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last update publish date: 2025-07-06 21:52:35

Aurora

Acordei na manhã seguinte com uma única certeza na vida: fome.

Não era aquela fome de “vou fazer um lanchinho”, era a fome de quem parecia ter atravessado o deserto do Saara montada num camelo desidratado. Era uma urgência, uma necessidade básica. E, claro, no meio da mansão, o que eu tinha à minha disposição?

Nada.

Zero.

Nadica de nada.

Nenhum café preparado, nenhum croissant voador vindo ao meu encontro.

Suspirei dramaticamente e levantei da cama, praguejando baixinho. Aurora, você est
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    Epílogo - Aurora Se alguém me dissesse há um ano que eu passaria o Dia de Ação de Graças na Califórnia, com um mafioso italiano gato, uma bebê nos braços, e um trio de outros mafiosos à espreita da torta de abóbora da minha mãe... Eu teria rido. E corrido. Provavelmente na direção oposta.Mas lá estava eu, sentada no banco da frente do carro de Giovanni — ou melhor dizendo, da nossa blindada nave italiana, onde até a cadeirinha da Alice parecia digna de um filme de ação. A estrada costeira se estendia em curvas suaves até a casa dos meus pais. O mar azul brilhava como um comercial de pasta de dente e a bebê no banco de trás roncava baixinho como um filhote de gato. Uma imagem idílica, se não fosse pelos carros pretos que nos seguiam feito sombras suspeitas.— Por que exatamente o Matteo, o Nicolo e a Ada estão vindo com a gente? — perguntei pela terceira vez, observando os SUVs pretos pelo retrovisor. — Já basta que isso aqui parece mais um comboio presidencial do que uma visita fami

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    AuroraMinhas mãos estavam suadas. Tão trêmulas que por um momento pensei que não conseguiria girar a maçaneta. Mas o fiz, lentamente, como se cada centímetro significasse uma escolha entre viver ou morrer.O corredor estava mergulhado num silêncio estranho, cortante. O tipo de silêncio que precede uma tempestade. Ou um ataque.Meu coração batia tão alto no meu peito que podia jurar que preenchia toda a casa.Talvez eles tenham ido embora, pensei. Talvez fosse alarme falso.Idiota.Dei um passo. Depois outro. E então corri. Corri como se minha vida — e a do meu bebê — dependessem disso. Porque, no fundo, eu sabia que dependia.Cheguei ao quarto do bebê arfando, ajoelhando-me ao lado do berço com as mãos trêmulas. A luz suave do abajur iluminava o ambiente, e por um segundo, a inocência daquele espaço contrastava brutalmente com o caos do que estava por vir.Segui as instruções de Giovanni, abrindo a caixa falsa de fraldas. Estava lá. Uma Glock preta, pesada, fria. Um lembrete de quem

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    GiovanniA sala de estar de Matteo tinha a exata energia de um campo minado: polida, silenciosa e pronta para explodir a qualquer momento. Os policiais federais examinavam documentos, pastas, registros digitais. Havia papéis espalhados pela enorme mesa de centro, laptops abertos e olhos desconfiados em todas as direções.Eu estava com os braços cruzados, encostado na parede, sem tirar os olhos dos detetives. O cheiro forte de café misturado ao suor nervoso de Nicolo pairava no ar.— Isso aqui é uma palhaçada — resmungou Nicolo, andando de um lado para o outro feito um leão enjaulado. — Estão querendo achar cabelo em ovo. Todas as garotas da boate assinaram os contratos, tudo legalizado, carimbo, testemunha...— Estão querendo nos ferrar de algum jeito — murmurei, baixo o suficiente para só Nicolo ouvir. — E quanto mais a gente se irrita, mais eles gostam.Matteo estava sentado no sofá, com o semblante abatido. Não era todo dia que você via a principal boate do seu império ser reduzida

  • Um Bebê Inesperado para o Subchefe   36

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