LOGINAura Keller
O som veio primeiro.
Depois o carro andou sozinho.O lado do Lucas sumiu. O meu bateu na parede. Vidro explodiu por todo lado. O barulho da lataria sendo destroçada me angustiou. O corpo dele caiu em cima do meu antes de eu entender o que tinha acontecido.
Eu não estava de cinto. Ele também não.
Tudo doía. O ombro. O peito.
Aura KellerEu estava na minha sala, concentrada em alguns relatórios que Clara havia deixado sobre a minha mesa, tentando aproveitar o silêncio para colocar algumas coisas em ordem. Já fazia algumas semanas que eu tinha reduzido o ritmo de trabalho. Lucas insistia que eu precisava descansar mais, principalmente agora que a gravidez estava avançando, mas eu ainda gostava de acompanhar de perto o que acontecia na empresa.Passei os olhos por mais uma página quando senti alguma coisa diferente na barriga.Parei.Franzi a testa e coloquei a mão sobre o ventre.Por alguns segundos, fiquei imóvel, tentando entender aquela sensação. Não era dor. Também não parecia exatamente um desconforto. Foi uma pequena ondulação, quase como se alguma coisa tivesse se movimentado por dentro.Meu coração acelerou.Eu já tinha estado grávida antes. Sabia que, no começo, era fácil confundir os primeiros movimentos do bebê com qualquer outra coisa. Mas aquela sensação tinha sido diferente.Deixei o relatório
Lucas HendrickDois meses tinham passado desde a última vez que eu precisei perguntar ao Eduardo se existia alguma previsão para eu voltar a andar. Naquela época, eu ainda dependia dele para conseguir ficar de pé e cada pequeno movimento parecia exigir uma força absurda. Agora, eu já não precisava mais de ajuda para me levantar.Ainda usava a cadeira de rodas para chegar até a sala de fisioterapia, mas, assim que entrava ali, ela ficava esquecida em um canto. Eu tinha aprendido a odiar aquela cadeira um pouco menos, porque sabia que ela fazia parte do caminho, mas continuava contando os dias para não precisar mais dela.Eduardo estava ao meu lado enquanto eu segurava as barras paralelas. Olhei para frente e respirei fundo."Vamos mais uma vez.""Você já fez cinco repetições.""Quero fazer mais uma."Ele soltou uma risada."Lucas, seu problema definitivamente não é falta de determinação.""Meu problema é não poder andar.""Eu sei."Apoiei as mãos nas barras e comecei a avançar. O movim
ClaraEu ainda estava pensando na conversa com John enquanto terminava o relatório que Mathias havia pedido. Por mais que tentasse me concentrar no que estava escrito na tela, minha cabeça continuava voltando para algumas das coisas que ele tinha dito."Você não precisa ter certeza de tudo antes de falar."Era uma frase simples, mas tinha ficado na minha cabeça.Talvez porque fosse exatamente o que eu precisava ouvir.Eu sabia que era insegura. Sabia que pensava demais antes de responder, que muitas vezes tinha uma ideia e preferia ficar quieta por medo de estar errada. Aura nunca tinha me tratado mal por isso, muito pelo contrário. Ela sempre me incentivava a falar mais, a participar das decisões e a confiar no que eu sabia. Mathias fazia o mesmo, embora fosse um pouco mais exigente.Mas com John era diferente.Eu não sabia quase nada sobre ele, e talvez fosse justamente isso que me deixasse tão nervosa.Ele tinha uma maneira de olhar para as pessoas que fazia parecer que estava semp
Rafael StarlingEu saí da delegacia com a cabeça fervendo. Estava com raiva de Beatriz por ter sido tão estúpida, por ter ignorado tudo o que eu havia dito e, principalmente, por ter se deixado pegar daquela maneira. Mas, por mais que eu quisesse culpá-la, havia um problema muito maior por trás daquela prisão.Ela sabia demais.Se Beatriz resolvesse falar, não seria apenas ela que acabaria atrás das grades. Eu também estava envolvido em coisas suficientes para passar anos tentando explicar minhas escolhas diante de um juiz. E o pior era que eu não sabia até onde ela iria para se salvar. Uma mulher desesperada podia fazer qualquer coisa quando percebesse que não tinha mais nada a perder.Entrei no carro e segurei o volante com força antes de dar a partida. Eu precisava pensar, mas minha cabeça parecia uma panela de pressão. Tinha que encontrar uma maneira de impedir Beatriz de abrir a boca antes que ela tivesse a oportunidade de contar tudo.Quando cheguei em casa, encontrei Miguel lar
BeatrizEu não podia estar presa. Aquilo precisava ser um erro, porque não fazia sentido algum eu estar naquela cela enquanto pessoas como Rafael continuavam livres. Eu ainda tentava entender como tinham conseguido me encontrar, como aquele homem havia descoberto quem eu era e por que tudo tinha acontecido tão rápido. Eu precisava falar com alguém, precisava fazer uma ligação e, principalmente, precisava avisar Rafael antes que aquilo tomasse uma proporção que nenhum de nós conseguiria controlar."Eu quero fazer uma ligação", falei, levantando os olhos para o policial que estava do outro lado."Você tem direito a uma ligação, senhora, então pense bem para quem vai fazer.""Então eu quero fazer agora. Preciso ligar para quem possa acionar meu advogado."Ele me acompanhou até o telefone, e minhas mãos tremiam enquanto eu discava o número de Rafael. Quando ele atendeu, nem esperei que perguntasse o motivo da ligação."Rafael, você precisa vir aqui.""Beatriz?""Eu fui presa."Houve algun
AuraEu ainda estava com o celular na mão quando encontrei Lucas na sala. A ligação de Clara tinha acabado há poucos segundos, mas eu continuava tentando absorver tudo o que ela havia me contado.Beatriz tinha sido presa.Depois de tudo o que aquela mulher tinha feito, eu ainda custava a acreditar que ela realmente estava atrás das grades.Lucas percebeu minha expressão assim que me aproximei."O que aconteceu?"Parei diante dele."Era a Clara."Ele franziu a testa."Algum problema na empresa?""Não. Na verdade, sim mas..." Sorri. "Na verdade, acho que finalmente temos uma notícia boa."Lucas me observou por alguns segundos."O que aconteceu?""Beatriz foi presa."A expressão dele mudou na mesma hora."Presa? Como? Quando conseguiram pegá-la?""Ela tentou entrar na Keller usando um crachá falso. A segurança percebeu, John a levou para uma sala e chamou a polícia. Quando os policiais chegaram, levaram ela."Lucas ficou em silêncio por alguns segundos."Melhor escolha que fiz foi ter co







