MasukA mente de Eliezer ficou em branco. Ele olhou para o rosto de Lorena e, de repente, veio uma palpitação forte, o coração disparou.Ele estava falando, mas nem conseguia ouvir a própria voz.— Que história é essa de cada um seguir o próprio caminho?— Eu decidi desfazer o noivado. — Lorena disse.Eliezer ficou em silêncio, com o olhar baixo.Lorena virou a cabeça e olhou para Mauro e Sílvia.— Seu Mauro, Dona Sílvia, eu vou indo.Lorena já não tinha motivo para ficar ali, porque tudo já estava dito.Quando ela foi pegar a bolsa para ir embora, Eliezer, que não tinha dito uma palavra desde que ouviu sobre o fim do noivado, de repente agarrou o pulso dela com força e encarou os olhos dela.— Eu não deixo!Lorena travou por um instante e disse:— A gente chegou longe demais para ainda ficar junto.Eliezer perdeu o controle.— Eu disse que eu não deixo, então eu não deixo!Mauro bateu na mesa.— Chega, Eliezer!Normalmente, Eliezer não ousava desobedecer o pai, principalmente quando ele fic
Ainda mais porque isso tinha a ver com a Lorena.No estacionamento, Eliezer ficou dentro do carro por dez minutos, só para criar coragem de ir até o reservado.Quando empurrou a porta, ele viu a mãe com os olhos vermelhos.Lorena parecia normal.E Mauro estava com um peso no ar. Não era aquela cara de quando ele dava bronca no trabalho. Era outra coisa. Estava muito errado.Eliezer sentou ao lado de Lorena e perguntou, como se fosse algo comum:— Do que vocês falaram?Lorena olhou para Sílvia.Eliezer acompanhou o olhar dela. Antes, ele só tinha notado que os olhos estavam vermelhos. Agora dava para ver que ela tinha chorado.Eliezer franziu a testa.— Mãe, você chorou? O que aconteceu?Sílvia ia mandar ele pedir desculpas logo, mas Mauro cortou.— Pensa direito sozinho.Afinal, Eliezer era o único filho. Mauro dava chance atrás de chance, esperando que ele tivesse responsabilidade e assumisse as próprias coisas. Até ali, ele ainda estava dando mais uma chance.A primeira coisa que El
Quando Lorena tomava uma decisão, ela não voltava atrás. No dia seguinte, para o jantar com Mauro e Sílvia, ela já começou a organizar tudo.Ela pensou se devia chamar Eliezer.Mas desistiu rápido. Às vezes, as pessoas se perdem uma da outra no silêncio. Não precisa de um adeus cheio de cerimônia. Tem despedida que acontece numa noite qualquer, e você nem sabe se aquela vai ser a última vez.Antes, Lorena ainda tinha uma fixação pelos dias bons. Ela não aceitava a ideia de Eliezer abrir mão do que eles tiveram. Ficava com aquilo preso na garganta, então não expôs Inês. Ela só queria que Eliezer assumisse, pedisse desculpas, admitisse o erro por conta própria.Agora ela tinha enxergado com clareza. Nada disso era necessário.A vida dela, no fundo, tinha sido pouco digna. Os pais, o relacionamento, chegar nesse ponto com Eliezer...Quando ela realmente entendeu e soltou, não sobrou emoção nenhuma.O que sobrou foi só a necessidade de dar uma resposta para Mauro e Sílvia.Lorena chegou ma
Desde que voltou para o país, toda vez que Eliezer tinha contato com Lorena, ele encontrava alguma coisa nela que parecia estranha. Era sempre o suficiente para deixar nele uma sensação incômoda, lá no fundo.Hoje, no hospital, a atitude mais suave dela chegou a trazer um tipo de familiaridade, como quando ela tinha chamado ele pelo nome, há pouco.Mas ela virou as costas e foi embora.Em situações normais, Eliezer não ligaria. Seria só mais um detalhe, nada demais. Só que, naquele instante, ele sentiu como se algo muito precioso tivesse se afastado dele de vez.Ele ficou parado por alguns segundos, sem saber o que fazer, como quando ele quis levar Lorena para passear e ela disse que ia ficar para fazer estágio. Eliezer tinha ficado perdido do mesmo jeito. Ele ficou ali, travado, por mais de dez segundos, até conseguir ir embora devagar.Quando ele saiu dirigindo, achou que tinha visto o carro de Inês. Ele ligou para ela.— Você veio ao hospital?— A Carolina está meio resfriada. Eu
…Lorena chegou ao hospital meia hora antes.Ela percebeu na hora que o clima estava estranho, e Eliezer já veio para cima.— Eu achei que você fosse mesmo chegar às cinco.O tom saiu cheio de indireta.Lorena entendeu rápido. Eliezer tinha armado para ela.Com os mais velhos ali, ela não quis discutir. Ela foi primeiro ver a avó, perguntou com cuidado sobre o estado dela.Dessa vez tinha sido grave. O fato de ela ter aguentado já era muita coisa. O médico falou de um jeito bem cuidadoso. No fundo, era aquilo de sempre, já tinha chegado a uma idade. Daqui para frente era se cuidar, viver bem, ficar tranquila, e todos precisavam ir se preparando.Lorena sabia que ela não ia embora agora. Era só que ninguém sabia quando. Nascimento, envelhecer, adoecer, morrer, era assim. Ao olhar para o rosto da avó, Lorena ficou triste. Então ela ficou ali e fez companhia por um tempo.Eliezer, por outro lado, achou que Lorena sabia fazer cena. A avó já era muito velha. Idoso ficar doente era normal. E
Eliezer achou que ia ver o pai franzindo a testa. Mas Mauro não demonstrou nada. Sílvia ficou parada por um instante, não disse nada, só virou a cabeça para ver a expressão do marido.Eliezer franziu a testa.— Vocês não acreditam em mim?— Tá bom, eu já entendi. — A Sílvia disse.Eliezer observou a reação dos pais e ficou muito decepcionado. E sentiu, de um jeito bem claro, o quanto eles eram dois pesos e duas medidas. Bastava ele errar um pouco que o pai já caía em cima.Se quem atrasasse hoje fosse ele, o pai já teria fechado a cara fazia tempo.Claro que mudar a opinião de alguém não acontecia por causa de uma única coisa. Mas, hoje, ele já tinha aberto uma brecha.Eliezer não conseguia ficar ali com os pais. Ele foi ver a avó e, depois, desceu e ficou sentado no carro, esperando Lorena chegar.Quando Eliezer saiu, Sílvia falou:— Ontem à noite, a Lorena ligou para você perguntando como a sua avó estava. E ela mesma disse que ia ajudar a encontrar um bom médico. Como é que ela ia
Lucas apontou que Dante não teve coragem de procurar Luana, não por um costume de suportar tudo em silêncio, mas por pura falta de coragem.Dante sempre soube que não era bom em se expressar, e, por ser assim desde sempre, acabou se acostumando. Nunca tinha ouvido alguém ao seu redor dizer algo assi
Dante sentiu uma estranha vertigem, como se tivesse entrado num mundo paralelo, tudo parecia absurdamente irreal.Era uma situação que ele jamais teria previsto.Vinha acompanhando de perto o que se passava com Luana, e ela e Lucas nunca tinham demonstrado qualquer envolvimento. Como, de repente, es
— Por que está me agradecendo? — Lucas franziu o cenho, sem entender.Na verdade, o jeito de Dante enlouquecer era ainda mais assustador, muito mais intimidante. Afinal, quem era capaz de ferir a si mesmo, não teria problema algum em machucar os outros.O “obrigado” de Dante vinha do fato de que as
Maldição, era impossível entender.Lucas ficou em silêncio por dois segundos antes de ranger os dentes:— Sr. Dante, o senhor quer separar dois apaixonados, é isso?— Como você está vendo. — Respondeu Dante, com a voz baixa e firme.Lucas soltou um riso frio:— E quem é você pra interferir no que eu







