INICIAR SESIÓNVALENTINA ROSS SEIS ANOS DEPOIS... Uma vida inteira parecia ter passado desde que eu e Domênico dissemos o nosso "sim", mas, ao mesmo tempo, parecia que tinha sido ontem. Era uma tarde ensolarada e quente de domingo. Nós estávamos na casa de campo que Domênico havia comprado para que as nossas filhas pudessem ter espaço para correr livres. E, por falar em confusão, a nossa casa estava cheia dela hoje. Mas era o tipo de confusão que eu mais amava. Eu estava sentada em uma das poltronas na varanda. Ao meu lado, Domênico mantinha o braço obsessivamente jogado ao redor dos meus ombros. Rubi e Ares ocupavam o sofá de frente para nós, completando o nosso quarteto inseparável. O som de risadas infantis, gritos e correria preenchia o ar puro da tarde. Os meus olhos estavam fixos no imenso gramado verde logo à frente, onde a nossa maior riqueza gastava as suas energias. A nossa primogênita, Joyce, ou apenas Joy, como todos a chamavam, estava com seis anos agora. Ela era a minha cóp
VALENTINA ROSS Dois anos se passaram. Quando olho para trás e vejo tudo o que aconteceu, mal consigo acreditar na vida incrível que tenho agora. Os últimos vinte e quatro meses foram, sem sombra de dúvida, os mais felizes, intensos e mágicos de toda a minha vida. Na minha vida profissional, alcancei lugares que antes pareciam apenas sonhos impossíveis. Rubi confiando no meu trabalho e na nossa parceria, me nomeou sua vice-presidente. Nós duas formamos uma dupla imbatível. Já na minha vida pessoal... bem, Domênico provou que a sua paciência para namoros tradicionais era praticamente nula. Aquele meu plano de "morar em casas separadas para não pular etapas" durou dois meses e alguns dias. Ele foi tão insistente, tão charmoso e persuasivo, que antes de completarmos três meses de namoro, as minhas malas já estavam desfeitas no closet dele. E a verdade é que eu não me arrependo de um único segundo daquela decisão. E hoje, finalmente, era o dia do nosso tão aguardado casamento. Eu esta
JOSHUA MICHAEL DOIS ANOS DEPOIS... É impressionante como o tempo possui a capacidade quase mágica de curar feridas que, em um determinado momento, pareciam letais. Quando arrumei as minhas malas e deixei Nova York para trás, eu acreditava que a minha vida amorosa havia acabado naquele altar.Mas descobri que meu final trágico, na verdade, era apenas o começo de uma história muito melhor. O Hospital Memorial me acolheu de braços abertos. Porém, o que realmente me salvou foi a vizinha do apartamento setenta e dois. Maya entrou na minha vida com seu jeito atrapalhado e cheio de vida. No começo, ela era apenas a enfermeira que ficava vermelha sempre que cruzava comigo nos corredores. Depois, virou a vizinha que "acidentalmente" fazia comida a mais e batia na minha porta para dividir. Aos poucos, a presença alegre, a risada fácil e a luz natural que ela irradiava foram derretendo os muros de gelo que eu havia construído ao meu redor. E, quando me dei conta, já estava completamente apa
VALENTINA ROSS O Le Bernardin parecia muito convidativo. A mesa que Domênico havia reservado para nós ficava em um canto discreto do salão. O clima era de pura euforia. — Um brinde! — Ares anunciou, erguendo a sua taça. — À justiça e aos cirurgiões desajeitados! Eu tampei o rosto com a mão, rindo, enquanto Rubi dava um beliscão no braço dele, tentando repreendê-lo, embora ela mesma estivesse segurando o riso. Domênico ergueu a sua taça e tocou na minha. — À nossa Tina — Domênico corrigiu. — A mulher mais valente que eu conheço. Nós brindamos. O sabor do champanhe era doce, fresco e tinha o gosto exato da vitória. Passamos a tarde inteira ali. Comemos lagosta, experimentamos pratos que eu nem sabia pronunciar o nome e demos risadas de doer a barriga. A minha mãe foi a primeira a se despedir. Quando o relógio marcou um pouco depois das quatro da tarde, o motorista avisou que estava pronto para levá-la de volta para o interior. Abracei a minha mãe com força na saída do rest
VALENTINA ROSSCaminhávamos em direção à sala da audiência principal. Eu estava nervosa, com um nó apertado no estômago, mas, ao mesmo tempo, sentia uma força que nunca havia experimentado antes. Eu não era mais a adolescente assustada que se trancava no quarto. Eu era uma mulher adulta, de cabeça erguida, caminhando para o encerramento do capítulo mais sombrio da minha vida. E eu não estava sozinha. A mão de Domênico envolvia a minha. Ele caminhava ao meu lado e o polegar dele acariciava as costas da minha mão de forma rítmica e constante, transmitindo todo o apoio e a segurança que eu precisava.A minha mãe já estava lá dentro, sentada na primeira fileira logo atrás da promotoria, ao lado de Rubi e Ares. Fomos até eles e nos sentamos. Domênico manteve a minha mão entrelaçada na dele, apoiando-a sobre a sua perna. O burburinho na sala cessou quando a porta lateral se abriu e o som de correntes arrastando no chão preencheu o silêncio. Lucian Prestt entrou. Eu quase não o reconhe
DOMÊNICO BANE O inferno na terra usava sapatos ortopédicos brancos, tinha um coque grisalho apertado no alto da cabeça e cheirava fortemente a antisséptico. Menos de vinte e quatro horas. Esse foi o tempo exato que eu suportei viver sob a ditadura da senhora Helga. Valentina simplesmente jogou uma granada na minha sala de estar e saiu arrastando a sua mala de rodinhas. A minha tortura começou logo no almoço de sexta-feira. Eu estava sentado à mesa de jantar, um homem acostumado com jantares em restaurantes com estrelas Michelin, encarando uma tigela funda cheia de um líquido verde-musgo que a Helga chamou de "sopa nutritiva de legumes". — Isso não tem gosto de nada — reclamei, empurrando a tigela para frente. — Não tem sal. Não tem tempero. Isso é água quente com corante verde. Eu exijo um bife! Helga, que estava parada com as mãos cruzadas atrás das costas como um general militar, apenas ajeitou os óculos no nariz. — O sal retém líquidos e atrasa a cicatrização dos ossos, pacie







