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####CAPÍTULO 02

last update Tanggal publikasi: 2026-08-28 00:55:32

A caminhada pela mata desconhecida pareceu uma jornada interminável e tortuosa.

— Ilunara estava terrivelmente enfraquecida pelo parto recente, pelo desgaste severo da transmutação e pelo impacto da travessia entre as dimensões.

— Algumas vezes precisou apoiar-se no tronco das árvores para não ceder à tontura e cair desacordada.

— A chuva começou a cair de forma fina e fria, prendendo os fios de cabelos ao seu rosto desgastado e tornando o caminho escorregadio. — Mesmo enfrentando todas as adversidades físicas e emocionais, ela continuou avançando sem pausar.

Quando finalmente reconheceu os sinais territoriais que Cálix havia descrito no passado, a princesa quase não pôde acreditar que conseguira.

— As árvores eram notavelmente diferentes naquela parte específica da floresta. Eram visivelmente mais antigas, imponentes e misteriosamente silenciosas.

— Havia uma aura mística pulsando ali, embora não fosse exatamente igual à magia refinada de Lórandhriel.

—Era uma força terrestre, selvagem, profundamente ligada às fases da lua, ao sangue das alcateias e aos animais que habitavam aquelas terras antigas.

Ilunara caminhou mais um pouco e finalmente encontrou a humilde cabana.

—Parou diante do construto de madeira com o coração disparado. E exatamente naquele momento compreendeu que havia chegado à parte mais difícil de toda a sua jornada.

— Durante toda a fuga desesperada, ela pensara apenas em alcançar aquele lugar em segurança. — Jamais se permitiria focar no que aconteceria depois que chegasse ao destino.

— Agora não havia mais floresta para atravessar, inimigo imediato do qual fugir ou portal pelo qual passar, restava a dolorosa tarefa de entregar sua filha para estranhos.

Ilunara olhou profundamente para a menina e sentiu que suas pernas finalmente perdem a força para mantê-la de pé.

— Sentou-se com cuidado diante da soleira da porta e afastou delicadamente o tecido que cobria o rosto da criança.

— Os cabelos prateados da recém-nascida estavam ainda mais luminosos sob a luz da lua que cortava as nuvens.

— A menina abriu os olhos por alguns segundos, encarando a mãe, e Ilunara levou a mão livre à boca para conter um soluço desesperado de dor.

— Como eu queria ver você crescer lamentou a princesa feérica em um sussurro sentido.

Acariciou delicadamente a pequena face da bebê, gravando cada detalhe daquele rosto em sua memória para sempre.

— Queria ouvir sua primeira palavra, ver seus primeiros passos e contar quem foi seu pai, e que você soubesse o quanto ele amou você antes mesmo de conhecer seu rosto declarou a mãe com o peito sufocado de dor.

— As lágrimas quentes caíram ininterruptamente sobre o tecido que envolvia a recém-nascida.

— Ilunara retirou de junto ao seu próprio corpo um pequeno colar lunar trabalhado em prata e pedras místicas.

A joia possuía uma pedra preciosa que pulsava suavemente com uma luz própria, guardando em seu interior uma parcela valiosa da magia ancestral de sua linhagem real.

— Colocou-o cuidadosamente junto ao corpo da criança, garantindo que o amuleto permanecesse protegido nos panos, e em seguida, retirou a carta que havia preparado previamente para aquela ocasião fatídica.

Havia escrito aquelas palavras com o próprio punho sabendo que talvez elas fossem a única voz e a única herança que sua filha teria dela ao longo da vida.

— Depositou a menina suavemente sobre a soleira da madeira.

— Tentou se levantar para ir embora de vez, mas não conseguiu mover os membros enfraquecidos. Ajoelhou-se novamente e tomou a filha nos braços para um abraço final desesperado.

— Perdoe-me, pediu a mãe em um sussurro dilacerante.

Beijou a testa da recém-nascida de forma demorada e carinhosa.

— Eu não estou deixando você porque não a amo, estou deixando você porque amo mais a sua vida do que a minha própria felicidade, explicou a princesa, derramando suas últimas lágrimas sobre a pequena.

A menina moveu instintivamente a pequena mãozinha e seus dedos minúsculos tocaram suavemente o rosto banhado de lágrimas da mãe.

— Ilunara fechou os olhos ao sentir aquele toque tão puro e cheio de inocência.

— Por um único e perigoso segundo, ela quase desistiu de seu plano inicial.

— Quase decidiu pegar a bebê e fugir novamente sem rumo, levando-a consigo para qualquer canto esquecido daquele mundo mortal.

Mas então lembrou-se vividamente da imagem terrível da espada atravessando o peito de Cálix e ouviu o eco de suas últimas palavras implorando para que protegesse a filha.

— Com uma força sobrenatural que não sabia que ainda possuía, Ilunara colocou a criança novamente na soleira da porta.

— Seja a Lua onde só houver trevas, que seu nome ecoe entre as matas e atravesse a eternidade, e que, quando chegar o momento, você compreenda aquilo que sua mãe precisou sacrificar para que pudesse viver — declarou a feérica em uma bênção solene.

De repente, a floresta ao redor estremeceu violentamente, Ilunara ficou completamente imóvel no lugar, reconhecendo o sinal.

— Não era a força do vento mortal que causava aquilo. As árvores se curvaram em uma reverência forçada e assustadora.

— A magia feérica pura atravessou a vegetação como uma onda de choque congelante, e ela soube da verdade antes mesmo de se virar para confirmar com os próprios olhos.

— Priel, o Rei da Corte da Luz, finalmente a encontrara naquele mundo remoto.

O Rei atravessou a fenda entre os mundos de forma majestosa, totalmente envolvido pela luz fria e intimidadora da Corte da Luz.

— Sua simples presença naquele plano mortal obrigou a própria floresta a reagir de maneira errática e defensiva.

— Folhas se desprenderam abruptamente das árvores, raízes grossas se moveram com estrondo sob a terra e o ar ao redor pareceu comprimir-se rapidamente.

Ilunara se levantou com dificuldade e imediatamente colocou-se de pé entre seu pai e a porta da cabana onde a bebê repousava.

— Priel olhou duramente para ela, analisando a aparência decadente da filha transmutada.

Em seguida, desviou o olhar frio para a porta fechada da habitação.

— Onde está a criança? — questionou o soberano com uma voz desprovida de qualquer afeto paternal.

Ilunara manteve-se em silêncio absoluto, encarando-o com firmeza.

— Entregue-a, ordenou o rei em um tom imperioso.

— Não — respondeu a princesa sem vacilar por um segundo sequer.

O rosto aristocrático e belo do rei endureceu instantaneamente diante da recusa insolente.

— Você já destruiu o suficiente por causa daquele lobo — acusou Priel com profundo desprezo.

A dor da menção ao seu falecido amor atravessou o peito de Ilunara como uma lâmina, mas ela recusou-se veementemente a recuar um passo que fosse.

— Não pronuncie Cálix como se ele fosse indigno. O homem que você chama de lobo morreu protegendo sua filha.

— O senhor, que se chama rei, tentou condená-la pelo crime de ter nascido — confrontou ela com veneno na voz.

— Ela carrega um sangue que jamais deveria ter sido unido ao nosso declarou o soberano com repulsa.

— Ela carrega o meu sangue — rebateu Ilunara, erguendo a cabeça com orgulho.

Priel avançou um passo ameaçador na direção da filha rebelde.

— Ilunara permaneceu firme diante dele, bloqueando seu caminho.

— E carrega o sangue do Supremo Alpha, é filha de dois mundos, quer o senhor aceite ou não, afirmou ela com plena convicção de suas palavras, a Herdeira de dois mundos.

— Onde ela está? — exigiu o rei pela última vez, perdendo a paciência.

Dessa vez, Ilunara sorriu para o monarca, não há a menor ponta de alegria naquele sorriso rasgado.

— Havia apenas um desafio puro e inabalável contra a autoridade do pai.

— Longe do seu alcance, provocou a princesa com triunfo velado.

A ira incontida modificou terrivelmente o rosto perfeito do rei feérico.

— Ilunara ergueu o queixo com imponência, aceitando qualquer punição que estivesse por vir.

— Ela não é mais sua, não pertence à sua Corte, à sua coroa nem ao seu orgulho.

— Ela pertence ao destino decretou a mãe em tom definitivo.

As correntes mágicas surgiram no ar antes mesmo que Ilunara pudesse tentar qualquer reação defensiva.

— Feitas de prata viva e reluzente, elas se enrolaram com força brutal ao redor de seus pulsos, braços e cintura.

— A pouca magia feérica que ainda restava dentro dela tentou desesperadamente despertar para libertá-la, mas o processo penoso da transmutação a havia enfraquecido demais para conseguir romper tais amarras. Ilunara lutou bravamente contra a contenção, ainda assim, até sentir a prata mística queimar impiedosamente sua pele transmutada.

Priel aproximou-se da filha aprisionada com passos lentos e calculados.

— Você voltará comigo, declarou o monarca, selando a sentença dela.

— Pode aprisionar meu corpo respondeu a princesa sem demonstrar fraqueza diante dele.

Ela encarou o pai diretamente nos olhos com um olhar que queimava de determinação.

— Mas jamais encontrará minha filha concluiu ela com firmeza absoluta.

Sem dizer mais nenhuma palavra, Priel abriu um portal brilhante para a dimensão feérica.

— Quando Ilunara começou a ser implacavelmente arrastada para dentro da fenda luminosa, ela olhou uma última vez na direção da cabana de madeira.

— Dessa vez, contrariando todas as ordens anteriores, ela se permitiu olhar para trás com carinho.

— E sorriu lindamente no meio das lágrimas que lavavam seu rosto, sorriu porque sabia que, independentemente do seu próprio fim amargo, sua querida filha estava viva e em segurança.

Poucos instantes depois da passagem dos feéricos, o portal mágico desapareceu completamente sem deixar rastros.

— O castigo reservado a Ilunara por sua rebeldia seria infinitamente pior do que uma simples sentença de morte rápida.

— Priel a aprisiona perpetuamente entre os espelhos frios das Montanhas Cristalinas, onde sua magia ancestral permaneceria totalmente selada e sua existência seria reduzida à triste contemplação de um céu que jamais poderia alcançar.

— Naquele cativeiro eterno, ela carregaria a dor de duas ausências devastadoras: o companheiro que perdera na guerra e a filha amada que jamais veria crescer.

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