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Capitulo 6

Author: Evelyn750
last update publish date: 2026-07-03 01:56:12

Dulce Maite — Sevilha, Espanha

Zian pediu para eu esperar no meu quarto enquanto ele providenciava uma televisão para mim. Fiquei me perguntando de onde ele tiraria um aparelho tão rápido, mas decidi não questionar e apenas obedecer.

Ao empurrar a porta e voltar para o cômodo, tenho uma surpresa: encontro a cama cheia de sacolas de lojas sofisticadas. Corro animada para abrir cada uma delas. Eram as roupas que Félix tinha ficado de trazer.

— Ele tem bom gosto — comento sozinha, abrindo um sorriso largo enquanto puxo uma saia linda de dentro de uma das sacolas. As peças combinavam perfeitamente com o meu estilo.

Depois de verificar detalhadamente tudo o que havia ganhado e organizar peça por peça dentro do closet espaçoso, o silêncio do quarto volta a reinar. Me sento na beirada da cama, o tédio batendo com força.

— Hum... Cadê o meu celular? Vou conferir as minhas redes sociais — murmuro de forma automática.

Começo a tatear os lençóis da cama à procura do aparelho, tonta de sono, até que a ficha cai de uma vez só.

— Ah, é mesmo... Não tenho mais. Afinal, estou em um "cárcere privado" agora, sem celular — dou um tapa na minha própria testa ao lembrar da minha real situação.

Basta um minuto de distração com roupas bonitas para a minha mente esquecer que as portas lá fora estão trancadas.

O relógio de pulso que eu ainda usava marcava quase oito da noite; lá fora, o céu de Sevilha já havia sido engolido pela escuridão.

— Olha o que chegou! — Liam entra no quarto, animado.

Logo atrás dele, Zian e Félix surgem segurando uma caixa grande de televisão. Dou um pulo da cama, olhando para o objeto com uma admiração tão genuína que pareço uma criança que acabou de ganhar o seu primeiro presente de Natal.

— Uma televisão! — grito, sem conseguir conter a euforia.

Zian me olha como se eu fosse um ser de outro planeta, uma expressão de pura descrença no rosto.

— Ei, criatura, se aquieta! Parece que nunca teve uma na vida! — comenta Félix, rindo da minha reação.

E o pior é que ele estava certo. Eu nunca tinha tido algo daquele porte. No máximo, eu tinha aquela televisão básica de 32 polegadas que mal cabia na minha estante. Mas a que estava na minha frente agora era de 60 polegadas; ela praticamente cobria uma parede inteira do quarto! Como não estar animada com aquilo?

— Não mesmo. Sou pobre, não tenho condições de comprar uma dessas — respondo honestamente.

Liam caminha até mim e apoia o braço no meu ombro com naturalidade.

— Pois aqui com a gente você vai luxar. Qualquer coisa que quiser, é só pedir. Eu pago! — diz ele, com um sorriso largo e contagiante.

Aquilo era bom demais para ser verdade. Pessoas como eles não costumavam ser "boazinhas" desse jeito. Ele claramente estava no trabalho errado; na verdade, nenhum deles parecia pertencer ao tipo de vida que levavam. Havia algo estranhamente deslocado na gentileza deles, e isso me deixava ainda mais intrigada.

— Obrigada, você é muito gentil — falo, um pouco sem graça com o comentário de Liam.

— A gente vai fazer a instalação para você — avisa Félix, já começando a mexer nos cabos e suportes junto com o loiro.

Assinto e me sento na beirada da cama, observando o trabalho deles em silêncio. De repente, um peso incômodo se instala no meu peito. Eu não devia estar tão relaxada assim. Em vez disso, deveria estar tentando bolar um plano para fugir ou pedir ajuda. Não posso me acomodar na primeira mordomia só porque eles decidiram ser legais comigo. Eles ainda são criminosos.

Aquela conversa ríspida que ouvi de Zian com alguém ao telefone no corredor ainda rodava na minha cabeça. Pelo que parecia, ele iria continuar atrás da minha amiga, a verdadeira Érika, até achá-la de qualquer jeito. Eu não tinha a menor ideia do que ela havia feito para atrair a atenção de caras assim, a ponto de tentarem um sequestro, mas de uma coisa eu tinha certeza: eu não podia confiar neles cegamente.

— Dul! Dul! — saio do transe abruptamente com a voz de Liam me chamando.

Olho para ele, confusa, e noto que os três homens no quarto estão me encarando com atenção.

— Oi? — pergunto, piscando os olhos.

Zian é o primeiro a notar a minha mudança repentina de comportamento. Seus olhos semicerrados me avaliam com desconfiança.

— No que tanto pensa? O Liam está te chamando há um tempão! — fala ele, a voz firme exigindo uma resposta.

Abro um sorriso amarelo, tentando afastar a tensão do meu rosto o mais rápido possível.

— Em nada em particular. Para que me chamavam? — pergunto, tentando disfarçar o meu nervosismo.

— Mesmo? — Zian questiona, dando um passo à frente, como se pudesse ler os meus pensamentos.

— Sim, não é nada — insisto, desviando o olhar para a parede. — Ah! Vocês já instalaram? Você assinou aqueles aplicativos que eu pedi? — mudo de assunto rapidamente, fingindo uma empolgação exagerada assim que noto que a enorme tela da televisão já está acesa e funcionando.

Zian não responde de imediato. Continua me encarando por alguns segundos com aqueles olhos frios e calculistas, como se soubesse perfeitamente que eu estava escondendo alguma coisa. Só depois de me deixar desconfortável é que ele desvia o olhar na direção da televisão.

— Está tudo instalado — diz ele, curto e grosso.

Continuo forçando o sorriso, embora sinta meus lábios tremerem levemente.

— Então tá bom... Eu... Eu vou... É, dormir! Sim, dormir, estou cansada. O dia foi longo — gaguejo. Eu mentia muito mal quando estava sob pressão, e aquela proximidade física dele estava acabando com o meu restinho de controle.

Zian caminha calmamente até mim e para bem na minha frente, reduzindo a distância entre nós e me fazendo olhar para cima.

— Então durma. Não pense muito, isso pode fazer com que se machuque — diz ele, o tom de voz sério e carregado de um duplo sentido que me gela a espinha. — Vamos, cambada, deixem a Dulce dormir — ordena, saindo e expulsando os meninos do quarto.

— Boa noite, Dul! — Liam e Félix falam em uníssono, acenando enquanto são empurrados para o corredor.

Dou um tchauzinho sem graça com a mão. Assim que Zian fecha a porta e o som do trinco ecoa, solto todo o ar que eu nem tinha percebido que havia segurado. Caminho a passos largos até a fechadura e ouço o clique. Trancada por fora. De novo.

— Aquilo foi uma ameaça? Foi, né? Será que ele vai fazer alguma coisa comigo? — murmuro para mim mesma, o coração disparando e a apreensão tomando conta de cada célula do meu corpo.

Sinto minhas mãos começarem a suar frias. Eu tenho um pavor horrível de dor física, e também tenho medo do escuro. Será que aquela ameaça era real ou só queria me assustar?

Calma, Maite. Calma, não surta!, tento me repreender mentalmente.

Nessa casa tem duas crianças. Eles não seriam monstros...

Tento me agarrar desesperadamente a esse pensamento para manter a confiança, mas o medo é um monstro silencioso. Deito na cama sentindo meu corpo inteiro tremer da cabeça aos pés.

— Respira, respira, respira... — sussurro, levando a mão ao peito.

Tento controlar o ritmo da respiração, mas é inútil. Sinto como se o ar estivesse sendo sugado do quarto, me sufocando. Um chiado agudo começa a surgir no meu peito. Minha asma estava atacando outra vez, depois de muito tempo sem dar sinais, engatilhada pelo estresse extremo.

Tento levantar da cama para bater na porta e pedir ajuda, mas minhas pernas falham. O oxigênio não chega ao meu cérebro. Minha visão começa a ficar turva, cheia de pontos pretos, e sinto a garganta completamente fechada.

— Zian... — sussurro, minha voz saindo por um fio, quase inaudível.

Tento dar mais um passo, mas perco o equilíbrio e caio pesadamente da cama, direto no chão de madeira. Tento me arrastar em direção à porta, mas minhas forças se esvaem por completo. Tudo escurece ao meu redor e, finalmente, eu desmaio.

Evelyn750

Nota da autora Oi, meus queridos leitores! 💙 Sejam muito bem-vindos a Sequestrada pelo Hacker! Estou muito feliz por finalmente poder compartilhar esta história com vocês. Quero agradecer de coração a cada pessoa que decidiu dar uma chance ao meu livro. Ver vocês chegando e acompanhando essa jornada significa muito para mim. Espero que vocês se apaixonem pela Dulce, fiquem intrigados com o Zian, deem boas risadas com o Kiliam e embarquem comigo nessa aventura cheia de mistério, romance, humor e reviravoltas. Se estiverem gostando da história, não se esqueçam de adicionar o livro à biblioteca, comentar e compartilhar suas opiniões. Ler cada comentário é uma motivação enorme para continuar escrevendo. Desejo uma ótima leitura e espero encontrar vocês nos próximos capítulos! Com carinho, Ly 💙

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