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CAPÍTULO 3

Penulis: Lira Celestial
— Senhora, senhor… o jantar está servido. — Anunciou a empregada ao sair da cozinha, com respeito.

A Senhora Denise se levantou do sofá.

— Vamos jantar, o Igor deve estar com fome.

— Igor quer levar o Ursinho pra comer também! — O menino disse, abraçando o boneco personalizado com alegria.

— Claro que sim. A professora Isadora vai com o Igor e o Ursinho jantar. — Respondeu Isadora, sorrindo enquanto pegava o menino no colo. Depois, virou-se com gentileza para Heloísa:

— Sra. Heloísa, vou levar o Igor pra jantar, tá?

Todos começaram a caminhar em direção à sala de jantar.

Heloísa ficou parada, segurando o boneco de cachinhos nas mãos, sem saber o que fazer.

Ela era a esposa do Simão, a dona da casa, mas estava sempre sozinha.

Sempre ignorada.

O bolo e o brinquedo escaparam-lhe das mãos e caíram no chão.

Ela deu um passo atrás, decidida a sair daquela casa gelada e sem afeto.

Mas Simão segurou seu pulso.

Ela levantou o olhar e encontrou os olhos dele cheios de ordem.

— Senta e come.

Heloísa olhou na direção da mesa.

No lugar que deveria ser dela, estava sentada Isadora.

Ela girou o pulso em silêncio, livrando-se do aperto dele:

— Não quero atrapalhar o momento de vocês em família.

Sem olhar pra trás, saiu.

— Heloísa!

Simão franziu a testa, olhando para as costas dela.

Aquela mulher… agora tinha coragem de virar as costas pra ele?

— Deixa pra lá. — Disse a Senhora Denise, olhando com desprezo para a porta. — Essa surdinha ingrata nunca devia ter entrado nesta casa.

— É isso mesmo, mano. — Completou Nina Franco, a irmã do Simão, que até então estava calada. — Comer com uma mulher que armou pra casar com você só mancha a imagem da família.

Simão não gostava de Heloísa.

Mas até um cão merece respeito quando tem dono.

Sua voz soou fria:

— E eu, então? Que janto com ela todos os dias, o que sou?

— Eu… — Nina hesitou, depois tentou consertar. — Mano, você e ela são só por enquanto... depois que se divorciar...

— Cala a boca. — Simão falou em tom de ordem. — E nunca repita esse tipo de coisa na frente do Igor.

— Cala a boca… haha… — O menino repetiu, imitando o pai, e riu alto.

…Lá fora, a noite já tinha caído.

O ar da noite envolvia tudo em silêncio úmido e espesso, trazendo um frio que parecia penetrar até os ossos.

Heloísa abraçava o próprio corpo, andando sozinha pela estrada particular da família Franco, como uma alma perdida.

As lágrimas borravam sua visão, mas ela não deixava cair nenhuma.

A culpa por tudo aquilo… também era dela.

Não tinha o direito de chorar.

O que precisava fazer era encontrar uma saída, um ponto de virada.

Mas onde?

Quando passava por um trecho de bosque, um farol amarelo brilhou atrás dela, oscilando no escuro.

Pouco depois, um Rolls-Royce preto parou ao seu lado.

O vidro desceu, revelando o rosto frio e impecável de Simão.

— Entra.

Ela já estava acostumada ao tom autoritário dele.

Poderia recusar, mas acabou entrando no carro.

Para sua surpresa, Isadora não estava ali.

Sentado no banco de trás, Simão mantinha a postura elegante e distinta, recostado de forma relaxada no assento.

Ele não disse nada, apenas a fitava em silêncio.

Heloísa baixou os olhos, evitando encarar o olhar dele.

— Ficou com raiva a ponto de abandonar até o filho?

Ele fez uma pergunta inútil.

Ela mordeu os lábios, hesitou, e por fim levantou o olhar:

— Sr. Simão… você gosta da Isadora, não é?

Os olhos dele se estreitaram.

— O que quer dizer com isso?

— Quero dizer que, se o senhor gosta dela, então se divorcie de mim e se case com ela. Eu concordo com o divórcio.

— E qual é a sua condição? — A voz dele soou calma, mas deixava escapar um leve traço de irritação quase imperceptível.

— A condição é que eu possa acompanhar o crescimento do Igor. Que eu mesma escolha os professores dele. Mas pode ficar tranquilo, não vou disputar a guarda.

Heloísa terminou a frase com calma.

Em resposta, Simão soltou um riso frio.

— Estratégia de recuo? Está tentando me manipular?

— Não. — Heloísa ficou sem reação por um instante e, um pouco aflita, tentou se explicar. — Eu só acho que o Igor ainda é pequeno, não sabe distinguir o certo do errado. Não quero que ele cresça num ambiente onde aprenda a odiar a própria mãe, porque a mãe dele só é surda, não fez nada de errado nem cruel.

— Simão… o Igor é meu filho. Eu quase morri pra trazê-lo ao mundo.

Ela engasgou nas palavras, com os olhos marejados.

Se lembrou do dia em que deu à luz Igor.

A Senhora Denise sabia que o bebê estava mal posicionado, mas mesmo assim obrigou o médico a fazer parto normal.

Quando Heloísa começou a sangrar, a sogra deu a ordem com frieza para que salvassem o bebê e não a mãe.

Se não fosse por um golpe de sorte, Heloísa teria morrido ali mesmo, na mesa de parto.

E Simão jamais soube disso.

A sogra, determinada a não deixá-la ter um momento de paz, arranjou uma desculpa e mandou Simão embora de Cidade H justamente no dia do parto.

Quando ele voltou, mãe e filho já estavam a salvo.

Simão não queria aquela criança, mas o encanto de ser pai pela primeira vez acabou falando mais alto.

Chegou a transferir cinco milhões para Heloísa, como um presente de recompensa.

E foi também a única vez, desde o casamento, que ele sorriu para ela.

Depois disso, viraram completos estranhos.

— Heloísa, o Igor foi algo que eu pedi pra você ter? — Simão lançou-lhe um olhar frio e perguntou lentamente.

Heloísa ficou em silêncio.

Igor… havia sido uma escolha dela.

Quando descobriu a gravidez, Simão quis que ela abortasse imediatamente.

Foi só depois de muito insistir que ela conseguiu permissão para manter o bebê.

Ela não respondeu.

Quando o clima dentro do carro atingiu o ponto de gelo, o celular de Simão tocou.

Ele atendeu a ligação, e da chamada de vídeo veio a voz preocupada de Isadora.

— Simão, a Heloísa tá bem? Você conseguiu encontrá-la?

— Uhum. — Murmurou ele, num tom curto e nasalado.

— Que bom... então descansem cedo, tá?

— E o Igor, já dormiu?

Ao ouvir o nome do menino, Isadora abriu um sorriso imediato.

— Ele disse que estava com saudade do papai, queria dormir com você. Tive que niná-lo por um bom tempo até ele pegar no sono.

Logo depois, a voz fininha do menino ecoou no vídeo:

— Madrinha… abraço…

— Claro, a madrinha vai te abraçar pra dormir. — Respondeu Isadora, com um tom tão meloso que parecia escorrer.

Heloísa olhou para a tela do celular e viu Isadora acolhendo Igor nos braços com um carinho transbordante, um tipo de afeto que ela jamais havia sentido.

A dor que sentira há pouco, na casa dos Franco, voltou com força redobrada, esmagando-lhe o peito.

O carro parou em frente à mansão.

Heloísa abriu a porta, desceu e correu até o segundo andar.

Encostou as costas na porta do quarto principal e deslizou até o chão, chorando em silêncio.

Ela só queria poder abraçar o filho, passar um tempo com ele, por que até isso tinha que ser tão difícil?

Quando, afinal, aquele casamento doloroso chegaria ao fim?

Ergueu o olhar para o retrato de casamento pendurado na parede.

O homem elegante e distante, a mulher cautelosa e frágil...

Aquela não era uma foto de casamento, era uma prisão, um grilhão!

Um cárcere do qual ela desejava se libertar naquele exato instante.

Heloísa se levantou, correu até a cama, arrancou o quadro da parede e o jogou com força no chão.

Um estalo seco, o vidro se estilhaçou.

As duas figuras dentro da moldura pareciam ainda mais quebradas do que antes.

Ao ouvir o barulho, Simão empurrou a porta e entrou.

Ao ver Heloísa, sempre tão dócil, diante da moldura despedaçada, ficou surpreso por um instante, em seguida, franziu as sobrancelhas e agarrou o pulso dela com força:

— Heloísa, o que significa isso? Cansou do casamento, é isso?

— Simão Franco, eu quero o divórcio!

Heloísa o fitou com os olhos marejados, o rosto tomado por uma determinação que ele jamais vira antes.

— Eu cansei. Cansei de viver sem dignidade. Quero o divórcio. E não estou brincando!
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