Masuk《Matteo》
O dia está uma loucura. Estou ajudando minha irmã com os preparativos para a grande inauguração do seu restaurante. Nossa mãe está orgulhosa da pirralha — e, para ser sincero, eu também. Apesar de ter sugerido que ela seguisse Medicina em vez de Gastronomia, Melyssa sempre sonhou em se tornar uma grande chef e abrir seu próprio estabelecimento. Então, aqui estamos nós, transformando esse sonho em realidade. — Eu falei que queria essa mesa ali, e não aqui! — ela reclama, irritada. — Tenho certeza de que você disse lado esquerdo — respondo calmamente. Ela suspira pesadamente e leva a mão à cabeça, demonstrando frustração. — Estou muito nervosa e ansiosa... — Fica calma, vai dar tudo certo — digo, tentando tranquilizá-la. — Parece que não. As coisas estão dando errado! As encomendas atrasaram e... — Relaxa. Nossa mãe já está resolvendo isso com os fornecedores. Só tenta se acalmar, tá bom? Ela me encara por um instante antes de assentir. — Ok... Você tem razão. — Eu sempre tenho — brinco, tentando aliviar a tensão. — Não se ache muito — retruca, dando um soco no meu ombro. Antes que eu possa responder, seu celular toca. Assim que desliga, seu semblante se ilumina. — Nossa mãe conseguiu resolver com os fornecedores? — pergunto. — Não… na verdade, não sei. Mas Wendy disse que Phani já chegou e está no apartamento! — Ela me abraça, animada. Meu corpo enrijece instantaneamente. — Phani voltou? — pergunto, surpreso. Poucos sabem, mas namorei Phani por um ano. Nos conhecemos na época da faculdade. Ou melhor, eu já a conhecia há muito tempo. Ela e minha irmã sempre foram muito amigas. Nossa mãe trabalhava como assistente no escritório do Sr. Carter Miller e, com sua ajuda, conseguiu uma bolsa de estudos para Melyssa em uma das melhores escolas da cidade — onde Phani estudava. Minha mãe pediu que ela ajudasse minha irmã na adaptação e fizesse companhia para ela. Mas Phani fez muito mais do que isso: tornou-se sua melhor amiga. Anos depois, quando Phani terminou o ensino médio, foi minha vez de retribuir o favor. A pedido de Melyssa, ajudei Phani na adaptação à faculdade e cuidei dela. O que eu não esperava era me apaixonar logo de cara. Phani sempre foi bondosa, simpática e educada. Tratava todos como iguais, sem distinção de classe social. Ou, pelo menos, era o que eu pensava… Até que, do nada, ela terminou comigo. Sem explicação. Sem um motivo aparente. Eu ainda tentava entender o que tinha acontecido quando descobri que ela não estava somente comigo. Ela também estava com Pablo. E os dois, em breve, se casariam. — Sim! Estou tão feliz! — Melyssa sorri, sem perceber meu desconforto. Engulo seco. — Ela vem hoje para a sua inauguração? Antes que minha irmã possa responder, o telefone toca novamente. — A mamãe conseguiu resolver! As encomendas acabaram de chegar. Precisam de você nos fundos para receber o caminhão. — Ok, estou indo — digo com certa relutância. — Depois disso, está liberado. Já te explorei demais hoje. — Ainda bem que você sabe — brinco, mas minha mente ainda está presa à notícia que acabei de receber. — Só mais um favor… — Melyssa pede, hesitante. — Passa no apartamento e pega meu vestido? Vou me arrumar aqui no restaurante. Ainda tenho algumas coisas para resolver, e tem uma suíte nos fundos que posso usar. — Tudo bem. Só vou passar em casa antes para me arrumar — respondo, sem nem ao menos questionar. A verdade é que estou ansioso demais para ver Phani novamente, depois de tantos anos.Estou na cozinha preparando o almoço com as meninas, enquanto os garotos dominam a sala com risadas e gritos animados. — Eu não acredito que até o Gang Hee-sik entrou nessa partida — resmunga Wendy, revirando os olhos. Melyssa ri, ajeitando a travessa que segura nas mãos. — Deixa eles, pelo menos estão entretendo as crianças. E realmente estão. Do outro lado da casa, ouvimos as vozes empolgadas de Ha-ri, Tony, Isadora, Chris e Nick em plena torcida, incentivando cada jogada dos pais: — Vai, papai! Vai, papai! Vai, papai! Felipas sorri, cúmplice. — Tenho que concordar com a Melyssa. Wendy, que se casou há cerca de cinco anos, hoje é mãe da pequena Shin Ha-ri, que está com três anos e herdou a mesma energia incansável da mãe. É impossível mantê-la fora de qualquer bagunça — especialmente quando os rapazes organizam suas “competições” com os pequenos. Já Melyssa e Felix se casaram um ano após Matteo e eu, e tiveram Antony pouco tempo depois. Ele já está com cinco anos e,
《Sthephania》 O tempo passou depressa, e agora estou nos últimos instantes da minha gestação. Cada movimento dentro de mim é como uma pequena lembrança de que, em breve, terei meu maior tesouro nos braços. Finalmente decidimos seu nome, após tantas conversas e indecisões: Nickolas Miller Valentim. TãO sonoro, tão perfeito... como se já estivesse destinado a ele desde o início. A casa parece respirar junto comigo. O berço já está montado, delicadamente coberto por lençóis brancos e azuis claros; sobre a cômoda repousam pequenos detalhes escolhidos com tanto carinho — um ursinho de pelúcia, roupinhas dobradas e cheirosas, prontas para envolvê-lo no primeiro abraço fora de mim. Às vezes passo minutos inteiros parada diante daquele quarto, apenas sonhando com a cena de vê-lo ali, dormindo em paz. ——— Acordei lentamente, sentindo o calor do corpo de Matteo junto ao meu. Ele já estava desperto, deitado de lado, a mão repousando sobre minha barriga enorme, como fazia todas as manhãs.
《Matteo》 A cerimônia chega ao fim, e logo somos guiados por minha mãe e pelos fotógrafos para uma sequência interminável de poses. Não paramos um minuto sequer, como se cada clique fosse indispensável para registrar o dia mais feliz das nossas vidas. — Mãe, acho que já deu de fotos. — digo, segurando com firmeza a mão de Phani. — Ela está grávida, precisa descansar um pouco, comer alguma coisa. Mamãe parece despertar de seu entusiasmo e, constrangida, se volta para ela: — Você está certo, filho. Me desculpe, querida, acho que me empolguei. — Está tudo bem. — Phani responde com seu sorriso doce, aquele que sempre consegue desarmar qualquer um. A conduzo até a nossa mesa, mas antes que ela se sente, puxo-a suavemente para o meu colo. Ela envolve meus ombros com os braços e sussurra perto do meu ouvido: — Me conhece tão bem, esse meu esposo… Em seguida, sela meus lábios com um beijo suave, que rapidamente se transforma em algo mais intenso, mesmo diante da festa. — Não
《Sthephania》■ Algumas semanas depois... 🗓Decidimos nos casar antes da chegada do nosso pequeno. Nada grandioso, nem luxuoso demais — apenas uma cerimônia íntima, com alguns amigos e familiares, exatamente do jeito que sempre sonhei. Mel e Wendy se ofereceram para cuidar de cada detalhe, e a senhora Ashley fez questão de ajudar também.E, enfim, chegou o grande dia. Um dos dias mais felizes da minha vida. O dia em que finalmente me tornaria a senhora Valentim. Diante do espelho, respiro fundo e quase não reconheço o reflexo que me encara. O vestido cai com leveza sobre minha barriga já arredondada, meus cabelos estão presos em um penteado delicado, e há um brilho em meus olhos que nem mesmo a maquiagem conseguiu disfarçar. Um sorriso insistente se abre em meus lábios — e sei que ele não vai embora tão cedo.Wendy aparece à porta, cruzando os braços com um sorriso maroto.— Alguém está muito feliz hoje.Rio baixinho, ajeitando a barra do vestido.— Ainda não acredito que vou me casar
《Sthephania》 Voltamos à rotina de nossas vidas. Estou com cinco meses de gestação; minha barriga já começa a se revelar, e nosso pequeno cresce a cada dia. Isso mesmo, pequeno. Descobrimos o sexo há poucas semanas e Matteo ficou tão feliz quanto eu. Passamos horas discutindo nomes. Ele queria chamá-lo de Clark ou Thor. Por sorte, consegui fazê-lo mudar de ideia — acho que devemos pensar com calma, pesquisar significados e escolher algo que carregue mais do que apenas uma boa referência de filme. — — — Abro os olhos lentamente, ainda envolta na névoa suave do sono, e a primeira imagem que encontro é o olhar de Matteo pousado sobre mim. Ele está ali, imóvel, como se quisesse gravar cada traço meu na memória. A luz tênue que atravessa a cortina deixa um brilho dourado em seus cabelos, e por um instante me sinto a pessoa mais sortuda do mundo. — Bom dia, meu anjo — murmuro, sorrindo para ele. O sorriso não se reflete no seu rosto de imediato. Ele continua sério, como se estive
《Selma》 — A senhora é Selma Reinald? — pergunta um deles. — Sim, sou eu mesma. — deixo a voz tremer levemente, encenando preocupação. — Do que se trata? Por dentro, sinto um arrepio de satisfação. Vão me dar a notícia… a doce notícia. Pobre Sthephania… tão jovem, tão frágil. Tão fácil. Pelo menos, era nisso que eu acreditava. — A senhora está presa pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado, formação de quadrilha e associação criminosa. Há provas e depoimentos que a incriminam — declara o policial, enquanto as algemas se fecham com um clique seco em meus pulsos. — Você tem o direito de permanecer em silêncio. Tudo o que disser poderá e será usado contra você no tribunal. Você tem o direito de falar com um advogado e de tê-lo presente durante o interrogatório. Se não puder pagar por um, um advogado será designado para representá-la. — a voz é automática, profissional. A frase ecoa como um estilhaço. O chão parece ceder sob meus pés. Não… não pode ser. Será que Jac







