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Sensações quentes – Proibido e irresistível
Sensações quentes – Proibido e irresistível
작가: Kell Smith

Capítulo 01: Morango – Lyara e Daniel

작가: Kell Smith
last update 게시일: 2026-08-27 09:49:32

POV: Lyara

Existem pessoas que nascem com o dom natural de irritar os outros sem fazer o menor esforço. O Daniel não só tinha esse dom, como parecia ter feito uma pós-graduação no assunto com nota máxima.

Era um sábado à tarde e o sol de verão transformava a casa em um forno. Estava jogada no sofá da sala, com o ar-condicionado no máximo, vestindo apenas um short de malha curto e um top preto simples. Meu cabelo estava preso em um coque desajeitado, e eu devorava uma tigela cheia de morangos picados com leite condensado enquanto maratonava minha série favorita. A casa estava tranquila. Meu pai tinha saído para resolver coisas do trabalho, a empregada já tinha terminado o expediente e meu irmão, Matheus, tinha jurado que passaria a tarde inteira jogando videogame no quarto dele.

A paz perfeita. O cenário ideal para um fim de semana calmo.

Até a porta da frente se abrir sem que ninguém batesse.

— Cheguei! — a voz grave e arrastada ecoou pela sala antes mesmo que o corpo de seu dono entrasse por completo.

Revirei os olhos com tanta força que quase enxerguei meu próprio cérebro. Nem precisei olhar para saber quem era. Daniel entrou na sala como se fosse o dono do lugar, jogando as chaves do carro sobre a mesa de centro de vidro com um estalo alto que fez meus dentes rangerem.

Ele vestia uma regata branca que deixava os ombros largos e os braços completamente tatuados à mostra, além de um calção de basquete folgado.

— A casa não é sua, garoto. Aprenda a bater — resmunguei, sem tirar os olhos da televisão, ajustando a postura para cobrir um pouco mais as pernas.

— A porta tava encostada, chatinha. E o Matheus me chamou — respondeu, ignorando completamente meu tom azedo.

Ele não subiu direto para o quarto do meu irmão, como qualquer pessoa normal faria. Em vez disso, caminhou devagar até o sofá. O espaço era enorme, um sofá em 'L' com lugar de sobra para quatro ou cinco pessoas se acomodarem sem se tocar. Mas, claro, o insuportável fez questão de andar até o meu lado e se jogar exatamente onde eu estava com as pernas esticadas, me forçando a recolher os pés às pressas para não ser esmagada por ele.

— Folgado — murmurei, encarando-o de lado. — O sofá tem três metros, sabia?

— Mas aqui tá mais perto do ar-condicionado — justificou, soltando um risinho provocador enquanto jogava a cabeça para trás, encostando no estofado.

Ele se virou um pouco de lado, apoiando o cotovelo no encosto do sofá e descansando a cabeça na mão. Aqueles olhos claros me encaravam com uma intensidade irritante, descendo devagar da minha boca até o meu top, descendo pelo meu abdômen e parando nas minhas coxas descobertas. Sentir aquele olhar devorador sobre mim fez minha pele arrepiar de imediato. Umas fisgadas estranhas começaram a estalar na minha barriga, e uma onda de calor subiu direto para o meu pescoço.

Odiei meu corpo por reagir àquilo. Odiei mais ainda saber que ele percebeu.

— Perdeu alguma coisa aqui? — perguntei, cruzando os braços sobre o peito.

— Nada. Só vendo como você fica uma graça quando tá brava — provocou, o sorriso maroto se expandindo nos lábios carnudos. — E esse morango aí? Vai me dar um não?

Antes que eu pudesse responder que preferia jogar a tigela na cara dele, a mão grande e cheia de veias marcadas do Daniel se esticou e pegou o maior pedaço de morango coberto de leite condensado de dentro da minha tigela.

— Ei! Tira a mão da minha comida, seu insuportável! — protestei, tentando puxar o pote para longe, mas fui lenta demais.

Ele levou o morango à boca, fechando os lábios ao redor do fruto e mastigando devagar. O olhar dele não saiu do meu nem por um segundo. Daniel passou a língua no canto do lábio inferior para limpar um pingo de leite condensado que tinha ficado ali, e aquele movimento simples pareceu a coisa mais erótica e proposital do mundo.

Senti minha garganta secar. Prendi a respiração sem querer, o coração disparando contra o peito.

— Delícia — sussurrou, a voz caindo um tom mais rouco do que o normal. — O morango também tava bom.

— Você é um nojento — disse, tentando manter a voz firme, embora minhas mãos estivessem trêmulas enquanto eu colocava a tigela na mesa de canto, perdendo completamente o apetite.

— Sou? — ele se aproximou um pouco mais. A regata aberta na lateral deixava ver a curva do tórax definido e as tatuagens subindo pelo peito. — Engraçado... você reclama, mas não sai de perto.

— Eu tava aqui primeiro, garoto! Você que invadiu meu espaço — rebati, encarando-o de frente, recusando-me a recuar e demonstrar fraqueza.

Daniel soltou um riso baixo, vindo lá do fundo da garganta. A mão dele subiu lentamente e, antes que eu pudesse evitar, os dedos quentes dele tocaram o lado do meu pescoço, puxando uma mecha rebelde do meu cabelo para trás da minha orelha. A ponta dos dedos dele roçou na minha pele, e um arrepio desceu por toda a minha espinha.

— Bravinha... — murmurou, a polegar deslizando bem devagar pela linha do meu maxilar.

Fiquei paralisada. Minha mente gritava para empurrá-lo, mas meu corpo simplesmente travou sob o toque dele. Meus lábios se abriram ligeiramente enquanto tentava buscar ar, e os olhos dele caíram imediatamente para a minha boca, ficando escuros de repente.

— E aí, Daniel! Trouxe o controle extra? — a voz do Matheus ecoou no topo da escada, quebrando o transe no mesmo segundo.

Daniel recolheu a mão devagar, sem parecer nem um pouco assustado ou envergonhado. Ele se levantou do sofá com uma calma, ajeitando o calção e dando uma última olhada de cima a baixo no meu corpo.

— Trouxe tá no carro, vou buscar — respondeu para o meu irmão, mas com o olhar fixo em mim. Ele deu um sorriso de lado, vitorioso ao notar o estado em que tinha me deixado.

Ele se virou e caminhou em direção à porta da frente. Fiquei ali, jogada no sofá, a pele do pescoço ainda queimando onde ele tinha tocado. Levei os dedos ao local, tentando acalmar a respiração e a raiva que subia pelo meu peito.

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