LOGINO próximo passo era uma entrevista de emprego que ela iria no escritório da empresa do Gusmão, que ficava no segundo andar da empresa de moda administrada por Noélia. Essa, ele tinha que ver, já tinha colocado escutas e câmeras no local e montou um esquema de pintor de fachada para estar lá na hora marcada.
O dia seguinte amanheceu ensolarado, Clarice acordou e correu para banheiro. Depois de regurgitar o que tinha no estômago, levantou-se, fez sua higiene e vestiu uma roupa simples, calça jeans e camiseta. — Hora essa! Não fecha, também não posso forçar. — resmungou olhando para o fecho da calça. Olhou o guarda roupas e escolheu um dos poucos vestidos soltos que tinha. Decidiu sair e comprar roupas largas na tentativa de disfarçar, o máximo possível, mas não enganaria seu pai. Antes, passaria na clínica e faria os exames que o médico pediu. Bebeu um chá, tomou o remédio para enjoo, os suplementos e saiu. Nem olhou o computador, que era seu costume, precisava providenciar a roupa para a entrevista e para os próximos dias de trabalho, depois compraria pela internet. Andou pelas ruas em direção a clínica e depois seguiu para o shopping, onde descobriu uma boa loja de roupas para o trabalho, foi quando sentiu-se observada. Parou em uma vitrine e pelo reflexo, olhou em volta, mas não avistou ninguém e continuou. — O que ela está fazendo? Clayton observava Clarisse com um binóculo, desde que ela saiu de casa. Ficou esperando que ela abrisse o celular para se falarem, mas ela saiu apressada e ele quase não a viu. Pegando sua caneca com café, foi até a janela da sala e olhou para o apartamento dela, percebendo que ela fechou a porta e saiu. Quando apontou na calçada, percebeu que ela estava de vestido florido, totalmente diferente das roupas que costumava usar. Franziu a testa, pensativo, e pegou o binóculo para ver para onde ela iria. Infelizmente, ela chegou em um ponto que ele não conseguiu mais observar e ela quase o descobriu. Se ela olhasse para trás e para o alto, teria visto ele com um binóculo. Achou melhor se arrumar e ir para o trabalho que arranjou para poder ver a entrevista de trabalho. Queria estar atento para que Noélia não aprontasse nada com ela. Terminou seu café, travestiu-se de pintor de parede com um gorro na cabeça e saiu. Uma hora e meia depois, Clarice voltou para casa carregando várias sacolas. Sua entrevista era às 15 horas e ela teve tempo de organizar as roupas, almoçar, conferir os e-mails e almoçar. Não havia nada que a preocupasse nos e-mails. Seu apoio avisou que estaria observando e quando chegou a hora marcada, ela saiu de casa e pegou um táxi. Vestia um terninho, com a calça própria para gestante. Era muito discreto e elegante, disfarçando perfeitamente seu estado e o melhor é que duraria um bom tempo. Chegou em frente ao prédio e ela desceu do carro. Percebeu o andaime na frente do prédio e um pintor sobre ele. Passou na lateral, tomando cuidado para não ter sua roupa nova, respingada de tinta. Mas o pintor desatento, deixou o rolo escorrer e quase pingar nela. — Hei! Preste atenção. — reclamou ela. Clayton ao perceber o táxi parando, observou-a descer e estava tão linda, que ele ficou parado, olhando e a tinta escorreu do rolo e pingou, quase caindo sobre ela. Se a atingisse, estragaria o seu look. Ele despertou com a chamada dela, puxou logo o rolo de tinta, pousando-o no prato. Fixou os olhos verdes nela e desculpou-se: — Mil desculpas, senhorita, sua beleza me paralisou. — Então, você quase me sujou de tinta e a culpa é minha? Com licença, tenho hora marcada. — continuou andando, tomando o cuidado de desviar da mancha de tinta no chão. Ele viu a mancha e pegou o material para limpar, antes que ficasse pior. — Só não reclame de mim para o patrão, ainda tenho três dias para te acompanhar. Do lado de dentro da loja, na recepção, Clarice identificou-se e recebeu um crachá de visitante. Chegou ao segundo andar e foi recebida pela secretária, que a olhou surpresa com a elegância da candidata. — O presidente logo irá atendê-la. — Avise que eu já cheguei, por favor. A secretária ficou séria e com raiva. “ Quem ela pensa que é para me dar ordens.” Pensou. — Não sou candidata a um cargo, senhorita, sou prestadora de serviço, não tenho tempo a perder. — Sim, senhorita. — Mesmo não gostando, a secretária teve que engolir. Pegou o telefone interno e avisou o CEO, que para sua surpresa, veio pessoalmente receber a mulher elegante e de nome pomposo: Dietrich. — Olá, senhorita Dietrich, seja bem vinda. — disse ele estendendo a mão. — Como vai, senhor Gusmão? Pode me chamar de Clarice. — Você tem a idade da minha filha, se estivesse viva. Na verdade, é muito parecida com ela. Mas vamos entrar e falar de negócios. — Sim, claro. Os dois entraram na sala iluminada e a primeira coisa que ela viu pela janela, foi a figura do pintor. Desviou o olhar para não se aborrecer, pois deu de cara com os olhos verdes fitos nela e um sorriso de lado, zombeteiro em seu rosto. — Não ligue para o pintor, ele não consegue ouvir nada. Sente-se. — ofereceu a ela a cadeira acolchoada de frente a sua mesa e foi para sua poltrona. — Creio que o senhor deve ter um bom motivo para querer uma auditoria em sua empresa. — Sim. Estou vendo um vazamento de verbas e sei bem do que estou falando, só não consigo ver onde está a brecha. — O senhor pode confiar que manterei toda a descrição possível. Do lado de fora, ouvindo a conversa pelo fone de ouvido via bluetooth, Clayton sorriu. “ Ela é uma boa mentirosa, isso sim.” Pensou ele. — Se você não se incomodar, mandei preparar aquela ponta da sala para você tra. Não quero nem a minha esposa olhando seu trabalho e daqui posso controlá-la. — Entendo. Como nós já acordamos tudo pela internet, creio que só falta assinarmos o contrato e eu conhecer a minha mesa de trabalho. — Sim, aqui está — passou uma pasta para ela —, fique à vontade para conferir.Segurando sua mão, Clayton a ajudou a levantar-se e os dois correram para o mar, deixando Vitor com o mais provável novo casal. Naquele trecho de praia não tinha ondas e os dois entraram correndo, sentindo a água quase morna e logo se jogaram. Clayton a levou para uma área onde os dois ficaram cobertos até o peito e começou a beijá-la. Estavam a uma distância da praia em que podiam ser vistos, porém, não o que estavam fazendo. — Você não perde uma oportunidade de me atacar com essas suas mãos grandes, não é? — Quem manda ser tão gostosa? confesse, você adora!— É verdade, fui conquistada pela sua safadeza. — Nossa primeira vez foi bem tórrida e eu sinto muito que tenha sido daquela forma.— Não foi como imaginei a minha primeira vez, mas apesar do incômodo que tive depois, não nego que gostei muito.— Gostou é…? — falou e beijou seu pescoço — hum, tá salgadinha…— Você me deixa louca, sabia? Acho melhor sairmos.— Acho melhor você rodear meus quadris com as pernas.Ela se assusto
Em seguida, vocês sabem o que aconteceu. Infelizmente para Kalymnus e Maritsa, Gusmão estava tão furioso que brigou com sua amante. Maritsa controlava com pulso firme, a máfia da família. Klein, como filho ilegítimo, pensou que estava no controle ou iria assumir, pois achava que as ordens de serviço vinham de seu pai, mas na verdade, era tudo dirigido por Maritsa.“ Quando ela achou que Gusmão estava insistindo demais no espólio, cometendo uma série de desatinos, ela o chamou a atenção e ele não gostou, pois apesar de se amarem e estarem juntos há muito tempo, cada um tinha sua personalidade forte e controlava um negócio poderoso do submundo.“ Essa briga e afastamento, foi a verdadeira derrocada deles, deixaram pontas soltas e fios conectados a dark web que Clarice descobriu. Agora estão todos presos e os capos que seguiam Maritsa, também. Todos utilizavam os imóveis de Clarice, com a anuência de Gusmão, que além de servir de testa de ferro pelos imóveis, fazia todo o transporte das
Clayton ficou calado e pensativo por um instante, digerindo a informação e só então, comentou:— Isso é realmente extraordinário, não costumo deixar rastro ou pontas soltas.— Realmente, foi muito difícil chegar até aqui, mas foi muito útil. Nós não tínhamos uma direção para seguir e quando cheguei e conversei com Cornélio, ele me mostrou tudo que tinha e eu mostrei o que nós tínhamos para ele e assim chegamos a um denominador comum. — Esse denominador seria a família de Emílio Dietrich? — perguntou Clarice.— Sim, mas cruzamos com um caso paralelo, você Clarice. A necessidade deles de conquistar o seu espólio misturou-se com o sequestro das modelos e assim, foi difícil encontrarmos uma direção única.Clarice estranhou, para ela, estava tudo interligado. Pois os sequestros e leilões praticados por Emílio e Klein, eram feitos nos imóveis de seu espólio, então, ela pensou que era o grande interesse deles, nela, poder usufruir dos imóveis sem ter a preocupação dela aparecer e reivindica
Clarice teclava rapidamente em seu tablet. Juntou todas as informações em uma pasta, enviou para Cornélio e para o delegado da polícia federal que cuidava do caso. Tinham criado um canal seguro para comunicação, preparado por Clayton, que entendia bem de segurança cibernética.Instalaram uma rede de firewalls e seria praticamente impossível passar por eles. Quando terminou a operação, ela fechou o tablet e os olhos, recostou-se na poltrona, suspirando aliviada.Não concebia o fato de seu próprio pai estar a traindo. Questionava se também foi ideia dele, Noélia ter sumido com ela. — Será que tudo que ele me contou foi mentira?Clayton olhou para ela sem saber o que dizer para consolá-la.— Não pense demais, ok?— É difícil, desde que vi aquelas fotos, não consigo parar de pensar no quanto eles foram sórdidos. Quem faz uma coisa assim, não tem sentimentos pelos outros. Eles enganaram todos, o tempo todo.— Todos não, Emilio sabia e no final, Cornélio perseguiu a pessoa errada, mas que
— Sim, senhorita. Aqui está o convite, a senhora só precisa entrar em contato e tomar ciência sobre a proposta. Está tudo explicado aí.— Obrigada.Com tudo devidamente legalizado, os dois deixaram o local e deram de cara com Maritsa e Kalymnos. Clarice deu um sorriso largo, como se estivesse muito contente em encontrar a amiga/prima/perseguidora.— Olá! Que surpresa encontrá-los aqui.As duas mulheres vestiam casacos de pele com capuz, calças acolchoadas e botas de cano longo. As mãos estavam calçadas em luvas de lã e enfiadas nos bolsos. Nenhuma das duas se prontificou a abraçar a outra por causa do frio.— Parece que estamos perdidos neste mundo de neve e frio, não é mesmo? — comentou Maritsa.— Sim, não vejo a hora de ir embora, mas o que vocês fazem por aqui? Também vieram recadastrar algum terreno ou imóvel? — perguntou Clarice, sendo direta como sempre.— Sim, temos uns terrenos que o governo está interessado. Parece que descobriram um depósito de nióbio muito grande e estão ne
Dispensando os policiais, voltou a entrar e ordenou aos dois seguranças para revezarem em vigiar o homem no hospital e o interrogarem quando derretesse. Voltou para a cama, podia dormir mais um pouco grudadinho em sua mulher. Já tinha uma ideia de quem tinha sido o responsável.Ao acordarem, cinco horas depois, o hotel enviou um café da manhã completo como desculpas pelo que aconteceu. Clarice levantou-se e tomou logo um banho para aquecer seu corpo, voltando já arrumada para a saleta, onde aproveitou bem toda a comida que receberam.Enquanto ela comia, Cleyton contou o que descobriram:— O advogado deve ter contado que não estava mais com o espólio e como ainda não o registramos…— Clarice nem precisou terminar de falar.— Por isso vamos logo resolver isso e ir embora, ou precisaremos de mais John’s conosco.Clayton falou e logo em seguida foi se arrumar. Não demoraram arrumando suas coisas, pretendiam partir assim que resolvessem tudo. Por precaução, Clarice guardou a pasta com a do







