LOGINEra para ser só mais uma madrugada exaustiva após um plantão. Mas quando Sara, uma jovem estudante de Medicina, chega em casa, encontra sangue no chão… e um homem ferido em sua sala. Luca Moretti, 34 anos. Dono de olhos perigosos, voz grave e feridas de bala no abdômen. O que Sara não esperava era que, ao tentar salvá-lo, abriria a porta do inferno — literalmente. Antes que pudesse ligar para a emergência, a porta é arrombada. Um homem armado entra atirando, e Sara descobre da pior forma que está no centro de uma guerra que não pediu para participar. Luca é o chefe da máfia mais temida da cidade. E ela? A filha do antigo médico da organização. Um segredo enterrado no passado a transforma na próxima peça valiosa desse jogo sangrento. Agora, protegida por quatro homens letais e intensos — todos devotados a Luca e perigosamente atraídos por ela — Sara vai descobrir que a maior ameaça pode não ser a morte... mas o desejo. Amor e ódio. Verdades ocultas. E uma atração que pode destruir tudo. Ela foi jogada nesse mundo por acaso. Ou talvez... pelo destino.
View MoreO som estridente do despertador rasgou o silêncio da madrugada, ainda escura e fria. Jessica tateou a mesinha de cabeceira gasta, os dedos encontrando o botão que silenciaria o aparelho barulhento. Cinco da manhã, e a batalha diária estava apenas começando. Sentou-se na cama, o corpo ainda pesado de sono, e esfregou os olhos. Um suspiro escapou de seus lábios enquanto encarava o pequeno quarto alugado, as paredes descascadas testemunhas silenciosas de seus sonhos e dificuldades.
“Hoje é o dia. O primeiro dia de verdade”, pensou, um frio percorrendo sua espinha, mistura de ansiedade e uma fagulha de esperança. Esperança de um salário melhor, de poder finalmente ajudar a mãe no interior, talvez até guardar um dinheirinho para... bem, para um futuro que ela mal poderia imaginar.
O emprego na mansão do Sr. Luigi Calegari havia caído como uma bênção inesperada. Uma indicação de Dona Lourdes, uma antiga patroa que sempre elogiou sua dedicação. “Ele é exigente, Jessica, muito exigente. Um homem importante, desses que não têm tempo a perder. Mas paga bem, muito bem. E você é caprichosa, menina. Vai dar conta.” As palavras de Dona Lourdes ecoavam em sua mente enquanto se vestia apressadamente com o uniforme simples, porém impecavelmente limpo e passado: uma calça preta e uma blusa branca e discreta.
O trajeto de ônibus foi longo, sacolejante, cansativo , atravessando a cidade em direção aos bairros ricos, um mundo completamente diferente do seu. Pela janela embaçada, via os prédios modestos darem lugar a ruas arborizadas, casas enormes e, por fim, verdadeiras fortalezas cercadas por muros altos e câmeras de segurança. O ônibus parou no ponto indicado, e Jessica desceu, sentindo o ar da manhã, mais puro naquela região, mas também carregado de uma opulência que a fazia sentir-se pequena, quase invisível.
Caminhou poucos metros até chegar ao endereço. Os portões de ferro trabalhado, altos e imponentes, ostentavam um brasão discreto, mas que emanava poder e riqueza. Respirou fundo, apertando a alça da bolsa simples contra o corpo, e tocou o interfone.
“Identifique-se”, uma voz metálica soou.
“Jessica Souza. Vim para a vaga de auxiliar de limpeza. É meu primeiro dia.” Sua própria voz tremeu um pouco. Estava nervosa e com medo de gaguejar.
Um instante de silêncio, e então o pesado portão rangeu, deslizando para o lado e revelando uma entrada ladeada por jardins meticulosamente cuidados, cuja beleza parecia quase artificial de tão perfeita. Jessica entrou, sentindo os olhos eletrônicos das câmeras sobre si, e seguiu a alameda de pedras que levava à entrada de serviço. Era como entrar em outro planeta.
Foi recebida por Dona Matilde, a governanta. Uma senhora de postura rígida, cabelos grisalhos presos num coque apertado e um olhar que parecia avaliar cada centímetro de Jessica. Não havia calor em sua recepção, apenas eficiência.
“Jessica Souza, certo? Dona Lourdes falou bem de você. Espero que corresponda.” A voz dela era firme, sem rodeios. “Esta casa funciona como um relógio. O Sr. Luigi detesta atrasos, desordem e, principalmente, barulho desnecessário. Discrição é a palavra de ordem aqui. Você está aqui para limpar, não para ser vista ou ouvida. Entendido?”
“Sim, senhora. Entendido.” Jessica assentiu, engolindo em seco. A pressão já começava a pesar sobre seus ombros.
Dona Matilde passou as primeiras horas mostrando as áreas de serviço, a cozinha gigantesca e moderna, a lavanderia equipada com máquinas que Ana nunca tinha visto. Explicou as rotinas, os produtos específicos para cada superfície – mármore italiano, madeiras nobres, cristais delicados. A lista de tarefas parecia interminável, e a responsabilidade, esmagadora. Cada objeto naquela casa parecia valer mais do que ela ganharia em anos.
“Hoje você ficará responsável pela biblioteca e pelo escritório principal no térreo. O Sr. Luigi raramente os usa pela manhã, mas hoje ele tem uma reunião importante fora e já saiu. Mesmo assim, quero tudo impecável. Use o produto específico para os móveis de jacarandá e muito cuidado com os livros. São a paixão do patrão.” Dona Matilde entregou a ela os panos e produtos, o olhar severo reforçando a advertência.
Jessica assentiu novamente e seguiu para a biblioteca. Ao abrir a porta dupla de madeira maciça, prendeu a respiração. Era o cômodo mais incrível que já vira. Paredes cobertas de livros do chão ao teto altíssimo, poltronas de couro que pareciam abraçar quem sentasse nelas, um tapete persa de cores sóbrias e uma enorme janela de vidro que dava para o jardim. O cheiro de livros antigos misturado ao leve aroma de madeira e couro pairava no ar. Era um santuário de silêncio e conhecimento.
Com muito cuidado e zelo, Jessica começou a trabalhar. Tirou o pó das prateleiras mais baixas, lustrou a imponente mesa de trabalho, organizou alguns papéis que pareciam fora do lugar com extremo cuidado para não alterar a ordem. Sentia-se um grão de areia naquele universo de luxo e poder, mas estava determinada a fazer o seu melhor. Aquele emprego era sua chance.
Estava concentrada em lustrar um pequeno detalhe de metal em um abajur antigo sobre a mesa quando ouviu o som. Passos. Firmes, rápidos, sobre o piso de mármore do corredor que levava à biblioteca. Seu coração gelou. Dona Matilde havia dito que o patrão saíra! Será que era a governanta vindo verificar seu trabalho?
Virou-se rapidamente, o pano de limpeza ainda na mão, e seus olhos encontraram a figura parada na soleira da porta. Congelou.
Não era Dona Matilde.
Era ele. Luigi Calegari.
Alto, muito mais imponente do que nas poucas fotos que vira em revistas de negócios. Vestia um terno escuro, cortado sob medida, que exalava poder e dinheiro. Os cabelos negros estavam penteados para trás, revelando uma testa larga e traços fortes, quase duros. Ele segurava uma pasta de couro na mão e parecia irritado, os olhos de um castanho profundo varrendo o ambiente com impaciência, como se procurasse algo.
Jessica sentiu o sangue fugir de seu rosto. Ficou paralisada, sem saber o que fazer. Deveria sair? Pedir desculpas? Fingir que era invisível, como Dona Matilde aconselhara?
Luigi franziu o cenho, seus olhos finalmente pousando sobre ela, parada ali como uma estátua assustada no meio de sua biblioteca. Não houve reconhecimento, apenas uma leve surpresa, rapidamente substituída por irritação. Ele claramente não esperava encontrar ninguém ali.
“Onde está? Não consigo encontrar a maldita pasta azul!” A voz dele era grave, ríspida, não dirigida a ela especificamente, mas ao ar, à frustração do momento.
Antes que Jessica pudesse pensar em responder (ou fugir), ele deu um passo largo para dentro da biblioteca, em direção à mesa. Seus olhos varreram a superfície e ele soltou um grunhido de impaciência. No movimento brusco, seu cotovelo esbarrou numa pequena pilha de documentos que Jessica havia cuidadosamente alinhado na borda da mesa. Os papéis esvoaçaram, espalhando-se pelo chão como folhas secas.
“Droga!” ele praguejou, passando a mão pelos cabelos, a irritação transformando-se em fúria contida.
Num impulso, sem pensar nas ordens de Dona Matilde sobre invisibilidade, Jessica se abaixou rapidamente para ajudar a recolher os papéis. Era seu instinto – ajudar, consertar. Seus dedos ágeis juntavam as folhas espalhadas pelo tapete persa.
Luigi, surpreendido pela ação inesperada da empregada, também se abaixou. Por um instante fugaz, seus rostos ficaram próximos, muito próximos. Jessica ergueu os olhos assustados e encontrou o olhar dele. E então, algo aconteceu. A irritação nos olhos castanhos pareceu vacilar, dando lugar a uma faísca de... surpresa? Curiosidade? Ele pareceu notá-la de verdade pela primeira vez – não a funcionária, mas a mulher, o rosto corado, os olhos grandes e expressivos, a respiração suspensa.
O tempo pareceu congelar naquele milésimo de segundo. O cheiro do perfume caro dele misturou-se ao cheiro suave do produto de limpeza nas mãos dela. O coração de Jessica batia descompassado , um misto de medo e algo totalmente novo e desconcertante.
Os dedos deles se roçaram enquanto ambos alcançavam a mesma folha de papel. Um toque mínimo, quase imperceptível, mas que enviou um choque elétrico inesperado pelo corpo de Jessica. Ela recolheu a mão como se tivesse tocado em fogo, o rosto queimando ainda mais.
Luigi também pareceu sentir. Endireitou-se abruptamente, a máscara de impaciência voltando a se assentar em seu rosto, talvez ainda mais dura que antes, como se para afastar qualquer sensação indesejada. Pegou os papéis que Jessica havia juntado e os que ele mesmo recolhera, sem uma palavra de agradecimento. Seus olhos encontraram os dela por mais um breve segundo, agora frios, distantes.
Ele localizou a pasta azul que procurava, semi-escondida sob um livro maior, pegou-a e, sem sequer um olhar para trás, saiu da biblioteca com a mesma rapidez com que entrara, deixando Jessica sozinha no silêncio imponente do cômodo.
Ela ficou ali, parada, a respiração ofegante, o coração martelando no peito. O cheiro dele ainda pairava no ar. O calor do toque acidental ainda formigava em seus dedos. Dona Matilde estava certa. O Sr. Luigi Calegari era exigente, importante e... intenso. Assustadoramente intenso.
Mas naquele breve instante, naquele encontro inesperado de olhares, Jessica sentiu algo mais. Algo que a deixou perturbada, confusa e, estranhamente, com uma pontada de curiosidade sobre o homem poderoso e inacessível que era seu novo patrão. Sacudiu a cabeça, tentando afastar a sensação. Tinha um trabalho a fazer, uma vida a construir. Não podia se dar ao luxo de se distrair com o brilho perigoso nos olhos do CEO. Ou podia?
O primeiro dia estava longe de terminar, mas Jessica já sabia que trabalhar naquela casa seria muito mais complicado do que imaginara.
O cheiro de sal e gasolina queimada impregnava o ar do porto quando percebemos que havíamos caído na armadilha. — Merda — Luca rosnou, baixando o rifle quando os primeiros tiros ecoaram nos contêineres. Os faróis de quatro SUVs pretos acenderam de repente, iluminando nosso grupo como alvos em um estande de tiro. Enzo puxou minha mão com força, arrastando-me para trás de um container de metal. — Você disse que a informação era segura! — ele gritou para Luca, que se posicionou ao nosso lado, a arma pronta. — E era!— Luca deu três tiros precisos na direção dos veículos. Um grito de dor respondeu. — Alguém nos entregou.O som de botas no asfalto se aproximava. Eu engoli seco, sentindo o peso da pistola na minha cintura. Não estava em condições de lutar — minha perna ainda doía, minhas costelas latejavam — mas não havia escolha. — Quantos? — perguntei, encostando as costas no metal frio. — Demais — Enzo respondeu secamente. Luca olhou para nós dois, seus olhos escuros refle
O cheiro de antisséptico queimava minhas narinas quando abri os olhos. Luzes fluorescentes. O som monótono de um monitor cardíaco. E do meu lado, sentado numa cadeira desconfortável, Enzo.Ele estava de cabeça baixa, as mãos entrelaçadas com força, os nós dos dedos brancos. Parecia ter envelhecido dez anos desde a última vez que o vi.— Enzo.Minha voz saiu rouca, quase irreconhecível.Ele ergueu o rosto tão rápido que ouvi seu pescoço estalar. Seus olhos escuros, sempre tão controlados, estavam vermelhos, como se não tivesse dormido em dias.— Você está viva.Não era um alívio. Era uma acusação.Tentei me sentar. Uma facada de dor no meu torso me fez cair de volta no travesseiro.— Quanto tempo?— Três dias. — Ele esfregou o rosto com as mãos. — Os médicos disseram que você teve sorte. O corte na coxa não atingiu a artéria.Sorte.A palavra soava como uma piada de mau gosto.— Luca?O rosto de Enzo se fechou.— Lidando com a Bratva.— Sozinho?— Achando que eu ia deixar ele resolver
O motor do meu carro rugiu quando pisei fundo no acelerador, as lágrimas embaçando minha visão. A estrada estreita serpenteava à minha frente, árvores escuras se contorcendo como espectros sob o luar. Eu não olhei para trás. Não podia. "Você sempre soube que isso ia acontecer." As palavras de Enzo ecoavam na minha cabeça, cada sílaba uma facada. "Se você quiser ele, então vá." Mas eu não queria escolher. Não assim. Não quando a escolha significava destruir tudo o que os três tínhamos construído — alianças, lealdades, guerras travadas lado a lado. Minhas mãos tremeram no volante. Idiota. Idiota por achar que podia ter os dois. Idiota por achar que meus sentimentos não iam incendiar tudo. O carro balançou quando uma curva mais fechada apareceu à frente. Eu pisei no freio. Nada aconteceu. O pedal afundou sem resistência, como se estivesse desconectado. Meu coração parou. Não. Pisei de novo, com força. Nada. A velocidade aumentava. A curva se aproximava rápido demais.
O silêncio na entrada da mansão era tão denso que eu podia ouvir meu próprio coração batendo. Enzo ainda me encarava, seus olhos escuros buscando qualquer pista, qualquer mentira. Luca, ao meu lado, estava tenso como uma corda prestes a arrebentar. — Nada aconteceu no jantar — eu disse, forçando minha voz a não tremer. Enzo riu, um som seco e sem humor. — É por isso que seus lábios estão inchados? Meu estômago torceu. Luca se moveu quase imperceptivelmente, seu corpo bloqueando parte da minha visão de Enzo, como se estivesse se preparando para um ataque. — Chega, Enzo — ele rosnou. — Chega? — Enzo deu um passo à frente, e eu vi seus dedos se contraírem. — Você acha que pode sair com ela, esfregar na minha cara e depois dizer chega? — Não foi assim. — Então me explica como foi. Luca não respondeu. E isso foi pior do que qualquer confissão. Enzo olhou para mim novamente, e pela primeira vez, vi algo além de raiva em seu rosto. Vi dor. — É verdade? — ele perguntou,












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