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Capítulo 02: O Incidente da Regata – Lyara e Daniel

ผู้เขียน: Kell Smith
last update วันที่เผยแพร่: 2026-08-27 09:49:41

O domingo amanheceu ainda mais quente que o sábado. O sol brilhava sem piedade sobre o quintal da nossa casa, fazendo o ar ao redor da piscina parecer balançar de tanto calor.

Eu não tinha planos de sair do ar-condicionado do meu quarto, mas a sede me fez descer até a cozinha por volta das três da tarde. Peguei um copo com bastante gelo e suco de laranja e me encostei no balcão de mármore, olhando casualmente pela janela de vidro que dava para a área externa e o gramado.

Foi aí que o meu dia tranquilo foi oficialmente destruído.

No meio do gramado, meu irmão Matheus e o Daniel jogavam uma partida de futevôlei. A rede estava armada no meio do jardim, e os dois se movimentavam de um lado para o outro, rindo alto e disputando cada ponto como se fosse a final de um campeonato mundial.

Daniel, vestia apenas um calção de praia preto e uma regata cinza completamente encharcada de suor que grudava no corpo dele como uma segunda pele. A malha fina deixava desenhada toda a estrutura do peitoral rígido e o relevo do abdômen trabalhado. A cada salto que ele dava para cortar a bola, os músculos das coxas e dos braços tatuados se contraíam de um jeito que tornava impossível não olhar. O cabelo escuro dele estava úmido, caindo em mechas desalinhadas pela testa, e gotas de suor brilhavam na pele bronzeada, escorrendo pelo pescoço até desaparecerem no decote da camisa.

Era uma visão ofensiva de tão bonita.

Apertei o copo de suco na mão, sentindo a sensação de frio do vidro tentar neutralizar a onda de calor absurda que subiu direto para o meu rosto. Respirei fundo e tentei dar meia-volta para subir as escadas, mas meus pés simplesmente não obedeceram. Fiquei ali, parada atrás da cortina semiaberta, disfarçando como podia enquanto observava cada movimento dele.

— Não dá não, Matheus! Tá muito quente! — a voz grave de Daniel ecoou pelo quintal, vindo até a janela da cozinha.

Ele parou no meio do gramado, pegando a barra da regata cinza com as duas mãos. Em um movimento fluido e sem qualquer pressa, puxou a camisa por cima da cabeça, revelando de vez o torso nu. As tatuagens cobriam parte do peito e desciam por todo o braço esquerdo, acompanhando as linhas perfeitas da musculatura dele. O "V" marcado na altura da cintura se afundava para dentro do calção baixo, deixando uma amostra generosa de pele à mostra.

Soltei o ar com força, quase engasgando com o suco.

Que garoto gostoso do caralho, pensei, sentindo uma pontada de raiva de mim mesma por admitir aquilo.

Daniel usou a regata molhada para enxugar o suor do rosto e do pescoço. Quando ele abaixou o pano, em vez de voltar para o jogo, virou a cabeça exatamente na direção da janela da cozinha.

Nossos olhares se cruzaram através do vidro.

Tentei dar um passo para trás instantaneamente para me esconder, mas foi tarde demais. Ele já tinha me visto. Daniel não apenas me viu, como percebeu exatamente o que eu estava fazendo.

Um sorriso lento, malicioso e absurdamente convencido se formou nos lábios dele. Ele nem se deu ao trabalho de disfarçar. Daniel jogou a regata úmida sobre o ombro e caminhou passos lentos até a borda da piscina, pegando uma garrafa de água da caixa térmica, sem tirar aqueles olhos claros de cima de mim.

Ele abriu a garrafa e virou o líquido na boca, deixando um pouco escorrer pelo queixo e descer pelo peito nu. O desgraçado fez aquilo de propósito. Sabia exatamente o efeito que causava.

Antes que eu pudesse sair correndo para o andar de cima, ouvi a porta de vidro da cozinha se abrir. Daniel entrou no ambiente climatizado trazendo consigo o cheiro de sol, pele quente e aquele perfume amadeirado marcante.

— Tá fresco aqui dentro, né? — disse, com a voz rouca pelo cansaço do jogo, vindo direto na minha direção.

— Tava até você entrar trazendo esse mormaço todo — menti rápido, cruzando os braços e tentando manter uma expressão de tédio.

Ele deu mais dois passos, diminuindo drasticamente o espaço entre nós. Pude ver as gotas de água brilhando nos pelos finos do peito dele, a pouquíssimos centímetros do meu rosto.

— Achei que você não gostava de de nenhum tipo de jogo. — provocou, encostando a cintura no balcão, logo ao meu lado. Ele se inclinou ligeiramente, aproximando o rosto do meu. — Mas parecia bem interessada no jogo lá de fora.

— Eu só vim buscar um suco, garoto. Não se ache tanto — retruquei, sustentando o olhar, embora meu coração estivesse batendo forte.

— Sei... — Deu um risinho baixo, o olhar descendo lentamente para a minha boca e depois para o meu peito antes de voltar para os meus olhos. Ele pegou a regata que estava em seu ombro e a jogou em cima do balcão, bem ao lado do meu copo. — Então por que tá tão tensa?

— Eu não tô tensa!

— Tá sim. Seus olhos não mentem, chatinha. Você tava quase me comendo com o olhar daquela janela.

Sentindo o sangue ferver de vergonha e provocação, dei um passo à frente, batendo a mão no peito nu e firme dele para empurrá-lo para trás.

— Você é um ridículo, sabia?

Em vez de recuar, Daniel segurou meu punho antes que eu pudesse puxar a mão de volta. A palma da mão dele era quente, e o aperto no meu pulso era firme, sem me machucar. Ele puxou minha mão levemente, colando mais meu corpo ao dele. Senti o calor do abdômen dele contra a ponta dos meus dedos, a pele firme e quente na minha palma.

— Tira a mão de mim, Daniel — sussurrei, mas a voz saiu falhada, sem nenhuma autoridade.

Ele não soltou. Em vez disso, deu um sorriso maroto e inclinou a cabeça até o seu hálito quente roçar na minha orelha.

Minha respiração travou na garganta. Ele soltou meu pulso devagar, os dedos deslizando pela minha pele antes de se afastar por completo.

— Vou tomar um banho — disse, piscando para mim antes de se virar e andar em direção ao banheiro do corredor com passos tranquilos, sabendo perfeitamente que tinha me deixado completamente sem ar.

Encostei as costas no balcão da cozinha, o coração descontrolado no peito e a mão ainda formigando de ter tocado aquele corpo. Olhei para a regata cinza que ele tinha esquecido ali em cima e soltei um xingamento baixo.

Aquele fdp insuportável estava jogando sujo, e o pior de tudo era que eu estava começando a gostar do jogo.

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