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Capitulo 8

Author: Evelyn750
last update publish date: 2026-07-04 04:02:07

Dulce Maite — Sevilha, Espanha

Não consigo respirar. Por mais que eu tente com todas as minhas forças, parece que estou fazendo um esforço gigantesco em vão. O ar simplesmente se recusa a entrar nos meus pulmões.

— Zia... — tento chamá-lo, mas minha voz quase não passa de um sussurro. — Eu... não... consigo... respirar...

O pânico que está subindo dentro de mim é irreal. A última vez que me encontrei em uma crise de asma devastadora como essa eu tinha apenas oito anos. Foi logo após receber a pior notícia da minha vida: a de que meus pais haviam morrido em um acidente de carro que capotou na estrada.

Nada havia sobrado daquele dia. Nem mesmo o bolo de aniversário que eles tinham ido buscar de manhã cedinho. Era para ser o meu dia de festa, mas o meu verdadeiro presente de aniversário tinham sido as cinzas dos meus pais. Reviver aquela sensação de sufocamento agora, tantos anos depois, é como ser engolida novamente por aquele luto antigo.

— O estado dela está piorando. Temos que levá-la para a emergência. Se agravar mais, ela pode chegar a ir para a UTI — a moça que se chamava Sônia diz, a voz carregada de urgência médica.

Os olhos de Zian se fixam em mim. Ele parece incerto por alguns segundos, as engrenagens de sua mente trabalhando rápido. Consigo ver o conflito em seu rosto: Pelo olhar dele, parecia travar uma batalha silenciosa. Se eu fosse para um hospital, poderia contar tudo. Se permanecesse ali, talvez não sobrevivesse.

— Faça o possível para salvá-la. Se precisar levá-la para o hospital, então nós vamos levar. Chame uma ambulância — a voz dele ecoa pelo quarto, firme e decidida, por fim.

Sônia se levanta já com o celular em mãos para discar o número da emergência, mas, exatamente nesse momento, Félix ressurge na porta, correndo e segurando um pequeno objeto de plástico.

— Achei! — diz ele, completamente ofegante pelo esforço.

— Dá aqui — Zian toma a bombinha da mão dele com agilidade.

Ele se aproxima rapidamente da cama.

Percebendo a movimentação, tento me ajeitar como posso, forçando meu corpo a ficar em uma posição mais ereta, apoiando as costas na cabeceira para ajudar meus pulmões a buscarem o ar.

— Calma. Tente inspirar devagar. — Zian diz, a voz estranhamente calma enquanto posiciona o medicamento e me ajuda a usar a bombinha.

Ele pressiona o spray. Sinto o jato gelado atingir a minha garganta, mas o alívio que eu esperava simplesmente não vem. Continuo sentindo uma falta de ar desesperadora, o peito subindo e descendo com força, emitindo aquele chiado agudo. Parece que a bombinha não está fazendo efeito. Meus brônquios continuam tão fechados que cada tentativa de respirar é um esforço desesperador.

Olho para Zian com os olhos arregalados de pânico, e vejo a testa dele franzir ao perceber que eu ainda estou sufocando.

— Sônia, dê uma olhada nela! Acho que a bombinha não funcionou. O que fazemos agora? — Zian pergunta, a voz firme vacilando pela primeira vez, revelando uma pitada de puro nervosismo.

O som do meu peito tentando sugar o oxigênio parece um assobio distante. Minha vista começa a falhar de verdade, as bordas do quarto sendo engolidas por manchas escuras e trêmulas. Minhas mãos perdem completamente o calor, ficando geladas como gelo, e sinto uma dormência estranha começar na ponta dos meus dedos e subir rapidamente pelos meus lábios. Eu estava perdendo os sentidos outra vez.

— Precisamos levá-la ao hospital agora! — Sônia dita a ordem enquanto fecha a maleta com um estalo abrupto. A urgência na sua voz é palpável, desfazendo qualquer pingo de dúvida.

Meu Deus, por favor... Eu não quero morrer! Não aqui, não assim! — o pensamento grita na minha mente, mas nenhum som ganha vida na minha garganta travada.

— Então vamos! — Zian ruge.

Sem hesitar nem por um segundo, ele avança na minha direção e me pega no colo de uma só vez, me tirando do colchão. Sinto o calor da pele dele contra a minha, o contraste brutal com o frio que congelava o meu corpo. Ele não parecia se importar com o fato de estar apenas de toalha; a prioridade dele, naquele segundo, era me manter viva.

A movimentação é rápida e barulhenta. Zian caminha a passos largos em direção à saída do quarto, mas, bem na porta, Liam finalmente reaparece, congelando no lugar ao ver o chefe carregando meu corpo sem forças.

— Para onde vocês estão indo?! — Liam pergunta, os olhos arregalados, alternando o olhar entre o Zian de toalha e o meu rosto pálido. — Dulce?! Dulce!

A voz de Liam começa a ecoar, distorcida, como se ele estivesse gritando debaixo d'água. Tento focar no teto do corredor, nas luzes que passam rápido, mas o esforço é grande demais. Minha cabeça pende para o lado, o chiado no meu peito cessa de repente quando meus pulmões desistem de lutar, e tudo escurece por completo. Eu apago nos braços de Zian.

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