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Dois meses depoisO sol florentino curou minhas feridas.Nos campos da Toscana, encontrei a mim mesma novamente.Pintei, li, estudei os clássicos.Sem ligações de Luciano. Sem notícias de Maya. Sem a sombra da máfia de Nova York.Apenas eu e a arte pura.Desenhei uma dúzia de vestidos novos, inspirados nos mestres do Renascimento.Elegantes, puros, com uma graça intocável.Essa era a minha nova vida.No dia em que voltei a Nova York, o ar de outono estava fresco. O aeroporto estava movimentado, mas meu coração estava calmo.Meu pai estava lá para me buscar.— Você está ótima. — Ele sorriu. — Minha filha está viva novamente.— Estou... — Respondi com um sorriso. — Estou pronta para começar minha nova vida.O carro seguiu em direção a casa.Nova York ainda era Nova York. Mas eu não era mais a mesma Catherine.Minha história se espalhou mais rápido do que eu. Tornou-se um sussurro entre a elite: a noiva do Don que abriu mão do trono e escolheu a si mesma.Alguém me esperava no portão da f
POV de MayaO corredor do hospital estava frio.As luzes fluorescentes brancas machucavam meus olhos.— Srta. Cross. Você pode ir agora.Marco estava à minha frente, o rosto impassível.— Como está Luciano? — Perguntei.— Isso não é mais da sua conta. — Disse, a voz gelada. — O chefe disse que nunca mais quer te ver.Nunca mais quer me ver.Horas atrás, naquela catedral, ele me chamou de esgoto. Um brinquedo. Algo para usar e descartar.Agora, ele nem se dava ao trabalho de me olhar.— Posso esperar ele acordar...— Srta. Cross. — Marco me interrompeu. Dois seguranças se posicionaram ao lado dele. — Por favor, saia imediatamente. Ou teremos que usar a força.Olhei em seus olhos. Eram frios, desconhecidos.Eram os mesmos homens que antes se curvavam para mim, porque eu era a mulher do chefe.Agora me olhavam como se eu fosse lixo.Virei-me e saí do hospital.Começava a chover. Uma chuva fria e cortante de outubro.Eu não tinha guarda-chuva. A água encharcou meu cabelo rapidamente, escor
POV de LucianoAs palavras de Maya me reviraram o estômago.Levantei-me de um salto, agarrei um punhado do cabelo dela e a arrastei.Ela gritou de dor, mas eu não liguei.— Você acha que eu preciso de você? — Bati a cabeça dela contra uma coluna de pedra. — Que merda você é?O sangue começou a escorrer pela testa dela, mas minha raiva estava longe de acabar.— Há apenas dois dias, nós... — Ela tentou argumentar.— Dois dias? — Eu zombava, a mão fechando em volta de sua garganta, apertando até que seu rosto começasse a ficar roxo. — Você era só um corpo quente. Um buraco para foder. Isso é tudo que você já foi.— Você realmente acha que eu poderia algum dia te amar? — Minha voz era veneno. — Maya Cross, você não vale nem um único cílio que cai do rosto de Catherine.— Você… você disse que me amava… — Ela engasgou, tentando falar.— Amar você? — Soltei-a, observando-a cair no chão, tossindo. — Eu nunca te amei. Você é só um animal que abre as pernas, uma cadela que sabe latir. Você faz
O abraço do meu pai era quente.Tão quente quanto quando eu tinha pesadelos na infância.Eu chorei compulsivamente.Toda a dor, toda a traição, tudo veio à tona de uma vez.— Eu não vou me casar. — Soluçei. — Eu não quero nada disso.— Tudo bem! — Disse meu pai, acariciando meus cabelos. — O que você quiser.Ele não perguntou o motivo.Não me culpou por ter sido impulsiva.Apenas me apertou contra o peito.— Levem-na para casa. — Disse ele aos seguranças.Eles me ajudaram a entrar no Rolls-Royce. Meu pai sentou ao meu lado.O carro se afastou daquele lugar de pesadelo.Em casa, minha mãe estava à espera.Quando viu o estado em que eu estava, não fez uma única pergunta.Apenas me abraçou e deixou que eu chorasse em seu ombro.— A mamãe está aqui. — Disse ela suavemente. — Vai ficar tudo bem.Três horas depois, o advogado chegou com uma pilha de documentos.— Todos os presentes do senhor Carbone foram catalogados. — Informou o advogado. — Joias, propriedades, ações. Tudo pronto para ser
Uma dor ardente explodiu no meu rosto.Mas não era nada comparada ao veneno nos olhos de Maya.— Finalmente! — Ela gritou. — Finalmente, não preciso mais fingir!Seu rosto estava torcido em uma máscara feia.— Você faz ideia de quanto eu te odeio? Catherine Sterling, a perfeita princesinha!A voz dela ecoou pelo saguão. Alguns transeuntes pararam para olhar.— Eu odeio a sua família perfeita! Odeio o seu passado limpo! Odeio como você consegue tudo sem nem tentar!Fiquei ali, ouvindo, enquanto meu coração sangrava.— Luciano deveria ter sido meu! O trono da rainha deveria ter sido meu! — A voz de Maya ficou mais aguda. — Mas então você surgiu, Santa Catherine, e o enfeitiçou com sua inocência de olhos arregalados e sua maldita bondade!— Eu nunca!— Você fez! — Ela me cortou. — Você tirou tudo dele! O amor dele, a atenção dele, as promessas dele! E eu, o que fui? Fiquei escondida nas sombras, roubando os restos do que deveria ter sido meu!Pensei numa noite, seis anos atrás.Maya me li
— Catherine, por favor.Os olhos de Luciano estavam vermelhos, a visão turva pelas lágrimas.— Não vá.Ele bloqueou a porta, recusando‑se a me deixar sair.— Eu sei que errei. Sei que te machuquei. — A voz dele tremia. — Mas nós podemos consertar isso. Podemos recomeçar.— Recomeçar? — Uma risada escapou dos meus lábios, fria e vazia. — E construir sobre que base? Mais mentiras?— Não, com a verdade. — Ele estendeu a mão em minha direção, mas eu me afastei num sobressalto. — Eu vou te contar tudo. A Maya, ela...— Chega. — Eu o interrompi. — Não quero ouvir mais uma palavra sobre ela.— Então e nós? — Luciano me olhou, desesperado. — Catherine, pensa no nosso império. Em tudo o que construímos.— Esse sempre foi o seu império, Luciano. — Corrigi. — Nunca foi meu.— Não! É nosso! — Ele insistiu, agarrando meu braço. — Eu não sou nada sem você. Você me tornou melhor, mais forte. Você é a minha rainha!Pensei no que tinha acontecido um ano atrás.Sophia Castellano, a filha de uma família