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O Retorno do Capitão Sangrento

last update publish date: 2026-09-15 21:50:57

A lareira dos nossos aposentos havia se reduzido a um monte de brasas agonizantes, emitindo um brilho vermelho e fraco que mal iluminava as vigas de ébano do teto.

Deitada na cama colossal, eu encarava a escuridão, incapaz de fechar os olhos. O meu corpo estava exausto, drenado pelo desmaio de horas atrás e pelo peso de uma vida crescendo no meu ventre, mas a minha mente recusava-se a desligar. Os ecos da voz de Evander, o rosto invejoso de Cassia e a tensão da declaração de guerra de Kael cont
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  • Vendida ao Monstro do Norte   O Amanhecer de Obsidiana (Epílogo)

    Seis meses após as chamas das Bruxas de Cinzas serem extintas nas colinas do nordeste, o inverno violento de Obsidiana finalmente cedeu espaço ao degelo da primavera. A neve eterna que cobria os picos de pedra vulcânica recuara para as cristas mais altas, permitindo que cascatas de água cristalina descessem em rugidos suaves pelas encostas, alimentando os vales que outrora haviam testemunhado a carnificina da guerra.O cheiro de enxofre e sangue fora completamente varrido pelo vento limpo da montanha, substituído pelo aroma fresco dos brotos de pinheiro-do-norte e pela fragrância adstringente da flor-de-gelo que florescia nas fendas das rochas.A Fortaleza de Obsidiana não era mais o bastião sombrio e paranoico de antigamente. Os imensos portões de pedra vulcânica e ferro frio permaneciam abertos durante o dia, permitindo a passagem fluida de comitivas comerciais, estandartes de paz e caravanas de suprimentos que circulavam livremente entre o Norte e as recém-pacificadas províncias do

  • Vendida ao Monstro do Norte   O Legado de Silas

    O silêncio que baixou sobre o vale da fortaleza nordeste era denso, solene e quase sagrado. A tempestade que fustigara as montanhas durante dias inteiros começara finalmente a ceder, dando lugar a uma névoa rala e gélida que flutuava suavemente sobre a neve manchada de fuligem e sangue. Os raios de um sol pálido cortavam os cumes de obsidiana, iluminando as ruínas das torres de cerco e os restos do exército de Evander que jaziam espalhados pelo lamaçal.A guerra terminara. O odor pútrido da magia das Bruxas de Cinzas fora purificado pelo ar limpo do Norte, substituído pelo cheiro de lenha queimada, resina de pinheiro e ferro frio.No centro do pátio interno, os guerreiros da Guarda de Ferro trabalhavam na recolha dos caídos. O clima não era de comemoração desenfreada, mas de um respeito profundo e silencioso. Os corpos dos mercenários do Sul eram empilhados nas valas externas para serem queimados, enquanto os bravos lobos de Obsidiana eram dispostos sobre mancebos forrados com peles e

  • Vendida ao Monstro do Norte   A Queda das Bruxas de Cinzas

    A cabeça decepada de Evander afundou no lamaçal do desfiladeiro, mas a morte do tirano não silenciou o pesadelo que ainda rastejava pelas colinas externas.A neblina esverdeada e ácida, soprada pelas Bruxas de Cinzas do Leste, não se dissipou com a queda do rei do Sul. Pelo contrário: desprovidas da liderança militar que financiava a sua marcha, as feiticeiras remanescentes entraram num estado de frenesi vingativo. Do alto das cristas rochosas que cercavam a fortaleza nordeste, dezenas de figuras cobertas por mantos cinzentos e máscaras de osso urravam encantamentos rituais em uníssono. A névoa tóxica adensou-se, subindo em colunas espessas que começaram a sufocar o vale, ameaçando derreter a carne dos soldados da Guarda de Ferro e envenenar os suprimentos de água potável que alimentavam a guarnição.Os guerreiros de Obsidiana, celebrando prematuramente a morte do tirano no pátio interno, viram-se subitamente tossindo sangue e fuligem. A fumaça de enxofre corroía o metal dos escudos e

  • Vendida ao Monstro do Norte   O Duelo Final (Kai vs. Evander)

    A neve que caía no desfiladeiro externo da fortaleza nordeste não era mais branca. Estava tingida por um cinza pútrido de fuligem, e o chão de rocha vulcânica transformara-se num lamaçal escuro de gelo e sangue. O som do massacre no pátio interno começava a amainar, substituído pelos uivos vitoriosos dos lobos de Obsidiana e pelo bater das asas dos corvos que já rodeavam as montanhas, antecipando o banquete.Nas sombras do gargalo estreito, quatro cavalos de guerra brancos avançavam a galope desesperado.No centro do pequeno grupo de fugitivos, vestindo uma armadura de placas de ouro que agora exibia arranhões profundos e manchas de lama, estava Evander. O Rei do Sul cavalgava com os dentes cravados no lábio inferior, os olhos azuis gélidos arregalados num pavor indigno. A arrogância aristocrática que outrora dominara os banquetes de Evander desmoronara por completo. A carga impiedosa de Valera e o contra-ataque da Guarda de Ferro haviam reduzido a sua frota mercenária e as suas amada

  • Vendida ao Monstro do Norte   A Carga da Rainha

    O pátio interno da fortaleza nordeste havia se transformado no próprio portal do inferno. As portas secundárias de carvalho, destroçadas pelo impacto direto dos aríetes e pelas explosões de feitiçaria, jaziam em estilhaços emaranhados sobre a neve derretida e manchada de escarlate.O ar ferveu. A fumaça acinzentada de enxofre e óleo podre preenchia os corredores, mas a linha de defesa do Norte recusava-se a recuar um único centímetro. Na entrada da torre central, Kai e eu permanecíamos ombro a ombro na escadaria de pedra. O meu frasco de resina de pinheiro e carvão ativado repousava aberto na minha mão esquerda, e a fumaça de enxofre que as bruxas sopravam dissipava-se em fuligem inofensiva antes de alcançar os pulmões do gigante ao meu lado. O machado de duas cabeças de Kai cortava o ar com uma cadência demoníaca, abrindo uma barreira de carne, armaduras e sangue contra os mercenários que tentavam subir os degraus rumo ao quarto de Lyra e do recém-nascido Silas.Porém, a força do Sul

  • Vendida ao Monstro do Norte   Sangue e Milagre sob o Cerco

    O ar dentro da câmara interna da torre parecia uma mistura sufocante de poeira calcária, sangue e o aroma adstringente das ervas medicinais que eu espalhara sobre as mesas de pedra. Do lado de fora da pesada porta de ferro forjado, o mundo ruiu. Cada impacto das catapultas de Evander contra as muralhas superiores fazia o teto abobadado tremer, soltando rajadas de poeira cinzenta que caíam como neve sobre o chão. O chão vibrava com o troar dos tambores do Leste e o bater constante do aríete inimigo contra o portão principal, mas, dentro daquela sala iluminada por duas lamparinas de óleo, a única guerra que importava era a que se travava sobre a maca de madeira.Lyra soltou um grito rasgado, agudo, que foi abafado pela explosão de mais um projétil de fogo esverdeado contra o topo da torre. A jovem loira estava caída de costas sobre as peles, o seu manto de lã rasgado, o peito subindo e descendo numa frequência errática. Gotas grossas de suor frio cobriam a sua testa pálida, e as suas mã

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