FAZER LOGINCapítulo 55 Três dias depois da festa de Helena, Manuela recebeu uma mensagem de Henrique. Não sentiu o estômago revirar. Não bloqueou a tela. Também não teve vontade de responder imediatamente. Apenas leu. Henrique: Vou passar perto do seu trabalho amanhã. Se você puder, gostaria de conversar. Sem mensagens estranhas, sem Vicente, sem passado mal explicado. Só nós dois encerrando algumas coisas. Manuela ficou alguns segundos olhando para a tela. Depois respondeu: Pode ser. Café às 17h30. Meia hora. A resposta veio logo. Obrigado. Ela guardou o celular. — Tudo bem? Camila estava do outro lado da mesa. — Henrique. — Ah. Aquele “ah” carregava opiniões suficientes para um livro inteiro. — Ele quer conversar. — E você? Manuela pensou. — Acho que quero ouvir. Camila assentiu. Sem conselho. Sem julgamento. Manuela agradeceu silenciosamente por isso. Contou a Vicente naquela noite. Estavam na cozinha dele, preparando jantar, quando falou: — Henrique me chamou par
Capítulo 54 Manuela descobriu que havia uma diferença enorme entre dizer “estou namorando” para uma colega de trabalho e chegar a uma festa segurando a mão do namorado. Principalmente quando o namorado em questão era Vicente Albuquerque. — Para de apertar minha mão. Eles estavam parados diante da entrada de um restaurante. — Não estou apertando. — Está sim. Vicente olhou para as mãos entrelaçadas. — Talvez seja você. — Claro. A culpa é minha. — Cento e nove. Manuela virou o rosto lentamente. — Você não vai fazer essa contagem durante a festa. — Por quê? — Porque sua irmã vai perguntar. — Helena conhece a contagem. Manuela parou.
Capítulo 53 Na segunda-feira, Manuela descobriu que namorar alguém do mesmo escritório tinha um problema bastante específico. Vicente Albuquerque não sabia ser discreto quando estava feliz. Ele não a beijou no corredor. Não apareceu com flores. Não a chamou de namorada diante da equipe. Na verdade, comportou-se perfeitamente durante toda a manhã. O problema era o olhar. Toda vez que os olhos dos dois se encontravam durante a reunião, havia alguma coisa ali. Um sorriso quase invisível. Uma lembrança. Uma intimidade que não existia antes. E Camila percebeu. Claro que percebeu. — Vocês são péssimos nisso — murmurou quando ficaram sozinhas. Manuela continuou digitando. — Nisso o quê? — Fingir normalidade. — Não estamos fingindo nada. — Exatamente. Esse é o problema. Manuela finalmente olhou para ela. — Não quero esconder. — Então pronto. — Mas também não quero que minha vida pessoal vire entretenimento da empresa. Camila assentiu. — Justo.
Capítulo 52 Manuela descobriu às oito e doze da manhã que tinha cometido um erro. Não ao aceitar namorar Vicente. Isso, surpreendentemente, continuava parecendo uma boa decisão. O erro tinha sido permitir que ele usasse a palavra. Namorada. O celular vibrou enquanto ela terminava o café. Vicente 804 Bom dia, namorada. Manuela sorriu antes mesmo de conseguir evitar. Bom dia. A resposta veio imediatamente. Só isso? O que você esperava? Bom dia, namorado lindo, inteligente e extremamente atraente. Você quer que eu termine antes das 9h? 91. Ela arregalou os olhos. Ontem você estava no 90! Exatamente. Essa contagem é uma fraude. 92. Manuela largou o celular sobre a mesa. Faltavam oito. Aquilo não podia acabar bem. Na empresa, Vicente levou exatamente vinte e três minutos para aparecer na mesa dela. Camila estava ao lado, analisando um relatório. — Bom dia — ele disse. Manuela levantou os olhos. — Bom dia. — Dormiu bem? — Sim. — Que bom. Profissional. Educa
Capítulo 51Vicente acordou primeiro.Manuela descobriu porque, quando abriu os olhos, ele estava sentado na ponta da cama olhando para o celular.— Você está trabalhando?Ele virou.— Bom dia para você também.— Responde.— Não.— Então o que está fazendo?Vicente bloqueou a tela.— Nada.Manuela estreitou os olhos.— Suspeito.— Você acabou de acordar e já está desconfiando de mim.— Experiência.Ele se inclinou e beijou sua testa.— Café?— Muito.— Onde fica?Manuela apontou para a porta.— Cozinha.— Informação extremamente útil.— Você é inteligente. Descobre.Vicente levantou.Usava apenas a calça de moletom que trouxera na mochila.Manuela acompanhou com os olhos.Ele parou na porta.— Está olhando.Ela puxou o lençol.— Estou avaliando.— Gostou?— Vai fazer café.O sorriso dele apareceu.— Oitenta e dois.Quinze minutos depois, Manuela entrou na cozinha.Vicente estava diante da cafeteira.— Você comprou essa máquina para humilhar pessoas?— É uma cafeteira.— Tem dezessete
Capítulo 50Manuela acordou com o despertador de Vicente.Não com o dela.Esse detalhe a incomodou por exatamente quatro segundos.Depois sentiu o braço dele em volta de sua cintura, lembrou da noite anterior e decidiu que podia se incomodar mais tarde.— Desliga — murmurou.— É seu lado.— O celular é seu.— Mas está do seu lado.Manuela abriu um olho.— Você está acordado.— Há uns três minutos.— Então desliga.— Gosto de ver você irritada pela manhã.Ela pegou o travesseiro e acertou o rosto dele.Vicente começou a rir.— Setenta e um.— São seis e meia!— Setenta e dois.— Eu odeio essa contagem.— Setenta e três.Manuela sentou na cama.— Isso é fraude.Vicente segurou sua cintura e tentou puxá-la de volta.— Fica.— Trabalho.— Dez minutos.Ela olhou para ele.— Da última vez, cinco viraram vinte e sete.— Estou propondo dez porque sou otimista.Manuela riu.— Levanta, Albuquerque.— Setenta e quatro.Na cozinha, enquanto Vicente preparava café, Manuela abriu a gaveta.Pegou um







