MasukLorena, quando era criança, já tinha imaginado como seria o casamento dela com Eliezer. Tudo grande, cheio de gente, chamando todo mundo que ela conhecia, pra todo mundo ver a felicidade dela e saber que ela tinha, enfim, uma família feliz.Um desejo de infância, quando a gente cresce, dá pra realizar?Tem gente que realiza.Mas o de Lorena não se realizou. E mesmo assim ela não tinha arrependimento.Mesmo se ela não tivesse conhecido Leandro, ela também não teria arrependimento. Duas pessoas que não combinam não chegam até o fim juntas, e ela aceitava isso.Com Leandro, Lorena falava tudo com clareza. Então ela não evitava mencionar Eliezer.Isso era diferente do que acontecia entre Luana e Dante, porque no meio deles ainda tinha o Henrique.Entre os três, era um caso bem específico.Por isso Lorena contou essa história pra Leandro.E Leandro, claro, ficou satisfeito:— Mesmo ele não sendo ameaça pra mim, agora que casou, virou uma garantia.Lorena perguntou:— Então você fica mais tr
Assim que começaram a conversar, ela já podia dizer.Leandro não tinha mentido nada.Antes de encontrar os pais dele, Lorena não sentiu nem um pouco de pressão.Primeiro porque Leandro sabia conduzir a situação.Segundo porque era a primeira vez que ela namorava um homem mais velho, e, quando saía com ele, Lorena podia simplesmente deixar tudo nas mãos dele.Se alguma coisa incomodasse, ela falava direto com Leandro e deixava ele resolver.Toda vez, ele conseguia conversar e resolver com calma, com as emoções no lugar, sem fazer ela se preocupar.Foi justamente por existir essa confiança que, quando Leandro disse que queria apresentar ela pros pais, ela não ficou tão resistente.Então Lorena foi encontrar eles bem leve.Depois que se viram, logo de cara, Lorena recebeu elogios bem sinceros dos pais do Leandro.E, ao mesmo tempo, os dois viviam zoando o Leandro por ser velho e estar com uma mais nova, e tratavam a Lorena como se ela fosse uma joia rara, mimando ela sem parar.E o jeito
Lorena puxou o canto da boca.Ela finalmente tinha entendido. Na época, Leandro disse que, no fim de ano, a família pressionava demais ele pra casar, então ele tinha vindo pra Cidade H só pra fugir um pouco.Na verdade, era só pra fazer drama e enganar ela.Leandro era o mais "antigo" da família. Ele pegava o próprio primo e infernizava a vida dele sem dó.Mas Lorena, claro, ia ficar do lado do Leandro, e a língua dela também era afiada.Ela não deixou Lucas em paz:— Sr. Lucas, você sofre mais do que eu. Eu fico com pena de você.Lucas ficou sem resposta por um instante.Que casalzinho do caos.Se eles tinham ficado juntos, a vida dele ia ficar ainda pior.Lucas também começou a pensar se devia namorar.Mas a pessoa de quem ele gostava não gostava dele. Então ele ia namorar com quem?Lucas não entrou na brincadeira. Ele só respondeu o Leandro de qualquer jeito. Ele sabia que, ao mesmo tempo em que contava a boa notícia e pressionava, Leandro também estava passando o recado da família.
— Por que você não me contou na hora? — Essa foi a única coisa que a Luana reclamou.Ela queria ser a primeira a dar os parabéns para a melhor amiga.Lorena disse:— A gente está junto faz só alguns dias. E... eu fiquei com vergonha de te contar.— Vergonha de quê?— Hahahaha. Eu não sei. Só fiquei com vergonha.Luana disse:— Tá bom, eu te perdoo.Monica, claro, manteve tudo no profissional. Ela disse para Leandro e Lorena que ficou feliz por eles e deu os parabéns.Monica era uma das executivas do grupo e o braço direito de Dante.Como mulher de 30 e poucos, ela passava uma sensação de força. Por fora, era aquele tipo totalmente focado em carreira, com um ar de não se aproxime.Ninguém perguntava quando ela ia namorar, porque a atitude dela deixava claro que ninguém achava que ela precisava de um relacionamento.Igor também parabenizou o amigo.Eles tinham mais ou menos a mesma idade. Dante e Leandro tinham alguém, só ele não. No dia a dia, o pessoal não ficava pressionando ele a nam
Luana sempre se preocupou muito com Lorena. Mesmo sem estar ao lado dela, falava com ela todos os dias, perguntava como ela estava.Ela conseguia sentir que Lorena estava melhorando aos poucos.Hoje, quando viu Lorena, Luana deixou Leandro de lado e foi direto nela.— Você está muito melhor do que antes. Fico tão feliz por você! — Luana enlaçou o braço de Lorena e ficou bem colada nela.Lorena, ao ver Luana, nem ligou para Leandro.As duas se juntaram e começaram a conversar. Conversar sempre aliviava.Poderem ter se encontrado nessa vida deixava as duas felizes. As melhores amigas da vida.Dante percebeu aquilo na hora e ainda lançou um olhar para Leandro.Leandro estava ao telefone, falando com Igor, André, Monica e outras pessoas.Quando desligou, viu as duas amigas juntas e não foi segurar vela. Puxou uma cadeira e foi sentar com o amigo.Dante perguntou:— Demorou, mas enfim conseguiu.— Não dá para esconder de você, você pega de cara. — Leandro disse. — Demorou mesmo, mas o resul
Leandro ergueu a sobrancelha.— É um elogio bem interessante.— Uma energia assim, tão limpa, dá vontade de chegar mais perto.— Ah. E ainda vem mais coisa boa?Lorena disse:— Vem. Eu quero muito ficar perto de você. E, para falar a verdade, estar com você me faz bem. Eu fiquei a tarde inteira com você e o meu estado melhorou de verdade.Leandro estava acostumado a ouvir elogio. Ele achava que não ia sentir nada com isso.Só que, agora, ele ficou meio bobo. Foi uma sensação boa demais, como se fosse a primeira vez.— Eu fico feliz de te dar essa sensação.Lorena disse:— Então vamos ficar juntos.Leandro travou.Lorena olhou nos olhos dele e falou o que estava no coração:— Eu queria achar um momento perfeito para te dizer isso. Você sabe que eu ligo para essas coisas. Mas eu percebi que o melhor com você é justamente esse dia a dia leve. Então não precisa ficar procurando momento. Eu quero ficar com você agora.Ela falou de verdade, do fundo do peito:— Sr. Leandro, você foi efetiva
David observou Júlia bancar a dona da situação por um bom tempo, depois desviou o olhar e encarou Tiago, em silêncio.Tiago entendeu na hora e passou o celular pra ele.David pegou o aparelho, apoiou uma das mãos na mesa e se levantou com calma.Tiago acompanhou o movimento com os olhos.— Vamos. —
— Você tem que fazer isso, David. Pensa na nossa empresa, ela não aguenta mais confusão. Você não pode comprar briga com ela, o melhor é ficarmos calados!David tomou um gole de vinho. O pomo-de-adão se moveu bruscamente, e os dedos longos seguravam a borda do copo.— Tiago, com gente como a Júlia,
O carro voltou a se mover. Nenhum dos dois falou nada. Dentro dele, só o som do motor, como o silêncio depois da fumaça da pólvora.Mas Júlia sentia, por instinto, que David não tinha absorvido nada do que ela disse. Havia até um traço de desdém. Ele não demonstrou emoção alguma. Se ela insistisse
Joana ficou atônita.Ela só sabia que Júlia era de Cidade H, e nada além disso.Na verdade, nunca se importara em saber.Quando Sofia lhe apresentou o histórico de Júlia, ela só prestou atenção no básico, uma garota rica.Joana também era uma socialite de Cidade J, com origem equivalente.Júlia só t







