MasukGabrielle Goldman
Senti meu peito se partir de um jeito silencioso e definitivo, e não foi um colapso dramático, não houve grito, não houve queda, não houve descontrole visível; foi algo mais cruel do que isso, foi uma aceitação, um entendimento tão lúcido que doía mais do que qualquer explosão emocional poderia doer.
Eu compreendi, naquele exato
Lucas Park Gadreel estava furioso. E o que mais me assustava era saber que ele não iria me agredir como havia feito com Castillo. Sua forma de me torturar era completamente diferente. Ele não precisava me tocar para saber exatamente onde doeria. Vi sua intenção no instante em que seu sorriso se alargou e o controle foi colocado em minha mão. — Vamos fazer um jogo... — disse ele, fechando meus dedos ao redor do pequeno dispositivo. Senti minha coluna gelar. Não consegui me mover. E nem queria. Naquele momento, se eu tremesse mais do que já estava tremendo, se meu dedo escorregasse um único milímetro, eu poderia condenar todos eles. Leslie. Jullian. Meu pai. Todos aqueles que estavam lá, esperando por nosso retorno. Pessoas que sequer sabiam que suas vidas dependiam daquele pequeno objeto preso dentro da minha mão. Gadreel se afastou lentamente. Foi então que entendi o que estava fazendo. Enquanto caminhava até a parede do fundo, estendeu a mão e retirou um
Lucas Park Eu estava tenso, zonzo e faminto. Meu corpo inteiro doía, minha cabeça parecia prestes a explodir e ainda havia aquela maldita luz branca ferindo meus olhos. Mas, acima de tudo, eu estava perdendo a sanidade porque, de todas as merdas que Gadreel havia falado desde que recobrei a consciência, ainda não o tinha ouvido dizer que Gabrielle estava bem. E era apenas isso que me importava. Ela estava bem? Estava ferida? Estava lúcida? Eu precisava saber. Mas não iria perguntar. Seria como entregar munição ao lunático com a arma já carregada. — Estou ficando cansado de toda essa conversa fiada — murmurou Castillo. — Não é de seu feitio, então corta a palhaçada e vai direto ao assunto, agora que estamos todos acordados. — Eu só estava quebrando o gelo, Cass. Credo — censurou Gadreel. — Sempre o estraga-prazer, sempre o empata-foda... E, por falar em foda... Ele retirou o celular do bolso e o encarou por alguns instantes antes de voltar a olhar de um pa
Lucas Park Foram tantos erros que eu nem mesmo conseguia identificá-los. Ou talvez o problema fosse justamente esse. Talvez tivéssemos cometido tantos erros que, naquele momento, já não fazia diferença saber qual deles havia nos condenado. Porque estávamos ali. Presos. Castillo estava destruído. Eu não conseguia sequer manter os olhos abertos direito. E Gadreel estava de pé diante de nós, perfeitamente consciente, perfeitamente tranquilo. Como se tivesse planejado tudo. — Mas não estamos aqui para falar da minha vida sexual, por mais atrativa que seja — continuou Gadreel, enquanto retornava, arrastando uma cadeira. O barulho reverberou pelo ambiente fechado. Ele estava fazendo de propósito. Não havia necessidade alguma de arrastar aquela cadeira daquela maneira, deixando os dois pés rasparem contra o chão polido e produzirem aquele chiado desconfortável, prolongado o suficiente para se tornar impossível ignorá-lo. Gadreel poderia simplesmente tê-la levantado e
Lucas Park Apenas três passos nos separavam, mas pareceu uma eternidade enquanto ele avançava naquele ritmo lento, como se estivesse dançando uma música que tocava somente em sua cabeça. Havia alguma coisa estranhamente leve em seus movimentos. Como se estivesse... feliz. Isso me incomodou mais do que se estivesse furioso. Quando chegou diante de mim, abaixou levemente o tronco até ficar cara a cara comigo. — Engraçada sua escolha de palavras, senhor Park — disse, olhando diretamente em meus olhos. — Quando é a digital dela que abre todas as portas e foram os caprichos dela que tive o prazer de atender durante boa parte da noite. Ele praticamente cantarolou aquelas palavras, soprando o hálito em meu rosto enquanto seu sorriso se recusava a abandonar sua expressão. Senti meu estômago revirar. Definitivamente, eu havia morrido e estava no inferno, pagando por meus pecados. Era a única explicação plausível. Não podia ser real. Não podia ser verdade. Porque,
Lucas Park Seu rosto não estava sombrio como deveria estar naquela situação. Muito pelo contrário. A diversão estava estampada em sua expressão. Ele sorria como se eu tivesse acabado de elogiá-lo, como se tivesse dito exatamente aquilo que esperava ouvir. — Oras, senhor Park, já passamos dessa fase de ameaças vazias — respondeu, com a merda daquele sorriso ainda no rosto. — Se tivesse culhões para me matar, não estaria nessa situação. O filho da puta ainda tinha humor para debochar de mim. Já não bastava me ter ali, preso? Não. Nunca seria o suficiente para Gadreel. Ele precisava impor seus caprichos a todo e qualquer momento. Precisava deixar claro que até mesmo a minha raiva pertencia a ele naquele instante, porque eu podia gritar, ameaçar, insultar e me debater o quanto quisesse, mas continuaria exatamente onde ele havia decidido me colocar. E ele sabia disso. Pior ainda: estava se divertindo com isso. — Diferente de você, ele tem uma consciência
Lucas Park Mesmo a três metros de distância, era impossível não perceber os ferimentos em suas coxas. Havia áreas em que a pele havia sido profundamente castigada, deixando marcas que eu não conseguia olhar por tempo demais. Gadreel o havia torturado. Não havia outra maneira de chamar aquilo. Havia retirado, deliberadamente, pequenas camadas de pele, uma após outra, como se o sofrimento de Castillo fosse apenas mais uma tarefa que precisava ser executada. Subi os olhos, com certa relutância, e encontrei em seu peito hematomas de diversas tonalidades. Alguns pareciam mais recentes; outros já começavam a adquirir aquela coloração escura que denunciava o tempo. Não consegui identificar qual objeto, arma ou qualquer outra coisa havia sido utilizada para produzir aquelas marcas uniformes, espalhadas por seu peito e tórax. Não queria saber. Pela primeira vez desde que acordara, percebi que existiam coisas que eu preferia não entender. Sua cabeça estava caída para fr







