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Abri a cortina.A noite caía sobre a Sicília.O mar estava negro como breu, e luzes dispersas brilhavam ao longe, como estrelas lançadas pelo vento.Alessio Carbone estava sentado sozinho no banco do lado de fora da minha janela.Abri a janela por dentro e me inclinei levemente para fora.— O que você está fazendo aqui?Ele não olhou para mim imediatamente.— Pensando na Nova York sobre a qual você falou hoje.Fez uma breve pausa antes de perguntar lentamente:— Era tudo verdade?Respondi com sinceridade:— Parte era. Parte não era.Alessio Carbone sorriu de leve.— Você mente para mim.Então virou o rosto na minha direção.— Não tem medo de que eu te mate?Sorri também.— Enquanto você não conseguir distinguir quais partes são falsas, nunca vai me matar.Ele não perguntou mais nada.Apenas disse:— Marcus De Luca. Eu o mandei embora.Inclinei a cabeça.— Foi embora… ou foi jogado aos tubarões?Alessio virou ligeiramente o rosto para mim.Como se tentasse decifr
Duas horas depois, voltei para casa vindo da base de Alessio Carbone.Ele não perguntou nada sobre Marcus.E eu também não mencionei nada.Achei que Alessio não soubesse.Até chegar à porta de casa.Na esquina.No telhado do prédio em frente.Sob a luz fria dos postes.Todos os homens dele estavam lá.Ninguém olhou para mim.Ninguém se afastou.Marcus estava sentado no banco do lado de fora da minha janela, como um simples transeunte que não tinha ligação alguma com aquele lugar.Ele não falou.Eu também não.Não abri a porta.Tinha medo de que ele entrasse à força.O silêncio se prolongou por um tempo.Então ele falou em voz baixa:— Já cuidei da Vivian.Fechei os olhos por um instante.Ele continuou:— A cena foi muito sangrenta. Não vou descrevê-la.Respirei fundo lentamente.— Resumindo, o que você sofreu… eu fiz com que ela pagasse cem vezes mais.Olhei para ele.— Isso é entre você e ela. Não tem nada a ver comigo.O ar esfriou instantaneamente.O olhar
No momento em que aquelas palavras saíram da minha boca, todos atrás dele prenderam a respiração.Mais tarde, descobri que, em toda a Sicília, ninguém ousava pronunciar aquele nome em voz alta.Ele era Alessio Carbone.O homem que eu tinha vindo procurar.Ele me convidou para ir até sua base e entregou a arma na minha frente, diante de todos.Abaixei a cabeça para pegá-la e quase a deixei cair.Era pesada.Minhas mãos mal conseguiam segurá-la.Em Nova York, Marcus havia quebrado os dedos da minha mão direita.Vivian tinha rasgado a palma da minha mão esquerda.Foi naquele instante que percebi, de verdade, que estava muito, muito longe de Nova York.Não ousei levantar as mãos.Não queria que Alessio Carbone ou seus homens enxergassem fraqueza.Por um momento, o silêncio tornou-se sufocante.Como se não tivesse percebido absolutamente nada, Alessio Carbone estendeu a mão e pegou a arma.No segundo seguinte, segurou meu pulso e colocou a arma de volta na minha mão.Os dedo
Sicília.O vento do mar carregava o cheiro de sal pela orla, enquanto campos de flores balançavam sob a luz do sol ao longe.Eu estava no porto, esperando pela arma que vinha de Nova York.Os navios cargueiros estavam atracados, e os trabalhadores já haviam começado a descarregar a mercadoria. Contêineres de aço se erguiam como paredes gigantescas ao redor do cais.O vento trazia cheiro de ferrugem e água salgada, invadindo lentamente meus pulmões.Dois dias antes, eu havia combinado tudo.O vendedor esconderia a arma dentro de um lote de peças de máquinas e a enviaria junto com a remessa.Uma voz oleosa soou atrás de mim:— Ei, querida. Ficando aqui sozinha, procurando companhia?Franzi a testa.— Eu já não mandei você parar de me seguir?Ele riu.Na Sicília, era apenas um bandido local.Aproximou-se lentamente.— Uma forasteira bonita como você não vai durar muito nesta ilha.— A menos que fique comigo. Posso te proteger. Tornar sua vida bem confortável.Me proteger?
Marcus fitou o rosto cuidadosamente maquiado de Vivian com uma expressão serena.Então perguntou friamente:— O que você está fazendo parada aqui?A voz de Vivian tremeu.— Marcus… sou eu. Sou a Vivian. Nós vamos nos casar.Marcus franziu a testa.— Eu não perguntei quem você é.Então sua voz ficou mais tensa, como se estivesse usando o último fio de paciência que ainda possuía:— Estou perguntando quem mandou você ficar aqui.— Foi… a Nerina.Marcus negou imediatamente.— Impossível. Nerina nunca me trairia.— Foi mesmo a Nerina. Acredite em mim. O velho Don também sabe…Marcus a interrompeu.— Ela disse para você ficar aqui e você ficou?Seu olhar endureceu.— Você me escuta ou escuta ela?Os olhos de Vivian se encheram de lágrimas, mas ela ainda se recusava a desistir.— Marcus… não sou eu quem você queria se casar?Marcus olhou para ela e respondeu friamente:— Eu disse isso?— Você acabou de dizer. Você disse que, se houvesse outra vida…Marcus a interrompeu
A noiva estava sob o arco de flores, com o véu cobrindo o rosto.Todos sabiam que era Vivian.Só Marcus não sabia.A cerimônia já havia ultrapassado o horário previsto, mas ninguém tinha coragem de iniciá-la.Então as portas se abriram.Marcus entrou.Seu terno estava impecável, perfeitamente ajustado ao corpo. A expressão serena. Fria. Controlada. Como se nada naquela sala fosse capaz de abalar o equilíbrio dele.Mesmo naquele momento, sua mente não estava ali.Ainda pensava em como trazer Vivian de volta da Sicília.O velho Don franziu a testa.— Marcus, este é o seu casamento.— Você não veio receber sua noiva e agora também chega atrasado.Marcus quase não reagiu.— Eu tinha algo para resolver.Então caminhou diretamente até o altar e parou diante da noiva.— Ela já está na Sicília — disse em voz baixa. — Acabei de me despedir dela.Fez uma breve pausa antes de continuar:— Não tente nada contra ela. Eu concordei em me casar com você, mas isso não significa que pod
Na noite anterior ao casamento, o velho Don me chamou ao seu escritório uma última vez.— Nerina, a Sicília não é Nova York. Eu não estarei lá.— Marcus também não estará lá. Receio que ninguém consiga te proteger.— Você realmente já se decidiu?Levantei-me da cadeira e me inclinei para beijar
Quando voltei lentamente a mim, o assistente de Marcus bateu à porta e entrou no meu quarto.— Senhorita Nerina, esta noite é o baile de caridade da família De Luca.— O Don pediu que a senhora tocasse a peça de abertura ao piano.Olhei para cima e respondi sem hesitar:— Não vou. Esse papel é d
Depois do jantar, fui sozinha à loja de armas.Na minha vida passada, depois que Vivian foi enviada para a Sicília, ela trocou seu corpo por proteção contra os chefes locais. Abortou cinco filhos. Só então conseguiu sobreviver o tempo suficiente para voltar a Nova York, vinte anos depois.Desta ve







