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A Surpresa na Porta

Author: Taize Dantas
last update publish date: 2025-04-26 00:09:44

Axel

Por algum motivo que eu não conseguia explicar, não havia dúvida dentro de mim. Aquele filho era meu. Eu sentia isso com uma convicção quase irracional, uma certeza que nenhuma prova poderia mudar. Fred, como sempre, tentou me trazer de volta à realidade com sua visão pragmática e cética.

— Axel, você

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    AntonMal havíamos nos separado do beijo quando a porta da frente se escancarou com um estrondo, batendo contra a parede como se tivesse sido aberta por um furacão em salto alto.— Surpresa! — anunciou Anneliese, a voz vibrante ecoando pela casa como um trovão elegante. Ela surgiu no corredor como uma tempestade perfumada de Chanel, vestida impecavelmente com um macacão que era nitidamente caríssimo, os saltos tilintando alto sobre o piso de madeira. — Viemos salvar o casamento!Atrás dela, surgiu Andressa, com os braços ocupados por sacolas de lojas de decoração e revistas de noiva espalhadas em todas as direções. Seus olhos brilhavam com uma animação perigosa.— Trouxemos ideias! — exclamou, como quem carregava segredos mágicos que resolveria todos os nossos problemas em um estalo.No mesmo instante, senti Pietra enrijecer nos meus braços. O corpo dela, até então relaxado e entregue, ficou tenso como uma corda esticada prestes a romper. Um músculo repuxou em sua mandíbula, e seus

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    KimberlyA minha mente não parava de girar em torno do mesmo assunto: Priscila. A mulher que se parecia comigo. A mulher que Axel havia amado, perdido... e talvez, ainda não esquecido. Aquilo doía. E mais do que isso, me fazia questionar tudo.Quando entrei na casa silenciosa, ao retornar do trabalho, Axel ainda não havia retornado do clube. Subi as escadas lentamente, cada degrau mais pesado que o anterior. Entrei no quarto que dividimos nos últimos dias, o mesmo em que tantas vezes nos entregamos, onde confidências foram trocadas e planos sussurrados entre beijos.Sentei na beira da cama, olhando para o vazio. “E se ele não estiver comigo por mim?” A dúvida cravava fundo. “E se eu for apenas a substituta de uma dor mal curada?”Peguei meu celular e abri a galeria de fotos. Lá estavam os momentos recentes: Axel sorrindo com a mão sobre minha barriga, o jantar com Fred e Kathleen, nossos passeios escondidos... Cada imagem parecia dizer que ele estava presente, de corpo e alma. Mas as

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    AntonJantar de domingo na mansão Baumann era algo que já fazia parte da minha existência. Naquela noite, no entanto, eu sentia tudo diferente enquanto observava Pietra do outro lado da mesa, seu riso misturando-se ao de Anneliese enquanto as duas trocavam segredos que faziam até Rebecca corar. Era difícil acreditar que estávamos ali, naquela mesma sala onde tudo havia desmoronado meses atrás, só que agora, cada olhar, cada toque entre nós era um recomeço. — Anton, passa o vinho para sua avó — a voz grave do meu avô me tirou da contemplação. Entreguei a garrafa de Bordeaux para Berenice, que me sorriu com aquela doçura que só ela tinha. — Obrigada, querido. É tão bom ver todos reunidos assim. — Seus olhos ficaram um pouco marejados quando pousaram em Pietra. — E com novidades tão felizes... Pietra baixou os olhos para o copo, mas não conseguiu esconder o sorriso que insistia em aparecer. Minha mão encontrou a dela sob a mesa, nossos dedos se entrelaçando naturalmente. — Axel

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    KimberlyA primeira coisa que senti ao abrir os olhos foi o vazio ao meu lado.O espaço onde Axel deveria estar estava vazio, apenas a marca do corpo dele no colchão como prova de que ele realmente tinha dormido ali. Um aperto no peito me lembrou da noite passada—dos pesadelos dele, do nome que ele gritou no escuro, da distância que colocamos entre nós depois. Eu me sentei na cama, esfregando os olhos com as mãos enquanto tentava organizar o caos dentro da minha cabeça. O sol da manhã entrava suavemente pelas cortinas, iluminando o quarto com uma luz dourada que parecia zombar da confusão dentro de mim. O que eu estou fazendo aqui?Axel tinha me puxado para o turbilhão da vida dele, mas agora eu não sabia mais qual era o meu lugar. Ele tinha sonhado com Priscila de novo. E eu? Eu era só uma substituta conveniente? Alguém que lembrava ele dela o suficiente para confortá-lo, mas não o bastante para apagar o passado? Peguei meu robe jogado sobre a poltrona e comecei a vesti-lo, já

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