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Capítulo 8

Author: Porca Glamourosa
Um mês depois, recebi uma ligação do celular da avó. Hesitei por um instante, mas acabei atendendo.

— Vovó, aconteceu alguma coisa?

— Manuela, sou eu.

Era Tatiane.

— O que você quer?

— Manuela, Francisco só fez aquilo para me salvar. Você não pode tratá-lo desse jeito.

— Eu me divorciei dele justamente para que ele pudesse cuidar de você sem se preocupar com mais nada. Não era isso que vocês queriam?

— Não é a mesma coisa.

— O que é diferente?

— Ele ainda precisa cuidar da avó.

— E não deveria?

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    Numa madrugada, meu celular tocou. Era Francisco.— Amor, quem é?— Francisco.Rafael hesitou por um instante.— Atende. Talvez seja alguma emergência.Atendi.— Manuela.— Sou eu. Aconteceu alguma coisa?— Manuela, eu estou tão cansado.Sua voz estava rouca, como a de alguém que não falava havia muito tempo.Rafael abriu um vídeo de Tatiane. Nas imagens, ela havia perdido o controle mais uma vez e pressionava uma faca contra o próprio pescoço, ameaçando Francisco.Ao fundo, se via a casa deles, em Nova Vitória. O chão estava coberto de destroços. Era evidente que os dois tinham acabado de passar por uma briga violenta.— Manuela, eu me arrependo.— É tarde demais. Vá dormir.— Manuela, quando deixei você, três anos atrás, não foi porque eu amava Tatiane. Eu só não conseguia aceitar aquilo. Queria que ela reconhecesse o meu valor, mas me enganei. Nunca imaginei que acabaria perdendo você.— Isso já passou. Tatiane ainda precisa de você.— Não me restou nada. Não tenho mais nada.O chor

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    Três anos depois, minhas viagens chegaram ao fim. Voltei para casa.Naquela mesma noite, Francisco apareceu novamente em frente ao meu prédio.Lá de cima, apenas o observei. Estava muito mais magro, com a barba por fazer, até os cabelos haviam embranquecido, e as roupas que vestia pareciam ser as mesmas de três anos atrás.Minha mãe se aproximou de mim e soltou um suspiro carregado de emoção.— Durante todos esses anos em que você esteve fora, ele veio me visitar de vez em quando. Às vezes, ficava ouvindo histórias da sua infância; outras vezes, passava horas olhando para as suas fotos. Mas, na maioria das vezes, entrava no seu quarto e ficava ali, atordoado, segurando a certidão de casamento de vocês nas mãos. — Mamãe apontou para as coisas que haviam aparecido pela casa, com uma expressão difícil de definir. — Há dois anos, comentei que estava com dor na lombar, e foi ele quem me deu aquela poltrona de massagem. Quando fiz alguns exames e o médico disse que minha imunidade estava bai

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    Um mês depois, recebi uma ligação do celular da avó. Hesitei por um instante, mas acabei atendendo.— Vovó, aconteceu alguma coisa?— Manuela, sou eu.Era Tatiane.— O que você quer?— Manuela, Francisco só fez aquilo para me salvar. Você não pode tratá-lo desse jeito.— Eu me divorciei dele justamente para que ele pudesse cuidar de você sem se preocupar com mais nada. Não era isso que vocês queriam?— Não é a mesma coisa.— O que é diferente?— Ele ainda precisa cuidar da avó.— E não deveria?— Mas, antes, isso era responsabilidade sua.Eu ri.— Ela é avó dele, não minha.— Não era para ser assim. Está tudo errado. Você disse alguma coisa a ele? Ele falou que não vai mais me acompanhar nas próximas consultas e que já fez mais do que o suficiente por mim.Então era esse o verdadeiro motivo da ligação. Ela queria me pedir explicações.Antes, ela já não tinha esse direito. Agora, muito menos.— Se foi para falar disso que você ligou, acho que não temos mais nada para conversar.De repen

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