LOGINLorena também não sabia por que estava contando aquilo para ele. Do jeito que Leandro reagiu, ela ficou sem saída. Agora, se não falasse, parecia que não dava.Só que, de repente, ela achou que não tinha nada para esconder. Voltar para a casa da família Reis era encarar a si mesma.Lorena só precisava estar em paz com ela mesma, então falou.— Eu conheço o Eliezer há tempo demais. O sentimento foi profundo. Eu também não odeio ele. Não é vingança.Leandro chegou perto do microfone e falou baixinho:— Sentimento profundo... Isso me dá um aperto. Eu estou com ciúme.Ciúme, e sem vergonha nenhuma.Ele falou e depois encostou o celular na orelha. Na tela não dava para ver o rosto dele, e Lorena nem tinha como bater de frente com ele.— Continua. — Leandro disse.— Quem liga se você está com ciúme ou não.— Isso, não precisa ligar para mim. — A voz dele veio azeda.Lorena continuou.— Eu também me dou muito bem com os pais dele. Eles sempre me trataram como filha. Eu vim morar aqui e, para
— Esperta. — Leandro disse. — E não está sozinho.Lorena ficou em silêncio por dois segundos.— Me mostra.Leandro olhou para ela pelo visor. Ele era atento e percebeu que ela estava um pouco estranha, mas não parecia nada grave. Então ele virou a câmera.Leandro estava no segundo andar. Dali, através do vidro, dava para ver as mesas no piso de baixo. Eliezer estava bebendo, um gole atrás do outro. Uma mulher bem pequena estava ali, tentando fazer ele beber mais.Era Inês.Inês chamou um segurança para ajudar a levar Eliezer até o carro.Quando alguém fica bêbado, fica patético. O rosto inchado, o jeito mole, aquela postura de quem deixa qualquer um conduzir. Era constrangedor.Lorena travou. Era aquela vergonha que dá raiva, como se ter gostado do Eliezer um dia fosse um mico que ela carregava junto.E aquilo quebrava mais um pedaço da imagem que ela ainda tinha dele.Lorena também percebeu, com uma clareza incômoda, que ela já não gostava de Eliezer. E que até o que ela tinha sentido
Eliezer tinha uma coisa que ainda o consolava. Ele sabia o que sentia por Lorena. E também sabia que, mesmo depois de descobrir a traição, Lorena ainda não tinha abandonado o que os dois tinham vivido. Era por isso que eles ainda estavam ali.Só que Eliezer não queria sofrer sozinho. Ele queria que Lorena entendesse o quanto ele estava mal. E queria forçar Lorena a sentir pena dele, a mudar o jeito e a atitude.Só assim eles iam conseguir conviver. Porque, se os próximos anos fossem essa tortura diária, ele não ia aguentar para sempre.Depois de beber demais, Eliezer ligou para Inês.Ainda bem que existia um lugar macio onde ele podia despejar um pouco do que estava entalado....Depois que Eliezer chegou em casa, fez um escândalo e saiu, Lorena ficou sozinha, cantarolando e lendo e-mails no computador.Sílvia não subiu para procurar ela. Isso queria dizer que ela não ia se meter entre ela e Eliezer.Lorena até começou a suspeitar que Mauro e Sílvia tinham mudado de ideia sobre esse ca
Sílvia soltou um suspiro.Mauro logo apressou ela para dormir.Sílvia viu aquele jeito dele, como se não estivesse tão preocupado, e deu um tapa no ombro dele para descarregar. Só depois disso ela se deitou, ainda contrariada, e tentou dormir....Eliezer estava mal de verdade. Ele não foi direto procurar Inês. Foi sozinho para um bar, beber calado.Enquanto bebia, ele ficou lembrando daquela Lorena macia, frágil, carente de afeto. Se Lorena não tivesse virado a mulher que era hoje, ele ainda ia cuidar dela, proteger ela, tratar ela bem.Lorena tinha sido o primeiro amor de Eliezer. Os dois tinham vivido coisa demais juntos. Ele ainda conseguia achar fotos antigas dos dois, da época de escola, com aquela cara de adolescente.Naquela época, era tudo leve. A cabeça não tinha preocupação nenhuma. Era só aquela felicidade simples.Só que, assim que terminou o ensino médio, Lorena mudou.Naquele tempo, Eliezer tinha planejado uma viagem de formatura tranquila e romântica. Dois meses viajand
Sílvia era mulher e tinha mais sensibilidade para essas coisas. Desde o começo ela já sentia que tinha algo fora do lugar. Agora, aquela sensação sem nome cresceu de repente. Tantos anos separados, mais longe do que perto, será que o sentimento não ia mesmo ter problema?Ela encarou Mauro:— Você vai ou não vai conversar com o seu filho? Eu falo e ele não me escuta. Se você falar, ele talvez escute. Vai lá perguntar o que aconteceu. Com a Lorena eu não tenho muito como perguntar.Sílvia suspirou, abatida:— Olha o que o seu filho fez. Nem morando junto fazia alguns dias e ele já teve coragem de fazer cena, largar a menina e sair. Que absurdo. Ainda bem que é a Lorena, que já é de casa. Se fosse outra pessoa, chegando numa casa estranha, brigando em poucos dias, e o homem vai embora e deixa ela aqui sozinha, o que a família dela ia pensar? Se fosse eu, eu tinha ido embora no mesmo dia. O casamento acabava.Quanto mais ela falava, mais nervosa ficava. Lorena, ali, era como alguém da famí
Depois de entender melhor, Lorena descobriu que quase tudo o que era mais difícil estava nas mãos de Mauro. Eliezer só precisava receber a ordem e fazer. Era ele que não aguentava a pressão.Naquela noite, Eliezer chegou em casa já eram onze. Arrastava o próprio cansaço. E, assim que entrou, viu Lorena de pijama, com uma máscara no rosto, cantarolando e mexendo no computador.A irritação subiu na hora.Ele passava o dia se matando de trabalhar. E Lorena só sabia aproveitar. Vendo ele daquele jeito, ela nem parecia se importar em perguntar.Parecia que o mundo inteiro estava vivendo bem, e só ele estava vivendo mal.A família Reis tinha boas condições. Mesmo assim, ele era o único filho homem, e vivia mais apertado do que gente que ganhava poucos mil por mês.Eliezer apertou os dentes, entrou e bateu a porta com força. O clima ficou pesado.Lorena virou o rosto para ele:— Hoje também foi corrido?— Ver eu me matando assim te deixa bem satisfeita, não deixa? — Eliezer jogou o paletó no
Sofia também não sabia de onde vinha aquela curiosidade e aquele estranho senso de posse em relação a Luana.Se Luana ficava feliz por causa de um homem, ela mesma ficava de mau humor.Se Dante segurava a mão de Luana, Sofia tinha vontade de arrancar aquela mão de volta.Esses pensamentos tão estran
Sofia sabia que Luana tinha sido casada com Henrique, e por isso também conhecia alguns dos amigos dele.Lucas era muito próximo de Henrique, e Sofia o conhecia, só não sabia o que tinha acontecido entre ele e Luana, mas sentia algo estranho ali.Ela virou-se para Paulina e perguntou:— Você sabe qu
Ninguém conhecia tão bem o outro quanto Dante e Henrique, por isso, quando se atacavam, cada golpe acertava direto na ferida.Ao ouvir aquelas palavras saírem da boca de Dante, todas as lembranças das humilhações que Henrique sofrera da mãe, Cecília, voltaram de uma vez só. O trauma de infância o a
…Dante ficou em Cidade S apenas dois dias antes de saber que Henrique já tinha chegado em Cidade J. Ele estava em contato próximo com o terceiro filho da família Mendes e provavelmente já havia descoberto a localização da Vila Encosta. Devia ir atrás dele a qualquer momento.Assim que Dante e Igo







