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Capítulo 3

Autor: Peachy
Uma hora depois, eu me escondi atrás da porta entreaberta da sala de restauração. Fiquei olhando uma mulher deslumbrante e poderosa caminhar pelo saguão do museu. Ela tinha os traços clássicos de um vampiro: pele pálida e translúcida, lábios vermelhos como sangue e um cabelo prateado caindo em cascata. Mais importante ainda, ela foi direto para o escritório do Alistair.

Fui atrás dela nas pontas dos pés, me espremendo nas sombras para ouvir.

— Eu sabia que você ia me perdoar. — A voz do Alistair estava cheia de alegria e adoração.

— O anel é lindo. A granada de sangue realmente amplifica o nosso poder. Muito atencioso da sua parte. — A voz dela era fria, mas suave.

Meu coração parou. O anel de granada de sangue. Ele só estava usando para agradar ela?

— Assim que o dia de amanhã passar, nós vamos ver as capelas. Precisamos fazer uma Cerimônia de Vínculo de Sangue grandiosa. — Ouvi o som estalado de um beijo.

— Não vejo a hora de finalmente te fazer minha.

Um vínculo de sangue. A união suprema dos vampiros. Mais sagrada e com mais peso do que qualquer casamento humano.

O chão sumiu debaixo dos meus pés. Esses últimos três meses — o papo furado de madrugada, as mensagens safadas de fazer o rosto queimar, a conexão falsa de alma gêmea... tudo uma mentira. Eu achei que estava jogando um jogo perigoso e proibido com um estranho misterioso. E, em vez disso, eu era só a amante de um vampiro de alto escalão que estava entediado. Um estepe humano descartável que ele mantinha no escuro!

A raiva engoliu o meu medo por completo.

Puxei o celular, com as mãos tremendo violentamente de tanta humilhação. Abri aquele chat que eu conhecia até demais.

[Você é um monstro. Acabou.]

Enviar. Bloqueado. Deletado.

Depois de fazer isso, senti como se tivessem sugado toda a minha energia. Saí tropeçando do museu. O vento da meia-noite cortava o meu rosto como uma faca. Parada do outro lado da rua, as lágrimas finalmente caíram. Luto, nojo e a percepção enfurecedora de que eu tinha sido feita de trouxa.

Pouco depois, as portas giratórias rodaram. Alistair estava acompanhando a mulher para fora. Ele colocou um casaco sobre os ombros dela com delicadeza e beijou a testa dela com uma devoção de dar ânsia de vômito. Eles combinavam tanto. Eram tão perfeitos.

Mordi o lábio com força e limpei as lágrimas. Que se foda o Morpheus, pelo menos eu não estraguei o meu disfarce. Eu ainda era uma especialista humana muito bem paga. Assim que eu juntasse grana suficiente para largar esse inferno, estaria livre. Eu poderia viver feliz para sempre sem homem nenhum. Não podia?

No dia seguinte, vestida com o meu terno preto mais alinhado, Alistair me arrastou para o salão principal de exposições.

— Lembre-se, respeito absoluto pelo príncipe. — Alistair avisou baixinho.

— Cassian Valerius não é um vampiro qualquer. Ele está vivo há milênios, e o temperamento dele é letal.

Confirmei com a cabeça, tentando controlar a minha respiração. O lendário príncipe Cassian estava chegando. Eu esperava algum monstro antigo, assustador e enrugado. Mas quando as portas pesadas se abriram lentamente, eu paralisei.

O homem que entrou parecia ter mal e mal trinta anos. Ele tinha um rosto esculpido com perfeição — nariz reto, maxilar marcado e um cabelo cor de jambo perfeitamente penteado para trás. Mas foram os olhos dele que me tiraram o fôlego. Olhos prateados e antigos. Eles carregavam mil anos de violência e eram afiados o suficiente para enxergar através de mim.

O que fez meu coração martelar ainda mais forte foi a roupa dele. Um terno vinho bem cortado. Uma lembrança estalou na minha cabeça. Uma vez eu disse para o Morpheus que vermelho-escuro era a minha maior obsessão.

— Vossa Alteza. — Alistair fez uma reverência profunda.

— Esta é a nossa restauradora-chefe, Isabella Vance.

Abaixei a cabeça rapidamente.

— Vossa Alteza.

Cassian deu um aceno curto com a cabeça, sinalizando para eu começar o meu relatório.

— Nós temos setenta e duas novas aquisições. Entre elas... — lutei para manter a minha voz profissional, — este 'Amuleto do Lampejo Solar' pode ter valor de pesquisa sobre a aversão do clã à luz do sol.

Cassian ouvia com atenção, mas o olhar dele percorria cada centímetro do meu rosto e dos meus lábios com uma intensidade de arrepiar a espinha. Alistair, parado ali do lado, estava totalmente no mundo da lua. Provavelmente viajando na Cerimônia grandiosa de Vínculo de Sangue dele hoje à noite, pensei com amargura. O amor verdadeiro dele estava esperando.

— Relatório excelente. O seu entendimento sobre artefatos antigos é profundo. — Cassian falou depois de quinze minutos.

— Obrigada, Vossa Alteza. — Soltei o ar, pronta para pedir licença e cair fora.

— Espere.

A voz do Cassian me pregou no chão. Ele deu um passo lento na minha direção. Aqueles olhos prateados cravaram direto na minha clavícula. Especificamente, na pinta da minha clavícula.

— Esta marca é única. — A voz dele era um estrondo baixo, carregada de uma diversão sombria.

O pânico me atingiu como um fio de alta tensão. Dois meses atrás, mandei para o Morpheus uma foto da minha clavícula. A resposta dele? "Quero beijar a sua clavícula. Quero deixar a minha marca bem em cima dessa pinta linda. Quero ouvir você gemer o meu nome."

Dei um passo para trás em pânico, cobrindo o pescoço. Minhas palmas estavam encharcadas de suor frio.

— Vossa Alteza, eu tenho certeza de que muita gente tem pintas assim.

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