Masuk
O avião tocou o solo de Nova York com um sol frio refletindo nas asas metálicas. Senti um arrepio percorrer a espinha, não por medo, mas pela antecipação. Cada detalhe da minha missão estava gravado na minha mente: conquistar o Don Enzo Coppola, enfraquecê-lo, e garantir que a família Falconi alcançasse a vantagem estratégica que desejava. Meu pai, em sua inflexível determinação, deixou claro que não haveria falhas. Falhar significaria não apenas desonrar o nome Falconi, mas também perder o que ele mais prezava: poder.
Por que eles moram em Nova York? Meu disse que é porque aqui é um local estratégico, é o ponto onde descarregam armas, drogas e contrabando e a família Coppolla é a responsável por essa logística.
Por isso eles detém tanto poder.
Isso mesmo, meu pai, Antônio Falconi, me criou para ser a esposa perfeita para que algum dia ele conseguisse fazer uma boa aliança estratégica ao seu favor.
Fui criada para isso, estudei nas melhores escolas da Itália, já fiz vários cursos, falo três idiomas diferentes, fiz aulas de piano, dança, etiqueta. fui treinada para ser uma boa esposa troféu.
Ao descer do avião, a cidade parecia pulsar em torno de mim. Nova York era uma mistura de concreto, luxo e perigo, cada carro preto reluzente, cada pedestre distraído, cada esquina escondia oportunidades ou ameaças. Meu coração batia rápido, mas não pelo nervosismo. Pelo contrário, estava concentrada, pronta para jogar o meu papel. Isabella Falconi: a herdeira elegante, educada, charmosa, obediente, controlada, que fora criada para ser esposa de um Don.
Meu pai, Antônio Falconi, caminhava ao meu lado com a postura rígida que sempre demonstrava. O terno impecável, a gravata perfeitamente alinhada, o olhar frio que avaliava tudo à sua volta. Ele observava a cidade como se estivesse jogando xadrez e cada carro, cada pessoa, fosse uma peça à sua mercê.
— Isabella — começou, a voz baixa, firme, carregada de autoridade —, você sabe o que está em jogo aqui. Não é apenas uma visita de cortesia à famíglia Coppola. É a nossa sobrevivência, a nossa força política, e, acima de tudo, a nossa vantagem sobre os rivais.
Olhei para ele, mantendo a expressão serena, mas sentindo um frio percorrer meu corpo.
— Sim, pai. — Respondi, com a cabeça baixa. — Sei exatamente o que devo fazer.
Ele me olhou intensamente, aproximando-se apenas o suficiente para que suas palavras chegassem como uma lâmina silenciosa.
— Se você falhar — continuou, a voz cortante — não será apenas você que pagará o preço. Nani… sua querida Nani, que te criou como minha própria filha, pagará. E você sabe o quanto ela significa para você.
Meu estômago se contraiu. Nani sempre estivera ao meu lado, desde que eu era criança, ensinando-me etiqueta, controle, mas também carinho e lealdade. A simples menção de qualquer ameaça contra ela fez meu coração disparar.
Com o aquele homem que se dizia meu pai era conseguia ser tão cruel a ponto de fazer mal a uma senhora tão meiga e bondosa quanto ela.
Minha mãe morreu no parto, meu pai não quis nem me ver, e foi nani que me criou com todo o amor e carinho, ela é tudo que tenho.
— Não falharei — sussurrei, firme. — Ela estará segura.
Ele assentiu, satisfeito, e voltou a caminhar com passo firme até a limusine preta que nos aguardava. Os vidros escuros refletiam a cidade ao redor, um espelho do poder e da vigilância constante que a família Falconi exigia.
— Lembre-se, Isabella — disse ele enquanto abríamos as portas do carro — o Don Enzo Coppola não é apenas um jovem bonito. Ele é perigoso, inteligente, e herdou o poder de uma família inteira. Cada gesto seu será observado, cada palavra registrada. Você precisa ser impecável, convincente.
Assenti, sentindo a tensão aumentar. Cada instrução, cada detalhe era uma armadilha ou um passo para a vitória. Meu treinamento, minha educação, todo o charme aprendido ao longo dos anos estavam agora prestes a ser postos à prova.
Quando entramos na limusine, senti o couro frio sob minhas mãos e o ar-condicionado misturando o cheiro do carro com meu perfume suave, um toque estratégico que aprendemos a usar. Antônio Falconi sentou-se ao meu lado, sem perder de vista a rua que passava.
— Isabella — continuou, com a voz grave — lembre-se: eles vão testar você. A família Coppola não aceita fraqueza, e qualquer deslize será explorado. Eu confio que você é capaz, mas a missão exige mais que confiança; exige perfeição.
— Capisco, mio padre. — Mantive a voz firme, mas um nó de tensão se formava em minha garganta. — Tudo será como você planejou.
Ele me olhou com um misto de orgulho e ameaça contida.
— Que assim seja. E não se esqueça: Nani. — A palavra soou como um sussurro mortal, carregado de ameaça silenciosa, e senti que o peso da responsabilidade recaiu sobre meus ombros de forma mais intensa do que jamais havia sentido.
O carro deslizou pelas ruas largas da cidade, cortando o tráfego da metrópole. Minha mente trabalhava rapidamente, avaliando estratégias, gestos, maneiras de abordar cada membro da família Coppola. Cada detalhe do meu treinamento veio à tona: postura, expressão facial, tom de voz, sutileza nos olhares. Cada movimento seria calculado para gerar confiança e, ao mesmo tempo, controlar a situação.
Nova York parecia brilhar com uma luz fria e elegante, refletindo nos prédios altos e nos vidros espelhados. Eu precisava ser invisível e irresistível ao mesmo tempo, uma combinação que poucas mulheres conseguiam dominar, mas que minha educação e criação me haviam preparado para executar.
O carro finalmente chegou à mansão dos Coppola. O portão de ferro forjado se abriu, revelando a entrada imponente, guardas uniformizados, a sensação de poder quase tangível. Meu coração acelerou, mas não por medo — por antecipação, pelo jogo que estava prestes a começar.
Hoje à noite conheceria meu futuro marido e seus irmãos, ou seja, sairia de um inferno para outro.
— Lembre-se — disse meu pai, baixando a voz enquanto descia do carro — cada palavra, cada gesto, cada sorriso… tudo é parte do plano. Não se esqueça do que está em jogo. Nani depende de você. Eu dependo de você. E a família Falconi não aceita falhas.
Assenti novamente, desta vez mais firme, e com um leve sorriso de determinação.
— Nada será deixado ao acaso, pai.
Enquanto atravessávamos o hall principal da mansão, senti o olhar atento dos guardas, cada passo ecoando no mármore frio. Eu estava prestes a conhecer Enzo Coppola, a figura que controlava uma das famílias mais perigosas de Nova York. Um Don jovem, inteligente, forte… e provavelmente muito mais perspicaz do que qualquer outro que eu já enfrentara.
E naquele instante, percebi que este não seria apenas um jogo de sedução e estratégia. Era um tabuleiro de poder, desejo e risco. Cada palavra, cada gesto, cada olhada seria medida. E a tensão entre mim e aquele homem já começava a crescer, silenciosa, invisível, mas impossível de ignorar.
Nani, minha querida Nani, estava segura por enquanto. Mas tudo dependia de mim, de cada ação que eu tomaria a partir daquele momento. A missão começou.
EPÍLOGO Enzo CoppolaA Toscana sempre teve esse cheiro: uva madura, terra quente e vento amaciado pelo sol. É um perfume antigo, que gruda na memória e, por algum motivo que nem tento entender, me acalma.Talvez porque aqui nada me lembra sangue. Nada me lembra perda. Nada me lembra o Don que o mundo exige que eu seja.Caminho entre as fileiras do parreiral enquanto Isabella acompanha meu passo, o vestido leve roçando na pele bronzeada pelas últimas semanas de calmaria. Nani ficou em casa com Dante, prometendo que não tiraria os olhos dele nem por um segundo. Deixar nosso filho lá enquanto vínhamos ver a vinícola foi o mais perto de uma “folga” que tivemos desde que o pequeno nasceu.E, sinceramente, senti falta desse tempo com ela.— Non è bellissimo? — Isabella pergunta, girando devagar entre as vinhas, como se estivesse em um filme. A luz dourada cola no cabelo dela, transformando tudo o que toco em al
Capítulo 37 Enzo CoppolaEu nunca pensei que um dia estaria assim: correndo por um hospital não porque alguém foi ferido…, mas porque meu filho estava chegando ao mundo.Era madrugada quando Isabella apertou minha mão e disse com aquela calma irritante:— Enzo… a bolsa estourou.Eu entrei em pânico.Ela riu.Os médicos correram.Eu quase desmaiei — de novo.— Senhor Enzo, venha por aqui — a enfermeira pediu.— Eu vou junto — eu disse imediatamente.— É claro — ela respondeu, contida, tentando não rir da minha cara.Isabella caminhava com firmeza, apesar das contrações. Eu estava quase carregando ela e quase sendo carregado — porque minhas pernas tremiam mais que as dela.Dentro da sala, os monitores apitavam e o hospital parecia grande demais. E eu… pequeno demais.— Enzo — ela sussurrou, segurando meu queixo — olha para mim. Respira comigo, lembra?Eu respirei.Por ela.Por Dante.O trabalho de parto foi r
Capítulo 36 Enzo CoppolaA notícia ainda pulsava dentro de mim: um bambino.Meu filho. Nosso filho.Eu estava tão feliz, tão leve, tão fodidamente vivo que, pela primeira vez em meses, mandei meus seguranças irem embora.— Podem ir. Eu levo minha esposa para casa — falei, batendo a mão no ombro de Luigi.Ele arqueou a sobrancelha.— Tem certeza disso?— Luigi, eu sou o homem mais feliz do planeta. Nada vai dar errado hoje.Ele riu, incrédulo, mas obedeceu. Uma a uma, as SUVs pretas se afastaram. O estacionamento ficou quase vazio.Eu abri a porta do carro e ajudei Isabella a entrar. Ela mal sentou e já me olhava com aquele sorriso que sempre detonava minha sanidade.— O que foi? Por que está me olhando assim? — ela murmurou.— É que… — encostei a testa na dela — Eu nem acredito que você me perdoou.O sorriso dela cresceu.O meu também.A felicidade transbordava e junto com ela veio algo perigoso, quente, pulsando s
Capítulo 35 Enzo CoppolaEu já enfrentei tiroteio, sangue, correria, sequestro…, mas nada, absolutamente nada, podia ter me preparado para uma sala branca, uma tela de ultrassom e o coração da mulher que eu amo batendo acelerado enquanto esfregava gel na barriga.A médica parecia mais animado que a gente.Tudo bem, mais animado que eu — porque Isabela estava sorrindo como se tivesse engolido o sol.Eu, por outro lado?Parecia que eu tinha engolido um tijolo.A tela piscou. O médico passou o aparelho, deu um zoom, sorriu de canto e soltou:— Bom… acho que temos novidades aqui.Meu estômago caiu até o inferno.— O quê? Tá tudo bem doutora? — minha voz saiu meio trincada, meio rouca, meio desesperada.Isabela apertou minha mão, rindo.— Enzo, respira.Eu tentei.Falhei miseravelmente.A médica virou a tela um pouco mais para a gente e apontou.— Meus parabéns. Vocês vão ter um menino.Foi como se alguém tives
Capítulo 34 Isabella FalconiAcordei hoje com a sensação de que meu estômago tinha virado uma máquina de lavar roupa no modo turbo.Culpa dos nervos?Culpa do bebê chutando?Culpa da porra do exame que vai revelar o sexo?Ou… culpa do nome que não sai da minha cabeça, mesmo quando eu juro que não vou pensar nele?Enzo.Dois meses.Faz dois meses que não sei nada sobre ele.Ele sumiu sem deixar nem cheiro de uísque no ar.E ainda assim… aqui estou eu, passando perfume, arrumando o cabelo e fingindo pra Francesca que o enjoo é físico — quando na verdade é emocional mesmo.Francesca, claro, repara tudo.— Isa, você está pálida.— Grávida, Francesca. GRÁ-VI-DA — respondo, revirando os olhos. — É normal.— Normal é você ficar com vontade de comer tijolo, não ficar com cara de viúva antes do enterro.Eu suspiro.— Eu não estou com cara de viúva.Ela me olha de cima a baixo.— Querida, se tristeza tivesse forma humana, seria você
Capítulo 33 Enzo Coppola (2 MESES DEPOIS)Duas coisas viraram rotina nesses últimos dois meses:A porra da insônia…E a saudade que está me matando aos poucos.Acordo todo dia enfiado nessa casa velha da Itália, que mais parece um mausoléu do que um lugar para viver. A mansão Coppola aqui na Sicília deveria ser “tradicional”, “respeitável”, “símbolo da família”.Para mim virou só um buraco luxuoso onde eu me escondo do mundo… e dela.Isabela.Maldita e bendita Isabella.Me levanto da cama com a cabeça latejando, resultado de outra madrugada bebendo mais do que devia.Já perdi a conta de quantas garrafas de uísque matei tentando apagar o rosto dela.Os olhos dela.A porra do cheiro dela.Mas nada funciona.Nem álcool, nem silêncio, nem distância.Jogo a camisa amarrotada no chão e caminho até a varanda. O sol da Sicília bate forte demais, como se tivesse raiva de mim também.A vista é bonita, o mar lá embai







