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07

Autor: Autora NB
last update Data de publicação: 2026-01-29 10:43:58

Zara Nox 

Mas a porta se abriu de repente.

- Bom dia, chefe. - A voz de Rômulo cortou o ar como uma lâmina, trazendo-me de volta à realidade.

Ele entrou acompanhado de outros homens, todos engravatados, com pastas e tablets nas mãos.

A tensão evaporou como fumaça, e Lorenzo apenas ajeitou o paletó, recuperando o controle em segundos.

- Bom dia, senhores - ele disse, com o tom frio e autoritário que usava em público.

Sentei-me o mais distante possível, tentando ignorar o olhar que ele me lançou antes de começar a reunião.

---

A reunião começou pontualmente.

Investidores da França, um consultor de finanças, Rômulo à esquerda de Lorenzo.

Eu tomava notas rápidas, servia café e, de vez em quando, trocava olhares sutis com Lorenzo - olhares que ele fingia não perceber, mas eu sabia que percebia.

A cada vez que ele falava, sua voz grave tomava conta da sala.

Tinha domínio sobre tudo - cada palavra, cada pausa, cada detalhe.

E eu me perguntava como alguém podia ser tão... perfeito e, ao mesmo tempo, tão inacessível.

- Senhorita Nox - ele chamou, sem tirar os olhos dos papéis. - Pode projetar o gráfico da expansão da filial europeia, por favor?

- Claro. - respondi, levantando e caminhando até o painel.

Enquanto explicava os números, senti o olhar dele sobre mim - atento, concentrado, mas havia algo mais ali. Algo que me deixava nervosa.

Troquei o slide e, sem querer, nossos olhares se cruzaram.

O mundo pareceu diminuir.

A sala cheia de executivos sumiu.

Só restava ele, e aquele olhar que me despia com calma, sem pressa, como se procurasse algo dentro de mim.

Desviei o olhar rapidamente, voltando a falar.

- ...e com isso, o lucro líquido previsto para o próximo trimestre é de 12%, considerando o investimento inicial...

- Perfeito - ele interrompeu, e notei o sorriso discreto no canto dos lábios. - Excelente trabalho, Zara.

Meu coração disparou.

"Respira. É só um elogio profissional", repeti mentalmente.

Mas o modo como ele disse meu nome... não parecia profissional.

---

A reunião terminou duas horas depois.

Os executivos foram se levantando, trocando apertos de mão, enquanto eu recolhia os copos e organizava os papéis.

Rômulo se aproximou, com um sorriso leve.

- Bom trabalho, Zara. O chefe tá impressionado.

- Espero que seja com a planilha e não comigo - brinquei, tentando disfarçar o nervosismo.

- Talvez os dois. - Ele riu. - E entre nós, nunca vi o Lorenzo olhar pra alguém desse jeito.

- Que jeito?

- Como se estivesse prestes a quebrar a própria regra.

Fiquei em silêncio.

Não havia resposta segura para isso.

Quando Rômulo saiu, Lorenzo ainda estava lá, olhando pela janela, o casaco jogado na cadeira.

- Pode fechar a porta - ele disse, sem se virar.

Obedeci.

- Senhor... digo, Lorenzo, quer que eu organize o material agora ou deixo pra depois?

- Depois. - A voz dele estava mais baixa. - Senta um instante.

Sentei devagar, tentando decifrar o tom dele.

- Sabe... - ele começou, sem me encarar - você tem um talento raro. Não é só organizada. É... detalhista, dedicada. É diferente.

Senti minhas bochechas queimarem.

- Obrigada, senhor.

- Lorenzo. - Ele corrigiu de novo.

Olhei para ele, e a expressão era outra - não havia o homem de negócios, mas alguém cansado, vulnerável, com algo preso no peito.

- Às vezes acho que você me lembra alguém. - Ele disse, quase num sussurro.

- Alguém importante? - perguntei, hesitante.

Ele sorriu de leve, sem humor.

- Alguém que não posso esquecer.

Um silêncio pesado caiu entre nós.

Ele respirou fundo, levantou-se e se aproximou.

Parou atrás da cadeira onde eu estava sentada, e o ar pareceu ficar mais denso.

- Lorenzo... - murmurei, virando o rosto para olhá-lo.

- Você tem medo de mim? - perguntou, os olhos fixos nos meus.

Engoli em seco.

- Não. Mas o senhor... me intimida.

Ele inclinou a cabeça, e um sorriso quase imperceptível surgiu.

- Isso não é bom. Eu não quero que tenha medo.

- Então... o que quer que eu tenha? - perguntei, sem pensar.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos, o olhar preso no meu rosto.

Depois, deu um passo para trás, recolhendo o casaco.

- Que confie em mim. - disse, e saiu da sala.

Fiquei ali, imóvel, com o coração batendo rápido demais.

Parte de mim queria fugir, outra parte queria correr atrás dele e pedir que explicasse o que estava acontecendo entre nós - ou dentro dele.

Mas, no fundo, eu sabia que havia algo maior.

Algo que ele escondia.

Algo que o fazia olhar pra mim daquele jeito - com culpa, desejo e um medo que eu ainda não entendia.

---

Mais tarde, no escritório, Liz apareceu com um café.

- Me disseram que você arrasou na reunião - ela comentou, se jogando na poltrona.

- Foi tudo bem.

- E o chefe?

- O mesmo de sempre. Intenso. Misterioso. - Suspirei.

- Ai, Zara, você fala dele como quem tá prestes a se apaixonar.

- Eu não... - parei, percebendo que talvez minha voz não convencesse. - Eu não posso me apaixonar por ele, Liz.

- Por que não?

Olhei pela janela, o coração apertado.

- Porque o Lorenzo Castellani é o tipo de homem que carrega segredos. E eu já vivi segredos demais na minha vida.

Ela me observou em silêncio por alguns segundos.

- Então cuidado. - disse, séria. - Porque às vezes o que a gente tenta evitar é exatamente o que o destino insiste em colocar no nosso caminho.

---

Quando saí da empresa, o céu já estava escurecendo.

Peguei o elevador sozinha, pelo menos era o que eu pensava até que uma mão segurou a porta, e entrou. Era ele. Quando eu tendo fugir ele surge bem na minha frente me obrigando a estar no mesmo ambiente que ele.

{...}

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Comentários (1)
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Daniele Mara Fernandes
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Último capítulo

  • Sob o olhar do CEO   Epílogo

    TrizO avião tocou o solo com uma suavidade que parecia simbolizar mais do que apenas o fim de um voo. Era o fim de uma fase, mas também o começo de algo ainda maior. Após um ano inteiro de intercâmbio, Hector e eu finalmente estávamos de volta. E, apesar da saudade que sentíamos da família, a ansiedade por reencontrá-los era maior ainda.- Finalmente... - murmurei, segurando a mão dele enquanto caminhávamos pelo terminal. O coração batia acelerado, misturando felicidade e nervosismo.- Eu sei... Triz - disse Hector, apertando minha mão. - Agora é hora de voltarmos para casa.Ao sairmos pelo portão de desembarque, fomos recebidos por uma cena que me fez o coração quase explodir. Lorenzo, Zara, Liz, Rômulo, Bianca e Vittorio nos esperavam, com sorrisos imensos, alguns chorando de emoção. Hector e eu corremos para eles, e foi como se nenhum dia tivesse passado.- Meus filhos! - gritou Zara, me abraçando com força. - Vocês estão finalmente de volta!- Nós sentimos tanta falta de vocês -

  • Sob o olhar do CEO   115

    TrizO vazio que Hector deixou quando embarcou ainda doía dentro de mim. Cada canto da casa parecia ecoar a ausência dele, cada manhã sem o som da sua voz era um lembrete cruel de que a distância tinha chegado. Eu tentei me ocupar com estudos, amigos, passeios com a família... mas no fundo, nada conseguia preencher aquele espaço que era só dele.Sentada na sala, com as mãos sobre o livro que eu fingia ler, respirei fundo e decidi que era hora de ser honesta com todos. A verdade, por mais que me assustasse, precisava sair. Eles mereciam saber quem eu realmente era, quem eu amava.- Eu... eu preciso falar pra vocês - comecei, a voz trêmula. - Eu e Hector... nós nos apaixonamos. E namoramos por três anos. Mas ele... ele foi embora, e terminamos... e eu tinha decidido esperar para contar quando ele voltasse. Mas... eu não consegui mais esperar.O silêncio que se seguiu foi quase doloroso. Olhei para minha mãe, Zara, que estava encostada no batente da porta, com o olhar suave, mas atento.

  • Sob o olhar do CEO   114

    HectorO dia finalmente chegou. Depois de três anos intensos, cheios de risadas, olhares roubados, segredos e promessas silenciosas, eu estava prestes a embarcar para um intercâmbio que mudaria a minha vida. Eu mal dormi na noite anterior, e mesmo assim, quando acordei, o nervosismo tomou conta do meu corpo como se eu fosse um iniciante num palco gigantesco, sem roteiro e sem ensaio.O sol da manhã entrava pelas cortinas do meu quarto, mas não conseguia aquecer o frio que sentia no peito. Triz estava na cozinha, preparando café com aquele jeitinho dela de sempre - tentando agir normal, mesmo sabendo que algo estava prestes a mudar. Eu tentei sorrir, mas era impossível. Cada passo em direção à porta parecia me puxar de volta, cada respiração me lembrava de que os próximos meses seriam longe dela. E eu não sabia se meu coração iria sobreviver a isso.- Bom dia, Hector. - Triz apareceu na porta, ainda com a camiseta grande que usava para dormir, e um sorriso tímido no rosto. - Dormiu bem

  • Sob o olhar do CEO   113

    HectorMeses se passando... e o mundo virando de cabeça pra baixo.As coisas mudaram muito rápido. Rápido demais, pra ser sincero.Alguns meses atrás, eu e a Triz ainda estávamos escondendo nosso namoro, achando que ninguém desconfiava - embora todos provavelmente soubessem. Nós achávamos que éramos ótimos em disfarçar, mas éramos só dois adolescentes bobos, apaixonados, tentando não chamar atenção.Mas tudo isso ficou pequeno perto do que aconteceu com a minha mãe e com a tia Liz.As duas grávidas ao mesmo tempo - de novo - e agora com as barrigas tão enormes que parecia que carregavam o planeta Terra dentro delas. Às vezes eu olhava e pensava que, se elas espirrassem, iam entrar em trabalho de parto. Só que obviamente eu nunca falava isso em voz alta, porque eu gostava de ter meus dentes completos.Eu observava a minha mãe de longe naquele dia. Ela estava rindo de algo que a tia Liz tinha falado, segurando a barriga, como se rir já fosse difícil demais.- Hector... - Triz me cutucou

  • Sob o olhar do CEO   112

    HectorNunca pensei que me sentiria assim. Confuso, animado, nervoso e ao mesmo tempo feliz. Tudo isso ao mesmo tempo. Eu e Triz tínhamos um segredo. Um segredo que nem Lorenzo, nem Zara, nem ninguém da família sabia: nós estávamos namorando escondidos.Tudo começou de forma inocente. Crescemos juntos, brincando, estudando, crescendo lado a lado. Sempre fomos muito próximos, mas nos últimos meses algo mudou. Eu comecei a perceber cada gesto dela, cada sorriso, cada risada, de uma forma diferente. Meu coração acelerava quando ela estava por perto, e eu sabia que não era apenas amizade.- Hector, você está estranho hoje - disse Triz um dia, com aquele sorriso provocador. - Parece que vai explodir a qualquer momento.- Eu... não sei do que você está falando - tentei disfarçar, mas minha voz traiu meu nervosismo.Ela riu, aproximando-se de mim na biblioteca da escola.- Ah, vamos, não se faça de bobo. Eu sei quando você está pensando em mim.Eu senti meu rosto esquentar, mas tentei manter

  • Sob o olhar do CEO   111

    Zara NoxA manhã começou calma na mansão Castellani, mas dentro de mim havia um turbilhão de emoções. Hector brincava na sala com Triz, já acostumados com o mundo que nós, mães, estávamos construindo para eles. Liz estava ao meu lado, segurando minha mão, nervosa, ansiosa. Nós duas sabíamos que aquele momento seria especial - e também carregado de expectativa.- Então... é hoje - sussurrei, quase sem ar.Liz assentiu, mordendo o lábio, o gesto denunciando a ansiedade que também sentia.- Eles vão reagir... bem, espero - disse ela, tentando rir, mas seus olhos brilhavam de emoção.Respirei fundo. Hoje iríamos contar para Lorenzo e Rômulo que as duas estavam grávidas. Dois bebês chegando, quase ao mesmo tempo. A sincronia era inacreditável, e eu não poderia guardar segredo por mais tempo.- Vamos fazer isso agora? - perguntei. - Antes que a emoção nos derrube.Liz concordou. Levantamo-nos, e eu segurei Hector pelo braço, caminhando até a sala onde Lorenzo e Rômulo estavam trabalhando. O

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