitar o irmão dela.Entro no carro às pressas, coloco o cinto e acelero para sair da garagem do prédio. No retrovisor, vejo minha escolta seguindo atrás, um bando de “cães farejadores” imposto por dona Kim, desde que situações complicadas colocaram minha segurança em risco.Decido pegar um caminho alternativo. Enfrentar as avenidas principais nesse horário é suicídio. Praguejo quando o celular vibra no bolso, lembrando que esqueci de conectá-lo ao carro. Distraio-me por um segundo para pegá-lo, mas o som de pneus cantando no asfalto me faz frear bruscamente.Tarde demais.Atropelei alguém.— Que merda! — murmuro, puxando o freio de mão e saindo do carro às pressas.Antes que eu possa dizer qualquer coisa, el







