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Capítulo 8

Autor: Carla Cadete
last update Data de publicação: 2025-10-14 20:06:02

Capítulo 8

Na estrada, Rosie olhava para Leon que ainda estava com o rosto corado.

— Ele está mais quente, senhor. Estamos perto?

— Sim. Mais cinco minutos.

Rosie apertou os dedos com força. Nunca o vira assim. Mesmo inconsciente, Leon costumava parecer calmo. Mas agora, estava tudo fora do normal.

Ela lançou um olhar preocupado para Caio.

— Se essa febre for alguma consequência do acidente... ou de algo que não sabíamos...

— Eu não vou perder meu irmão. — A voz de Caio soou grave. — Nem agora, nem nunca.

Na entrada da emergência, as luzes brancas ofuscaram por um instante os olhos de Caio. Ele saiu do carro antes mesmo de desligar o motor e gritou por ajuda. Dois enfermeiros correram com uma maca e, juntos, retiraram Leon do banco traseiro.

Rosie vinha logo atrás, com os documentos em mãos, explicando a situação enquanto empurravam a maca pelos corredores do hospital.

Caio caminhava ao lado da maca, o maxilar travado de tanta tensão e a respiração irregular. Ele odiava hospitais. O cheiro, o silêncio, tudo aquilo lhe trazia lembranças que preferia enterrar.

Depois de alguns minutos que pareceram horas, Leon havia sido examinado, monitorado e medicado. Um médico jovem, de semblante tranquilo, entrou na sala com uma prancheta em mãos e se aproximou de Caio e Rosie.

— Boa noite. Já temos os primeiros resultados — disse, com um leve sorriso. — Felizmente, nada grave. O que ele tem é uma gripe forte. O corpo respondeu com febre alta, o que é comum nesses casos, ainda mais em pacientes com imunidade mais baixa.

Rosie soltou um suspiro trêmulo.

— Graças a Deus... — murmurou, levando uma mão ao peito.

Caio, manteve os olhos fixos no irmão, que agora descansava mais tranquilo na maca, com a testa menos suada.

— Gripe? Tem certeza? — perguntou, com a voz mais calma.

— Sim. Já foi medicado com antitérmico e iniciamos a hidratação intravenosa. Vamos manter ele em observação pelas próximas horas. Se tudo correr bem, ele poderá voltar para casa amanhã mesmo.

Caio assentiu lentamente. Rosie aproximou-se de Leon e ajeitou o lençol sobre ele com carinho.

— Ele assustou a gente... — disse baixinho, olhando o rosto dele.

O médico fechou a prancheta.

— Ele vai ficar bem. Só precisa de descanso, calor, e quem sabe... um pouco de carinho — disse, lançando um olhar simpático aos dois antes de sair.

Rosie sorriu brevemente, mas Caio apenas se encostou na parede e passou as mãos no rosto, aliviado.

— Eu realmente achei que fosse perdê-lo — confessou num sussurro.

— Não vai — garantiu Rosie. — Leon é forte. E... ele tem você. Tem a gente.

Caio a olhou por um segundo, sem dizer nada, e voltou o olhar para o irmão.

O relógio marcava quase meia-noite.

Caio pegou o celular e, enquanto observava Leon dormindo após a medicação, digitou rapidamente:

"Oi, Ísis. Passando pra te avisar que está tudo bem com o Leon. O médico disse que é uma gripe forte, nada mais sério. Ele já foi medicado e está descansando agora. Fico aqui com ele essa noite e te aviso se houver qualquer novidade. Fica tranquila, tá?"

Ele olhou a mensagem por um segundo antes de enviar. Sabia o quanto Ísis estava preocupada. Depois de apertar "enviar", suspirou, aliviado por ao menos poder dar uma boa notícia.

Ela respondeu quase em seguida.

"Graças a Deus! Eu estava tão preocupada... obrigada por me avisar, Caio. Se precisarem de qualquer coisa, é só me chamar, tá bom?"

A noite passou arrastada.

Caio permaneceu acordado o tempo todo, sentado na poltrona de canto do quarto, atento a qualquer movimentação, qualquer sinal de mudança no estado do irmão. O único som eram monitores com uma sinfonia monótona e angustiante.

Rosie, exausta, acabou adormecendo no sofá, com o corpo encolhido e a expressão serena. Caio percebeu que ela estava tremendo de frio. Levantou-se, pegou um cobertor no armário do hospital e a cobriu com cuidado.

Ficou olhando para ela por um momento. Devia tê-la mandado para casa mais cedo. Devia ter insistido para que ela descansasse. Mas nem pensou nisso, a cabeça estava tomada demais de preocupação com o irmão para se lembrar de qualquer outra coisa.

Suspirou, voltando para a cadeira.

O céu começava a clarear do lado de fora da janela. Mais um dia estava nascendo.

Caio recebeu o e-mail do detetive naquela manhã. Sentado na poltrona desconfortável do hospital, abriu o arquivo e passou quase meia hora lendo tudo com atenção.

A vida de Ísis se revelava em palavras simples, carregadas de dor e superação. Uma jovem humilde, que havia perdido os pais recentemente em um trágico acidente de carro. A casa onde moravam era alugada, e após a morte deles, ela se viu sozinha e sem chão. Foi obrigada a trancar a faculdade por não ter como se manter, e com o pouco dinheiro que restava, decidiu arriscar tudo: comprou uma passagem para a Inglaterra, na esperança de encontrar um trabalho qualquer que a ajudasse a sobreviver.

Carregava uma dívida pesada do enterro dos pais, e até o momento, não tinha ideia de como pagaria. Mas não havia desistido. Era fluente em inglês, tinha feito cursos desde pequena, graças ao esforço dos pais e tinha uma facilidade enorme em se comunicar. Uma habilidade natural para lidar com pessoas.

Caio desligou o celular devagar e coçou a barba crescida, pensativo.

“Ela é limpa… e lutadora. Talvez… talvez seja uma loucura, mas pode dar certo.”

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Comentários (1)
goodnovel comment avatar
Janaina Teixeira
Que história maravilhosa e envolvente, esperando um final lindo para esses dois e que ele se recupere. por favor não me decepcione....
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