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A arte da Descrição

Author: Any L.
last update publish date: 2026-09-04 06:04:46
Katy Nunes

Encontrei a Ana em um restaurante charmoso a duas quadras da agência. Como era meio de semana, ela tinha conseguido uma pausa na rotina intensa do hospital e aproveitamos para almoçar juntas. Escolhemos uma mesa no fundo, perfeita para colocar o papo em dia.

​Assim que sentamos, Ana se encostou na cadeira e me analisou de cima a baixo com aquele olhar clínico de médica e amiga.

​— Certo, dona Katy. Pode soltar tudo. Você está com uma carinha de quem não dormiu quase nada, mas ao
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  • Um brinde ao imprevisto    primeira impressão

    Ana Depois de desligar o telefone com a Katy, inspirei fundo e deixei o celular sobre a mesa da cozinha. A resposta dela ainda ressoava na minha cabeça: o Ian passaria o dia com ela, então eu deveria focar 100% no meu encontro com o Julien.​Sorri sozinha, balançando a cabeça. A Katy conhecia bem a minha rotina. Como médica residente, meu dia a dia costumava ser uma espiral de plantões exaustivos, jalecos amassados e cafés tomados às pressas nos corredores do hospital. Ter um sábado de folga inteiro para mim era um luxo raro — e saber que a Katy estava bem acompanhada pelo Ian me dava a paz de espírito necessária para finalmente desacelerar e me dedicar a mim mesma.​Caminhei até o espelho do corredor e parei por um instante para me encarar. Alta, com meus cabelos loiros, lisos e cortados na altura dos ombros em um chanel moderno, e os olhos verdes bem delineados. Anos de disciplina divididos entre o hospital e a academia garantiam que eu estivesse em boa forma, mas o cansaço dos pla

  • Um brinde ao imprevisto    A Mala e o Cuidado

    Ian Parker ​O dia já tinha começado torto com o trânsito infernal da tempestade da noite anterior, mas ver a Katy empacotada em um sobretudo e cachecol na sala de reuniões fez um alerta soar na minha cabeça. Ela estava impecável na apresentação, perfeita nos números, mas a palidez sob a luz fria da sala não enganava.​Mais tarde, ao passar pelo corredor do setor contábil, fui interceptado por Valentina. Ela ostentava aquele sorriso venenoso de quem achava que tinha um trunfo nas mãos.​— Procurando sua contadora favorita, Ian? — provocou, ajeitando uma pasta. — Se for isso, perdeu a viagem. A Katy estava quase caindo pelas tabelas, morrendo de febre, e foi embora mais cedo. Pelo visto, a tempestade de ontem à noite fez uma vítima.​Valentina me encarou de canto de olho, claramente esperando que eu perdesse o controle, abandonasse a postura profissional e saísse correndo atrás da Katy ali mesmo. Manteve os olhos fixos em mim, buscando qualquer fissura na minha armadura.​Não dei esse

  • Um brinde ao imprevisto    ​O Peso da Tempestade

    Katy Nunes Saí da agência com a cabeça fervilhando. Cheguei em casa, tomei um banho demorado e me deitei, mas o sono simplesmente não vinha. A ansiedade pela reunião do balanço na manhã seguinte fazia meu peito acelerar a cada vez que eu fechava os olhos. Sem paciência para encarar o teto, me levantei, vesti um top, calça legging e tênis de corrida, e decidi ir para a orla. Era noite de quinta-feira, e o movimento suave dos quiosques acesos parecia um convite. Achei que gastar energia me faria finalmente relaxar.​Comecei a correr no calçadão, sentindo o vento noturno. O ritmo era bom, mas de repente o céu simplesmente desabou. Uma chuva torrencial e congelante me pegou em cheio. Em vez de parar, continuei correndo no meio do temporal, usando o caminho de volta para casa para não congelar de vez.​Quando passei pela porta do meu apartamento, já passava de uma da manhã. Arrancando as roupas encharcadas no banheiro, vesti um roupão macio e me joguei na cama, exausta.​Na manhã de sexta

  • Um brinde ao imprevisto    Entre Bastidores e Tempestades

    Ian Parker ​Saí do setor com passos firmes em direção ao elevador e fui direto para a garagem do prédio. O trânsito da quinta-feira à noite estava considerável, mas cheguei ao meu prédio em cerca de vinte minutos.​O silêncio do meu apartamento sempre foi o meu refúgio favorito, mas nos últimos dias a presença do Julien tinha transformado o ambiente. Meu apartamento era o reflexo exato da minha personalidade: linhas retas, arquitetura minimalista, tons de cinza, preto e madeira nobre. A sala ampla era integrada por grandes painéis de vidro de fora a fora, revelando as luzes distantes lá fora, enquanto o mobiliário moderno trazia um ar refinado e impecável. Tudo tinha o seu lugar exato, sem excessos — até o Julien espalhar suas lentes e cases de câmera de couro pela mesa de jantar.​— Achei que você tivesse desistido e me deixado para carregar tudo sozinho — comentou Julien assim que entrei na sala, ajeitando a jaqueta sobre o ombro.​— Tive uns últimos relatórios para assinar antes d

  • Um brinde ao imprevisto    Do outro lado da mesa

    Ian Parker ​Assim que a porta se fechou e os passos da Katy desapareceram pelo corredor, a atmosfera da minha sala mudou drasticamente. A presença dela ainda parecia pairar no ar — o cheiro suave do perfume de baunilha, a faísca nos olhos castanhos quando veio me confrontar sobre a secretária, e aquela postura impecável de profissional que tentava esconder o ciúmes gritante.​Soltei um suspiro pesado, recostando-me na minha cadeira de couro. Eu ainda estava processando a provocação do início da manhã. Ouvir um "Não. Não tenho namorado" saindo da boca dela na cantina, com meia dúzia de funcionários ao redor — incluindo aquele sujeito novo que claramente tentava um movimento —, fez o meu sangue ferver. Mandei a mensagem na hora só para lembrá-la de que eu não pretendia assistir àquilo de camarote.​No entanto, o foco agora era a figura parada à minha frente.​Valentina ajeitou a pasta contra o peito, dando dois passos lentos em direção à minha mesa. O olhar dela alternava entre a porta

  • Um brinde ao imprevisto    Linhas Tenuas

    Katy NunesO silêncio do meu apartamento me recebeu como um abraço cansado. Ian tinha me deixado na porta do prédio e seguido para o seu compromisso com os investidores. Sem um pingo de fome e com a cabeça martelando de apreensão, nem pensei em fazer jantar. A imagem da Valentina na garagem, encostada na pilastra com aquela pasta no peito e os olhos arregalados ao me ver entrar no carro do Ian, não saía da minha mente.​Tomei um banho demorado na tentativa de lavar a tensão do dia, vesti um pijama confortável e me deitei. Fiquei rolando na cama por um tempo, remoendo cada possibilidade do que aquela mulher faria a partir das oito da manhã seguinte. Exausta, terminei pegando no sono.​Na manhã seguinte, acabei de me ajeitar quando o celular tocou na mesa de cabeceira. O nome do Ian brilhou na tela.​— Bom dia, minha baixinha. Estou terminando de me arrumar. Passo aí em dez minutos para te buscar — disse a voz grave do outro lado.​— Bom dia, Ian... Não precisa. Na verdade, é melhor não

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