LOGINNa casa de Henry Dawson, o clima estava tenso. A corporação Dawson havia sofrido um golpe devastador: dez milhões de reais foram roubados, causando uma crise financeira sem precedentes. Desesperado para manter a empresa em funcionamento e garantir o pagamento dos funcionários, Henry buscou empréstimos nos bancos, mas todos se recusaram a ajudá-lo, cientes da gravidade da situação.
Em sua angústia, Henry decidiu procurar Donald, o CEO da corporação Johnson, na esperança de conseguir um contrato para um novo projeto. No entanto, sua abordagem foi recebida com um não imediato. A desconfiança pairava no ar, e Henry sabia que sua reputação estava em jogo. No passado, ele havia salvo o avô de Donald, e confiando na amizade que construíram, decidiu buscar a ajuda do homem mais velho. Ao chegar à mansão dos Johnsons, foi recebido calorosamente. A empregada conduziu Henry até Dominic. — Oi, meu bom amigo! A que devo a honra da sua visita? — perguntou Dominic com um sorriso. Henry não perdeu tempo e foi direto ao ponto: — Eu confiei no gerente da minha empresa e esse desgraçado fugiu levando dez milhões e roubando meu projeto. Com isso, enfrentei sérios problemas financeiros e, por mais que eu tente economizar, não consigo cobrir esse valor. Os investidores estão me pressionando e tentei buscar empréstimos, mas nenhum banco se dispôs a ajudar. — Procurei o Donald também, mas ele me expulsou. Por isso vim até você. Dominic olhou para o amigo com uma expressão ponderada e fez uma pausa antes de responder: — Quanto você está precisando para o projeto? — Dois milhões — respondeu Henry. — Eu não estou mais à frente dos negócios desde a minha enfermidade. O Oscar também não está. Mas posso te ajudar com o dinheiro... com uma condição. Henry sentiu um fio de esperança ao ouvir isso e perguntou imediatamente: — O que você quer que eu faça? Eu faço qualquer coisa para recuperar meu respeito. Dominic hesitou por um momento antes de falar: — Soube que você tem duas filhas belas. Quero a mão de uma delas em casamento para meu neto. Não posso partir deste mundo sem vê-lo casado com uma moça de bem. Com um misto de alívio e determinação, Henry respondeu: — Terá minha palavra. Os dois assinaram um contrato que deixava claro que Henry honraria o compromisso de dar uma das filhas em casamento. No entanto, quando chegaram ao nome do rapaz, Henry ficou atordoado: era Chase, o filho bastardo e desprezado da família. O único que se importava com ele era o avô, mas nem mesmo ele conseguiu impedir que Chase fosse expulso da família. Ele estava tomado pelo temor, consciente de que aquele casamento não traria honra à sua filha. A sociedade não a veria com bons olhos, e as fofocas seriam inevitáveis. O semblante de Henry se entristeceu, um detalhe que não passou despercebido pelo velho senhor Johnson. Chamando um de seus subordinados, ele perguntou: "Qual é a sua conta, Henry? Vou lhe mandar o dinheiro." Com lágrimas escorrendo pelo rosto, Henry escreveu um número em um pedaço de papel, despediu-se do amigo e saiu, seu coração pesado. Assim que pisou no pátio da mansão e estava prestes a entrar no carro, uma notificação do banco apareceu em seu celular. Ao abrir, quase desmaiou ao ver 20 milhões na conta. Com o coração acelerado, correu para a empresa e mandou uma mensagem para sua esposa, compartilhando a novidade, mas também o preço que teria que pagar. Ele se via obrigado a entregar Amara, sua filha mais velha. Deyse tinha apenas 25 anos e estava terminando sua faculdade de medicina. Amanda contou à filha sobre o arranjo, e Amara ficou radiante com a notícia, espalhando pela cidade que se tornaria a nora da família Johnson. No entanto, quando Amara viu os convites de casamento e o nome do noivo, o desespero tomou conta dela. Os rumores sobre Chase ecoavam pela cidade: ele morava em uma mansão mal-assombrada, onde supostamente abatia suas vítimas. Diziam que usava uma máscara negra de demônio para realizar sacrifícios humanos, e que sua casa era sombria e fétida. Durante a noite, gritos de desespero podiam ser ouvidos; falavam até de uma serra elétrica que ele usava para despedaçar suas vítimas. Amara acreditava que se casaria com Donald, um homem alto e bonito, CEO da corporação Johnsons. Nunca poderia imaginar que seu destino seria atrelado a alguém sem status e sem futuro. Desesperada, correu para os braços da mãe, chorando como uma criança. Amanda sentiu compaixão pela filha; não era segredo que Amara era sua favorita. Já Deyse era resultado de uma gravidez indesejada e havia sido educada em um colégio interno religioso com o único objetivo ensinar as mulheres a serem boas esposas. Movida por um impulso protetor, Amanda pegou o carro e partiu em direção a faculdade de Deyse. Chegando na faculdade, Amanda avistou Deyse sentada em um banco, absorta na leitura de um livro. — Oi, querida! — disse ela ao se aproximar. Deyse sorriu, pensando que a mãe havia vindo por sentir saudades. Levantou-se para abraçá-la, mas Amanda se afastou. Percebendo a hesitação da mãe, Deyse perguntou, constrangida: — O que você veio fazer aqui? — Por acaso não posso vir te visitar, filha ingrata? — respondeu Amanda com um tom cortante. O coração de Deyse se entristeceu. Durante anos, ela havia tentado conquistar o carinho da mãe, mas parecia que a cada dia o coração da mulher se tornava mais duro. — Todo esse tempo a senhora nunca veio me visitar — replicou Deyse. — Fez questão de me mandar para um colégio interno só para não ter contato comigo. E hoje está aqui... O que a senhora quer, mãe? — Eu vim te comunicar que seu pai arrumou um casamento para você. Prepare-se para ir embora! Você está perdendo tempo aqui e jogando dinheiro fora. Já disse isso ao seu pai, mas ele não me escuta. Deyse sentiu uma onda de desespero ao ouvir as palavras duras da mãe. — Eu não vou casar, mãe! Só tenho 25 anos! Não pretendo casar agora; quero focar nos meus estudos e na minha carreira! Um tapa ecoou pelo ar. — Sua ingrata! Você sabe da situação da empresa? Seu pai vem se afundando por sua culpa! Ele economiza há mais de um ano para pagar seus estudos. E agora que tem a chance de quitar as dívidas e voltar a ter prestígio na sociedade, você quer negar isso a ele? Amanda tirou um documento da bolsa e entregou nas mãos de Deyse. — Veja! Seu pai não pode ficar bravo ou ter emoções fortes. Ele tem problemas cardíacos; pode morrer! É isso que você quer? Segurando o exame nas mãos, Deyse chorou angustiada. Ela não podia deixar seu pai sofrer daquela forma. — Tudo bem, mãe... eu caso logo depois da formatura — respondeu com a voz embargada. — De que adianta uma formatura que não vai servir de nada? Você não vai exercer essa função! — Mas tenho um mês para você voltar para casa e se casar com a família Johnson — insistiu Amanda. Deyse ficou chorando enquanto sua mãe saía radiante de felicidade. Para Amanda, sua filha preferida jamais seria esposa de um deformado.Deyse interrompeu. As risadas — Um momento, por favor— disse Deyse —Ethan. Liliane quer lhe fazer um comunicado. O murmúrio percorreu o salão. Ethan franziu a testa, curioso, e então olhou para Liliane. Ela se aproximou devagar, com um sorriso que misturava emoção e medo. Em suas mãos, uma pequena caixinha. — O que é isso? — perguntou ele, brincando, tentando aliviar a tensão. Liliane apenas estendeu a caixinha para Ethan. As mãos dele tremiam quando abriu. Dentro, havia um teste. Dois tracinhos bem visíveis. O mundo pareceu parar. — É… é o que eu estou pensando? — perguntou ele, com a voz falhando. Liliane balançou a cabeça em silêncio — Sim. Por um segundo, Ethan ficou parado. No seguinte, gritou: — EU NÃO ACREDITO! — Eu vou ser pai! Eu vou ser pai! As pessoas começaram a rir, aplaudir. Chase observava a cena com um sorriso largo, sentindo o coração aquecer ainda mais. Ethan apontou para Chase, rindo: — Eu te falei, Chase! O meu filho vai casar com a sua filha! Chas
Os meses passaram, e Deyse irradiava felicidade em sua gravidez. Todos à sua volta se mobilizavam para garantir que ela se sentisse amada, protegida e especial. Chase não desgrudava dela um só instante. Levava flores quase todos os dias, preparava refeições saudáveis, insistia para que ela descansasse e a observava com um sorriso cheio de admiração. — Você merece todo o carinho do mundo — dizia ele, enquanto a ajudava a se acomodar no sofá. Liliane, sua melhor amiga, fazia questão de mimá-la sempre que podia. Nunca chegava de mãos vazias: trazia roupinhas para os bebês, doces que Deyse adorava e, principalmente, leveza, risadas e amor. — Você está deslumbrante, amiga! — dizia animada. — Vamos fazer um chá de bebê que ninguém vai esquecer! O pai de Deyse e sua sogra também estavam sempre presentes. Organizavam jantares especiais, ofereciam ajuda constante e faziam questão de lembrar que ela não estava sozinha. — Querida, não se preocupe com nada — dizia a sogra, acariciando sua ba
A organização da festa estava linda. O salão, enfeitado com rosas brancas, rosas e azuis, criava um contraste perfeito. Como ela não sabia se o bebê era homem ou mulher, decidiu fazer a decoração em três cores. Até os doces seguiam o mesmo padrão. O primeiro a chegar foi Ryan Sullivan. Ele a abraçou com carinho e beijou sua testa. Ele estava acompanhanda por Aline seu sorriso denunciava que os dois estavam juntos e Deyse sentiu uma imensa felicidade em saber que depois que Félix foi preso seu irmão alcançou felicidade desejada — Oi, minha querida irmã. Estou muito feliz com o crescimento da nossa família. Você precisa de ajuda mana? — Eu também, irmão. Estou feliz — respondeu Deyse, abraçando-o de volta. Sim por favor me ajude receber os convidados tenho alguns ajustes À medida que os convidados chegavam, o nervosismo de Deyse aumentava. O medo de Chase não chegar a tempo, a incerteza se ele acreditaria em sua gravidez, diante do relatório médico… Será que ele acreditaria no ina
Já era quase meio-dia quando Chase se levantou. Tomou um banho, se arrumou, deu um beijo na esposa que dormia exausta na cama — despediu-se em silêncio e partiu novamente para a Índia. Assim que chegou, mal teve tempo de respirar. Já estava atrasado para a consulta. Passou por avaliações, exames, entrevistas médicas e, ao final do dia, seguiu para o hotel, onde aguardaria os resultados na manhã seguinte. Nos dias posteriores, visitou outras clínicas, repetindo o mesmo processo, sempre com a mesma esperança silenciosa. Mas, infelizmente, após quinze dias, todos os resultados foram desfavoráveis. O sonho de ser pai parecia cada vez mais distante. Mesmo assim, Chase não desistiu. Seguiu sua busca pela Bélgica, Estados Unidos, Grécia e Tailândia. Em todos esses países, foi submetido aos mesmos testes, aos mesmos exames e recebeu as mesmas respostas negativas. Suas esperanças já haviam se esgotado. Sentado na cama de um quarto de hotel, as lágrimas novamente invadiram seus olhos. Ele
Depois que a chamada foi encerrada, Deyse se deitou sobre o travesseiro de Chase, abraçou-o com força e ali passou a noite inteira, sentindo ainda o cheiro do perfume do marido. Pela manhã, desapertou com um sorriso estampado no rosto lembrando do corpo do marido. Por volta das 8:00 da manhã desceu para tomar café Diana percebeu imediatamente que algo havia mudado. — O que aconteceu querida? Você está diferente hoje — comentou ela. — Não é nada, tia… eu só falei com o Chase. Matei um pouco da saudade, vi o sorriso dele… e isso fez meu dia começar feliz. Deyse não tinha visto apenas o sorriso do marido mas o corpo inteiro e as lembranças das mãos dele trabalhando fez seu rosto ficar vermelho. Mas ainda estou com tanta saudade… — confessou. — Queria poder abraçá-lo agora e dizer que o amo. Disse isso enquanto colocava um pedaço de torrada na boca. De repente, um cheiro familiar invadiu as narinas de Deyse, deixando-a quase embriagada. Passos se aproximaram da sala de jantar e, à me
O primeiro país que Chase procurou foi a Espanha. Passou mais de trinta dias submetendo-se a exames e testes em diversas clínicas. Chegou até a realizar testes para inseminação. Cada exame era conduzido pelos melhores especialistas, em clínicas renomadas, mas, a cada porta que se fechava, uma nova cicatriz se formava em sua alma. A esperança antes tão viva, ia se esvaindo aos poucos. Todos os dias ele ligava para Deyse por videochamada. O coração carregado de tristeza e saudade, mas em nenhum momento revelou o verdadeiro motivo de sua viagem. Sorria mesmo com o sorriso amargo para tranquilizá-la, mesmo sentindo o peso da frustração esmagando seu peito. Ao sair da última clínica, o coração de Chase estava ainda mais pesado. Ele pegou o telefone, respirou fundo e ligou para Daves. — Oi, chefe… como vai o tratamento? — perguntou o assistente, com cautela. — Até agora não tive nenhuma esperança, Daves. Mas amanhã sigo para a Índia. Quem sabe lá eu tenha boas notícias, infelizmente vo







