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Capitulo 7

Autor: Evelyn750
last update Fecha de publicación: 2026-07-03 20:00:18

Zian Matias — Sevilha, Espanha

Deixo o quarto de Dulce junto com os garotos. Assim que pisamos no corredor, eles me abordam, com as expressões sérias.

— O que faremos com ela, chefe? — Félix pergunta, cruzando os braços.

O que faríamos com ela? Aquela pergunta esteve rondando a minha mente a tarde toda. Não fazia nem vinte e quatro horas que Dulce havia chegado àquela casa, e ela já tinha virado nossa rotina de cabeça para baixo.

— Por enquanto, nada. Vamos observá-la de perto e esperar uma oportunidade segura para que ela volte à sua vida habitual sem levantar suspeitas — digo, por fim, tomando a decisão mais racional. — Vou tomar um banho. Não a incomodem — ordeno, seguindo em direção ao meu quarto no fim do corredor.

No banheiro, deixo a água quente cair sobre a minha nuca, tentando aliviar a tensão. As coisas estavam querendo sair do controle. Eu sabia que Dulce tinha ouvido parte da minha conversa ao telefone mais cedo. Ela não se sentia segura e muito menos confiava em nós. No fundo, eu não tirava a razão dela; afinal, eu também não confiava nela totalmente, mas tinha plena certeza de sua inocência naquela história toda. Ela era apenas uma peça no lugar errado.

Desligo o chuveiro e me enrolo na toalha. Quando estou saindo do banheiro, um barulho abafado chama a minha atenção. Era baixo, mas perfeitamente audível.

— O que é isso agora? — questiono para o vazio, franzindo a testa.

Abro a porta do meu quarto para ter certeza de que ouvi direito. Novamente, o som estranho se repete vindo do corredor. Olho para o relógio na parede para conferir a hora: 20h59 da noite. A essa hora as crianças já estavam dormindo e os rapazes deviam estar no andar de baixo. Só restava uma opção.

— Dulce!

Caminho rápido e abro a porta do quarto dela, congelando no lugar ao encontrá-la caída no chão, completamente desmaiada.

— Dulce! Dulce, acorda! — me ajoelho ao seu lado e a sacudo de leve, mas ela não esboça reação. — Droga!

Pego o seu corpo frágil no colo com cuidado e a coloco deitada na cama. Imediatamente, aperto o botão de emergência fixado na parede ao lado da cabeceira, um alarme que enviava um aviso diretamente para o meu celular e para o dos rapazes.

Ela parecia ainda mais frágil desacordada. Se alguma coisa acontecesse com ela, toda aquela situação se tornaria irreversível.

Não demora nem dois minutos para que os passos apressados ecoem pelo corredor.

— Ei, Dul, você não disse que ia... — Félix para abruptamente na porta, arregalando os olhos ao ver a cena.

— O que você fez com ela? — Liam pergunta de imediato, passando empurrado por Félix e vindo na minha direção com os punhos cerrados.

Esse moleque era impulsivo demais. Sempre apontava o dedo e acusava antes de tentar descobrir a verdade.

— Não fiz nada. Apenas a encontrei desmaiada no chão — respondo, mantendo a voz firme para controlar a situação.

Ele me olha de cima a baixo, estreitando os olhos com desconfiança.

— Tá... Mas por que você está apenas enrolado em uma toalha? — pergunta, com um olhar nitidamente cínico.

Ignoro a sua pergunta idiota e foco no que realmente importava.

— Chame um médico. Pode ser uma crise de asma. — falo, resgatando a informação da ligação dela com o amigo, onde aquele problema de saúde havia sido brevemente mencionado. — Tem álcool por perto? Vamos usar para despertá-la — completo.

Félix, que era o segundo mais sensato ali, assente prontamente.

— Vou ligar para a Sônia — diz ele, já puxando o celular e saindo do quarto às pressas.

— E você? Por que está parado aí? Vai pegar o álcool! — falo duro com Liam, usando meu tom de comando.

Ele corre até o banheiro do quarto e volta logo em seguida com uma garrafinha em mãos. Uma coisa era certa: eu teria que mandar tirar qualquer produto químico daquele banheiro; poderia ser perigoso manter aquilo no mesmo ambiente que ela.

— Aqui! — ele me entrega o frasco.

Abro a tampa e aproximo o álcool do rosto de Dulce, movimentando levemente para que o odor forte a faça reagir.

— Então... Por que você está só de toalha, mesmo? — Liam insiste na pergunta, cruzando os braços com uma cara de deboche.

Solto um bufo irritado.

— Fica quieto. Ela está acordando — sussurro, notando as pálpebras de Dulce tremerem. — Ei... Você está bem? Consegue focar a visão em mim?

— pergunto, aproximando-me ao ver sua dificuldade em abrir totalmente os olhos.

Ela franze a testa com esforço, piscando algumas vezes até que suas pupilas foquem na minha figura.

— Por que... Você está enrolado na toalha? — a voz dela sai fraca, mas a pergunta me pega totalmente de surpresa.

Aquilo era um complô para me irritar, só podia ser.

— Isso é irrelevante agora. Como se sente? O Félix foi buscar a médica — respondo de prontidão, sentindo um alívio genuíno que tentei mascarar. Eu estava realmente preocupado com ela.

Ela abre um pequeno e fraco sorriso.

— Estou bem... Só com um pouco de falta de ar — responde, a voz quase sumindo.

Sem pensar muito, aproximo-me e observo sua respiração. O chiado em seu peito era audível, e o esforço que fazia para puxar o ar era evidente.

— Hum... O que você está fazendo? — Liam pergunta, coçando a nuca com uma expressão confusa.

— Vendo como está a respiração dela — aponto o óbvio, sem me afastar.

Para a minha surpresa, o moleque me segura pelo braço e me puxa um passo para trás.

— Tenta não ficar muito próximo. Afinal, você está de toalha — lembra ele, arqueando as sobrancelhas.

— Fica quieto — mando, fuzilando-o com o olhar.

Liam ergue as mãos em sinal de rendição e faz um gesto de zíper na boca.

— A Sônia chegou! — Félix anuncia da porta, quebrando o clima tenso. A médica ruiva entra no quarto logo atrás dele, carregando sua maleta.

— Boa noite, Sônia. Desculpe te incomodar tão tarde, mas, como você pode ver, é uma emergência — falo, assumindo minha postura de liderança de sempre, apesar do meu traje atual.

Ela sorri levemente, ajeitando uma mecha de cabelo atrás da orelha.

— Boa noite, Zian. Sem problemas — fala, profissional. — Então, o que houve com essa menina? — pergunta, olhando com evidente curiosidade para Dulce na cama.

Antes que eu possa responder, Liam toma a frente e começa a tagarelar:

— Ela teve uma crise de asma. O Zian a encontrou desacordada no chão — detalha todo o fato de uma vez só.

A primeira coisa para a qual Sônia olha, no entanto, é para a garrafa de álcool em cima da cômoda. Franzo a testa, confuso com a sua reação.

— Vocês usaram álcool para despertá-la? — ela questiona, cruzando os braços.

— Eu usei — admito.

Ela solta um longo suspiro e balança a cabeça.

— Isso não resolve uma crise de asma, Zian. O problema dela não é falta de consciência, é falta de ar — explica, caminhando até a cama para começar o exame.

Liam se intromete na conversa na mesma hora, querendo sair por cima:

— Eu falei que era melhor chamar a médica primeiro! — gaba-se.

— Você não falou — rebato imediatamente, revirando os olhos.

— Pensei muito alto — ele insiste, sem se abalar.

— Pensou errado — sou grosso, cortando o assunto de vez.

— Zian, o estado dela é delicado. Ela teve uma crise aguda de asma. Os brônquios fecharam tanto que o oxigênio não estava chegando adequadamente ao cérebro. Se vocês demorassem mais um pouco, ela poderia entrar em uma parada respiratória.

Ouço cada palavra com total atenção, sentindo um nó amargo se apertar na minha garganta. Ela quase morreu. E parte da culpa era minha. Eu deveria ter ficado mais atento, deveria ter percebido que o deboche dela no corredor era apenas uma fachada para o pânico que ela estava sentindo por dentro. Minha ameaça com a corda acabou sendo o estopim.

— Zian, está me ouvindo? Preciso que vocês arrumem uma bombinha para ela! — Sônia continua a falar, sua voz firme me tirando abruptamente do meu desvaneio.

Balanço a cabeça, recuperando o foco de imediato. Olho para Félix na mesma hora.

— Félix, as bolsas que você trouxe com os pertences dela... Onde estão? — pergunto, a voz saindo mais tensa do que eu planejava.

— Estão lá embaixo, no carro, eu ainda não tinha subido com o restante das malas — Félix responde, já se prontificando.

— Revire tudo. Encontre a bombinha dela. — ordeno.

Félix não perde tempo e sai disparado pelo corredor. Enquanto isso, Liam se aproxima da cama com cuidado, olhando para Dulce, que ainda parece lutar para manter os olhos abertos, respirando de forma pesada e superficial.

— Aguenta firme aí, madame — Liam murmura, perdendo completamente o tom brincalhão de antes. — A ajuda de verdade já está chegando.

Evelyn750

Nota da autora: Obrigada por acompanhar a história até aqui! 💙 Se estiver gostando, não esqueça de adicionar o livro à sua biblioteca, curtir os capítulos e, se quiser, deixar um comentário. Adoro saber o que vocês estão achando! Até o próximo capítulo. 🫶

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