LOGINKhaled
Desde o começo, eu não confiei totalmente em Alberto. Um homem que vende a própria filha sem hesitar não merece confiança. Então, fiz o que sempre faço: garanti que teria o controle da situação. Coloquei um dos meus homens para vigiar aquela família. E foi uma decisão sábia. Ela tentou fugir. Lara, tão ingênua, acreditou que poderia simplesmente sair pelas ruas de Dubai sem ser notada, sem ser pega. Se não fosse por mim, ela estaria morta ou pior. Não importa o quanto ela me odeie agora—eu a salvei. Enquanto a observava, sentada no sofá da minha sala, os olhos vermelhos de chorar, eu não conseguia evitar o pensamento que me veio à mente. Ela era linda. Mesmo no meio da sua raiva, do seu desespero, sua beleza era quase hipnotizante. Os cabelos bagunçados caíam sobre o rosto delicado, os lábios trêmulos, o peito subindo e descendo rápido por conta da respiração acelerada. Ela era minha. Virei-me para uma das empregadas e ordenei: — Prepare um quarto para ela. A mulher assentiu e saiu apressada. Voltei minha atenção para o meu homem de confiança. — Avise a família dela que Lara está segura. Ele apenas inclinou a cabeça, respeitoso, e saiu. Assim que ficamos sozinhos, Lara desabou. As lágrimas escorreram pelo rosto dela, e, pela primeira vez na minha vida, senti um aperto no peito. Pena? Talvez. Algo dentro de mim não gostava de vê-la tão destruída. Dei um passo à frente, me aproximando, mas ela imediatamente recuou, como se eu fosse um monstro. — A família dela é tão importante assim? — perguntei. Ela soltou uma risada amarga. — Não. Eles me odeiam. Na verdade, eu morri no dia em que minha mãe morreu no parto. Havia tanta dor na voz dela que, por um momento, apenas fiquei em silêncio. Ela não era apenas uma garota mimada que não aceitava seu destino. Ela era alguém que havia sido rejeitada pela própria família. — Então por que está chorando? — Porque eu não quero ser uma prisioneira de luxo! — Ela gritou, e vi seus olhos brilhando com pura frustração. Sorri, me divertindo com sua resistência. — Se obedecer, será bem tratada. — Mas nunca mais serei livre — ela rebateu, e sua voz falhou no final. Cruzei os braços. — E o que você chama de liberdade? Ela hesitou por um instante antes de responder. — Fazer o que eu quiser. Arqueei a sobrancelha. — Você podia fazer o que queria quando estava com seu pai? O silêncio dela foi a resposta. — Então, estava presa de qualquer jeito. Antes que ela pudesse retrucar, a empregada se aproximou. — O quarto está pronto, senhor. Estendi a mão para Lara. — Vamos. Ela não pegou. Em vez disso, abraçou o próprio corpo e andou atrás de mim, como um animal acuado. Quando entramos no quarto, vi seu olhar surpreso. Era um dos melhores quartos da mansão, com uma cama imensa, lençóis de seda e uma sacada com vista para a cidade iluminada. — Agora, vamos às regras. Ela se virou para mim, a expressão endurecendo. — Regras? — Sim. Aqui em Dubai, a esposa deve respeitar o marido. Você nunca deve levantar a voz para mim em público, sempre me acompanhar quando eu ordenar e usar roupas adequadas. Isso significa que, quando sairmos, você cobrirá o cabelo e vestirá roupas que cubram seu corpo. Ela me olhava com fúria nos olhos, mas não disse nada. Continuei. — Se me desobedecer, as punições podem variar. Desde restrições, como não sair do quarto, até punições físicas. Ela arregalou os olhos. — Você está falando sério? Inclinei a cabeça. — Eu nunca brinco, Lara. Ela engoliu em seco, e então sua expressão mudou para desconfiança. — Por que eu? Sorri de lado. — Você chamou minha atenção. E eu não perco a oportunidade de ter o que quero. — Eu não sou um objeto que você pode comprar! A risada escapou dos meus lábios. — Mas eu já comprei. Ela explodiu de raiva. — Eu odeio você! — Baixe o tom, Lara — avisei, o tom de ameaça em minha voz. — Não quer receber seu primeiro castigo antes mesmo do casamento, quer? Ela ficou em silêncio, mas o ódio em seus olhos dizia tudo. — O casamento será em dois dias — anunciei. — Sua família estará presente, e farei a cerimônia mais luxuosa que Dubai já viu. Ela soltou um suspiro pesado. — Eu não me importo. Sorri de lado. — Amanhã, sua assistente pessoal irá com você escolher roupas apropriadas. Ela me olhou como se eu tivesse enlouquecido. — Eu não quero o seu dinheiro. Eu não tenho assistente nenhuma. — Tem sim. E você não tem querer. Os olhos dela brilharam de fúria, mas ela ficou quieta. — Além disso, você receberá aulas sobre a cultura do seu novo lar. — Eu não quero. Minha paciência começava a se esgotar. — Mas terá. Dei um passo na direção dela, e ela automaticamente começou a recuar. Continuei avançando até que ela sentiu as costas baterem contra a parede. — Você acha que pode se rebelar contra mim, Lara? Ela não respondeu, apenas me encarou. — Você pertence a mim. E então, sem aviso, capturei seus lábios com os meus. Ela tentou resistir, mas eu senti o momento em que seu corpo relaxou, quando sua raiva começou a ceder à sensação do meu beijo. Suas mãos subiram até meu peito, como se quisesse me afastar, mas então seus dedos se fecharam no tecido da minha camisa. A sensação de vitória percorreu meu corpo. Nos separamos por falta de ar, e no instante seguinte, uma dor ardente atravessou meu rosto. Ela me deu um tapa. Minha visão escureceu de raiva. Agarrei seu pulso, segurando sua mão com força. — Se você bater no meu rosto de novo, eu arranco sua mão. Ela me olhava com olhos arregalados, a respiração ofegante. — Quem manda aqui sou eu. E então a joguei na cama, com força suficiente para que entendesse seu lugar. Lara ficou ali, me encarando, o peito subindo e descendo, os olhos cheios de um misto de raiva e medo. Sem dizer mais nada, saí do quarto e fechei a porta atrás de mim. Ela aprenderia. Eu faria questão disso.LiaraAcordei assustada e com uma dor de cabeça terrível. Provavelmente era consequência de tantas horas chorando. Bastou abrir os olhos para as lembranças da noite anterior voltarem de uma vez, fazendo meu estômago se revirar. Sentia nojo só de pensar no que aquele desgraçado havia feito comigo. Ainda não conseguia acreditar que ele teve coragem de matar minha mãe diante de mim e, depois, ultrapassar todos os limites daquela maneira. Pelo visto, Raj já não exercia o mesmo controle de antes sobre os próprios filhos, porque Ali havia se transformado em algo ainda pior do que eu imaginava. Mas aquilo não terminaria daquela maneira. Eu podia estar ferida, sem território e sem saber sequer o que restava da minha antiga vida, mas continuava viva. Ali pagaria pelo que fez. Eu encontraria uma maneira de destruir tudo o que ele ainda possuía.Sentei-me na cama com dificuldade e tentei entender onde estava. As lembranças chegaram aos poucos. A estrada, a motocicleta, o homem que havia parado p
AbbasTenho vinte e três anos e sou filho de Ebraim e Viyan. Sou aquele filho que nasceu algum tempo depois de toda a confusão que aconteceu quando minha mãe descobriu uma nova gravidez. Enfim, esse sou eu. Com o passar dos anos, assumi o lugar do meu pai e hoje sou responsável pelos territórios e negócios que antes estavam sob o comando dele em Dubai. Comando tudo com mão de ferro, não tenho muita paciência e aprendi cedo que, no nosso mundo, qualquer demonstração de fraqueza pode custar muito caro. Naquela noite, eu estava voltando de uma reunião com Karim. Ele havia descoberto que teríamos problemas com uma delegada e queria minha participação para eliminá-la antes que ela prejudicasse nossos negócios. Foi durante o caminho de volta que encontrei uma mulher completamente ferida e coberta de sangue. Eu sabia que não deveria me envolver em problemas que não eram meus, principalmente naquele momento, mas também não conseguiria simplesmente deixá-la naquele estado. Levei-a para uma clí
AliQuando vi a fotografia da filha de Pashir aparecendo nos noticiários, fui imediatamente chamar meu pai e minha irmã. Nós três ficamos observando a televisão e acabamos rindo da situação, porque aquilo certamente estava causando problemas para eles. Não significava que seria suficiente para atrapalhar nossos planos, mas qualquer distração naquele momento trabalhava a nosso favor. Fashan provavelmente estaria ocupado demais para ajudar Liara, e isso significava que ela poderia finalmente ter baixado a guarda. Eles esperavam que nós atacássemos imediatamente, movidos pela raiva, mas fizemos exatamente o contrário. Esperamos. Precisávamos nos recuperar, reorganizar nossos homens e escolher o momento certo. Minha mãe continuava mantendo distância de nós porque dizia que havíamos perdido completamente o juízo, mas ninguém naquela sala estava interessado na opinião de Sasha.— Os homens já estão preparados. Podemos avançar quando você ordenar — Maia avisou.Raj permaneceu sentado, observ
KarimEla estava sentada na cadeira à minha frente, as mãos presas. Os olhos arregalados, como quem ainda tentava entender o motivo de estar ali. Eu me sentei sem pressa. Queria que ela visse o peso daquela sala. Queria que entendesse que aquilo não era conversa de bar. A família da amiga dela tinha atacado a Kinza. Tinham colocado o rosto da minha mulher na televisão. Tinham tentado levá-la como se ela fosse criminosa. E agora eu precisava saber até onde a Dina estava limpa.Se ela colaborasse, saía. Se não colaborasse, eu não ia poder deixar uma ponta solta. Uma morte a mais. Só de pensar nisso o estômago revirou. Eu não queria isso. Mas também não ia arriscar a Kinza de novo.— Você está aqui porque a família da Rania atacou a Kinza — comecei, com a voz baixa. — Acho que você já sabe. O rosto dela está em todos os noticiários. E isso é uma injustiça. Ela não tem nada a ver com o que a gente faz. Não trafica, não comanda, não carrega arma. Só estuda. Só tenta viver. Mas a Rania não
KarimAssim que eles entraram, peguei o rádio e pedi que levassem a Dina para a sala da base. Eu precisava voltar para casa e conversar com ela. Estava furioso e ela ia ter que me passar o endereço da Rania e tudo o que soubesse. O pior era que agora eu nem sabia se podia deixar a Dina permanecer. Qualquer pessoa ligada àquela mulher deixava de ser confiável. Mas eu também não podia sair expulsando morador. Isso passaria a imagem errada. Pelo menos não agora.Quando responderam que ela já estava na sala, respirei fundo e me sentei. Não havia muito o que fazer naquele momento. Eu precisava manter a calma para ajudar da melhor forma. Se eu perdesse o controle, não ia resolver nada. Só ia piorar. Agora era hora de agir com cálculo, não por impulso.O Pashir demorou. Fiquei do lado de fora tentando me conter. A cada minuto eu me sentia mais culpado pelo que tinha acontecido com a Kinza. No fundo, a culpa era minha. Eu me envolvi com aquela mulher e agora ela fez mal à minha namorada. Eu n
KarimQuando o Pashir me ligou, fiquei desacreditado de que isso estava acontecendo com a Kinza. Mas foi só ligar a televisão que eu acreditei. Eu não acredito que eles tiveram coragem de expô-la desse jeito. Eu não acredito que tiveram coragem de acabar com a vida dela só porque eu não quis a Rania. Isso tudo por causa de uma menina mimada… ou melhor, por causa de uma mãe mimada que acha que pode destruir a minha vida e a vida da minha namorada porque a filha dela foi parar no hospital por fazer merda. Não é possível.É claro que eu tive que reunir uma tropa para vir até a área da família dela. Quando cheguei, não falei nada. Vim direto para o hospital. Na recepção, bati de frente com o Pashir. Ele estava sentado, tremendo. Aproximei-me devagar e falei:— Me diz que está tudo bem com ela. Me diz que o tiro que ela levou foi de raspão. Me diz que o médico já falou que ela está bem, que está fora de perigo, pelo amor de Deus.Ele me encarou durante alguns segundos, respirou fundo e fal







