LOGINSe a segunda-feira já era meu dia menos favorito da semana por natureza, ela conseguiu ficar dez vezes pior logo às sete horas da manhã.
Estava no meio do corredor, terminando de colocar meus brincos e ajeitando a alça da minha bolsa de couro sobre o ombro. Usava uma calça jeans justa que valorizava minhas curvas e um top cropped branco de alcinhas finas. Tinha uma aula importante na faculdade às oito, e meu planejamento era simples, pegar o carro na garagem, enfrentar o trânsito do início da manhã. Um plano perfeito, até eu descer as escadas e encontrar meu irmão Matheus na sala, vestido de pijama e com a cara amassada de quem tinha acabado de acordar. — A empregada disse que o pneu do seu carro tá totalmente murcho. — disse, antes mesmo que eu pudesse dar bom-dia. — O quê?! Eu tenho prova hoje! Como assim o pneu tá murcho? — esbravejei, sentindo a raiva subir no mesmo instante. — E agora? Como eu vou? — Relaxa, estressada. Pedi pro Daniel tá levar. A faculdade dele fica do lado da sua mesmo. Minha mandíbula quase caiu no chão. — Ficou maluco? Prefiro ir a pé debaixo de chuva do que entrar no carro daquele insuportável! — Então vai a pé, ué. — respondeu, virando as costas e caminhando de volta para a cozinha. Soltei um grunhido de frustração. Olhei para o relógio no meu pulso: vinte para as oito. Se eu chamasse um carro por aplicativo àquela hora da manhã, demoraria vinte minutos só para chegar na minha rua. Não tinha escolha. Peguei minha bolsa com tanta força que os zíperes tilintaram e marchei em direção à porta da frente. Parado na calçada, encostado na porta de um Onix preto, estava o Daniel. Ele vestia uma camiseta preta, óculos escuros de armação fina e tinha o cabelo penteado para trás. Ele segurava um copo de café para viagem. Quando me viu sair de casa fumegando de raiva, abaixou os óculos escuros até a ponta do nariz, revelando aqueles olhos claros e provocadores. — Bom dia para você também, flor do dia — disse, com aquele sorriso de canto irresistível que me dava vontade de socar e beijar ao mesmo tempo. — Vamos logo antes que eu mude de ideia — resmunguei, passando por ele sem olhar diretamente nos olhos dele. — Onde foram parar os seus modos? Um "por favor, Daniel lindo" não faria mal a ninguém — debochou, destravando o carro. Entrei no banco do passageiro e me afundei no estofado de couro escuro. O interior do carro exalava aquele perfume amadeirado marcante dele, impregnando o ar de um jeito sufocante e gostoso. Daniel entrou no lado do motorista, deu a partida no motor e o som grave da nave ecoou pela rua quieta. Fiquei encarando a janela, mantendo os braços cruzados bem apertados contra o peito para delimitar o meu espaço. — Pode relaxar, chatinha. Eu não mordo... a menos que você peça — disse, engatando a marcha e acelerando. — Dirige e fica quieto, Daniel — rebati, sem me virar para ele. — Nossa, quanta agressividade logo cedo. O que foi? O leite condensado de sábado acabou? Virei o rosto para encará-lo com o meu melhor olhar de desprezo. Daniel estava descansando a mão direita no câmbio de marchas. A posição colocava o braço forte dele extremamente perto da minha coxa direita. A pele bronzeada, marcada pelas veias saltadas e pela tatuagem que subia pelo pulso. A cada troca de marcha que ele fazia, as costas da mão dele roçar "sem querer" no tecido da minha calça jeans, bem perto do meu joelho. Na primeira vez, achei que tinha sido um acidente. Na segunda, percebi a intenção. Na terceira troca de marcha, os dedos dele propositalmente se abriram um pouco mais, o polegar dele deslizando pela parte interna da minha coxa antes de voltar para a alavanca. Uma descarga elétrica desceu direto para a minha barriga. Minha respiração falhou. — Dá para você prestar atenção no trânsito e tirar a mão de perto da minha perna? — disse, tentando manter a voz firme, mas falhando miseravelmente na entonação. Daniel deu um risinho baixo, rouco. Ele aproveitou um sinal vermelho que fechou à nossa frente para se virar completamente na minha direção. Apoiou o cotovelo no volante e se inclinou sobre o console central, invadindo o meu lado do carro. O rosto dele ficou a poucos centímetros do meu. — O espaço no carro é meu, Ly. Se a minha mão incomoda tanto aqui... — sussurrou, a voz caindo para aquele tom grave que fazia minhas pernas virarem geleia, enquanto o olhar dele descia direto para a minha boca. — Por que você não tira? Eu podia ter empurrado o peito dele. Podia ter mandado ele se afastar. Mas o cheiro dele, a proximidade daquela boca carnuda e a intensidade com que aquele filho da puta me encarava travaram todos os meus músculos. — Você é insuportável... — murmurei, o peito subindo e descendo rápido. — E você adora — respondeu, com uma confiança irritante. O sinal abriu. Daniel deu um último olhar demorado para a alcinha do meu top cropped antes de voltar a posição para frente e acelerar o carro. Mas a mão dele não voltou inteiramente para o câmbio; ele deixou os dedos descansando levemente sobre a borda do banco, a milímetros da minha perna. O restante do caminho foi feito em um silêncio carregado de uma tensão sexual absurda. Nenhum de nós falou mais nada, mas o ar dentro do carro parecia que ia pegar fogo a qualquer segundo. Quando ele finalmente encostou o carro em frente ao portão da minha faculdade, soltei o cinto de segurança quase em desespero para sair dali. — Entregue em segurança — disse, destravando as portas. Peguei minha bolsa e abri a porta. Antes de botar o pé para fora, me virei para ele uma última vez. — Obrigada pela carona. Mas na próxima eu venho de táxi. Daniel tirou os óculos escuros e me deu aquele sorriso maroto que acabava com o meu juízo. — Nem pensar, chatinha. Amanhã eu venho te buscar de novo. Saí do carro batendo a porta com força, ouvindo a risada gostosa dele se perder no barulho do trânsito enquanto caminhava para a aula com o coração batendo no ritmo de um tambor.A noite de sábado no camarote do clube mais concorrido da cidade era uma mistura ensurdecedora de graves pesados, luzes estroboscópicas e fumaça fria. O espaço VIP tinha uma vista privilegiada da pista, mas a verdadeira agitação estava ali dentro. Eu usava um vestido justo de couro sintético preto, com um decote nas costas que descia até o limite da cintura. Minhas amigas dançavam em volta da mesa com copos de gin na mão, mas a minha atenção estava completamente desordenada desde que o grupo do meu irmão tinha chegado. Matheus estava no balcão conversando com uns amigos. E Daniel estava entre eles. Vestia uma camisa social preta com as mangas dobradas até os cotovelos, revelando os braços tatuados e o relógio prateado no pulso. Ele conversava com os amigos, mas os olhos dele não saíam de mim. A cada movimento meu, a cada virada de quadril ao ritmo da música, eu sentia o olhar dele queimando na minha pele. Decidi provocar
O sol da tarde refletia na água cristalina da piscina, criando pequenos diamantes líquidos que tremeluziam na superfície. Estava esticada numa espreguiçadeira de tecido listrado, aproveitando a solidão da casa vazia. O biquíni minúsculo, um triângulo de tecido vermelho que mal cobria os seios e um fio dental que desaparecia entre as curvas, grudava no corpo. — Cadê o Matheus, chatinha? A voz dele fez meu corpo estremecer. Em um segundo, a lembrança do nosso beijo me atropelou, a parede fria do banheiro, as mãos dele no meu corpo. Senti o rosto queimar, mas engoli a ansiedade e decidi no mesmo instante, aquele beijo nunca aconteceu. Fingiria demência até o fim. Virei o rosto com lentidão, os óculos escuros escondendo o modo como meus olhos percorreram o corpo dele, daqueles braços tatuados até o "V" da cintura que desaparecia no shorts folgado. — Saiu com a namorada. Pode ir embora, por favor. Ele riu, aquele sorriso maroto que sempre me deixava com raiva... e outras coisas. S
O som da música ambiente se misturava ao falatório alto das mesas ao redor, mas a minha atenção estava completamente dispersa. Já fazia mais de duas horas que estava ali, sentada com minhas três amigas, virando gin tônica e checando a entrada do bar a cada cinco minutos. Olhava para a porta disfarçadamente, esperando Daniel aparecer a qualquer momento. — Você tá esperando alguém, Ly? — perguntou Vanessa, tombando a cabeça para o lado e me encarando com desconfiança. — Não para de olhar pra entrada. — Eu? Claro que não — menti rápido, tomando um gole grande do meu drink para disfarçar. — Só tô observando o movimento mesmo. Não se passaram nem dez minutos até que Vanessa deu um leve empurrão no meu braço, apontando discretamente para a frente. — Meu Deus... O gostoso do seu irmão tá vindo pra cá. E quem é aquele gato do lado dele? Meu coração deu um pulo no peito. Olhei na direção em que ela apontava e vi meu irmão, Matheus, caminhando ao lado de Daniel. — É só o insuportável
Era fim de tarde de sábado e o calor na minha cidade não dava trégua. O ar-condicionado do meu quarto trabalhava no limite enquanto eu me arrumava para encontrar algumas amigas num barzinho. Vestia um biquíni preto por baixo de uma saída de praia de crochê vazada, bem curta e ajustada, que deixava a marquinha de fita do sol perfeitamente visível nos quadris e nos ombros. Olhei-me no espelho em tamanho real encostado na parede e gostei do que vi. Peguei o celular e abri a câmera do I*******m. Enquadrei o corpo, fiz um biquinho sutil, inclinei o quadril para destacar a curva da cintura e tirei uma sequência de fotos. Escolhi a melhor, apliquei um filtro leve que realçava meu bronzeado e postei no story com uma música animada de fundo. Eu não tinha postado para ninguém em específico. Ou pelo menos era isso o que eu tentava convencer a mim mesma. Bloqueei a tela do telefone, joguei-o sobre a cama e fui terminar de passar o batom no banheiro. Não se passaram três minutos até o celular e
Peguei meu celular sobre a mesinha de cabeceira; duas e quinze da manhã. Não conseguia dormir. A imagem do Daniel na festa de faculdade na noite anterior, os olhos escuros de desejo sob a luz vermelha, a mão firme na minha cintura e aquele sussurro quente no meu ouvido, rodava na minha cabeça. Sem conseguir pregar os olhos, desci as escadas na ponta dos pés, vestindo apenas uma camisola curta de cetim preto com alças finas que mal cobria metade das minhas coxas, e descalça. Tudo o que eu precisava era de um copo de água gelada para acalmar as ideias e voltar para a cama. Abri a geladeira, peguei a jarra de vidro e sirvi um copo longo. Dei o primeiro gole devagar, sentindo a água fria descer pela garganta, tentando espantar a sensação de sufocamento que me perseguia desde a noite anterior. — Perdeu o sono também? O susto me fez dar um pulo. A jarra de vidro quase escorregou da minha mão. Virei-me rápido e dei de cara com a figura alta do Daniel encostada no batente da porta
A sexta-feira à noite tinha chegado e o campus parecia pegar fogo. O galpão universitário onde acontecia a festa da atlética estava lotado, pulsando ao som de um funk alto que fazia o chão de concreto vibrar sob os meus pés. As luzes de neon em tons de roxo e vermelho cortavam a fumaça no ar, criando uma atmosfera quente e despretensiosa. Eu vestia uma saia jeans preta justa e um cropped vermelho de decote profundo, com o cabelo solto caindo em ondas pelas costas. Tinha ido com as minhas amigas para dançar, beber um pouco e esquecer a semana cansativa e, principalmente, para tirar certo garoto tatuado da minha cabeça. Um plano que durou exatamente vinte minutos. Estava no balcão improvisado do bar, esperando meu copo de vodka com energético, quando o vi do outro lado da pista. Daniel estava encostado em uma das colunas de sustentação, cercado por um grupo do time de futebol da faculdade. Ele vestia uma camisa preta de botões com os primeiros botões abertos, revelando o início do







