LOGIN《Sthephania 》
Acordo sobressaltada com o barulho de algo caindo. Ainda sonolenta, abro os olhos e vejo Matteo xingando baixinho um móvel contra o qual bateu, derrubando algumas coisas no processo. Meu coração dá um salto. Eu já havia visto algumas fotos dele no perfil da Mel, mas, pessoalmente, a diferença era gritante. Ele tirou os óculos, ganhou ainda mais músculos — não que antes não tivesse, mas agora estavam ainda mais definidos. O cabelo, que antes caía até os ombros, foi cortado curto, e uma barba rala delineava seu rosto. Embora eu adorasse seus cabelos longos, preciso admitir: ele continua perfeito. Seus olhos cor de avelã me encaram em silêncio, e, por um momento, me pergunto se ainda estou sonhando. Sou arrancada desse devaneio quando meu despertador começa a tocar. — Desculpa, não queria te acordar — diz ele, com um sorriso sem jeito que faz meu coração derreter por dentro. — Na verdade, eu já ia acordar… Seriam só alguns segundos depois, mas ia — brinco, tentando amenizar seu constrangimento. — Mais uma vez, desculpa. — Está tudo bem — respondo, pegando o controle e desligando a TV. — Afinal, o que você faz aqui? Acabo sendo direta demais, mas a curiosidade me domina. — Melyssa me pediu para levar seu vestido; ela vai se arrumar no restaurante. — Entendi. Pode ficar à vontade. — Já planejo ir para o quarto. Quanto menos tempo perto dele, melhor. — Ela não mencionou que você estaria aqui. Quando retornou? Sua pergunta me detém antes que eu possa fugir. Um ano antes de viajar, comecei a namorar Matteo. Estávamos juntos em segredo. Estudávamos na mesma universidade. Eu já o tinha visto algumas vezes na casa de Mel, mas nunca havíamos conversado de fato, nem éramos próximos. Como me formei cedo e ingressei na faculdade de Direito aos 16 anos, Mel pediu que ele cuidasse de mim e me acompanhasse nos almoços para que eu não ficasse sozinha. Foi assim que tudo começou. Matteo sempre foi distraído, e, em pouco tempo, eu já estava completamente apaixonada por ele. Mas levou quase um ano para que ele percebesse, já que só vivia para os estudos e o trabalho, além de ser incrivelmente tímido. Ele era doce, gentil e extremamente respeitoso. O tipo de pessoa que conquista qualquer um. Sua área de estudo sempre me interessou, pois eu sonhava em trabalhar no mesmo ramo, e isso nos aproximou ainda mais. Eu não sabia como ele se sentia em relação a mim, já que era mais velho. Apenas três anos, o que não era muita coisa, mas suficiente para ele criar barreiras. Quando o beijei pela primeira vez, ele meio que surtou. Disse que eu tinha apenas 17 anos e veio com um discurso sobre princípios, afirmando que não poderíamos ficar juntos por causa da minha idade. Além disso, mencionou que sua mãe era assistente do meu pai, o que, para mim, não fazia diferença alguma. Tive que insistir bastante até que ele finalmente aceitasse e começássemos a namorar. Pedi um tempo para contar ao meu pai, já que nossa relação era complicada. Eu sabia que ele usaria minha idade contra mim, então queria esperar até completar 18 anos. Mas ele descobriu exatamente no dia do meu aniversário. Ele me proibiu de ver Matteo. Disse que demitiria a senhora Ashley se eu não terminasse imediatamente e fecharia todas as portas de emprego para ela. Afirmou também que garantiria a expulsão de Matteo da universidade e que nenhuma outra o aceitaria. Meu pai é um homem extremamente poderoso, e eu não duvidei por um segundo de que ele cumpriria suas ameaças. Somente por esse motivo me afastei de Matteo. Eu sabia o quanto sua mãe havia se esforçado para criar os filhos sozinha. Melyssa já havia me contado a história deles. Seu pai os abandonou ainda jovens para ficar com outra mulher. Ele nunca manteve contato, nunca se preocupou com o bem-estar dos filhos nem ajudou financeiramente. Melyssa logo entraria na faculdade e precisaria do apoio da mãe. Matteo também trabalhava para ajudar com as despesas de casa e, apesar de ser bolsista, tinha gastos com livros e outras necessidades acadêmicas. Quando terminamos, não contei a ele o verdadeiro motivo. Mas logo os tabloides começaram a publicar matérias falsas sobre meu suposto noivado com Pablo. Para piorar, ele confirmou que estávamos juntos há meses, o que não era verdade. Matteo acreditou que eu o havia traído, que o deixei por dinheiro e por vergonha dele. Era ridículo. Se dependesse de mim, nunca o teria abandonado. Mas ele não quis me ouvir. Engulo em seco antes de responder: — Cheguei hoje de viagem. — Ah, sim. Estranho não ter ido matar a saudade do seu noivo — diz ele, com um tom ácido que me irrita. Ignoro a provocação. — Preciso me arrumar agora. Como já disse antes, fique à vontade. — Estou prestes a me retirar quando sua voz me interrompe. — Eu… posso te levar para o restaurante, se quiser. O convite me pega de surpresa. — Não quero te incomodar, e você deve ir buscar Catarina — respondo friamente. Ele hesita. — Nós... é... terminamos — solta inesperadamente. Não nego que fico feliz em saber disso, mas ele não precisa saber. — Sinto muito — minto, mantendo minha expressão impassível. Ele me encara por um instante, mas não diz nada. Apenas desvia o olhar e segue em frente. — Vou esperar você se arrumar — diz Matteo, dirigindo-se ao quarto de Mel. Engulo em seco. — Já disse que não precisa. A Wendy ficou de me buscar — respondo, tentando esconder minha frustração. — Isso não é uma opção. Melyssa vai precisar da sua ajuda, e, conhecendo a Wendy, sei que ela só vai te atrasar — afirma, pouco antes de desaparecer dentro do quarto. Fico parada por alguns segundos, absorvendo suas palavras. No início do nosso relacionamento, passávamos a maior parte do tempo neste apartamento. Matteo foi meu primeiro tudo. Meu primeiro beijo. O primeiro homem a quem me entreguei por completo. Desde o término, não fiquei com mais ninguém. Wendy tentou me convencer a sair, a dar uma chance para novos encontros, mas eu simplesmente não conseguia. Não estava disposta a reviver a mesma decepção, a passar pela dor de me apegar a alguém apenas para acabar machucada outra vez. Então, decidi focar nos estudos e na carreira. Mel não sabe sobre o nosso relacionamento fracassado. Apenas Wendy e Ashley — sua mãe, que acabou descobrindo de uma forma vergonhosa, em um incidente que prefiro não comentar. Solto um suspiro resignado. — Ok — murmuro, sem outra opção. Sei que, se continuar inventando desculpas para evitá-lo, ficará mais do que evidente que ainda tenho sentimentos por ele. Sem dizer mais nada, sigo para o quarto, determinada a me arrumar.Estou na cozinha preparando o almoço com as meninas, enquanto os garotos dominam a sala com risadas e gritos animados. — Eu não acredito que até o Gang Hee-sik entrou nessa partida — resmunga Wendy, revirando os olhos. Melyssa ri, ajeitando a travessa que segura nas mãos. — Deixa eles, pelo menos estão entretendo as crianças. E realmente estão. Do outro lado da casa, ouvimos as vozes empolgadas de Ha-ri, Tony, Isadora, Chris e Nick em plena torcida, incentivando cada jogada dos pais: — Vai, papai! Vai, papai! Vai, papai! Felipas sorri, cúmplice. — Tenho que concordar com a Melyssa. Wendy, que se casou há cerca de cinco anos, hoje é mãe da pequena Shin Ha-ri, que está com três anos e herdou a mesma energia incansável da mãe. É impossível mantê-la fora de qualquer bagunça — especialmente quando os rapazes organizam suas “competições” com os pequenos. Já Melyssa e Felix se casaram um ano após Matteo e eu, e tiveram Antony pouco tempo depois. Ele já está com cinco anos e,
《Sthephania》 O tempo passou depressa, e agora estou nos últimos instantes da minha gestação. Cada movimento dentro de mim é como uma pequena lembrança de que, em breve, terei meu maior tesouro nos braços. Finalmente decidimos seu nome, após tantas conversas e indecisões: Nickolas Miller Valentim. TãO sonoro, tão perfeito... como se já estivesse destinado a ele desde o início. A casa parece respirar junto comigo. O berço já está montado, delicadamente coberto por lençóis brancos e azuis claros; sobre a cômoda repousam pequenos detalhes escolhidos com tanto carinho — um ursinho de pelúcia, roupinhas dobradas e cheirosas, prontas para envolvê-lo no primeiro abraço fora de mim. Às vezes passo minutos inteiros parada diante daquele quarto, apenas sonhando com a cena de vê-lo ali, dormindo em paz. ——— Acordei lentamente, sentindo o calor do corpo de Matteo junto ao meu. Ele já estava desperto, deitado de lado, a mão repousando sobre minha barriga enorme, como fazia todas as manhãs.
《Matteo》 A cerimônia chega ao fim, e logo somos guiados por minha mãe e pelos fotógrafos para uma sequência interminável de poses. Não paramos um minuto sequer, como se cada clique fosse indispensável para registrar o dia mais feliz das nossas vidas. — Mãe, acho que já deu de fotos. — digo, segurando com firmeza a mão de Phani. — Ela está grávida, precisa descansar um pouco, comer alguma coisa. Mamãe parece despertar de seu entusiasmo e, constrangida, se volta para ela: — Você está certo, filho. Me desculpe, querida, acho que me empolguei. — Está tudo bem. — Phani responde com seu sorriso doce, aquele que sempre consegue desarmar qualquer um. A conduzo até a nossa mesa, mas antes que ela se sente, puxo-a suavemente para o meu colo. Ela envolve meus ombros com os braços e sussurra perto do meu ouvido: — Me conhece tão bem, esse meu esposo… Em seguida, sela meus lábios com um beijo suave, que rapidamente se transforma em algo mais intenso, mesmo diante da festa. — Não
《Sthephania》■ Algumas semanas depois... 🗓Decidimos nos casar antes da chegada do nosso pequeno. Nada grandioso, nem luxuoso demais — apenas uma cerimônia íntima, com alguns amigos e familiares, exatamente do jeito que sempre sonhei. Mel e Wendy se ofereceram para cuidar de cada detalhe, e a senhora Ashley fez questão de ajudar também.E, enfim, chegou o grande dia. Um dos dias mais felizes da minha vida. O dia em que finalmente me tornaria a senhora Valentim. Diante do espelho, respiro fundo e quase não reconheço o reflexo que me encara. O vestido cai com leveza sobre minha barriga já arredondada, meus cabelos estão presos em um penteado delicado, e há um brilho em meus olhos que nem mesmo a maquiagem conseguiu disfarçar. Um sorriso insistente se abre em meus lábios — e sei que ele não vai embora tão cedo.Wendy aparece à porta, cruzando os braços com um sorriso maroto.— Alguém está muito feliz hoje.Rio baixinho, ajeitando a barra do vestido.— Ainda não acredito que vou me casar
《Sthephania》 Voltamos à rotina de nossas vidas. Estou com cinco meses de gestação; minha barriga já começa a se revelar, e nosso pequeno cresce a cada dia. Isso mesmo, pequeno. Descobrimos o sexo há poucas semanas e Matteo ficou tão feliz quanto eu. Passamos horas discutindo nomes. Ele queria chamá-lo de Clark ou Thor. Por sorte, consegui fazê-lo mudar de ideia — acho que devemos pensar com calma, pesquisar significados e escolher algo que carregue mais do que apenas uma boa referência de filme. — — — Abro os olhos lentamente, ainda envolta na névoa suave do sono, e a primeira imagem que encontro é o olhar de Matteo pousado sobre mim. Ele está ali, imóvel, como se quisesse gravar cada traço meu na memória. A luz tênue que atravessa a cortina deixa um brilho dourado em seus cabelos, e por um instante me sinto a pessoa mais sortuda do mundo. — Bom dia, meu anjo — murmuro, sorrindo para ele. O sorriso não se reflete no seu rosto de imediato. Ele continua sério, como se estive
《Selma》 — A senhora é Selma Reinald? — pergunta um deles. — Sim, sou eu mesma. — deixo a voz tremer levemente, encenando preocupação. — Do que se trata? Por dentro, sinto um arrepio de satisfação. Vão me dar a notícia… a doce notícia. Pobre Sthephania… tão jovem, tão frágil. Tão fácil. Pelo menos, era nisso que eu acreditava. — A senhora está presa pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado, formação de quadrilha e associação criminosa. Há provas e depoimentos que a incriminam — declara o policial, enquanto as algemas se fecham com um clique seco em meus pulsos. — Você tem o direito de permanecer em silêncio. Tudo o que disser poderá e será usado contra você no tribunal. Você tem o direito de falar com um advogado e de tê-lo presente durante o interrogatório. Se não puder pagar por um, um advogado será designado para representá-la. — a voz é automática, profissional. A frase ecoa como um estilhaço. O chão parece ceder sob meus pés. Não… não pode ser. Será que Jac







