LOGINClarisse não era boba, leu item por item e estava tudo certo. Assinou na linha acima da assinatura dele e devolveu a pasta.
— Amanhã lhe devolvo sua cópia. Ele levantou e chamou-a para conhecer seu local de trabalho. Era uma mesa em formato de L, com uma aparelhagem eletrônica de primeira linha. Ela sentou confortavelmente na cadeira almofadada e locomóvel e girou para testar a mobilidade. Ela ficaria de frente para a sala e de costas para a parede. Na sua lateral havia uma janela e a mesa tinha uma divisória em toda sua volta, protegendo seu local de trabalho. — Gostei muito, é confortável e discreto. Obrigada. — Que bom que gostou. Estou confiando em você para me ajudar. Que tal um lanche na confeitaria, para selarmos nosso acordo e falarmos mais a vontade. Clarice sabia que havia escutas na sala e achou uma excelente ideia saírem para um lanche. Poderia contar a ele sobre a gravidez e pedir sigilo. Os dois saíram e a secretária perguntou onde iam e recebeu um olhar gelado em resposta. — Mas o que digo a Dona Noélia, se ela perguntar. Ele não respondeu e foram para o elevador. Clarice percebeu que o casamento parecia não ir bem. — Além da sua falecida filha, o senhor tem outros filhos? — Sim, tenho um filho, ainda é adolescente. — Que bom que tem um herdeiro. — Infelizmente, ele gosta muito de tecnologia e não se interessa em nada pelos negócios da família. Minha filha, sim, se estivesse viva, gostaria da loja e dos negócios. Como ele poderia saber, ela ainda era muito nova, quando sumiu. Especulou ela. Chegaram à confeitaria que ficava próxima e era bem requintada. Entraram e ele pediu um chá da tarde completo, após escolherem uma mesa. Ela ligou o dispositivo bloqueador de escutas, preso em seu pulso como um relógio e iniciou a conversa que queria ter: — Preciso lhe contar uma situação que eu só soube ontem, estou grávida. Primeiro ele ficou surpreso e depois sorriu. — Não sei para você, mas para mim é uma ótima notícia. Devo te dar os parabéns? — Não foi algo desejado, na verdade, eu fui drogada e aconteceu. Espero que o senhor me ajude a manter a discrição sobre o assunto. — Sinto muito que tenha passado por esse constrangimento, seu pai já sabe? — Não, nem faz ideia e como devo passar os próximos meses aqui, espero que ele não venha a saber. — Entendo, pode contar comigo. Não comentarei e nem deixarei que ninguém teça comentários sobre o assunto. — Muito obrigada e pode ficar tranquilo, a gravides não afetará meu trabalho. — Já pensou no que vai fazer quando o bebê nascer? — Ainda não deu tempo. — Os dois riram e ficou por isso mesmo. O serviço de chá chegou e era uma réplica do chá inglês, com doces e tortas maravilhosos, assim como pães e torradas, frios e geleias. — Nossa, que serviço estupendo, percebi que estou com fome. — Então coma, agora você tem que se alimentar muito bem, fique à vontade. Gosto muito do serviço daqui. — disse Ewerton, com um ar melancólico. Logo que Ewerton saiu do escritório com Clarice, Noélia entrou como um furacão, mas chegou atrasada e brigou com a secretária: — Por quê você não me avisou como mandei? — O Sr. Gusmão mandou que eu não dissesse a ninguém… — Acaso eu sou ninguém? Se eu mandei me avisar, você tinha que me obedecer. É ruim, heim? Quem paga o meu salário e pode me demitir é ele. Não estou aqui para ser espiã de mulher ciumenta. Pensou Gladis, a secretária, mas por fora, aparentava submissão e arrependimento. — Desculpa, Dona Noélia. Mas ele deve voltar logo, foram tomar um café. — Aquela mulher pensa que me engana… — murmurou Noélia. — O que disse, senhora? — Nada, Gladis, nada. Noélia saiu batendo os saltos dos sapatos no chão como se marchasse para uma batalha, planejando um contra ataque em sua mente: Deixe estar que, se ele a contratou, vamos comemorar com um champagne especial. Sorriu, maquiavelicamente, achando seu plano perfeito. Ewerton esperou, com Clarice, na calçada, até o carro de aplicativo que pediu para ela, chegasse e ajudou-a a entrar. — Te aguardo amanhã, bom descanso. — Obrigada, Sr. Gusmão, até amanhã. O carro saiu e ele ficou olhando sua traseira se distanciar, sorrindo bobamente. — Ela me lembra tanto a minha Clarice, até o nome é o mesmo. Grávida! Estou me sentindo um avô sortudo. Mesmo você sendo uma pedra no meu sapato, Dietrich, eu te invejo profundamente. Voltou para o escritório, sabendo que teria que enfrentar a fúria de sua mulher. Casou com Noélia em um período difícil de sua vida, quando perdeu a esposa e ficou sozinho com uma filha para criar. Noélia foi seu porto seguro, quando ele teve um mal súbito pelo sumiço de sua filha. Infelizmente, tudo mudou quando descobriu que foi culpa dela, o desaparecimento de Clarice. Era justificável o ciúme excessivo e sua forma de agir, com cobranças e vigilância constante. Como se não bastasse, as vendas caíram e os lucros também, não só da loja, como também das distribuidoras de produtos das empresas parceiras. Foi por isso que contratou Clarice, mesmo ela sendo filha de quem é. Chegou em seu escritório e Gladis seguiu atrás: — Sr. Gusmão, Dna. Noélia esteve aqui e saiu bufando. — Não se incomode, porque com ela, eu me entendo. A partir de amanhã, ninguém entra nessa sala sem ser anunciado, principalmente quando eu não estiver. — Sim, senhor, mas ela não vai aceitar. — Noélia tem sido um problema… — murmurou ele, como fez sua esposa, anteriormente. — Amanhã é outro dia, traga os papeis que precisam ser assinados e prepare as pastas para a reunião de amanhã, depois pode ir. — Sim, senhor. Gladis não comentou nada, mas estava quase no fim do expediente e não estava recebendo nenhum bônus por ser dispensada, já que sairia na hora certa. Tratou de fazer o que ele pediu e foi embora, tentando encontrar o pintor bonito que viu mais cedo.Segurando sua mão, Clayton a ajudou a levantar-se e os dois correram para o mar, deixando Vitor com o mais provável novo casal. Naquele trecho de praia não tinha ondas e os dois entraram correndo, sentindo a água quase morna e logo se jogaram. Clayton a levou para uma área onde os dois ficaram cobertos até o peito e começou a beijá-la. Estavam a uma distância da praia em que podiam ser vistos, porém, não o que estavam fazendo. — Você não perde uma oportunidade de me atacar com essas suas mãos grandes, não é? — Quem manda ser tão gostosa? confesse, você adora!— É verdade, fui conquistada pela sua safadeza. — Nossa primeira vez foi bem tórrida e eu sinto muito que tenha sido daquela forma.— Não foi como imaginei a minha primeira vez, mas apesar do incômodo que tive depois, não nego que gostei muito.— Gostou é…? — falou e beijou seu pescoço — hum, tá salgadinha…— Você me deixa louca, sabia? Acho melhor sairmos.— Acho melhor você rodear meus quadris com as pernas.Ela se assusto
Em seguida, vocês sabem o que aconteceu. Infelizmente para Kalymnus e Maritsa, Gusmão estava tão furioso que brigou com sua amante. Maritsa controlava com pulso firme, a máfia da família. Klein, como filho ilegítimo, pensou que estava no controle ou iria assumir, pois achava que as ordens de serviço vinham de seu pai, mas na verdade, era tudo dirigido por Maritsa.“ Quando ela achou que Gusmão estava insistindo demais no espólio, cometendo uma série de desatinos, ela o chamou a atenção e ele não gostou, pois apesar de se amarem e estarem juntos há muito tempo, cada um tinha sua personalidade forte e controlava um negócio poderoso do submundo.“ Essa briga e afastamento, foi a verdadeira derrocada deles, deixaram pontas soltas e fios conectados a dark web que Clarice descobriu. Agora estão todos presos e os capos que seguiam Maritsa, também. Todos utilizavam os imóveis de Clarice, com a anuência de Gusmão, que além de servir de testa de ferro pelos imóveis, fazia todo o transporte das
Clayton ficou calado e pensativo por um instante, digerindo a informação e só então, comentou:— Isso é realmente extraordinário, não costumo deixar rastro ou pontas soltas.— Realmente, foi muito difícil chegar até aqui, mas foi muito útil. Nós não tínhamos uma direção para seguir e quando cheguei e conversei com Cornélio, ele me mostrou tudo que tinha e eu mostrei o que nós tínhamos para ele e assim chegamos a um denominador comum. — Esse denominador seria a família de Emílio Dietrich? — perguntou Clarice.— Sim, mas cruzamos com um caso paralelo, você Clarice. A necessidade deles de conquistar o seu espólio misturou-se com o sequestro das modelos e assim, foi difícil encontrarmos uma direção única.Clarice estranhou, para ela, estava tudo interligado. Pois os sequestros e leilões praticados por Emílio e Klein, eram feitos nos imóveis de seu espólio, então, ela pensou que era o grande interesse deles, nela, poder usufruir dos imóveis sem ter a preocupação dela aparecer e reivindica
Clarice teclava rapidamente em seu tablet. Juntou todas as informações em uma pasta, enviou para Cornélio e para o delegado da polícia federal que cuidava do caso. Tinham criado um canal seguro para comunicação, preparado por Clayton, que entendia bem de segurança cibernética.Instalaram uma rede de firewalls e seria praticamente impossível passar por eles. Quando terminou a operação, ela fechou o tablet e os olhos, recostou-se na poltrona, suspirando aliviada.Não concebia o fato de seu próprio pai estar a traindo. Questionava se também foi ideia dele, Noélia ter sumido com ela. — Será que tudo que ele me contou foi mentira?Clayton olhou para ela sem saber o que dizer para consolá-la.— Não pense demais, ok?— É difícil, desde que vi aquelas fotos, não consigo parar de pensar no quanto eles foram sórdidos. Quem faz uma coisa assim, não tem sentimentos pelos outros. Eles enganaram todos, o tempo todo.— Todos não, Emilio sabia e no final, Cornélio perseguiu a pessoa errada, mas que
— Sim, senhorita. Aqui está o convite, a senhora só precisa entrar em contato e tomar ciência sobre a proposta. Está tudo explicado aí.— Obrigada.Com tudo devidamente legalizado, os dois deixaram o local e deram de cara com Maritsa e Kalymnos. Clarice deu um sorriso largo, como se estivesse muito contente em encontrar a amiga/prima/perseguidora.— Olá! Que surpresa encontrá-los aqui.As duas mulheres vestiam casacos de pele com capuz, calças acolchoadas e botas de cano longo. As mãos estavam calçadas em luvas de lã e enfiadas nos bolsos. Nenhuma das duas se prontificou a abraçar a outra por causa do frio.— Parece que estamos perdidos neste mundo de neve e frio, não é mesmo? — comentou Maritsa.— Sim, não vejo a hora de ir embora, mas o que vocês fazem por aqui? Também vieram recadastrar algum terreno ou imóvel? — perguntou Clarice, sendo direta como sempre.— Sim, temos uns terrenos que o governo está interessado. Parece que descobriram um depósito de nióbio muito grande e estão ne
Dispensando os policiais, voltou a entrar e ordenou aos dois seguranças para revezarem em vigiar o homem no hospital e o interrogarem quando derretesse. Voltou para a cama, podia dormir mais um pouco grudadinho em sua mulher. Já tinha uma ideia de quem tinha sido o responsável.Ao acordarem, cinco horas depois, o hotel enviou um café da manhã completo como desculpas pelo que aconteceu. Clarice levantou-se e tomou logo um banho para aquecer seu corpo, voltando já arrumada para a saleta, onde aproveitou bem toda a comida que receberam.Enquanto ela comia, Cleyton contou o que descobriram:— O advogado deve ter contado que não estava mais com o espólio e como ainda não o registramos…— Clarice nem precisou terminar de falar.— Por isso vamos logo resolver isso e ir embora, ou precisaremos de mais John’s conosco.Clayton falou e logo em seguida foi se arrumar. Não demoraram arrumando suas coisas, pretendiam partir assim que resolvessem tudo. Por precaução, Clarice guardou a pasta com a do







