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CAPÍTULO 137

Author: Sol Rodrigues
last update publish date: 2026-10-23 10:41:24

Mordi a parte interna da bochecha para não rir. Era impressionante como ela conseguia me acusar de ser um canalha com a mesma naturalidade com que respirava, e o mais irritante era que a história parecia confirmar boa parte das acusações. Eu tinha perdido a memória, não a capacidade de reconhecer uma situação comprometedora quando ela era apresentada diante de mim, embora precisasse admitir que a minha versão mais jovem parecia ter levado a autoconfiança a um nível que deveria ser estudado por
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  • Vendida para Thomas   CAPÍTULO 170

    Na tela, havia um corredor parcialmente iluminado. A gravação estava cheia de ruídos, mas uma sombra atravessava o ambiente.— Este é o primeiro registro que conseguimos recuperar. A imagem vem de uma câmera instalada na parte interna da casa, próxima à circulação que dava acesso à cozinha. O equipamento ainda estava funcionando quando o homem entrou, mas o arquivo apresenta falhas.— Dá para identificar quem é?— Não. A imagem original não permite reconhecer o rosto. Conseguimos apenas confirmar que se trata de uma pessoa adulta, aparentemente do sexo masculino, que entrou na residência antes de Bárbara voltar para dentro da casa.Henrique apontou para a sequência seguinte.— Também conseguimos reconstruir o momento em que Gustavo recebeu a orientação para levar Bruna ao hospital. Ele colocou as duas irmãs no veículo e saiu da propriedade. As imagens externas confirmam a saída do carro.— E Bárbara voltou?— Sim. Há um registro da câmera instalada na parte frontal da casa. Ela aparec

  • Vendida para Thomas   CAPÍTULO 169

    Bruna me deu as costas e entrou no quarto com tanta raiva que nem sequer se preocupou em fechar a porta com cuidado. O estrondo ecoou pelo corredor, e permaneci parado, olhando para a madeira por alguns segundos. Aquela não era a primeira vez que discutíamos sobre Bárbara, tampouco seria a última, caso eu continuasse me recusando a aceitar o que ela considerava inevitável.Eu entendia a revolta de Bruna. Ela também havia perdido a irmã, também precisava conviver com uma ausência que parecia ocupar todos os espaços da casa, mas não conseguia tomar aquela decisão sem pensar em Bia. Meu celular tocou antes que eu pudesse voltar ao escritório.— Thomas?Reconheci a voz de Henrique, um dos investigadores responsáveis pelo caso.— Estou ouvindo.— Conseguimos informações novas sobre a noite do incêndio. Acredito que o senhor precisa ver o material pessoalmente.Endireitei a postura.— O que vocês encontraram?— Prefiro explicar com os documentos diante do senhor. Há imagens recuperadas, u

  • Vendida para Thomas   CAPÍTULO 168

    THOMAS ..Bárbara lutou como uma leoa por sete dias. Mas no sétimo, ela foi embora. Os gritos de Bia e Bruna ficaram marcados na minha mente.Os médicos iniciaram as manobras de reanimação, mas, daquela vez, não conseguiram reverter o quadro da maneira como haviam feito anteriormente. Depois de uma avaliação neurológica criteriosa e dos exames necessários, a equipe nos chamou para conversar.O médico responsável não tentou suavizar o que precisava ser dito.— Sinto muito. Bárbara preenche os critérios para o diagnóstico de morte encefálica.Bia começou a negar com a cabeça antes mesmo que ele terminasse de explicar. Bruna chorava ao meu lado, enquanto eu tentava compreender cada palavra.— Não existe possibilidade de recuperação? Perguntei.Ele manteve a expressão séria.— Não, senhor. O diagnóstico foi confirmado conforme os procedimentos exigidos. A pessoa com morte encefálica é considerada legalmente morta. Os aparelhos podem manter temporariamente algumas funções do organismo

  • Vendida para Thomas   CAPÍTULO 167

    Eu e Bruna recebemos alta dois dias depois do incêndio. Nosso corpo ainda carregava as consequências da fumaça, e eu precisava de cuidados por causa da gravidez, mas não havia nada que me fizesse permanecer longe daquele hospital. Todos os dias estávamos lá, sentadas perto uma da outra, esperando notícias, perguntando aos médicos sobre os exames e tentando acreditar que Bárbara abriria os olhos.Bruna quase não falava. Às vezes, ficava olhando para as próprias mãos, outras vezes encostava a cabeça no meu ombro e fechava os olhos. Eu sabia que ela estava sofrendo tanto quanto eu, talvez até mais, porque as duas haviam dividido uma vida inteira, e agora precisávamos aprender a imaginar o futuro sem a presença da pessoa que sempre esteve entre nós.Thomas tentava cuidar de tudo. Cuidava de mim, acompanhava Bruna, conversava com os médicos e resolvia as questões que surgiam depois do incêndio. Eu via o cansaço no rosto dele, a preocupação que tentava esconder e o esforço para não demonstr

  • Vendida para Thomas   CAPÍTULO 166

    BIA..CINCO MESES DEPOIS...Yakutsk, na Sibéria, é considerada uma das cidades habitadas mais frias do planeta, um lugar onde o inverno transforma o ar em uma ameaça e a temperatura pode cair tanto que até respirar parece exigir coragem. Dizem que, quando o frio chega ao extremo, as pessoas aprendem a respeitar o silêncio, a permanecer dentro de casa e a não desperdiçar calor com portas abertas. Talvez por isso eu tenha escolhido um lugar assim para desaparecer, embora, no fundo, saiba que não existe temperatura capaz de congelar uma dor que continua queimando por dentro.Daqui, deste quarto escuro, não consigo ouvir nada do lado de fora, apenas eu, minha solidão e o eco do grito que dei cinco meses atrás naquele hospital.Ninguém sabe onde estou. Me tornei uma desaparecida, como se não tivesse sido escolha minha sumir, como se alguém tivesse me arrancado do mundo sem deixar pistas, quando a verdade é que fui eu quem decidiu desaparecer. Eu escolhi não ser encontrada, escolhi n

  • Vendida para Thomas   CAPÍTULO 165

    Não queria me sentar, não queria relaxar e muito menos queria ouvir o que ele estava prestes a dizer, embora soubesse que não tinha escolha.— Senhor Thomas, antes de qualquer coisa, preciso explicar a gravidade do quadro dela.— Então explique.Minha voz saiu seca, quase agressiva, mas eu não tinha forças para fingir tranquilidade. O médico abriu a prancheta e consultou algumas informações antes de voltar a me encarar.— Bárbara chegou ao hospital em estado bastante delicado, apresentando comprometimento respiratório importante em decorrência da inalação de fumaça. Nossa equipe iniciou os procedimentos necessários imediatamente, mas, durante o atendimento, ela sofreu 4 paradas cardíacas.Senti o chão desaparecer por alguns segundos.— Quatro?— Sim. Foi necessário iniciar as manobras de reanimação. Conseguimos restabelecer a circulação, mas ela não apresentou uma recuperação respiratória adequada.Olhei para ele sem conseguir compreender como aquelas palavras podiam estar relacionada

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