FAZER LOGINJuliana Bezerra foge para Londres em busca de paz após anos presa a um relacionamento abusivo. Sem opções, aceita trabalhar como babá de Mel Tudor, uma menina difícil que ninguém conseguiu conquistar. Mas Juliana consegue — e muda tudo. Leo Tudor, pai da menina, é um CEO bilionário, frio e obcecado por controle. A presença daquela mulher latina, simples e intensa, invade um mundo que ele mantém rigidamente organizado. Entre olhares, tensão e conflitos, nasce uma atração proibida. Em uma casa onde ela não deveria pertencer, Juliana pode ser exatamente o que Leo mais teme… e mais deseja.
Ver maisDez meses.Foi o tempo que levou para eu perceber que felicidade não faz barulho. Ela se instala.Harry estava no meu colo, batendo palminhas desajeitadas no ar, como se estivesse comandando o próprio espetáculo.Um ano.Meu filho fazia um ano.O jardim da mansão estava colorido, mas não exagerado. Balões espalhados entre os arbustos, uma mesa grande com doces personalizados, carrinhos pequenos decorando os cantos, ursinhos, soldadinhos, um cowboy sorridente no topo do bolo.Toy Store.Simples. Alegre. A cara dele.— Amor, esse arco tá torto — Richard reclamava ao fundo.— Não tá torto — Léo respondeu, ajustando mesmo assim.Eu ri sozinha.Ele fingia impaciência, mas estava organizando tudo desde cedo. Conferiu doce por doce. Pediu para reposicionar a mesa três vezes. Discutiu com Miranda sobre a altura das bandeirolas.Meu duque perfeccionista.Harry puxou meu cabelo. — Mamamamam…— Eu tô aqui, meu amor.Ele apertava meu vestido com os dedinhos gordos, animado com o movimento no jard
Leo Tudor Duas semanas.Era o tempo que faltava para Dona Cláudia voltar para Londres.A casa já não tinha mais aquele caos delicioso de recém-nascido. Harry já dormia melhor. Ju já andava pela casa com mais firmeza. O brilho nos olhos tinha voltado.E eu vinha planejando aquilo há meses.Sem mídia. Sem anúncio. Sem convidados de interesse. Sem política. Sem título.Só nós.Naquela manhã, acordei antes dela.Fiquei alguns segundos observando.O cabelo espalhado pelo travesseiro. A respiração tranquila. Harry dormindo no berço ao lado.Minha família.Inclinei e beijei o ombro dela.— Amor… acorda.Ela resmungou.— Hm… que foi?— Vai tomar um banho.Ela abriu um olho só.— Eu tô fedendo?Eu ri baixo.— Não, minha delicinha Vai tomar um banho. Se arruma.Ela virou de lado, desconfiada.— Léo… por quê?Eu sentei na cama.— Porque eu tenho uma surpresa pra você.Ela estreitou os olhos.— Que tipo de surpresa?— Daquelas que você não faz perguntas.Ela suspirou.— Léo…Eu me inclinei, beij
Leo Tudor Estar em casa nunca teve tanto significado.Eu já cheguei naquela mansão cansado, irritado, preocupado com negócios.Mas hoje…Hoje eu entrei carregando meu filho.E tudo parecia diferente.Mais claro.Mais vivo.Mais meu.A Mel rodando em volta da gente.Minha sogra dando ordens sem nem perceber que estava dando.Christina e Goretti praticamente disputando centímetros para olhar o Harry.E eu só observando.Minha casa cheia.Minha família.Minha mulher ali no meio, ainda frágil, ainda dolorida… mas sorrindo.Minha delicinha.Eu sei que ela tenta disfarçar quando está cansada.Mas eu percebo o jeito que ela apoia mais o peso em uma perna.O jeito que respira fundo antes de sentar.Minha sogra veio pra somar.E eu reconheço isso.Ela não veio fiscalizar.Não veio criar tensão.Veio cuidar da filha.E, de quebra, está ajudando a cuidar do meu filho também.Isso muda tudo.Enquanto as três estão babando no Harry na sala, eu me aproximo da Ju por trás.Passo a mão devagar na ci
Juliana Bezerra O Quarto estava diferente naquela manhã.Sem o cheiro forte de hospital.Sem o medo do primeiro choro.Sem aquela sensação de que algo podia dar errado a qualquer momento.Harry dormia tranquilo no bercinho, enrolado na mantinha azul.Eu estava sentada na cama, já vestida, mas ainda devagar nos movimentos.O corpo ainda doía.Mas agora a dor era suportável.Era uma dor que lembrava que ele tinha passado por mim.A enfermeira entrou com um sorriso.— Está pronta para ir pra casa, mamãe?Meu coração acelerou.Casa.Era estranho.Ali eu tinha me sentido protegida. Observada. Assistida.Em casa… era real.— Está nervosa? — Léo perguntou, enquanto dobrava com cuidado as roupinhas que usamos ali.Eu soltei um riso fraco.— Um pouco.Ele veio até mim.— Eu estou também.— Você? — eu ergui a sobrancelha.— A gente vai sair daqui responsáveis por um ser humano minúsculo que depende da gente pra tudo.Eu ri.— Quando você fala assim, piora.Ele se abaixou na minha frente.— Ei…


















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