LOGIN— Vou ser bem direta com você! — continuou Melissa, sem apagar o sorriso sarcástico do rosto. — Naquela noite, eu coloquei uma substância no seu vinho e, por pura diversão, arrumei dois homens para que você pudesse satisfazer o seu desejo mais profundo. Mas quem diria que você seria tão imprevisível? Acabou errando o caminho, entrou no quarto de um completo desconhecido e, sem cerimônia alguma...
Melissa fez uma pausa dramática, o olhar carregado de pura malícia e desdém, desfrutando do choque estampado na face de Amara. — E o Asllan acabou sendo gentil até demais! Ele temia que a sua mente frágil não suportasse a verdade e, por isso, preferiu mentir dizendo que tinha sido ele a passar aquela noite com você. Ao ouvir cada revelação, Amara sentiu o sangue ferver em suas veias. Cada frase dita por Melissa funcionava como uma lâmina afiada rasgando o seu peito, destruindo qualquer réstia de ilusão que ainda sustentava. Sem conseguir conter o vendaval de emoções que a tomou por inteiro, ela avançou e agarrou o pulso de Melissa com força, o rosto queimando de dor e indignação. — Por que você fez isso comigo? Por quê?! — Amara vociferou, a voz trêmula pela comoção. — Você já não me causou sofrimento o suficiente durante toda essa vida? No primeiro instante, Melissa ergueu a sobrancelha com um brilho de raiva, prestes a reagir. No entanto, ao olhar por cima do ombro de Amara, percebeu a aproximação de Asllan. Com a precisão e a frieza de uma atriz veterana em cena, transformou o semblante no mesmo segundo. O olhar maldoso deu lugar a uma expressão delicada e falsamente arrependida, enquanto ajustava o tom de voz para soar vulnerável: — Amara... eu sei que errei. Se você quer me bater ou gritar comigo, por favor, faça isso. Mas não culpe o Asllan Anbrósio... ele só tentou proteger você... Amara congelou no mesmo instante em que ouviu aquele nome ser pronunciado de forma tão mansa. O seu corpo inteiro ficou rígido como pedra. Com os olhos marejados pelas lágrimas de dor, ela girou devagar e encontrou o olhar duro de Asllan. Antes que Amara pudesse esboçar qualquer reação ou explicação, Melissa projetou o próprio corpo para trás em um movimento teatral e exagerado, soltando o pulso e desabando sobre o asfalto na pose perfeita de quem acabara de ser violentamente empurrada. — Asllan! — Melissa exclamou com a voz embargada, enquanto lágrimas perfeitamente calculadas começavam a escorrer por suas bochechas. — O que você está fazendo aqui? Paralisada pela cena absurda, Amara mal pôde processar a situação antes que a voz fria e tomados de clara reprovação de Asllan soasse logo atrás dela: — Amara, o que você pensa que está fazendo? Sem conseguir acreditar naquilo que seus próprios ouvidos escutavam, Amara assistiu, em choque, Asllan passar direto por ela sem ao menos checar seu estado. Ele se ajoelhou ao lado de Melissa para ajudá-la a se levantar do chão, envolvendo-a com um cuidado minucioso e protetor, como se estivesse manuseando o mais frágil e precioso dos tesouros. — Melissa, você está bem? Machucou-se? — ele perguntou com extrema suavidade, ignorando por completo a presença e o estado emocional de Amara. — Sim... eu estou bem — murmura Melissa com um tom doce e submisso, encostando a cabeça com carinho contra o peito de Asllan. — Só me preocupo de verdade com a Amara. Eu sei que fui impulsiva ao tentar conversar com ela, mas só queria ajudá-la a encontrar o caminho certo... A onda de raiva e frustração que tomou conta de Amara atingiu o limite absoluto. Ela sabia que havia algo profundamente errado em toda aquela história, mas jamais imaginara que a crueldade e a falsidade de Melissa pudessem alcançar níveis tão sombrios. — Asllan... — a voz de Amara saiu falhada, quebrada pelo peso do desgosto. — Você sabia disso tudo? Sabia o tempo todo? Asllan soltou um suspiro longo e pesado antes de encarar Amara de frente. Sem demonstrar qualquer hesitação, começou a falar sobre o passado dos dois. Lembrou como haviam crescido juntos e como, com o passar dos anos, percebeu que havia se apaixonado por Melissa, lutando em silêncio contra os próprios sentimentos para não magoar a família. Discursou sobre o choque que sentira ao descobrir a gravidez de Amara e sobre o fardo imenso da culpa que vinha carregando nas costas desde então. — Amara, eu sinto muito por tudo — disse ele, com uma formalidade distante que cortava a alma. — No entanto, eu não posso me casar com você. E isso não é por causa daquela noite infeliz ou por conta dessa criança que você carrega, mas sim porque eu não posso decepcionar a sua irmã. Eu não quero e não vou continuar enganando os meus próprios sentimentos. Aquelas palavras soaram no ar como uma sentença final e irreversível. Amara ainda tentou buscar algum argumento, mas, ao olhar para os dois unidos à sua frente, percebeu que não restava mais nada a ser dito. Melissa havia conseguido tirar tudo o que lhe pertencia: sua paz, sua estrutura familiar, sua identidade e, agora, até mesmo o homem que ela acreditava amar. Sem dizer mais uma única palavra, Amara deu as costas aos dois e caminhou em direção à rua. Sentia o peito tão apertado que respirar se tornara uma tarefa dolorosa, enquanto sua mente girava em um turbilhão descontrolado de memórias e desilusões. Ela nem sequer percebeu quando pisou no asfalto. Enquanto atravessava a faixa de pedestres com os passos pesados e o olhar perdido no vazio, o som estridente e agudo de freios cantando desesperadamente encheu o ar. O impacto violento a projetou para o alto, fazendo o mundo girar em um borrão confuso de imagens e cores ao seu redor. Conforme desabava contra o chão e uma dor insuportável começava a se alastrar por cada centímetro de seu corpo, a realidade ao redor foi se tornando cada vez mais distante e nublada. Ela ainda pôde ver vultos e rostos conhecidos se aproximando às pressas, mas não sentiu qualquer tipo de conforto ou alívio ao reconhecê-los. O sangue quente e denso escorria lentamente por sua testa, embaçando por completo a sua visão. No meio do caos e dos gritos desesperados por socorro que ecoavam pela rua, a consciência de Amara foi se apagando aos poucos, até ser completamente engolida por uma escuridão profunda e silenciosa.À noiteDepois de deixar Amara e Théo no apartamento, Pitter não voltou imediatamente para casa.Em vez disso, ligou para Pietro e marcou um encontro em um bar.Pietro chegou ainda incrédulo.— Você me chamou para beber? Eu achei que estava alucinando!Sob a luz baixa e dourada do ambiente, o rosto de Pitter permanecia parcialmente oculto nas sombras. Ele segurava o copo, mas não bebia.Houve um longo silêncio antes que finalmente falasse:— É possível?— Possível? — Pietro franziu a testa. — Possível o quê?Pitter demorou alguns segundos antes de responder:— Amara… pode ter se apaixonado por outra pessoa.Pietro arregalou os olhos.— O quê?! Quem?!Pitter respirou fundo.— Por mim.Pietro quase cuspiu a bebida que havia acabado de engolir.— Espera… o quê?! Por que você acha isso?— Eu não tenho certeza. — Ele fez uma pausa. — Mas parece.Pietro coçou a cabeça, tentando organizar os pensamentos.— Cara… aconteceu alguma coisa hoje?Um leve vinco formava-se entre as sobrancelhas de P
No dia seguinte à premiação, o mundo da moda estava em chamas.Todas as manchetes destacavam o inesperado vencedor do Prêmio de Ouro. O “azarão” que surgira do nada havia dominado os holofotes.E, como sempre, a imprensa não teve piedade.Além de enaltecer o misterioso designer A, os jornais exploraram com intensidade a constrangedora situação de Divã. Uma das fotos mais divulgadas mostrava-o levantando-se da cadeira, convicto de que subiria ao palco para receber o prêmio — apenas para ter o nome de outro anunciado logo em seguida.A imagem tornou-se símbolo da noite.As manchetes gritavam:[Nova estilista conquista o Golden Award: uma jovem garota?][Divã derrotado — o fim de sua era?][Azarão rouba a cena no Prêmio de Ouro][Quem está por trás do Spirit Studio?]A repercussão era muito maior do que simples fofoca. Tratava-se de uma possível mudança de poder na indústria.---Na Vila PalaceEra fim de semana, e Pitter havia decidido tirar o dia de folga.Amara prometera levar Théo ao
O presidente permanecia de pé no centro do palco, irradiando uma autoridade que dominava o ambiente. Sua presença por si só bastou para silenciar parte da multidão, que ainda murmurava inquieta.— Design de moda… — alguém sussurrou, quase como um lembrete.O presidente captou o comentário e o transformou em argumento.— Exatamente. Este é um prêmio de design de moda — declarou com firmeza. — O que está sendo avaliado aqui não é a modelo, nem os materiais utilizados, muito menos o renome do criador. O que importa são as ideias. A criatividade. A inovação.Ele percorreu o auditório com um olhar penetrante.— O Prêmio de Ouro seleciona o melhor designer. Não o modelo mais bonito, nem os tecidos mais caros, tampouco o profissional mais famoso. Se esses fossem os critérios, qualquer pessoa com dinheiro poderia se tornar estilista. E então, digam-me: por que vocês estariam aqui? Apenas como decoração?Seu tom era cortante, carregado de um sarcasmo implacável. Ninguém ousava sustentar seu ol
— Dez pontos! A pontuação do nosso último participante é… dez pontos! — o apresentador quase gritava de entusiasmo. — Meu Deus! São mesmo dez pontos! Até o nosso jurado mais rigoroso concedeu nota máxima! Isso é simplesmente inacreditável! Temos um verdadeiro azarão surgindo no último momento!O auditório estava em ebulição.Mari levantou-se de um salto e abraçou Rick Melgar com força, sem conter as lágrimas.— Dez pontos! São dez pontos! Isso é surreal! Rick, você é extraordinário! A partir de hoje, sou sua fã incondicional!Rick mal conseguia manter-se de pé, mas seus olhos brilhavam com uma emoção contida.Amara aproximou-se e deu um leve tapa orgulhoso em seu ombro.— Meu bebê, você é incrível.Ela dizia aquilo com uma mistura de brincadeira e admiração genuína — mas seus olhos estavam marejados.O apresentador retomou a palavra, ainda vibrando:— Após inúmeras rodadas de competição intensa, temos oficialmente o vencedor do Prêmio de Ouro! Convidamos agora o nosso último participa
Amara não sabia se ria ou se lamentava.Ser talentoso demais também podia ser uma maldição.O trabalho de Rick Melgar não apenas possuía um tema sólido e coerente, como também exaltava a cultura de forma sofisticada — exatamente o tipo de proposta que os jurados costumavam premiar em eventos de grande prestígio. Com uma equipe competente, tecidos raros e acabamento impecável, era natural que tivesse conquistado tanta admiração.Os aplausos no auditório tornavam-se cada vez mais intensos.Metade da plateia levantou-se para aplaudir Luís Divã e Melissa. Repórteres se acotovelavam, câmeras erguidas, ansiosos para registrar o momento em que ele subiria ao palco para receber o cobiçado prêmio.Radiante, Divã levantou-se e agradeceu com elegância ensaiada:— Vocês me honram demais. Este resultado é fruto do esforço de toda a equipe… — fez uma pausa calculada — especialmente da minha chefe, Srta. Melissa. Sem ela, não existiria o Luís Divã que vocês veem hoje.Melissa sorriu com delicadeza e
Amara simplesmente fechou os olhos.Estava exausta — não fisicamente, mas emocionalmente. Cansada de desperdiçar até mesmo um segundo com aquelas pessoas.Laíza Janee segurou Melissa pelo braço e a conduziu em direção aos assentos VIP.— Esqueça ela. Quem vai passar vergonha é ela, não nós. — Seu tom era carregado de desprezo. — Ainda não acredito que teve coragem de aparecer aqui. Será que ao menos sabe o que é moda?Melissa lançou um olhar cauteloso na direção de Amara.— Talvez ela tenha realmente recebido um convite…Laíza rebateu imediatamente, convicta:— Impossível! Esses convites são disputadíssimos. Até minha mãe precisou implorar para conseguir um. Foi por pouco que consegui vir com você!Ela cruzou os braços, irritada.Melissa, então, comentou de forma calculada:— O relacionamento dela com Pietro parece ser muito próximo…O semblante de Laíza endureceu.— Duvido muito. Se Pietro realmente quisesse, teria garantido para ela um lugar na primeira fila VIP. Então por que está







