LOGIN*ARTHUR* O restante do dia correu rápido após nossa breve conversa no escritório. Conferi pagamentos de fornecedores, conversei com o contador sobre a folha de pagamento de funcionários e cuidei das necessidades da fazenda. No horário do almoço, Olivia não desceu para comer, e decidi não incomoda-la. Vai levar um tempo até a mulher audaciosa se acostumar.Agora, com o ombro apoiado na pilastra de madeira onde fica a cobertura das baías dos cavalos, estalo a língua ao descobrir que outro cavalo quebrou a cerca de contenção. Rapidamente, ligo para Abelardo, o caseiro que está de férias.— Aôba, patrão! Pode mandar a bronca. — Se defende o homem, sem nem saber do assunto a ser tratado. — Mas seja lá o que for, tô bem longe pra ter sido eu.— Boa tarde, Abelardo. Não é nada disso, preciso que me ajude a desvendar o motivo dos cavalos andarem tão estressados. — Não é a primeira vez que acontece, muito menos a segunda, e não começou a muito tempo esse estrago nas cercas. — Tive que consert
*OLIVIA*Falando de uma forma completamente clichê, mas verdadeira, se alguém me dissesse semanas atrás, quando estive aqui na fazenda pela primeira vez, que Arthur e eu estaríamos casados agora, eu iria rir — rir muito. O sol escaldante aqui fora traz até mim as lembranças da chuva que enfrentei na última vez em que estive aqui. Quantas loucuras cometi em tão pouco tempo?Arthur pega as malas enquanto abro a porta de entrada do casarão. Além do som dos animais ao longe e das galinhas travessas andando para lá e para cá, tudo está silencioso. Olho um pouco mais ao redor, procurando Sabrina ou algum outro funcionário que esteja por aqui. Como se visse a interrogação no meu rosto, Arthur responde à pergunta que fiz mentalmente enquanto passa por mim em direção às escadas, sustentando minhas malas.— Dispensei os empregados por hoje, pode ficar à vontade.Não, eu não ficarei nada à vontade. Fecho a porta e subo os degraus atrás dele.O corredor que se segue à frente é grande e largo, seg
*OLIVIA*Arthur está sentado novamente sobre a cama, mexendo no celular, com as costas escoradas na cabeceira. Quando já estou na metade do caminho até ele, obrigando-me a manter os ombros erguidos, ele levanta a cabeça e me vê.Vagarosamente, seu olhar desce.Primeiro meus lábios, depois o decote, onde estaciona por tempo demais, e então continua até as pernas. Sinto-me exposta. Estou exposta.Aproximo-me da cama, ficando ao seu lado, mas travo ao chegar perto demais. Meu corpo inteiro treme, e não é algo sutil; é a ansiedade se manifestando. Meu marido se levanta, encerrando a distância que ainda existe entre nós. Ele joga meu cabelo para trás, e a brisa gelada do ar-condicionado alcança a pele descoberta do meu colo. Dou um sobressalto quando sua mão roça meu ombro.Ele baixa a mão que estava erguida e sobe a que permanecia relaxada ao lado do corpo, surpreendendo-me ao segurar as duas tiras de cetim do hobby, fechando-o por completo e escondendo a renda reveladora.— Vamos dormir.
ARTHURO teatro acabou. Decido isso enquanto a felizarda desconhecida que segurou o buquê dá saltos de felicidade, sendo rodeada pelas outras mulheres.Olivia não me vê. Está de costas agora, enquanto abraça a mulher que porta o buquê nas mãos e, sem esperar mais, aproximo-me por trás. A mulher se afasta, acompanhando as outras convidadas que se dispersam, lançando olhares curiosos para nós.Ao sentir minha presença, a tensão em seu corpo é nítida durante o giro que dá em torno de si mesma até ficar de frente para mim.— Suponho que todas as suas coisas estejam organizadas. — Não há mais lágrimas escorrendo por seu rosto, e sinto alívio por não ter que lidar com esse tipo de drama agora.— Sim — o timbre não passa de um sussurro.— Vou pedir que levem suas malas até o carro. Despeça-se. Vamos para o hotel agora.Seus olhos se arregalam, e um rubor surge em suas bochechas pálidas. Por um instante, vejo-a apertar as mãos antes de assentir.⸻OLIVIAAfasto-me de Arthur e me despeço da mi
O calor corporal através do tecido rendado viaja até a palma da minha mão enquanto faço o que é esperado de nós. Quando terminamos de descer as escadas e Olivia caminha até seu pai, sei que esta é a oportunidade que tenho de entender um pouco mais da situação.Caminho em passos curtos até Orlando, que segura despretensiosamente uma taça de champanhe enquanto Martha o acompanha, lançando sorrisos aos convidados. Cada batida dos sapatos lustrosos em meus pés contra o piso amadeirado me deixa mais próximo, e, mesmo que Orlando tente mascarar o que sente, percebo o tremor do líquido borbulhante dentro da taça que segura.— Senhor e senhora Azevedo —, com um breve aceno de cabeça, os cumprimento com o devido respeito de quem foi criado por eles.— Ah, Arthur, você ficou lindo como noivo! — Sobressaltando-se, Martha se aproxima e me dá um abraço que seria reconfortante se a situação fosse diferente. — Deve se preparar para a dança com a noiva!— Não haverá dança — vejo seu sorriso murchar a
ARTHUR*Dia do casamento*Maldita foi a hora em que aceitei esse acordo.Fui encurralado pelo passado e pressionado pelo presente. Orlando e Martha sempre me apoiaram em tudo, ficaram ao meu lado e foram os pilares que me mantiveram são quando perdi minha família.Mas aí tem o William.Ah, William...Vou matar esse desgraçado!Por conta de sua inconsequência, estou preso a essa situação.Antes do que imaginei, chegou a hora de pagar tudo o que foi feito por mim.Dias atrás, em uma visita qualquer à casa da família que me adotou, Orlando solicitou minha presença em seu escritório. Sua postura estava formal demais; temi receber alguma notícia ruim. Mas o que ele me disse foi muito pior do que qualquer outra situação que pudesse ocorrer.Ele me explicou sobre o casamento arranjado de William, relembrou algumas situações conturbadas que o mesmo causou e revelou que tal decisão foi tomada para colocar o cretino em seu lugar.Sem saber o que me esperava, eu ri.— William casando? Tenho pena







