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Capítulo 4

Author: Teresa
Henrique veio atrás de mim para me acompanhar até a saída. No elevador, de repente, disse:

— Minha mãe não fez aquilo de propósito.

— O quê?

Ele permaneceu em silêncio por alguns instantes.

— Pedir para Isabella chamá-la de mãe. Minha mãe não fez isso de propósito.

Sorri de leve e ergui as mãos, observando de um lado e do outro.

— Na primeira vez que sua mãe me viu, elogiou minha beleza e disse que eu tinha mãos bonitas, que era fácil perceber que eu nunca havia enfrentado dificuldades na vida. Depois, toda vez que eu ia à sua casa, bastava eu me sentar que ela já me chamava para a cozinha. Em sete anos, lavei a louça na sua casa setenta e oito vezes. Já Isabella... Durante o jantar de hoje, sua mãe não deixou nem que ela servisse água.

A expressão de Henrique mudou discretamente.

— Beatriz, Isabella é uma convidada.

— E sua mãe pede a uma convidada que a chame de mãe?

Henrique se calou. Então perguntei:

— De quem foi a ideia de me trazer bem-casados?

Henrique ficou paralisado por um instante.

— Foi ideia da Isabella. Ela queria compartilhar com você um pouco da felicidade do casamento.

— E você não a impediu?

— Eu não pensei muito nisso...

Sorri outra vez. Em sete anos juntos, eu já tinha ouvido essa frase sair da boca de Henrique incontáveis vezes.

Quando esqueceu meu aniversário, disse: "Eu estava atolado de trabalho. Não pensei muito nisso."

Quando me deu, no nosso aniversário de namoro, uma pulseira igual à de Isabella, disse: "Era tudo da mesma marca. Não pensei muito nisso."

Até quando me pediu em casamento, comprou um anel um número maior. E a explicação também foi: "Eu não presto atenção nessas coisinhas. Não pensei muito nisso."

Se ele realmente nunca pensava, eu não sabia. E, a essa altura, já nem tinha vontade de me importar.

Fiz apenas uma pergunta:

— Henrique, se você se arrepende de se casar comigo, ainda dá tempo de desistir.

A expressão dele mudou na mesma hora, e seu semblante ficou sério. Com a mão esquerda, apertou meu pulso com força.

— Beatriz, não fale besteira! Estamos juntos há sete anos. Se você não se casar comigo, vai se casar com quem? Se não gostou dos bem-casados, eu jogo fora. Mas não gostei do que você acabou de dizer. Retire o que disse.

Diante daquela rara demonstração de raiva, curvei discretamente os lábios.

— Entendi.

Saí do elevador e o deixei para trás. Naquela noite, enviei a última mala que ainda restava no apartamento onde moraríamos depois do casamento.

Quando tirei uma foto para mostrar a Sofia, recebi uma mensagem de Henrique:

[Ainda está com raiva?]

[Já conversei com a minha mãe. De agora em diante, ela não vai mais pedir para você lavar a louça.]

Não respondi. Pouco depois, ele mandou outra:

[Daqui a doze horas estaremos casados, Beatriz. Está ansiosa?]

Sentada no meio da sala vazia, sem o menor vestígio do clima festivo de um casamento, hesitei, mas, no fim, continuei sem responder.

Sofia me encaminhou uma notícia. [Esses dois desgraçados! Veja isso agora!]

Abri. Era uma matéria publicada por um portal local da Suíça.

[Casamento do século de um casal estrangeiro. Noivo afirma: o amor verdadeiro não tem preço.]

Na matéria, o jornalista se estendia por nada menos que duas mil palavras, descrevendo cada detalhe do casamento de Henrique e Isabella.

Havia também uma foto de Henrique durante uma entrevista.

O repórter perguntou:

— Por que escolheram a Suíça para se casar?

Ele respondeu:

— Porque minha esposa gosta daqui.

Baixei a matéria e a salvei. Depois, abri a conversa com Henrique e respondi: [Estou muito ansiosa.]

Assim que enviei a mensagem, tirei o anel de noivado e o coloquei sobre a mesa, ao lado do computador dele.

Mexi o mouse, digitei o link que Sofia havia me enviado e deixei a tela aberta justamente na reportagem sobre o casamento de Henrique e Isabella.

Olhei uma última vez para aquele apartamento, apaguei as luzes e fui embora. Lá embaixo, Sofia já me esperava no carro.

— Para onde?

— Aeroporto.

Quando o carro deixou o condomínio, não olhei para trás e coloquei o celular no silencioso.

Adeus aos meus sete anos.

Na manhã seguinte, às oito horas, Henrique chegou ao apartamento acompanhado de Isabella e dos familiares dele.

No instante em que a porta se abriu, todos ficaram atônitos.

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