MasukO calor é suave, com uma brisa que alivia, e o céu limpo só deixa o colorido das barracas ainda mais vibrante. A feirinha acontece num parque local todo segundo sábado do mês, e desde que me inscrevi, vinha sonhando com esse dia.
Meus desenhos estão pendurados com pequenos grampos de madeira em um varal improvisado entre duas estacas. Ao lado, algumas telas pequenas, aquarela
Dois anos se passaram.Deitados no meio do campo florido que tanto amavam, Marina e Otávio olhavam para o céu, onde as estrelas começavam a surgir uma a uma. O vento suave acariciava suas peles, trazendo o perfume das flores e o som distante da vida pulsando ao redor.Ela descansava a cabeça no peito dele, sentindo o ritmo calmo do coração que sempre foi sua âncora. Ele envolvia seus braços ao redor dela, protegendo e abraçando a mulher que escolhera para sempre.— Você já reparou como as estrelas parecem contar histórias? — Marina sussurrou.— Só as melhores — ele respondeu, sorrindo, os olhos brilhando como o universo acima deles.Eles ficaram em silêncio, compartilhando aquela paz que só o verdadeiro amor é capaz de trazer. Sem pressa, sem medo.— Dois anos — ele murmurou. — De altos, baixos, descobertas e muito amor.— E eu não mudaria nada — disse ela, olhando para ele com ternura. — Porque cada momento nos trouxe até aqui.Ele apertou sua mão, e num gesto simples e perfeito, dis
O jardim estava banhado por uma luz dourada, o sol de fim de tarde lançando raios suaves entre as folhas das árvores. Pequenas luzinhas penduradas em fios delicados brilhavam timidamente, prometendo um encanto especial para a noite que se aproximava. Flores silvestres coloriam a trilha por onde Marina caminhava, seu vestido leve esvoaçando com a brisa morna, trazendo a sensação de liberdade que ela tanto buscava.Cada passo era uma mistura de nervosismo e paz — ali estava ela, depois de tudo, pronta para recomeçar. Aquele caminho não era só até o altar, mas para um futuro que ainda precisava ser construído, com amor e coragem. O coração pulsava forte, o rosto ainda molhado por lágrimas de emoção contida.Na frente dela, Otávio a esperava, olhos fixos nela com uma ternura que derretia o tempo e as dores do passado. Seu sorriso era tímido, mas cheio de promessa, uma promessa de entrega, de paciência, de esperança.Quando ela chegou, ele a segurou pela mão, os dedos entrelaçados com firm
O sol suave da manhã banha o quintal, espalhando uma luz dourada sobre a terra macia onde Marina e Otávio trabalham lado a lado.Com as mãos sujas de terra, ela segura uma pequena muda de girassol, enquanto ele prepara o buraco para plantá-la.— Lembra quando a gente corria no campo de girassóis? — Marina sorri, olhando para ele.— Como esquecer? Você ria tanto que parecia que o mundo inteiro podia acabar, e você nem ligava. — Otávio ri, afastando uma mecha de cabelo do rosto dela.Eles fincam juntos a muda no chão, cobrem com cuidado a terra e apertam com as mãos, como se estivessem plantando não só uma flor, mas um pedaço da nova vida que escolheram construir.O silêncio entre eles é confortável, cheio de paz e cumplicidade.— A dor do passado virou lembrança, né? — Marina comenta, olhando o girassol.— Virou — ele confirma, sorrindo. — Agora é só o que a gente cultiva daqui pra frente.Eles se olham, a tranquilidade e o amor claros no brilho dos olhos.E, naquele quintal, com o che
OtávioA manhã chegou com um céu limpo e aquele tipo de sol preguiçoso que promete um dia bom. Acordei antes de Marina — o que é raro — e fiquei alguns minutos observando seu rosto sereno, os cabelos bagunçados no travesseiro. Ainda me pego surpreso por poder chamá-la de minha outra vez. Ainda me pego grato.Levantei devagar, tentando não acordá-la, e fui até a cozinha com uma ideia fixa na cabeça.Hoje seria o nosso dia.Peguei a cesta de palha que ela adora, aquela que a gente usou na primeira feirinha de artes, e comecei a montar o piquenique surpresa. Preparei sanduíches com capricho, coloquei frutas, suco natural, e uma garrafinha de café porque ela nunca resiste. Também embalei uns biscoitinhos que Dona Blanca tinha feito pra gente no fim de semana passado. Tudo bem rústico, do jeitinho que ela gosta.Parei por um segundo, observando a mesa. Coloquei dois guardanapos de pano, o livro de poemas que ela anda lendo, e acrescentei uma flor recém-colhida do nosso jardim, só para ver
Part 2 - A tarde entrava pelas janelas abertas, iluminando as paredes brancas que estávamos transformando em um céu azul-claro. Otávio, com a camisa velha manchada de tinta e um boné virado para trás, concentrava-se em um detalhe do rodapé, a língua entre os dentes como uma criança desenhando.— Você tá fazendo errado — comentei, escondendo um sorriso ao ver sua expressão focada.Ele ergueu os olhos, uma gota de tinta azul na bochecha.— Errado? — levantou uma sobrancelha, o pincel pingando no chão. — Eu sou o profissional aqui, lembra?— Profissional que pinta como uma criança de cinco anos — retruquei, mergulhando meu rolinho na bandeja e, de propósito, espirrando um pouco de tinta em sua direção.A gota acertou em cheio seu peito. Ele olhou para a mancha, depois para mim, os olhos estreitando-se em um olhar de brincadeira perigosa.— Ah, é assim?Antes que eu pudesse reagir, ele mergulhou os dedos na lata de tinta e avançou em minha direção. Dei um grito e tentei escapar, mas ele
O cheiro de tinta fresca ainda flutua no ar quando abro as portas do novo ateliê. O letreiro simples, pendurado sobre a entrada, balança levemente com o vento: Oficina Aurora.Chegou o dia.A inauguração.E meu coração parece bater em ritmo dobrado.Montei cada canto daquele espaço com as próprias mãos — com a ajuda de Otávio, claro, que chegou a pregar prateleiras, lixar bancadas e até reclamar dos pincéis fora de ordem como se já fosse parte do time. O chão ainda tem manchas de tinta das nossas risadas, e as paredes guardam promessas de recomeços.Hoje, artistas locais trazem suas peças, há cavaletes espalhados com telas vibrantes, esculturas improvisadas, mesas cheias de croquis. Tudo tem cor. Tudo tem alma.Otávio está ali, parado ao meu lado, com as mãos nos bolsos e o sorriso discreto de quem sabe o quanto isso significa. Ele não fala nada, mas seus olhos dizem: "Conseguiu."Gabriela aparece com um arranjo de flores. Ana ajuda com os salgadinhos. Algumas crianças entram correndo







