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Capítulo 8: ...Mas Você não é Gay?

last update Fecha de publicación: 2024-12-13 23:22:46

Amara sentia como se estivesse completamente presa em um sonho surreal. Ela encarava o homem à sua frente - aquele Pitter Rideel de expressão impenetrável, que acabara de proferir palavras tão impactantes quanto absurdas. Levemente tonta, segurou a testa com uma das mãos e balbuciou, visivelmente incrédula:

- Doutor... Onde é que está o médico responsável? Acho que bati a cabeça com muita força na queda e danifiquei o meu cérebro. Devo estar alucinando de febre...

Ao lado da cama, Pietro mantinha uma expressão igualmente confusa, embora já deixasse escapar uma ponta de genuína diversão diante da cena:

- Pois olha, eu nem cheguei a cair no chão, mas também estou começando a achar que sofri algum tipo de dano cerebral severo aqui.

Por mais resiliente e forte que Amara fosse - tendo enfrentado todo tipo de adversidade e dor emocional ao longo dos últimos anos -, nem mesmo toda a sua preparação de vida a deixara pronta para digerir aquele momento. Salvar o pequeno Théo já parecia ter sido um evento extraordinário por si só, mas agora o pai do garoto queria retribuir o favor... oferecendo o próprio corpo em casamento?

Se a proposta viesse de qualquer outra pessoa, talvez ela pudesse interpretar aquilo como uma declaração romântica ou uma investida inusitada. Contudo, tratava-se de Pitter Rideel! Aquele homem de postura intocável e aura inalcançável, que certamente já havia cruzado o caminho das mulheres mais belas e influentes do planeta.

- O senhor... por acaso não é gay? - a pergunta acabou escapando de seus lábios antes que ela pudesse conter os pensamentos que fervilhavam em sua mente.

A indagação pairou no ar do quarto de hospital como a explosão de uma bomba.

Pietro caiu na gargalhada no mesmo instante, rindo tão alto e com tanta vontade que parecia que toda a estrutura do andar tremia com o som. Já a expressão de Pitter fechou-se completamente, adquirindo a tonalidade sombria e opaca de uma tempestade iminente prestes a desabar.

- Se o meu irmão fosse gay - disse Pietro entre gargalhadas, fazendo pausas dramáticas para conseguir recuperar o fôlego -, de onde é que você acha que o Théo teria surgido, moça?

- Bem... uma barriga de aluguel? Uma fertilização in vitro? Inseminação artificial? - sugeriu Amara, adotando um tom defensivo, mas inevitavelmente provocador.

Pietro estava se divertindo muito mais do que deveria com aquele diálogo sem filtro:

- Se ele fosse gay, por qual razão diabos iria querer recompensar você oferecendo o próprio corpo?

- Talvez... justamente para tentar esconder a orientação verdadeira dele da imprensa? - ela rebateu, encarando Pietro de forma desafiadora.

A risada escancarada de Pietro transformou-se instantaneamente em uma crise de tosse descontrolada, enquanto ele tentava desesperadamente puxar o ar de volta aos pulmões.

- Céus! Esse tipo de pensamento é pesado demais até para o meu padrão. Eu sei perfeitamente que sou atraente para homens e mulheres, mas...

Nesse exato instante, o próprio centro daquela tempestade, Pitter Rideel, levantou-se com extrema lentidão de sua cadeira junto à janela. Suas pernas longas e firmes avançaram em direção à cama, e cada passo dado parecia carregar uma carga ainda mais intimidante do que o anterior.

- Pietro, leve o Théo para fora do quarto agora - ordenou ele, com um tom de voz cortante e frio.

Pietro piscou os olhos, subitamente confuso e surpreso:

- Irmão... o que é que você está planejando fazer?

Pitter não respondeu de imediato. Ele apenas ajeitou calmamente o punho de sua manga de camisa, em um movimento milimetricamente calculado que fez com que Amara recuasse o corpo para trás no leito no mesmo segundo.

- Eu vou provar a minha verdadeira orientação sexual para a Srta. Amara neste exato momento.

A expressão totalmente gélida no rosto dele fez o coração de Amara disparar contra o peito.

- Espere! Sr. Pitter, por favor, isso foi só uma brincadeira sem graça! - disparou ela, o pânico tomando conta. - Eu juro pela minha vida que só ouvi essas bobagens e fofocas por aí! Nem fui eu quem inventou isso! De verdade, o senhor deveria ir atrás das pessoas que espalham esses boatos!

As palavras saíam de sua boca em uma velocidade quase sobrenatural. Sem nem perceber o ridículo da situação, Amara já havia deslizado para o outro lado da cama, escondendo-se atrás da armação do leito, quase engatinhando sobre o colchão para se afastar dele.

- Além disso, eu realmente não preciso de agradecimento nenhum! Se o senhor faz tanta questão de que eu faça um pedido, o meu único pedido é... que não me obrigue a pedir nada! Ah, me desculpe, mas eu preciso ir embora agora mesmo! Tenho uma audição de teste de elenco extremamente importante em breve! Adeus!

Amara disparou todas essas frases quase sem fôlego e preparou-se para saltar da cama e sair correndo pela porta.

No entanto, antes mesmo que conseguisse dar o terceiro passo em direção à saída, a voz fria e firme de Pitter ecoou pelas suas costas, fazendo-a congelar no lugar:

- Eu por acaso já lhe dei permissão para sair deste quarto?

Ela parou no mesmo instante, sentindo as pernas fraquejarem com a pressão daquela ordem. Estava convicta de que aquele seria o seu fim.

Porém, para a sua total surpresa, Pitter apenas se aproximou a passos calmos e estendeu a mão, entregando-lhe uma folha de papel em branco e uma caneta.

- Poderia deixar um bilhete escrito para o Théo antes de ir? Não quero que ele acorde e fique preocupado ao notar que você não está mais aqui.

Era apenas isso? Apenas um bilhete de despedida? Ela havia sobrevivido àquela presença intimidadora!

- Claro! Sem problema nenhum! Escrevo até dez mil palavras se for preciso! - respondeu Amara, soltando um suspiro profundo de alívio e pegando o papel com pressa.

Rabiscou uma mensagem carinhosa para o garotinho em questão de segundos. Assim que terminou e pousou a caneta sobre a mesa, ela praticamente correu em disparada pela porta fora, sem ter a coragem de olhar para trás nem por um segundo.

Do outro lado do quarto, Pitter observou a fuga apressada dela através do vidro da porta com uma expressão indecifrável no olhar - a postura serena de um caçador que acaba de marcar definitivamente a sua presa.

- Irmão... eu estou sonhando ou o quê? - Pietro aproximou-se devagar, com a cara totalmente chocada. - Você gostou mesmo da Amara? Depois de trinta e dois anos sem demonstrar o menor sinal de interesse por ninguém neste mundo, eu já estava começando a achar que você realmente...

Antes que Pietro conseguisse concluir a provocação, Pitter lançou-lhe um olhar tão cortante e ameaçador que o ar no quarto pareceu congelar.

- Cale a boca.

- Sim, senhor! Calado agora mesmo! - Pietro respondeu de prontidão, encolhendo os ombros, embora estivesse visivelmente frustrado por ser obrigado a guardar para si a enxurrada de perguntas que queimavam em sua mente.

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