LOGINnão esqueçam de interagir com a história.
A noite já havia caído quando o som dos carros entrando pela propriedade finalmente quebrou o silêncio da mansão.Lívia estava sentada na biblioteca havia quase uma hora, embora não tivesse lido sequer uma página.O livro permanecia aberto sobre seu colo.Seus olhos, porém, estavam presos à mesma linha desde que ouvira o primeiro ruído vindo do lado de fora.Ela sabia quem era.Matteo.Seu coração acelerou imediatamente.Durante dois dias, tinha sentido falta dele de uma maneira quase dolorosa. Havia pensado nele todas as noites, esperado suas mensagens, imaginado quando ouviria novamente sua voz.Mas agora que ele estava de volta, uma sensação estranha se misturava à alegria.A pintura.A marca.Elena.As palavras de Valentina.Lívia fechou os olhos.Não queria pensar naquilo.Não queria permitir que uma conversa tivesse força suficiente para estragar o momento que tanto esperara.Então ouviu passos no corredor.A porta da biblioteca se abriu.Matteo apareceu.Por alguns segundos, ne
Lívia permaneceu diante do cavalete sem conseguir desviar os olhos. Aquela era ela. Não havia dúvida quanto a isso. Os cabelos eram os seus. O formato do rosto era o seu. Os olhos, a boca, a delicadeza dos traços... tudo parecia ter sido observado com uma atenção que a deixava quase sem ar. Matteo havia pintado aquilo. Matteo havia sentado sozinho naquele escritório e decidido colocar o rosto dela em uma tela. Por algum motivo, essa descoberta deveria aquecer seu coração. Mas não aqueceu. Porque havia aquela pequena marca. Lívia tocou a própria pele com a ponta dos dedos, exatamente no lugar em que a pintura apresentava o detalhe. Nada. Sua pele era lisa. Ela voltou a olhar para o retrato. — Talvez seja só um detalhe — murmurou. Valentina, alguns passos atrás, cruzou os braços discretamente. — Pode ser. A resposta veio tranquila. Sem pressão. Sem julgamento. E justamente por isso atingiu ainda mais fundo. — Você disse que Elena tinha essa marca. — Tinha. Lívia en
Na manhã seguinte, Matteo ainda não havia retornado. Lívia acordou mais cedo do que costumava, talvez porque tivesse dormido mal. Havia se acostumado à presença dele de uma maneira que ainda a surpreendia. Mesmo quando Matteo não dizia nada, mesmo quando passava horas trancado no escritório resolvendo assuntos que ela não entendia, saber que ele estava naquela casa lhe dava uma sensação de segurança difícil de explicar. Naquela manhã, porém, o quarto parecia grande demais. Ela pegou o celular sobre a mesa de cabeceira e olhou para a tela. Nenhuma mensagem. Abriu a conversa com Matteo. Pensou em escrever. Bom dia. Você está bem? Apagou. Escreveu novamente. Já está voltando? Apagou outra vez. Por fim, mandou apenas: Bom dia. Espero que esteja tudo bem. Estou com saudade. Lívia colocou o celular sobre a cama e escondeu o rosto nas mãos, sorrindo sem querer. Era ridículo. Ela nunca tinha sido assim. Nunca tinha esperado mensagens de alguém. Nunca tinha senti
O dia começou diferente.Lívia percebeu isso assim que entrou na cozinha.Havia uma movimentação incomum entre os funcionários, homens entrando e saindo pelos corredores, telefonemas sendo feitos em voz baixa e Teresa andando de um lado para o outro com uma expressão preocupada.Ela franziu a testa.— O que aconteceu?Teresa, que estava organizando algumas coisas sobre a bancada, olhou para ela.— O senhor Matteo recebeu uma ligação durante a madrugada. — É alguma coisa grave?— Não sei dizer.Teresa hesitou.— Mas ele vai precisar sair.O coração de Lívia apertou imediatamente.— Sair?— Por alguns dias, pelo que entendi.Lívia deixou a xícara sobre a mesa.— Quantos?— Dois, talvez.Dois dias.Não era tanto.Mas, depois de tudo que havia acontecido na vida dela, a ausência de Matteo ainda provocava uma sensação estranha.Ele era presença constante naquela casa.Mesmo quando estava trabalhando, ela sabia que estava por perto.E agora...— Ele já foi?— Ainda não.Como se tivesse sid
A manhã continuou tranquila na mansão. Tranquila demais. Depois que Maria foi embora, Lívia permaneceu algum tempo na cozinha, terminando o café enquanto observava pela janela os jardins ainda úmidos pelo orvalho. O sol começava a subir, espalhando uma luz dourada sobre as árvores, e, por alguns minutos, ela conseguiu esquecer a presença da nova hóspede. Valentina. Era estranho. Não porque ela tivesse feito alguma coisa errada. Muito pelo contrário. Desde que chegara, Valentina havia sido educada com todos. Tratava Teresa com respeito, conversava com os funcionários sem qualquer arrogância e parecia genuinamente feliz por reencontrar Matteo. Ainda assim, havia alguma coisa nela que deixava Lívia ligeiramente alerta. Talvez fosse apenas o fato de ela ser irmã de Elena. Ou talvez fosse porque, pela primeira vez, alguém dentro daquela casa conhecia uma parte da vida de Matteo que Lívia jamais poderia conhecer. Ela levantou-se e levou a xícara até a pia. — Lívia? Ela se virou
A manhã seguinte começou tranquila demais para uma casa que, nos últimos tempos, parecia ter se acostumado a viver entre acontecimentos inesperados.Lívia estava na cozinha tomando café quando ouviu o som familiar de passos apressados vindo pelo corredor.— Bom dia, dorminhoca.Ela ergueu os olhos e encontrou Maria entrando na cozinha com uma pasta de documentos debaixo do braço, o celular preso entre o ombro e a orelha e uma expressão que denunciava que ela já estava cansada antes mesmo de o dia começar.— Você nem parece ter dormido.Maria encerrou a ligação e soltou um suspiro.— Dormir é um conceito que estou tentando reaprender.Lívia riu.— Você está trabalhando demais.— Estou trabalhando demais porque alguém decidiu que ser secretária do Matteo significava resolver metade dos problemas da cidade.— Você que aceitou.— Eu não sabia no que estava me metendo. Mas ao menos a faculdade de administração me serviu para algo.Maria deixou a pasta sobre a mesa e se sentou por alguns mi







