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Seu Coração de Vampiro nunca Bateu por Mim
Seu Coração de Vampiro nunca Bateu por Mim
Author: Cocojam

Capítulo 1

Author: Cocojam
Decidi escolher a maneira mais cruel de deixá-lo. Então, coloquei o maldito pergaminho de volta no lugar onde o encontrei, no fundo da sua câmara secreta.

Lutei contra a dor, contra as lágrimas que ameaçavam cair. Voltei para o nosso quarto.

Alistair chegaria em casa em breve. Ele sempre lia minhas emoções com uma precisão assustadora. Eu não podia deixar que ele percebesse nada.

Como esperado, assim que saí do banho, uma sombra familiar e sombria se materializou atrás de mim.

Um par de braços longos e fortes me puxou para um abraço.

Os lábios de Alistair roçaram o lado do meu pescoço.

— Amor, você está quieta. O que houve?

Eu não derreti em seu abraço como sempre fazia.

— Nada. Só estava pensando na minha exposição de arte.

— Não se preocupe, vai ser perfeita. — Ele acariciou meu cabelo. Sua voz era aveludada, mas carregada de veneno. — É a sua noite. Eu até contratei um curandeiro élfico para garantir que você esteja no seu melhor amanhã.

As lágrimas ardiam atrás dos meus olhos. Recusei-me a deixá-las cair.

Que marido atencioso. Que mentira perfeita.

Por cinco anos, ele me mimou assim.

O toque dele era fogo, mas meu sangue gelava.

Eu tinha medo do escuro, então ele iluminava meu caminho até o sono com um brilho suave na ponta dos dedos.

Ele me prometeu a eternidade. Não a mordida, não um vínculo de sangue. Uma maneira de eu viver para sempre, mas continuar sendo eu mesma.

E eu, como uma tola, acreditei nele.

Só esta noite eu entendi. Tudo aquilo — as demonstrações públicas, os grandes gestos — era apenas uma atuação. Uma cortina de fumaça para esconder quem ele realmente protegia.

O olhar de Alistair sobre mim ficou quente, possessivo, enquanto seus beijos desciam.

Ele me penetrou, dedicado ao meu prazer, como fazia todas as noites há cinco anos.

Eu desempenhei meu papel, saboreando um último momento roubado de felicidade.

Mas, quando cheguei ao auge, as palavras dele fizeram meu coração despencar de volta à terra.

— Ah, sobre sua exposição…

Ele se moveu mais fundo, beijando-me com força.

E naquele momento de suposta intimidade, ele destruiu tudo.

— Isabella quer se envolver. Ela anda se sentindo tão perdida ultimamente. Eu pensei… dei a ela uma chave do estúdio protegido. Para que ela possa observar você trabalhar. Encontrar alguma inspiração.

Meu sangue gelou.

Uma chave do estúdio protegido.

Era lá que eu guardava todas as minhas obras inacabadas e privadas, incluindo minha obra-prima, Primeira Luz em uma Noite Sem Fim.

Só existiam duas chaves daquele espaço protegido no mundo. Uma comigo, outra com ele.

E ele tinha acabado de dar a dele para Isabella.

Lutei para manter minha voz firme.

— Alistair, você sabe o que essas pinturas significam para mim…

Ele me interrompeu, sua voz um veneno sufocantemente gentil.

— Eu sei, meu amor. Mas ela é sua irmã. A felicidade dela não te faz feliz? Ela só está observando, não pense demais. Além disso, tenho uma surpresa especial de aniversário para você.

Meu aniversário.

Era depois de amanhã.

— Que surpresa?

— Um campo de flores Silvermoon. — Os olhos dele brilharam de orgulho. — Plantei um campo inteiro para você no jardim dos fundos do castelo. Elas liberam os cristais de luz mais lindos sob o luar.

Meu sangue gelou.

Flores Silvermoon.

As mesmas flores às quais eu sou mortalmente alérgica.

As mesmas flores que, por acaso, são as favoritas de Isabella.

— Você… tem certeza de que são para mim?

— Claro. — Ele respondeu sem hesitar, sem um traço de culpa nos olhos. — Você sempre admirou a beleza delas, não é?

Admirei?

Na primeira vez que toquei em uma, tive uma erupção pelo corpo inteiro e mal conseguia respirar.

Ele havia convocado todos os anciãos, os olhos vermelhos de pânico. Estava pronto para oferecer o próprio sangue do coração para me salvar.

Como ele poderia não se lembrar?

A menos que… esse presente nunca tenha sido para mim.

O pensamento foi como um raio, conectando tudo: o pergaminho, o nome de Isabella, e o detalhe que eu tinha ignorado — as flores Silvermoon eram as favoritas dela.

Quando terminamos, ele se retirou de mim.

— Descanse um pouco, meu amor. — Ele roçou um beijo em meus lábios antes de ir ao banheiro.

Foi então que aconteceu. Um pequeno e requintado frasco de cristal escorregou de seu robe de seda, caindo sem fazer som no carpete grosso.

Por puro instinto, eu o peguei.

Dentro havia um pigmento que brilhava como poeira estelar. Uma cor que eu nunca tinha visto antes.

Mas eu a reconheci.

“Pó Estelar da Noite Eterna.” O nome de que Isabella havia se gabado.

“Já viu uma cor tão única, irmã? Meu admirador secreto diz que é única. Impossível de reproduzir.”

Eu tinha fingido desdenhar. Mas uma parte de mim, a artista, tinha se maravilhado com sua beleza. Eu a cobicei.

E agora eu sabia. O admirador secreto dela… era meu marido.

Coloquei o frasco de volta no chão, como se fosse um pedaço de sujeira.

Então voltei para a cama, em silêncio. Eu podia sentir o sangue congelando em minhas veias, centímetro por centímetro.

Fechei os olhos, mas fiquei acordada até o meio da noite, contando silenciosamente as horas.

Meu aniversário seria em dois dias.

E eu daria a Alistair um presente meu.

Eu desapareceria de sua vida eterna. Para sempre.

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