Se connecterFabrício empalideceu.— Dopou minha filha? — perguntou, como se ainda precisasse ouvir aquilo outra vez para acreditar.— Sim. — Liam sustentou o olhar dele, atento a cada mudança em sua expressão.— Para quê?— Para garantir que ela não tivesse condições de reagir ao que haviam planejado.Fabrício levou a mão ao peito e ficou em silêncio.O movimento fez Liam se inclinar imediatamente na direção dele.— Senhor Fabrício?— Estou bem. — Fabrício ergueu a outra mão, pedindo que não interrompesse, mas precisou inspirar lentamente antes de continuar. — Só... me dê um instante.Liam permaneceu atento, sem prosseguir.Fabrício fechou os olhos por alguns segundos, tentando assimilar o que acabara de descobrir sobre a filha. Quando tornou a abri-los, havia dor no olhar.— Continue.— Tem certeza?— Tenho. — Fabrício assentiu devagar, embora a voz já não tivesse a mesma firmeza de antes. — Preciso saber até onde isso foi.Liam hesitou por um instante antes de continuar. Então contou o restante
Liam permaneceu alguns segundos em silêncio, observando-o.— Tem certeza de que está bem?— Tenho. — Fabrício sustentou o olhar dele com serenidade. — Pode falar.Liam assentiu devagar.— Meredith não nasceu de sete meses.Fabrício não demonstrou surpresa.— Eu sei.Liam franziu discretamente a testa.— Sabe?— Sempre soube.— Como?— Simples. — Fabrício apoiou um braço no encosto do sofá. — Quando sua esposa anunciou a gravidez, disse que estava com um mês. Eu olhei para a barriga da minha filha e perguntei se ela tinha certeza. Lembra?Liam se lembrava.— Lembro.— Vocês se casaram rápido demais. — Fabrício continuou, passando os dedos pelo queixo. — E então Meredith nasceu supostamente de sete meses. Uma menina grande, saudável, perfeita, que sequer precisou permanecer em incubadora. — Ele ergueu uma sobrancelha. — Tenho alguns anos de experiência, Liam. E conheço minha filha desde o primeiro segundo de vida dela. Eu sabia que aquela conta não fechava.Liam ficou olhando para ele.
O sorriso desapareceu lentamente.— Mas Darcy escolheu Elizabeth e ficou com ela.Olívia abriu os olhos.— Você está me escolhendo, Mozão?A carta permaneceu apertada contra seu peito.— Porque eu quero acreditar em você. — A voz falhou. — Meu Deus, como eu quero.Uma lágrima escorreu.— Esse é o problema. Eu quero tanto que tenho medo de acreditar só porque preciso que seja verdade.Olívia levantou e caminhou lentamente entre as flores.— Você enche meu quarto de rosas, escreve que é meu, diz exatamente tudo o que eu quero ouvir... — Tocou outra pétala, mas agora havia tristeza em seu sorriso. — E meu coração já quer correr para você como se nada tivesse acontecido.Ela balançou a cabeça.— Mas aconteceu.A voz feminina.As ausências.Os silêncios.O medo de ter sido substituída e de perder a filha.Tudo voltou.Olívia apertou a carta.— Só que, quando penso em você com outra mulher... alguma coisa não encaixa. — Franziu a testa, irritada com a própria confusão. — Eu conheço seus olh
Olívia passou o polegar sob os olhos para enxugar as lágrimas.— Como eu vou confiar em você, Liam? — Fitou a letra dele como se pudesse encontrar uma resposta escondida entre as palavras. — Você não ficou o dia todo no hospital, tenho certeza. Eu liguei e escutei outra mulher com você...Seu peito apertou novamente.A voz feminina voltou à memória.Olívia fechou os olhos.— E eu sei o que ouvi.Mas outra lembrança veio imediatamente.Os olhos de Liam.A forma como ele a olhava.As palavras dele.O homem que conhecia.Olívia abriu os olhos lentamente.— Então por que uma parte de mim continua dizendo que estou errada?A pergunta saiu quase num sussurro.Ela abaixou o olhar para a carta.— É isso que está me deixando louca. — Apertou os dedos contra a folha. — Minha cabeça olha para tudo e diz que existe outra mulher. Meu coração olha para você e diz que não existe ninguém.Uma lágrima escorreu por sua face.— E eu não sei mais em qual dos dois acreditar.Olívia respirou fundo e voltou
A mandíbula de Liam se contraiu.Depois de tudo o que havia descoberto nas últimas horas, aquelas palavras já não tinham o mesmo significado que teriam alguns dias antes.— Mas existe uma coisa que eu não posso fazer para respeitar a sua raiva: ignorar quando sinto que alguma coisa está acontecendo com a minha filha. — A voz de Fabrício continuou calma. — É a vida dela, Liam.Liam abaixou os olhos por um instante.— Eu sei.— Eu nunca me meti no casamento de vocês. — Fabrício continuou. — Sempre soube que, depois de mim, você era a única pessoa neste mundo com paciência suficiente para lidar com a teimosia dessa menina sem desistir dela. E sei o quanto minha filha ama você. Foi justamente por isso que a aconselhei a conversar com você em vez de fugir outra vez.Um silêncio pesado se instalou entre os dois.— Mas agora eu estou perguntando como pai. — Fabrício falou mais baixo. — O que está acontecendo com a minha Pérola Negra, Liam?Liam permaneceu alguns segundos sem responder. Seus
Ela se encaixou nele quase imediatamente.Liam fechou os olhos por um instante ao sentir o corpo de Olívia se aconchegar ao dele, como se, mesmo profundamente adormecida, ainda reconhecesse exatamente onde queria estar. Depositou um beijo no alto da cabeça da esposa enquanto a mantinha abraçada com um braço e, com a outra mão, começou a fazer um cafuné lento nos cabelos de Olívia.— Como eu senti falta disso, meu amor... — murmurou, enterrando o rosto nos cabelos dela e inspirando profundamente o perfume da esposa. — Até o seu cheiro fez falta. É viciante. Aliás, você inteira é viciante. Eu preciso de uma dose de Bruxinha todos os dias para continuar funcionando.Olívia se aconchegou ainda mais e apertou Liam durante o sono.O gesto fez com que ele abrisse os olhos.Liam abaixou o olhar para a esposa e permaneceu alguns segundos observando o rosto dela antes de apertá-la um pouco mais contra o peito.— Eu achei que fosse morrer hoje quando ouvi tudo o que você passou. — A voz dele sai







