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05

Autor: Autora NB
last update Data de publicação: 2026-01-29 10:41:23

Zara Nox

Na manhã seguinte, acordei com o sol atravessando as cortinas. Liz ainda dormia, e eu aproveitei para preparar café.

Enquanto esperava o pão torrar, o celular vibrou com uma mensagem de número desconhecido.

> Lorenzo Castellani: Bom dia, Zara.

Esqueceu sua pasta de relatórios na minha sala ontem.

Pode passar aqui às 10h para buscá-la.

Meu coração acelerou.

Respirei fundo e respondi:

> Bom dia, senhor Castellani. Passo sim.

Liz abriu um olho, sonolenta.

- Quem tá te deixando nervosa logo cedo?

- Ninguém. - Sorri sem graça. - Meu chefe.

- Hm... o chefe gostoso?

- Liz! - protestei, mas acabei rindo.

---

Quando cheguei à empresa, Lorenzo estava na sala de reuniões, sozinho, mexendo no notebook.

Bati de leve na porta.

- Com licença, senhor Castellani.

Ele ergueu o olhar - e por um instante o mundo pareceu parar.

Aquele olhar intenso, profundo, como se ele me estudasse em silêncio.

- Pode entrar, Zara. - Sua voz era baixa, firme. - Sua pasta está aqui.

Entrei, tentando parecer profissional, mas minhas mãos tremiam.

- Obrigada - murmurei, estendendo a mão.

Ele segurou a pasta, mas não soltou de imediato.

Nossos dedos se tocaram, e eu senti um arrepio percorrer o corpo inteiro.

- Está se adaptando bem? - perguntou, ainda me observando.

- Sim, senhor. - Respondi, desviando o olhar. - Só... cansada.

- Cansada do trabalho ou de fugir de mim? - Ele arqueou uma sobrancelha, com um meio sorriso.

Fiquei sem ar por um segundo.

- Não fujo do senhor - menti.

- Claro que não - ele respondeu, quase divertido. - Então, até segunda-feira, Zara.

Saí da sala com o coração disparado, tentando entender por que aquele homem mexia tanto comigo.

---

À noite, Liz e eu fomos até um café novo perto da empresa. Ela falava sem parar, mas minha cabeça estava em outro lugar.

- Terra chamando Zara! - ela estalou os dedos. - Você tá a milhas daqui.

- Desculpa - ri. - Só tô cansada.

- Cansada nada. Isso é cara de mulher com crush.

Antes que eu pudesse responder, o som de passos apressados chamou nossa atenção. Um grupo de rapazes entrou, um deles - de terno amarrotado e hálito forte de álcool - veio direto na nossa direção.

- Olha só quem tá aqui... - ele disse, rindo torto. - As estagiárias da Castellani.

Liz se enrijeceu ao meu lado.

- Com licença, estamos ocupadas - ela respondeu seca.

- Ah, vem, só um drink...

- Ela disse que não - retruquei, tentando manter a calma.

Ele riu, aproximando-se demais.

O cheiro de álcool me fez engasgar.

- O que foi, boneca? Seu chefe não te deixa se divertir?

- Sai daqui - Liz disse, empurrando-o.

Mas ele agarrou meu braço.

Antes que eu pudesse reagir, uma sombra surgiu atrás dele.

- Solta ela. - A voz era fria, firme, impossível de não reconhecer.

Lorenzo.

Ele estava de paletó, olhar sombrio, e a presença dele fez o bar inteiro silenciar.

O cara soltou meu braço imediatamente.

- Eu só tava brincando, senhor Castellani.

- Brincadeira é coisa que você faz entre amigos - Lorenzo respondeu, se aproximando. - E elas não são suas amigas.

- Claro... claro, senhor. - O homem recuou, visivelmente pálido.

Lorenzo olhou para mim.

- Você está bem?

Assenti, mesmo com o coração disparado.

- Sim, senhor.

Ele olhou para Liz.

- Levem o vinho para viagem. E, da próxima vez, Zara... - Ele parou um segundo, os olhos fixos nos meus. - ...me avise se alguém cruzar o limite.

Saímos dali em silêncio.

Quando o carro parou em frente ao meu prédio, ele segurou o volante por um momento, como se quisesse dizer algo.

- Você não devia andar por aí sozinha à noite - disse por fim.

- Eu não estava sozinha.

- Ainda assim. - Ele virou o rosto, respirou fundo. - Boa noite, Zara.

- Boa noite, senhor Castellani.

Entrei no prédio com o coração batendo no ritmo errado, e uma certeza perigosa me atravessou:

quanto mais eu tentava fugir de Lorenzo Castellani, mais o destino me empurrava para os braços dele.

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Último capítulo

  • Sob o olhar do CEO   Epílogo

    TrizO avião tocou o solo com uma suavidade que parecia simbolizar mais do que apenas o fim de um voo. Era o fim de uma fase, mas também o começo de algo ainda maior. Após um ano inteiro de intercâmbio, Hector e eu finalmente estávamos de volta. E, apesar da saudade que sentíamos da família, a ansiedade por reencontrá-los era maior ainda.- Finalmente... - murmurei, segurando a mão dele enquanto caminhávamos pelo terminal. O coração batia acelerado, misturando felicidade e nervosismo.- Eu sei... Triz - disse Hector, apertando minha mão. - Agora é hora de voltarmos para casa.Ao sairmos pelo portão de desembarque, fomos recebidos por uma cena que me fez o coração quase explodir. Lorenzo, Zara, Liz, Rômulo, Bianca e Vittorio nos esperavam, com sorrisos imensos, alguns chorando de emoção. Hector e eu corremos para eles, e foi como se nenhum dia tivesse passado.- Meus filhos! - gritou Zara, me abraçando com força. - Vocês estão finalmente de volta!- Nós sentimos tanta falta de vocês -

  • Sob o olhar do CEO   115

    TrizO vazio que Hector deixou quando embarcou ainda doía dentro de mim. Cada canto da casa parecia ecoar a ausência dele, cada manhã sem o som da sua voz era um lembrete cruel de que a distância tinha chegado. Eu tentei me ocupar com estudos, amigos, passeios com a família... mas no fundo, nada conseguia preencher aquele espaço que era só dele.Sentada na sala, com as mãos sobre o livro que eu fingia ler, respirei fundo e decidi que era hora de ser honesta com todos. A verdade, por mais que me assustasse, precisava sair. Eles mereciam saber quem eu realmente era, quem eu amava.- Eu... eu preciso falar pra vocês - comecei, a voz trêmula. - Eu e Hector... nós nos apaixonamos. E namoramos por três anos. Mas ele... ele foi embora, e terminamos... e eu tinha decidido esperar para contar quando ele voltasse. Mas... eu não consegui mais esperar.O silêncio que se seguiu foi quase doloroso. Olhei para minha mãe, Zara, que estava encostada no batente da porta, com o olhar suave, mas atento.

  • Sob o olhar do CEO   114

    HectorO dia finalmente chegou. Depois de três anos intensos, cheios de risadas, olhares roubados, segredos e promessas silenciosas, eu estava prestes a embarcar para um intercâmbio que mudaria a minha vida. Eu mal dormi na noite anterior, e mesmo assim, quando acordei, o nervosismo tomou conta do meu corpo como se eu fosse um iniciante num palco gigantesco, sem roteiro e sem ensaio.O sol da manhã entrava pelas cortinas do meu quarto, mas não conseguia aquecer o frio que sentia no peito. Triz estava na cozinha, preparando café com aquele jeitinho dela de sempre - tentando agir normal, mesmo sabendo que algo estava prestes a mudar. Eu tentei sorrir, mas era impossível. Cada passo em direção à porta parecia me puxar de volta, cada respiração me lembrava de que os próximos meses seriam longe dela. E eu não sabia se meu coração iria sobreviver a isso.- Bom dia, Hector. - Triz apareceu na porta, ainda com a camiseta grande que usava para dormir, e um sorriso tímido no rosto. - Dormiu bem

  • Sob o olhar do CEO   113

    HectorMeses se passando... e o mundo virando de cabeça pra baixo.As coisas mudaram muito rápido. Rápido demais, pra ser sincero.Alguns meses atrás, eu e a Triz ainda estávamos escondendo nosso namoro, achando que ninguém desconfiava - embora todos provavelmente soubessem. Nós achávamos que éramos ótimos em disfarçar, mas éramos só dois adolescentes bobos, apaixonados, tentando não chamar atenção.Mas tudo isso ficou pequeno perto do que aconteceu com a minha mãe e com a tia Liz.As duas grávidas ao mesmo tempo - de novo - e agora com as barrigas tão enormes que parecia que carregavam o planeta Terra dentro delas. Às vezes eu olhava e pensava que, se elas espirrassem, iam entrar em trabalho de parto. Só que obviamente eu nunca falava isso em voz alta, porque eu gostava de ter meus dentes completos.Eu observava a minha mãe de longe naquele dia. Ela estava rindo de algo que a tia Liz tinha falado, segurando a barriga, como se rir já fosse difícil demais.- Hector... - Triz me cutucou

  • Sob o olhar do CEO   112

    HectorNunca pensei que me sentiria assim. Confuso, animado, nervoso e ao mesmo tempo feliz. Tudo isso ao mesmo tempo. Eu e Triz tínhamos um segredo. Um segredo que nem Lorenzo, nem Zara, nem ninguém da família sabia: nós estávamos namorando escondidos.Tudo começou de forma inocente. Crescemos juntos, brincando, estudando, crescendo lado a lado. Sempre fomos muito próximos, mas nos últimos meses algo mudou. Eu comecei a perceber cada gesto dela, cada sorriso, cada risada, de uma forma diferente. Meu coração acelerava quando ela estava por perto, e eu sabia que não era apenas amizade.- Hector, você está estranho hoje - disse Triz um dia, com aquele sorriso provocador. - Parece que vai explodir a qualquer momento.- Eu... não sei do que você está falando - tentei disfarçar, mas minha voz traiu meu nervosismo.Ela riu, aproximando-se de mim na biblioteca da escola.- Ah, vamos, não se faça de bobo. Eu sei quando você está pensando em mim.Eu senti meu rosto esquentar, mas tentei manter

  • Sob o olhar do CEO   111

    Zara NoxA manhã começou calma na mansão Castellani, mas dentro de mim havia um turbilhão de emoções. Hector brincava na sala com Triz, já acostumados com o mundo que nós, mães, estávamos construindo para eles. Liz estava ao meu lado, segurando minha mão, nervosa, ansiosa. Nós duas sabíamos que aquele momento seria especial - e também carregado de expectativa.- Então... é hoje - sussurrei, quase sem ar.Liz assentiu, mordendo o lábio, o gesto denunciando a ansiedade que também sentia.- Eles vão reagir... bem, espero - disse ela, tentando rir, mas seus olhos brilhavam de emoção.Respirei fundo. Hoje iríamos contar para Lorenzo e Rômulo que as duas estavam grávidas. Dois bebês chegando, quase ao mesmo tempo. A sincronia era inacreditável, e eu não poderia guardar segredo por mais tempo.- Vamos fazer isso agora? - perguntei. - Antes que a emoção nos derrube.Liz concordou. Levantamo-nos, e eu segurei Hector pelo braço, caminhando até a sala onde Lorenzo e Rômulo estavam trabalhando. O

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