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Capítulo 2

Luarina
No dia seguinte, Henrique não foi trabalhar para levar Laura a comprar joias. Laura o acompanhou, inabalável.

Não importava se Henrique tinha percebido que a estava negligenciando ou se teve um súbito ataque de remorso. Não importava mais.

No mês seguinte, não importava o que ele quisesse comprar para ela, ela aceitou tudo. Era o mínimo que ele lhe devia, então por que não aceitar?

Eles chegaram à maior joalheria do centro da cidade. Uma marca centenária, famosa pelas coleções completas e exclusivas. Assim que entrou ao lado de Henrique, Laura viu, bem no centro do local, a peça mais preciosa da loja. Era uma coroa dourada de fênix, brincos longos de jade vermelho e um luxuoso traje de noiva em estilo tradicional. Tudo parecia ter sido feito especialmente para uma noiva.

A etiqueta de preço de 2 milhões e 300 mil estava em destaque. Laura sentiu sua atenção ser puxada imediatamente para aquilo, porque lembrava perfeitamente de ter visto, entre os documentos que o detetive havia enviado, um comprovante dessa mesma joalheria exatamente desse valor.

Quando planejavam a data do casamento, Henrique prometeu que faria uma cerimônia tradicional grandiosa. Que ela usaria a fênix na cabeça, o vestido bordado, e que seria um casamento espetacular. As doces promessas de um homem empolgado, facilmente dadas a outros. Só que ela tinha acreditado, sonhado, noite e dia, com um futuro juntos. E o que recebeu em troca foi traição.

A respiração de Laura vacilou.

— Senhorita, essa coroa já foi vendida. Há três dias, alguém pagou o valor completo. Desculpe, está apenas para exibição temporária. — A vendedora, percebendo seu olhar, sorriu cordialmente.

Laura parou. Olhou para Henrique. Por um instante, o desconforto fugaz brilhou nos olhos dele.

— Soube que foi um ricaço que comprou para a namorada. Nem estão falando de casamento ainda, imagina só um presente desses. — Outra funcionária comentou, empolgada. — É de morrer de inveja. Ele deve estar completamente apaixonado por ela.

— Vocês não sabem! Quando a moça viu a coroa, ligou para ele e, em poucos minutos, o dinheiro já tinha sido transferido para a loja. Isso é amor de verdade! Ele deve ser louco por ela!

Laura ouviu tudo em silêncio. O peito cada vez mais pesado.

Sob a luz branca da loja, ela viu um lampejo de satisfação no olhar de Henrique e um leve sorriso no canto dos seus lábios. Ele estava orgulhoso da sua devoção por Marina. Mesmo diante da própria noiva.

O corpo de Laura tremeu, os lábios ficaram brancos de tão apertados.

Finalmente, Henrique percebeu seu rosto pálido. Aproximou-se, segurou o seu pulso.

— Lala, o que houve? Sua glicemia caiu de novo? — Ele franziu a testa, preocupado. Pegou um chocolate no bolso do paletó, desembrulhou e aproximou dos lábios dela. — Rápido, come um pouco. Vai te fazer bem.

A preocupação dele não parecia falsa. E Laura se perguntou: "Se eu não tivesse visto ele no bar, se eu não tivesse ouvido aquelas palavras, só descobriria tudo depois de casar? Depois de ter um filho? Quando já não pudesse mais escapar e se arrepender?"

De repente, um enjoo súbito a dominou. Ela empurrou a mão dele, cobriu a boca e correu até o banheiro da sala de descanso e vomitou violentamente.

Do lado de fora, Henrique batia à porta, aflito, andando de um lado para o outro. Laura enxaguou a boca, lavou o rosto com água fria, respirou fundo até se recompor e finalmente saiu.

— Você está bem? Vou te levar ao hospital. — Ele imediatamente lhe entregou um lenço, preocupado.

Laura não tinha forças para responder. Apenas assentiu.

Apoiada por ele, saiu da loja. Assim que entrou no carro, o celular de Henrique tocou. A identificação do contato mostrava apenas: Secretária.

Henrique já havia tido muitos assistentes e secretárias ao longo dos anos.

O tempo de convivência ensinou a Laura que Henrique tinha obsessões com nomes de contatos, mesmo que houvesse apenas uma secretária na empresa, ele jamais salvaria o contato de alguém sem sobrenome.

A expressão dele mudou. De repente, ele abriu a porta e desceu para atender. Laura ficou no banco do passageiro, esperando em silêncio. Dois minutos depois, ele voltou.

— Lala, vou chamar um carro para te levar ao hospital. A empresa tem uma emergência e preciso ir. Não vou poder te acompanhar agora.

— Tudo bem. — Laura olhou para a expressão preocupada dele, cravando as unhas nas palmas das mãos, e forçou um sorriso.

Ele desceu do carro, Henrique a colocou em um táxi e, logo depois, sumiu acelerando.

— Moça, para onde vamos? — O motorista olhou pelo retrovisor.

— Siga aquele carro.

O taxista hesitou por um momento, mas engatou a marcha e rapidamente seguiu. Henrique dirigia muito rápido, com urgência. Da joalheria à empresa, costumava levar trinta e poucos minutos, ele fez em vinte.

— Ele está com pressa, quase ignorando os semáforos. Se eu não conhecesse bem essas ruas, já o tínhamos perdido. — O motorista comentou.

Laura não respondeu. Apertou as mangas da blusa com tanta força que os dedos ficaram brancos.

Logo, chegaram em frente ao prédio da empresa. Ela ergueu os olhos e viu duas pessoas do lado de fora da entrada. E ali estava ele, Henrique, impecável no terno e gravata. Marina ao lado, vestida com uma saia curta justa, rosto inocente, corpo atraente.

Eles trocaram poucas palavras, olharam ao redor e entraram juntos na cafeteria do segundo andar.

Laura permaneceu dentro do táxi, imóvel. Observou em silêncio quando se sentaram junto à janela, sem o menor esforço para se esconder. Ele, que odiava bolo de morango e detestava café gelado, deixou que duas porções fossem servidas. Marina usou o garfo para alimentá-lo, rindo enquanto tentava fazê-lo beber o café gelado. Ele provou, fez uma careta e então tomou água para tirar o gosto. Ela provavelmente sabia que ele não gostava, pois cobriu a boca rindo. Os olhos de Henrique carregavam um carinho profundo, após comer e beber relutantemente, ele bebeu água tentando enxaguar a boca.

A cena carinhosa ardeu como fogo nos olhos de Laura. E, por um instante, ela lembrou de quando começaram a namorar. Henrique era alérgico a creme, mas comeu o bolo inteiro que ela tinha feito, só para não desapontá-la. Na mesma noite ele teve uma reação alérgica, ela ficou apavorada e chorou ao lado da cama. Ele deitou-se na cama, segurou a mão dela e disse que comeria qualquer coisa que ela fizesse, até mesmo veneno.

Mas agora, havia outra garota por quem ele comeria veneno sorrindo.

Um traidor fingindo ser profundamente carinhoso.

Uma amante que sabia da noiva e ainda assim se metia.

Nenhum dos dois prestava.

Laura apertou os lábios, abriu a porta do carro e quis arremessar aqueles dois copos de café na cara deles. Mas o motorista a segurou.

— Moça, às vezes, para viver em paz, é preciso fechar os olhos. Mesmo que você troque de homem, isso não garante fidelidade. Se você já casou, simplesmente deixe para lá. O importante é garantir o seu dinheiro.

Laura o encarou, tentando se acalmar. Ela não concordava com o motorista. Sim, há muitas pessoas no mundo incapazes de controlar os próprios desejos. Mas isso não significava que fidelidade fosse impossível, nem que ela estivesse condenada a aceitar. Henrique era um canalha. Continuar com ele seria condenação.

Depois de todos esses pensamentos passarem pela mente, ela fechou a porta sem olhar de novo para a cafeteria.

— Vamos.

Ela fechou os olhos, decidida que iria aguentar até o prazo final e depois sumiria.

Menos de duas horas depois que ela tinha chegado em casa, Henrique entrou às pressas ao anoitecer. Ao vê-la jantando, franziu a testa e perguntou:

— Lala, por que você cancelou com o local do nosso casamento?
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