INICIAR SESIÓN
POV: Lyara
Existem pessoas que nascem com o dom natural de irritar os outros sem fazer o menor esforço. O Daniel não só tinha esse dom, como parecia ter feito uma pós-graduação no assunto com nota máxima. Era um sábado à tarde e o sol de verão transformava a casa em um forno. Estava jogada no sofá da sala, com o ar-condicionado no máximo, vestindo apenas um short de malha curto e um top preto simples. Meu cabelo estava preso em um coque desajeitado, e eu devorava uma tigela cheia de morangos picados com leite condensado enquanto maratonava minha série favorita. A casa estava tranquila. Meu pai tinha saído para resolver coisas do trabalho, a empregada já tinha terminado o expediente e meu irmão, Matheus, tinha jurado que passaria a tarde inteira jogando videogame no quarto dele. A paz perfeita. O cenário ideal para um fim de semana calmo. Até a porta da frente se abrir sem que ninguém batesse. — Cheguei! — a voz grave e arrastada ecoou pela sala antes mesmo que o corpo de seu dono entrasse por completo. Revirei os olhos com tanta força que quase enxerguei meu próprio cérebro. Nem precisei olhar para saber quem era. Daniel entrou na sala como se fosse o dono do lugar, jogando as chaves do carro sobre a mesa de centro de vidro com um estalo alto que fez meus dentes rangerem. Ele vestia uma regata branca que deixava os ombros largos e os braços completamente tatuados à mostra, além de um calção de basquete folgado. — A casa não é sua, garoto. Aprenda a bater — resmunguei, sem tirar os olhos da televisão, ajustando a postura para cobrir um pouco mais as pernas. — A porta tava encostada, chatinha. E o Matheus me chamou — respondeu, ignorando completamente meu tom azedo. Ele não subiu direto para o quarto do meu irmão, como qualquer pessoa normal faria. Em vez disso, caminhou devagar até o sofá. O espaço era enorme, um sofá em 'L' com lugar de sobra para quatro ou cinco pessoas se acomodarem sem se tocar. Mas, claro, o insuportável fez questão de andar até o meu lado e se jogar exatamente onde eu estava com as pernas esticadas, me forçando a recolher os pés às pressas para não ser esmagada por ele. — Folgado — murmurei, encarando-o de lado. — O sofá tem três metros, sabia? — Mas aqui tá mais perto do ar-condicionado — justificou, soltando um risinho provocador enquanto jogava a cabeça para trás, encostando no estofado. Ele se virou um pouco de lado, apoiando o cotovelo no encosto do sofá e descansando a cabeça na mão. Aqueles olhos claros me encaravam com uma intensidade irritante, descendo devagar da minha boca até o meu top, descendo pelo meu abdômen e parando nas minhas coxas descobertas. Sentir aquele olhar devorador sobre mim fez minha pele arrepiar de imediato. Umas fisgadas estranhas começaram a estalar na minha barriga, e uma onda de calor subiu direto para o meu pescoço. Odiei meu corpo por reagir àquilo. Odiei mais ainda saber que ele percebeu. — Perdeu alguma coisa aqui? — perguntei, cruzando os braços sobre o peito. — Nada. Só vendo como você fica uma graça quando tá brava — provocou, o sorriso maroto se expandindo nos lábios carnudos. — E esse morango aí? Vai me dar um não? Antes que eu pudesse responder que preferia jogar a tigela na cara dele, a mão grande e cheia de veias marcadas do Daniel se esticou e pegou o maior pedaço de morango coberto de leite condensado de dentro da minha tigela. — Ei! Tira a mão da minha comida, seu insuportável! — protestei, tentando puxar o pote para longe, mas fui lenta demais. Ele levou o morango à boca, fechando os lábios ao redor do fruto e mastigando devagar. O olhar dele não saiu do meu nem por um segundo. Daniel passou a língua no canto do lábio inferior para limpar um pingo de leite condensado que tinha ficado ali, e aquele movimento simples pareceu a coisa mais erótica e proposital do mundo. Senti minha garganta secar. Prendi a respiração sem querer, o coração disparando contra o peito. — Delícia — sussurrou, a voz caindo um tom mais rouco do que o normal. — O morango também tava bom. — Você é um nojento — disse, tentando manter a voz firme, embora minhas mãos estivessem trêmulas enquanto eu colocava a tigela na mesa de canto, perdendo completamente o apetite. — Sou? — ele se aproximou um pouco mais. A regata aberta na lateral deixava ver a curva do tórax definido e as tatuagens subindo pelo peito. — Engraçado... você reclama, mas não sai de perto. — Eu tava aqui primeiro, garoto! Você que invadiu meu espaço — rebati, encarando-o de frente, recusando-me a recuar e demonstrar fraqueza. Daniel soltou um riso baixo, vindo lá do fundo da garganta. A mão dele subiu lentamente e, antes que eu pudesse evitar, os dedos quentes dele tocaram o lado do meu pescoço, puxando uma mecha rebelde do meu cabelo para trás da minha orelha. A ponta dos dedos dele roçou na minha pele, e um arrepio desceu por toda a minha espinha. — Bravinha... — murmurou, a polegar deslizando bem devagar pela linha do meu maxilar. Fiquei paralisada. Minha mente gritava para empurrá-lo, mas meu corpo simplesmente travou sob o toque dele. Meus lábios se abriram ligeiramente enquanto tentava buscar ar, e os olhos dele caíram imediatamente para a minha boca, ficando escuros de repente. — E aí, Daniel! Trouxe o controle extra? — a voz do Matheus ecoou no topo da escada, quebrando o transe no mesmo segundo. Daniel recolheu a mão devagar, sem parecer nem um pouco assustado ou envergonhado. Ele se levantou do sofá com uma calma, ajeitando o calção e dando uma última olhada de cima a baixo no meu corpo. — Trouxe tá no carro, vou buscar — respondeu para o meu irmão, mas com o olhar fixo em mim. Ele deu um sorriso de lado, vitorioso ao notar o estado em que tinha me deixado. Ele se virou e caminhou em direção à porta da frente. Fiquei ali, jogada no sofá, a pele do pescoço ainda queimando onde ele tinha tocado. Levei os dedos ao local, tentando acalmar a respiração e a raiva que subia pelo meu peito.A noite de sábado no camarote do clube mais concorrido da cidade era uma mistura ensurdecedora de graves pesados, luzes estroboscópicas e fumaça fria. O espaço VIP tinha uma vista privilegiada da pista, mas a verdadeira agitação estava ali dentro. Eu usava um vestido justo de couro sintético preto, com um decote nas costas que descia até o limite da cintura. Minhas amigas dançavam em volta da mesa com copos de gin na mão, mas a minha atenção estava completamente desordenada desde que o grupo do meu irmão tinha chegado. Matheus estava no balcão conversando com uns amigos. E Daniel estava entre eles. Vestia uma camisa social preta com as mangas dobradas até os cotovelos, revelando os braços tatuados e o relógio prateado no pulso. Ele conversava com os amigos, mas os olhos dele não saíam de mim. A cada movimento meu, a cada virada de quadril ao ritmo da música, eu sentia o olhar dele queimando na minha pele. Decidi provocar
O sol da tarde refletia na água cristalina da piscina, criando pequenos diamantes líquidos que tremeluziam na superfície. Estava esticada numa espreguiçadeira de tecido listrado, aproveitando a solidão da casa vazia. O biquíni minúsculo, um triângulo de tecido vermelho que mal cobria os seios e um fio dental que desaparecia entre as curvas, grudava no corpo. — Cadê o Matheus, chatinha? A voz dele fez meu corpo estremecer. Em um segundo, a lembrança do nosso beijo me atropelou, a parede fria do banheiro, as mãos dele no meu corpo. Senti o rosto queimar, mas engoli a ansiedade e decidi no mesmo instante, aquele beijo nunca aconteceu. Fingiria demência até o fim. Virei o rosto com lentidão, os óculos escuros escondendo o modo como meus olhos percorreram o corpo dele, daqueles braços tatuados até o "V" da cintura que desaparecia no shorts folgado. — Saiu com a namorada. Pode ir embora, por favor. Ele riu, aquele sorriso maroto que sempre me deixava com raiva... e outras coisas. S
O som da música ambiente se misturava ao falatório alto das mesas ao redor, mas a minha atenção estava completamente dispersa. Já fazia mais de duas horas que estava ali, sentada com minhas três amigas, virando gin tônica e checando a entrada do bar a cada cinco minutos. Olhava para a porta disfarçadamente, esperando Daniel aparecer a qualquer momento. — Você tá esperando alguém, Ly? — perguntou Vanessa, tombando a cabeça para o lado e me encarando com desconfiança. — Não para de olhar pra entrada. — Eu? Claro que não — menti rápido, tomando um gole grande do meu drink para disfarçar. — Só tô observando o movimento mesmo. Não se passaram nem dez minutos até que Vanessa deu um leve empurrão no meu braço, apontando discretamente para a frente. — Meu Deus... O gostoso do seu irmão tá vindo pra cá. E quem é aquele gato do lado dele? Meu coração deu um pulo no peito. Olhei na direção em que ela apontava e vi meu irmão, Matheus, caminhando ao lado de Daniel. — É só o insuportável
Era fim de tarde de sábado e o calor na minha cidade não dava trégua. O ar-condicionado do meu quarto trabalhava no limite enquanto eu me arrumava para encontrar algumas amigas num barzinho. Vestia um biquíni preto por baixo de uma saída de praia de crochê vazada, bem curta e ajustada, que deixava a marquinha de fita do sol perfeitamente visível nos quadris e nos ombros. Olhei-me no espelho em tamanho real encostado na parede e gostei do que vi. Peguei o celular e abri a câmera do I*******m. Enquadrei o corpo, fiz um biquinho sutil, inclinei o quadril para destacar a curva da cintura e tirei uma sequência de fotos. Escolhi a melhor, apliquei um filtro leve que realçava meu bronzeado e postei no story com uma música animada de fundo. Eu não tinha postado para ninguém em específico. Ou pelo menos era isso o que eu tentava convencer a mim mesma. Bloqueei a tela do telefone, joguei-o sobre a cama e fui terminar de passar o batom no banheiro. Não se passaram três minutos até o celular e
Peguei meu celular sobre a mesinha de cabeceira; duas e quinze da manhã. Não conseguia dormir. A imagem do Daniel na festa de faculdade na noite anterior, os olhos escuros de desejo sob a luz vermelha, a mão firme na minha cintura e aquele sussurro quente no meu ouvido, rodava na minha cabeça. Sem conseguir pregar os olhos, desci as escadas na ponta dos pés, vestindo apenas uma camisola curta de cetim preto com alças finas que mal cobria metade das minhas coxas, e descalça. Tudo o que eu precisava era de um copo de água gelada para acalmar as ideias e voltar para a cama. Abri a geladeira, peguei a jarra de vidro e sirvi um copo longo. Dei o primeiro gole devagar, sentindo a água fria descer pela garganta, tentando espantar a sensação de sufocamento que me perseguia desde a noite anterior. — Perdeu o sono também? O susto me fez dar um pulo. A jarra de vidro quase escorregou da minha mão. Virei-me rápido e dei de cara com a figura alta do Daniel encostada no batente da porta
A sexta-feira à noite tinha chegado e o campus parecia pegar fogo. O galpão universitário onde acontecia a festa da atlética estava lotado, pulsando ao som de um funk alto que fazia o chão de concreto vibrar sob os meus pés. As luzes de neon em tons de roxo e vermelho cortavam a fumaça no ar, criando uma atmosfera quente e despretensiosa. Eu vestia uma saia jeans preta justa e um cropped vermelho de decote profundo, com o cabelo solto caindo em ondas pelas costas. Tinha ido com as minhas amigas para dançar, beber um pouco e esquecer a semana cansativa e, principalmente, para tirar certo garoto tatuado da minha cabeça. Um plano que durou exatamente vinte minutos. Estava no balcão improvisado do bar, esperando meu copo de vodka com energético, quando o vi do outro lado da pista. Daniel estava encostado em uma das colunas de sustentação, cercado por um grupo do time de futebol da faculdade. Ele vestia uma camisa preta de botões com os primeiros botões abertos, revelando o início do







