ANMELDEN— E o pacto conseguiu prendê-la? — perguntou Elara, ainda tentando assimilar a dimensão daquilo que Darian acabara de revelar.— Sim.— Como conseguiram? — A pergunta saiu rápida, com curiosidade e apreensão.Elara queria entender como algo descrito como uma força tão antiga e devastadora poderia ter sido contido por um simples pacto entre humanos e criaturas da Penumbra. Darian voltou lentamente os olhos para ela e sustentou seu olhar, permanecendo em silêncio por alguns instantes, como se a resposta que estava prestes a dar exigisse mais cuidado do que as anteriores.— Com sangue. — A resposta de Darian foi curta. Elara não gostou nem um pouco do que ouviu. Havia algo naquela palavra que despertava um desconforto imediato, como se ela já soubesse que aquela história de sangue estava ligada a algo muito mais próximo dela do que gostaria.— Sangue de quem? — perguntou, tentando manter a voz firme. Darian demorou alguns segundos antes de responder.— De uma linhagem.O coração de Elara
Elara ainda sentia o calor da mão de Darian contra a sua, mesmo depois de ele soltá-la. A marca em seu pulso continuava brilhando sob a pele, pulsando em intervalos lentos, como se tivesse um coração próprio. Ela encarou o símbolo por alguns segundos antes de levantar os olhos para ele. A frase que acabara de ouvir permanecia presa em sua mente.A Herdeira despertou.Tudo naquela noite parecia ter sido preparado para aquele momento. Os mortos que haviam aberto os olhos. As sombras que a encontraram. Os caçadores da Igreja. A criatura que a chamara de majestade. A marca, a muralha e agora Darian.Ele estava diante dela, imóvel, vestido de preto, com aquela expressão que começava a irritá-la profundamente. Era como se o Rei das Sombras soubesse todas as respostas e tivesse decidido entregar apenas as que julgava convenientes.Elara respirou fundo, tentando controlar o turbilhão de emoções que se agitava dentro dela. Ainda havia medo, mas agora ele vinha acompanhado de uma necessidade qu
Elara baixou os olhos para a mão estendida de Darian, ainda sem conseguir decidir se deveria aceitá-la. Depois, ergueu o olhar lentamente até encontrar o rosto dele. Havia tantas perguntas em sua mente que ela mal conseguia organizá-las, mas uma delas escapou antes que pudesse se conter:— E qual é esse lugar?Darian sustentou o olhar dela por alguns segundos. Seu rosto permaneceu sério, quase indecifrável, enquanto as sombras ao redor pareciam se mover silenciosamente e com a mesma calma firme que havia marcado sua voz desde que surgira diante dela, ele respondeu:— Meu reino.As sombras começaram a se acumular ao redor dos pés de Darian, deslizando pelo chão como uma névoa escura e viva, envolvendo suas botas e se espalhando silenciosamente pela passagem. Ela sentiu o ar mudar ao seu redor, ficando mais frio e pesado. Então, atrás dela, os primeiros caçadores surgiram entre as árvores, avançando pela escuridão com as armas em punho. Darian, porém, não se virou. Permaneceu imóvel, c
— Eles não vieram para matar você.Elara franziu a testa, tentando entender o que aquilo significava. Depois de tudo o que havia acontecido na casa, depois de vê-los invadirem o lugar e empunharem aquelas espadas contra ela, era difícil acreditar que a intenção deles não fosse matá-la.— Então por que vieram?Albert desviou o olhar por um instante, como se procurasse as palavras certas. A tensão em seu rosto aumentou antes de ele responder:— Porque sabem que você despertou.Elara sentiu um frio percorrer o corpo. A lembrança da marca que surgira em sua mão veio imediatamente à sua mente.— E o que eles querem?Seu pai hesitou novamente. Seus dedos ainda seguravam os braços dela, firmes, como se temesse que ela desaparecesse a qualquer momento.— Impedir que alguém encontre você primeiro.Elara pensou nele. No homem que havia aparecido diante de sua janela naquela noite, surgindo das sombras como se a escuridão lhe pertencesse. Pensou naquele olhar intenso e impossível de esquecer, na
Elara corria o mais rápido que conseguia, com o pai puxando-a pela mão através da passagem secreta, enquanto seus passos apressados ecoavam pelo corredor estreito e escuro. O ar parecia pesado nos seus pulmões, e suas pernas começavam a fraquejar de tanto esforço. Atrás deles, os gritos dos caçadores se aproximavam, misturados ao som de passos pesados que reverberavam nas paredes. — Mais rápido! — ordenou Albert, apertando ainda mais a mão dela. Elara tentou acelerar, mas mal conseguia respirar.— Eu não consigo! — respondeu, ofegante, sentindo o medo apertar seu peito. Seu pai olhou para trás por um breve instante e insistiu, com firmeza: — Consegue, sim!A passagem terminava em uma pequena porta escondida nos fundos da propriedade, quase completamente camuflada pela vegetação e pela escuridão. O pai de Elara a abriu rapidamente, e os dois saíram para uma área de mata fechada, onde árvores altas e arbustos cercavam o caminho estreito.Assim que deixou o corredor para trás, Elara se
O medo presente na voz do capitão foi mais assustador do que qualquer ameaça que Elara pudesse imaginar. Ela o encarou, tentando encontrar alguma resposta em seu rosto, mas tudo o que viu foi uma expressão carregada de espanto e apreensão.— O que significa isso? — perguntou, com a voz trêmula, ainda tentando entender o que estava acontecendo e por que aqueles homens pareciam tão aterrorizados diante dela. O homem, porém, permaneceu em silêncio, sem desviar os olhos dela e sem oferecer qualquer explicação.Em vez de responder, o capitão ergueu a voz e gritou, sem qualquer hesitação: — Matem o pai. Capturem a garota! As ordens ecoaram pela biblioteca, fazendo os caçadores se moverem imediatamente. Mas, antes que pudessem avançar, as sombras ao redor de Elara se agitaram de forma violenta, como se tivessem entendido cada palavra. A escuridão pareceu se retorcer pelas paredes, enquanto um rugido profundo e assustador atravessava a biblioteca, fazendo o chão vibrar sob os pés de todos.







