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Capítulo vinte e nove: A fala

last update Data de publicação: 2026-01-13 04:15:26

Ele percebe, porém tardiamente. Sempre percebia essas coisas quando já era tarde demais. Ele não era bom em ler linguagem corporal.

— Você já decidiu — Ele não perguntou, afirmou. Já rendido.

Não respondi.

Simplesmente porque algumas decisões não pedem validação. Elas precisam apenas de alguém que as execute.

— E eu? — ele perguntou, já rendido. — O que faço?

Aproximei-me o bastante para que a distância deixasse de ser refúgio e passasse a ser escolha. Um passo apenas, calculado. O espaço entre
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    O escritório não ficava na Faria Lima visível, aquela em que os prédios que competem por atenção e também dos restaurantes onde todos querem ser vistos frequentando. Ficava num recuo estratégico, alguns quarteirões afastados, alto o bastante para enxergar a cidade em amplitude, discreto o suficiente para não virar vitrine. Vidros amplos, mas tratados. Madeira escura. Poucos objetos. Nada ali era decorativo. Tudo tinha função, inclusive a calmaria que precedia o caos.Percebi isso no instante em que entrei.Não havia quadros motivacionais, nem livros expostos para impressionar visitantes ocasionais, nada cafona nesse nível. Os livros estavam guardados. O que se exibia ali não era repertório cultural, era capacidade de decisão. O tipo de lugar onde ninguém levanta a voz porque não precisa.Constantino não me recebeu com afeto. Recebeu com presença.A sala em que estávamos não era grande, mas era precisa em todos os aspectos. Uma vez que tudo ali parecia ter sido escolhido para não distr

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