Mag-log inA tarde de domingo estava preguiçosa, o sol filtrando pelas persianas semi-fechadas do apartamento de Hellen, pintando listras douradas no chão de madeira clara. O ar cheirava a café fresco e ao perfume dela — floral, com uma nota de baunilha que sempre o deixava com fome de mais do que comida. Jaston estava sentado no sofá, pernas esticadas, lendo um livro qualquer sobre design que havia pegado na estante dela. Hellen entrou na sala vinda do quarto, vestindo uma saia lápis preta justa e uma blusa de seda branca, o cabelo preso em um coque alto que deixava o pescoço exposto. Nos pés, saltos finos que clicavam no piso como um código de autoridade.Ela sentou-se ao lado dele, cruzou as pernas e pegou o livro das mãos dele sem cerimônia. Fechou-o com um estalo seco e o colocou na mesinha de centro.— Nós precisamos conversar — disse, a voz calma, mas firme.Jaston virou-se para ela, o coração já acelerando. Sabia o tom. Sabia que quando ela começava assim, a noite — ou o fim de semana —
A sala de jogos no porão da casa de Hellen era pequena, quase íntima — paredes de tijolo aparente pintadas de cinza-escuro, piso de concreto polido coberto por um tapete grosso preto, uma cruz de São André de madeira escura fixada na parede oposta à porta. No centro, um banco de spanking acolchoado em couro vermelho, correntes penduradas no teto com ganchos discretos, uma mesa baixa com acessórios arrumados em ordem: plugs, lubrificantes, chicotes finos, o strap-on de couro preto que já havia se tornado familiar. Duas luminárias de chão com luz âmbar criavam sombras longas, quentes, quase reconfortantes.Hellen havia preparado tudo com antecedência. Jaston chegou às 21h em ponto, como combinado. Vestia apenas calça de moletom cinza e camiseta preta — roupas fáceis de remover. Quando entrou na sala, Hellen já estava lá, de botas de cano alto pretas, calça legging de couro e top cropped de renda. O strap-on já estava ajustado nos quadris, o dildo médio de silicone reluzindo com lubrific
O casarão antigo na serra de Santa Luzia parecia saído de um filme antigo — fachada de pedra cinza, janelas altas em arco, jardim iluminado por lanternas de papel que balançavam ao vento frio da noite. Era uma casa de veraneio de um casal amigo de Hellen, reformada com discrição e dinheiro suficiente para transformar o porão em um espaço privado que ninguém comentava em voz alta. A festa não tinha nome oficial. Era apenas “a reunião de sábado”. Convites por mensagem criptografada, sem fotos, sem menção direta ao que acontecia lá dentro. Quem chegava sabia exatamente onde estava. Hellen dirigia o carro devagar pela estrada de terra, os faróis cortando a escuridão. Jaston estava no banco do passageiro, camisa social branca impecável, calça preta social, sapatos lustrosos. Sob a gola aberta da camisa — dois botões desabotoados, como ela havia mandado —, o day collar de couro preto repousava quente contra a pele. A argola de aço discreta mal aparecia, mas ele sentia cada respiração roçar
A noite estava fria para os padrões de Santa Luzia — um vento seco descia da serra, fazendo as janelas tremerem levemente nas molduras antigas do apartamento de Hellen. Dentro, porém, o ar era quente, denso, carregado do cheiro de incenso de sândalo que ela havia acendido meia hora antes. As luzes estavam baixas: apenas duas velas grossas de cera de abelha na mesinha de cabeceira e uma luminária de piso com abajur de tecido vermelho que tingia tudo de um tom sangue-escuro. O quarto parecia um templo pequeno, preparado para um ritual que nenhum dos dois havia nomeado ainda.Hellen esperava sentada na beira da cama, pernas cruzadas, vestindo um vestido longo de veludo preto que caía solto até os tornozelos. Os pés descalços tocavam o tapete persa macio. Nas mãos, uma caixinha de veludo azul-marinho, do tamanho de uma palma. Dentro, algo que ela havia encomendado semanas antes, em uma loja discreta de Belo Horizonte: um day collar. Couro preto italiano, macio como pele de segunda, com um
O celular de Hellen vibrou na mesinha de cabeceira enquanto ela tomava banho. Não era nada urgente — só uma notificação aleatória do Instagram que ela nem pretendia abrir. Mas o nome dele apareceu na tela travada: @jaston_oliveira marcou você em uma foto. Curiosa, ela secou as mãos depressa, digitou a senha e abriu.A foto era antiga. Três anos atrás, talvez quatro. Jaston e uma mulher — alta, cabelos castanhos ondulados, sorriso largo e olhos que pareciam saber de tudo. Eles estavam em uma praia qualquer, corpos bronzeados colados, braços entrelaçados na cintura um do outro. Ele ria com a cabeça jogada para trás; ela beijava o canto da boca dele. A legenda da ex era simples: “Saudades eternas, amor. Você foi o melhor capítulo.” A data do post: dois dias antes. E o pior: Jaston havia curtido. Há uma hora.Hellen sentiu o estômago revirar. Não era só ciúme — era veneno puro, ácido, queimando da garganta até o peito. Ela largou o celular como se queimasse. Saiu do banho ainda pingando,
O apartamento de Hellen cheirava a alho dourado, ervas frescas e antecipação. As luzes da cozinha estavam baixas — apenas a luminária pendente sobre a ilha de granito e duas velas grossas em castiçais de ferro negro. A mesa já estava posta para uma pessoa só: prato fundo, talheres de prata, taça de vinho tinto, guardanapo dobrado com precisão. Hellen havia escolhido tudo com cuidado. Aquela noite não era sobre jantar romântico. Era sobre serviço. Formal. Total.Jaston chegou às 19:55, pontual como sempre. Vestia calça jeans escura e camiseta preta simples — roupas que seriam removidas em segundos. Hellen abriu a porta usando um robe de seda vermelho escuro, curto o suficiente para mostrar as coxas, o cinto frouxo revelando o vale entre os seios. Nos pés, chinelos de cetim preto. Nos olhos, comando absoluto.— Entre — disse ela, sem beijo de boas-vindas. Apenas um aceno de cabeça. — Tire tudo. Aqui mesmo.Jaston obedeceu. Sapatos na entrada. Meias. Camiseta puxada pela cabeça. Calça e
O vapor do banho ainda envolvia o corpo de Marina quando ela saiu do box, as gotas escorrendo por sua pele cor de mel. A toalha branca, pequena demais para cobri-la decentemente, mal conseguia envolver seu torso. Ela se secou com movimentos lentos, deliberados, sabendo que o som da água parando cer
A chuva batia contra as janelas da sala como tambores anunciando o que estava por vir. Marina se aconchegou no sofá, seus pés descalços encolhidos sob o shorts de seda que subia a cada movimento. O filme na TV era apenas ruído de fundo — ela escolhera aquela comédia romântica clichê de propósito, s
Milih mal teve tempo de recuperar o fôlego depois do toque de André no batente da porta. Cada músculo do seu corpo gritava por mais; cada centímetro de pele ardia sob a lembrança dos dedos dele deslizando pela cintura e pelas coxas. Ela não sabia como tinha sobrevivido àquele toque, mas agora não p
O táxi parou em frente à casa que Alyssa não via há anos. O portão de ferro batido estava levemente enferrujado, e o jardim, outrora impecável, agora mostrava sinais de abandono. Ela respirou fundo, sentindo o peso da mala nas mãos e o peso ainda maior no peito.— Está tudo pago — murmurou ao motor







